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Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas » Capítulo II – Das manifestações Espíritas – Ação oculta » Manifestações aparentes Instructions Pratiques sur les Manifestations Spirites » Chapitre II - Des manifestations Spirites » Manifestations apparentes

As manifestações aparentes mais ordinárias dão-se no sono, pelos sonhos: são as vi­sões. Jamais foram os sonhos explicados pela ciência. Julga ela tudo haver dito, atribuin­do-os a um efeito da imaginação. Mas não diz o que é a imaginação, nem como produz ela essas imagens tão claras e tão límpidas que, por vezes, nos aparecem. É explicar uma causa desconhecida por outra que não o é menos. A questão permanece, assim, por inteiro. Dizem que é uma lembrança das preocupações da vigília, mas, mesmo admitindo tal solução, que não é única, restaria saber qual é esse espelho mágico que assim con­serva a impressão das coisas; como explicar sobretudo essas visões de coisas reais, que jamais foram vistas no estado de vigília e nas quais jamais se pensou? Só o Espiritismo nos poderia dar a chave desse fenômeno bizarro, que passa despercebido por força de sua mesma vulgaridade, como todas as maravilhas da natureza que calcamos aos nossos pés[1]. Não cabe no nosso plano examinar todas as particularidades que podem os sonhos apresentar; cingimo-nos a dizer o que podem eles ser; uma visão atual das coisas presen­tes ou ausentes; uma visão retrospectiva do passado e, nalguns casos excepcionais, um pressentimento do futuro. Por vezes são quadros alegóricos, que os Espíritos fazem pas­sar aos nossos olhos, a fim de nos darem avisos úteis e conselhos salutares, quando se trata de bons Espíritos, ou para induzir-nos em erro e lisonjear as nossas paixões se, se trata de Espíritos imperfeitos.

As pessoas que vemos em sonho são verdadeiras visões. Se sonhamos mais frequentemente com as que preocupam a nossa mente, é que o pensamento é um modo de evocação e por ele nós chamamos a nós o Espírito dessas pessoas, sejam elas vivas ou mortas. 

Seria uma injúria ao bom senso de nossos leitores refutar tudo quanto existe de ab­surdo e de ridículo naquilo que vulgarmente é apresentado como interpretação dos so­nhos. 

As aparições propriamente ditas dão-se em estado de vigília, quando gozamos da plenitude e da inteira liberdade de nossas faculdades. É incontestavelmente o gênero de manifestações mais adequado a excitar a curiosidade, mas é, também, o menos fácil de obter-se. Podem os Espíritos manifestar-se ostensivamente de vários modos: por vezes é sob forma de flamas ligeiras e de luares mais ou menos brilhantes, sem qualquer ana­logia, tanto pelo aspecto quanto pelas circunstâncias nas quais se produzem, com os fo­gos fátuos e outros fenômenos físicos cuja causa está perfeitamente demonstrada. Outras vezes tomam os traços de uma pessoa conhecida ou desconhecida, sobre cuja individua­lidade podemos iludir-nos, conforme as idéias de que estejamos imbuídos. É então uma imagem vaporosa, etérea, que não encontra qualquer obstáculo nos corpos sólidos. Os fatos desse gênero são numerosos. Mas antes de os atribuir à imaginação ou à charlata­nice, devem levar-se em conta as circunstâncias em que os mesmos se produzem, a po­sição e, principalmente, o caráter do narrador.

Em certos casos a aparição se torna tangível, isto é, adquire momentaneamente e sob o império de certas circunstâncias, as propriedades da matéria sólida. Então não é mais pelos olhos que constatamos a realidade, mas pelo tacto. Se se pudesse atribuir à ilusão ou a uma espécie de fascinação a aparição apenas visual, a dúvida já não seria permissí­vel quando se pode tocar, pegar e apalpar, quando ela mesma nos agarra e nos abraça[2].



[1] Vide o verbete Sonho no vocabulário.

[2] Vide na REVISTA ESPIRITA, meses de março, abril e maio de 1858, a descrição e a expli­cação das manifestações desse gênero. Vide, também, trabalhos mais recentes de escritores espíritas e sua abundante documentação. N. do editor francês.


Les manifestations apparentes les plus ordinaires ont lieu dans le sommeil, par les rêves: ce sont les visions. Les rêves n'ont jamais été expliqués par la science; elle croit avoir tout dit en les attribuant à un effet de l'imagination; mais elle ne nous dit pas ce que c'est que l'imagination, ni comment elle produit ces images si claires et si nettes qui nous apparaissent quelquefois; c'est expliquer une chose qui n'est pas connue, par une autre qui ne l'est pas davantage; la question reste donc tout entière. C'est, dit-on, un souvenir des préoccupations de la veille; mais en admettant même cette solution, qui n'en est pas une, il resterait encore à savoir quel est ce miroir magique qui conserve ainsi l'empreinte des choses; comment expliquer surtout ces visions de choses réelles que l'on n'a jamais vues à l'état de veille et auxquelles même on n'a jamais pensé? Le spiritisme seul pouvait nous donner la clef de ce phénomène bizarre qui passe inaperçu à cause de sa vulgarité même, comme toutes les merveilles de la nature que nous foulons sous nos pieds[1]. Il ne peut entrer dans notre cadre d'examiner toutes les particularités que peuvent présenter les rêves; nous nous résumons en disant qu'ils peuvent être: une vision actuelle des choses présentes ou absentes; une vision rétrospective du passé, et, dans quelques cas exceptionnels, un pressentiment de l'avenir. Ce sont souvent aussi des tableaux allégoriques que des Esprits font passer sous nos yeux pour nous donner d'utiles avertissements et de salutaires conseils, si ce sont de bons Esprits, ou pour nous induire en erreur et flatter nos passions, si ce sont des Esprits imparfaits.

Les personnes que nous voyons en songe sont donc de véritables visions; si nous rêvons plus souvent à celles qui préoccupent notre pensée, c'est que la pensée est un mode d'évocation, et que par elle nous appelons à nous l'Esprit de ces personnes, qu'elles soient mortes ou vivantes.

Nous croirions faire injure au bon sens de nos lecteurs en réfutant tout ce qu'il y a d'absurde et de ridicule dans ce qu'on nomme vulgairement l'interprétation des songes.

Les apparitions proprement dites ont lieu à l'état de veille et alors qu'on jouit de la plénitude et de l'entière liberté de ses facultés. C'est sans contredit le genre de manifestation le plus propre à exciter la curiosité, mais c'est aussi le moins facile à obtenir. Les Esprits peuvent se manifester ostensiblement de différentes manières; quelquefois c'est sous forme de flammes légères ou de lueurs plus ou moins brillantes qui n'ont aucune analogie, ni par leur aspect, ni par les circonstances dans lesquelles elles se produisent, avec les feux follets et d'autres phénomènes physiques dont la cause est parfaitement démontrée. D'autres fois, ils prennent les traits d'une personne connue ou inconnue, sur l'individualité de laquelle on peut se faire illusion selon les idées dont on est imbu. C'est alors une image vaporeuse, éthérée, qui ne rencontre aucun obstacle dans les corps solides. Les faits de ce genre sont nombreux; mais avant de les attribuer à l'imagination ou à la supercherie, il faut tenir compte des circonstances dans lesquelles ils se sont produits, de la position et surtout du caractère du narrateur.

Dans certains cas, l'apparition devient tangible, c'est à dire qu'elle acquiert momentanément, et sous l'empire de certaines circonstances, les propriétés de la matière solide. Ce n'