139. Certos Espíritos, e antes deles certos filósofos, definiram a alma: Uma centelha anímica emanada do grande Todo; por que essa contradição?
“Não há contradição; isso depende da acepção das palavras. Por que não tendes uma palavra para cada coisa?”
A palavra alma é empregada para exprimir coisas muito diferentes. Uns chamam assim o princípio da vida, e nesta acepção é exato dizer, em sentido figurado, que a alma é uma centelha anímica emanada do grande Todo. Estas últimas palavras indicam a fonte universal do princípio vital de que cada ser absorve uma porção, e que retorna à massa após a morte. Esta ideia não exclui em absoluto a de um ser moral distinto, independente da matéria e que conserva sua individualidade. É a esse ser que se chama igualmente alma, e é nessa acepção que se pode dizer que a alma é um Espírito encarnado. Dando da alma definições diferentes, os Espíritos falaram segundo a aplicação que faziam da palavra, e segundo as ideias terrestres das quais estavam ainda mais ou menos imbuídos. Isso se deve à insuficiência da linguagem humana, que não tem uma palavra para cada ideia, e daí a fonte de inúmeros equívocos e discussões: eis por que os Espíritos superiores nos dizem para nos entendermos primeiro sobre as palavras[1].
[1] Ver, na Introdução, a explicação sobre a palavra alma, § II.