134. Por que uns nascem na indigência e outros na opulência? Por que há pessoas que nascem cegas, surdas, mudas ou afetadas de enfermidades incuráveis, enquanto outras têm todas as vantagens físicas? Trata-se de efeito do acaso ou da Providência?
Se é efeito do acaso, não há Providência; se é efeito da Providência, perguntamos onde está sua bondade e sua justiça? Ora, é por não compreenderem a causa desses males que tantas pessoas são levadas a acusá-la. Compreende-se que aquele que se torna miserável ou enfermo por suas imprudências ou excessos seja punido por aquilo em que pecou; mas se a alma é criada ao mesmo tempo que o corpo, o que ela fez para merecer tais aflições desde seu nascimento ou para delas ser isentada? Se admitimos a justiça de Deus, devemos admitir que esse efeito tem uma causa; se tal causa não se encontra nessa vida, ela deve estar antes da vida, pois em todas as coisas a causa deve preceder o efeito; por isso, é preciso que a alma tenha vivido e que tenha merecido uma expiação. Com efeito, os estudos espíritas nos mostram que mais de um homem nascido na miséria foi rico e respeitado numa existência anterior, mas fez mau uso da fortuna que Deus lhe havia dado para administrar; que mais de um que nasceu na abjeção foi orgulhoso e poderoso, abusou de seu poder e oprimiu o fraco; os estudos no-lo mostram às vezes submetido às ordens daquele mesmo a quem havia comandado com dureza, sofrendo com os maus tratos e a humilhação que havia feito sofrer aos outros.
Uma vida penosa nem sempre é uma expiação; quase sempre é uma prova escolhida pelo Espírito, que vê um meio de avançar mais rapidamente se a suporta com coragem. A riqueza também é uma prova, porém mais perigosa ainda que a miséria, pelas tentações que oferece e pelos abusos que provoca; ademais, o exemplo daqueles que viveram prova que ela é uma das quais raramente se sai vitorioso.
A diferença das posições sociais seria a maior das injustiças, quando não resulta da conduta atual, se ela não tivesse uma compensação. É a convicção dessa verdade, que se adquire pelo Espiritismo, que dá a força para suportar as vicissitudes da vida e faz com que se aceite seu destino sem invejar o dos outros.