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Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas » Capítulo IV – Diferentes modos de comunicação » Sematologia e tiptologia

DIFERENTES MODOS DE COMUNICAÇÃO

Por diversos modos podem os Espíritos comunicar-se conosco. Definimo-los no Vo­cabulário. Daremos agora sobre cada um deles o desenvolvimento necessário à prática.

SEMATOLOGIA E TIPTOLOGIA

Primitivamente foi usada a mesa como meio de correspondência, unicamente por ser um objeto cômodo, pela facilidade, que se tem de sentar-se em sua volta e por ser o pri­meiro sobre o qual se produziram os movimentos que deram lugar à expressão burlesca de dança das mesas. Importa, porém, saber que uma mesa não tem maior influência no caso do que qualquer outro objeto ou móvel. Tomaremos o fenômeno em seu aspecto mais simples.

Se uma pessoa colocar as pontas dos dedos sobre a borda de um objeto circular, mó­vel, como, por exemplo, uma taça, um prato, um chapéu, um copo, etc.; e se, nessa situa­ção, concentrar a vontade sobre o objeto a fim de fazê-lo mover-se, poderá acontecer que o mesmo objeto se agite num movimento de rotação, lento a princípio, depois cada vez mais rápido, a ponto de ser difícil acompanhá-lo. O objeto girará para a direita, ou para a esquerda, conforme a direção indicada pela pessoa, verbal ou mentalmente. Desde que se estabeleça a comunicação fluídica entre a pessoa e o objeto, pode este produzir o mo­vimento sem contacto, por simples ação mental. Dissemos que isto pode acontecer, por­que realmente não há certeza absoluta de sucesso. Certas pessoas são dotadas, a esse respeito, de uma força tal que o movimento se produz ao cabo de alguns segundos. Ou­tras só o conseguem depois de cinco ou dez minutos. Enfim, outras absolutamente não o conseguem. Sem a experimentação não há diagnóstico possível para reconhecer a apti­dão para produzir tal fenômeno. Nisso não entra a força física: pessoas frágeis e delica­das muitas vezes conseguem mais que homens vigorosos. É um ensaio que cada um pode fazer sem o menor perigo, posto que, às vezes; produza uma grande fadiga muscu­lar e uma espécie de agitação febril.

Se a pessoa for dotada de uma força suficiente, ela só poderá fazer mover-se uma mesinha; às vezes, até, atuar sobre uma mesa pesada e maciça. Para isto, porém, é ne­cessária uma força excepcional. 

Para operar com mais segurança sobre uma mesa de certo peso, sentam-se diversas pessoas em seu redor; o número é indiferente; também não há necessidade de alternar os sexos, nem de estabelecer contado entre os dedos dos assistentes: basta pôr as pon­tas dos dedos estirados sobre a borda da mesa, como sobre o teclado do piano. Tudo isto é indiferente. Por outro lado, há condições essenciais mais difíceis de preencher: a con­centração do pensamento de todos, visando obter um movimento num sentido ou em outro; um recolhimento e um silêncio absolutos e, sobretudo, uma grande paciência. O movimento Se opera por vezes em cinco ou dez minutos; mas por vezes é preciso resig­nar-se a uma espera de meia hora e até mais. Se depois de uma hora nada foi obtido, é inútil continuar.

Devemos acrescentar que certas pessoas são antipáticas a esse fenômeno e sua in­fluência negativa pode exercer-se pelo fato de sua simples presença; outras são comple­tamente neutras. Em geral quanto menos espectadores melhor, seja porque haverá menos chance de entre eles haver antipáticos, seja porque o silêncio e o recolhimento se tornam mais fáceis.

O fenômeno é sempre provocado por efeito da aptidão especial de algumas pessoas cuja força se acha multiplicada pelo número. Quando a força é bastante grande, a mesa não se limita a girar: agita-se, levanta-se, ergue-se num pé, balança-se como um navio e acaba erguendo-se do solo sem qualquer ponto de apoio.

Uma coisa admirável é que, seja qual for a inclinação da mesa, os objetos que se a­cham sobre ela se mantêm e nem mesmo a lâmpada sofre qualquer risco. Fato não menos singular é que, estando inclinada se apoiando sobre um pé só, pode oferecer uma resistência tal que o peso de uma pessoa não consiga baixá-la. 

Quando se chega a produzir um movimento enérgico, o contado das mãos se torna desnecessário: as pessoas podem então afastar-se da mesa e ela se dirige para a direita, para a esquerda, para a frente, para trás, para esta ou aquela pessoa designada, eleva-se sobre um pé ou sobre outro, conforme a ordem que lhe é dada.

Até aqui esses fenômenos não denotam nenhum caráter essencialmente inteligente: nem por isso são menos dignos de observação, como produto de uma força desconheci­da. Aliás são de natureza a convencer certas pessoas que não o seriam por meio de provas filosóficas. É o primeiro passo na ciência espírita, que conduz muito naturalmente aos meios de comunicação.

O mais simples de todos os meios é, como no homem privado da palavra ou da escri­ta, a linguagem dos sinais. Um Espírito pode comunicar seu pensamento pelo movimento de um objeto qualquer. Conhecemos alguém que se entretinha com seu Espírito familiar, aliás uma criatura a quem muito estimava, por meio do primeiro objeto que aparecesse: uma régua, uma faca para papel, encontrados à mesa de trabalho. Ele punha os dedos sobre o objeto e, depois de ter evocado esse Espírito, a régua se movia para a direita e para a esquerda, para dizer sim ou não, conforme convencionado, indicava números, etc. O mesmo resultado é obtido com uma mesa ou uma tripeça. Colocados os dedos em seu bordo, quer só, quer acompanhado, chamando-se um Espírito, se ele se apresentar e julgar conveniente revelar-se, a mesa se ergue, se abaixa, se agita, e por movimentos para a direita e para a esquerda, ou movimentos basculantes, responde afirmativa ou ne­gativamente. Pela trepidação exprime alegria, impaciência e até cólera; por vezes cai vio­lentamente ou se precipita sobre um dos assistentes, como se tivesse sido empurrada por mãos invisíveis; e nesse movimento pode reconhecer-se a expressão de um sentimento de afeição ou de antipatia. Um dos nossos amigos estava uma noite em seu salão, ocu­pado com manifestações desse gênero; recebeu uma carta; enquanto a lia, a tripeça a­vançou para ele, aproximando-se da carta, espontaneamente, sem que ninguém a influ­enciasse. Terminada a leitura ele foi colocar a carta sobre uma mesa do outro lado do salão; a tripeça o seguiu e foi precipitar-se sobre a carta. Concluiu ele, daí, que se achava presente um Espírito recém-chegado, simpático ao autor da carta e que queria comunicar-­se com ele. Tendo-o interrogado por meio da tripeça, as previsões se confirmaram. Eis o que chamamos sematologia, ou linguagem dos sinais.

A tiplologia, ou linguagem dos golpes vibrados oferece mais precisão. É obtida por dois modos diversos.

O primeiro, que chamamos tiptologia pelo movimento, consiste nos golpes dados pela própria mesa, com um de seus pés. Tais golpes podem responder sim ou não, con­forme o seu número convencionado para exprimir uma ou outra resposta. Estas são, co­mo bem se compreende, muito incompletas, sujeitas a enganos e pouco convincentes para os novatos, porque sempre podem ser atribuídas ao acaso.

A tiptologia íntima é produzida de modo inteiramente diverso. Já não é a mesa que bate: ela fica imóvel, mas os golpes ressoam na própria substância da madeira, da pedra ou de qualquer outro corpo e por vezes com bastante força para serem ouvidos na sala vizinha. Se se aplicar o ouvido ou a mão sobre uma parte qualquer da mesa, percebe-se a sua vibração dos pés ao tampo. Esse fenômeno é obtido tornando-se a mesma atitude, com a diferença que o movimento puro e simples pode ocorrer sem evocação, ao passo que, quanto a estes golpes, quase sempre é preciso apelar a um Espírito. 

Nesses golpes se reconhece a intervenção de uma inteligência, por isso que eles o­bedecem ao pensamento. Assim, conforme o desejo expresso verbalmente ou mesmo mentalmente, eles mudam de lugar, fazem-se ouvir junto a uma determinada pessoa, fa­zem a volta da mesa, soam mais forte ou mais fracamente, imitam o eco, o ruído da serra, do martelo, do tambor, a descarga de fuzilaria, marcam o compasso de uma determinada música, indicam a hora, o número das pessoas presentes, etc., ou, ainda, deixam a mesa e vão-se fazer ouvir na parede, na porta, num ponto convencionado; enfim, respondem sim ou não às perguntas que lhes são dirigidas. Tais experiências são antes um objeto de curiosidade, pois não comportam comunicações sérias. Os Espíritos que se manifes­tam assim, em geral pertencem a uma ordem inferior. Os Espíritos sérios não se prestam a essa exibição de força como, entre nós, os homens respeitáveis não se prestam às pa­lhaçadas dos saltimbancos. Quando interrogados a respeito, assim respondem: “Porven­tura entre vós são os homens superiores que fazem os ursos dançar?”

Oferece-nos a tiptologia alfabética um meio de correspondência mais fácil e mais completo. Consiste na designação das letras do alfabeto por um número de golpes cor­respondente à ordem numérica de cada letra, e desta maneira, formam-se palavras e fra­ses. Contudo o processo, por sua lentidão, tem o grande inconveniente de não se prestar a desenvolvimentos de certa extensão. Assim, é ele abreviado numa porção de casos. Muitas vezes basta conhecer as primeiras letras de uma palavra para adivinhá-la e, então, não se deixa acabá-la. Na dúvida, pergunta-se se é a palavra que se supõe e o Espírito responderá sim ou não, pelos sinais convencionais.

A tiptologia alfabética pode obter-se pelos dois modos que acabamos de indicar: os golpes vibrados pela mesa e os que se fazem ouvir na substância de um corpo sólido. Para as comunicações um pouco sérias preferimos o primeiro processo por duas razões: uma é que, de certo modo, ele é mais manejável e há um maior número de pessoas com essa aptidão; o outro diz com a natureza dos Espíritos. Na tiptologia íntima os Espíritos que se manifestam são, em geral, os chamados Espíritos batedores: levianos, por vezes muito divertidos, mas sempre ignorantes. Podem ser agentes de Espíritos sérios, confor­me as circunstâncias, mas em geral agem espontaneamente e por conta própria. Ao pas­so que a experiência prova que Os Espíritos das outras ordens se comunicam melhor pelo movimento.

Em todo caso, a tiptologia alfabética é um modo de comunicação de que os Espíritos superiores se servem a contra-gosto e apenas em falta de um melhor. Eles preferem os que se prestam à rapidez do pensamento, e devido a essa lentidão, que os impacienta, abreviam suas respostas. Eles já acham a nossa linguagem muito lenta e, com mais forte razão, quando o processo lhe agrava a lentidão. 


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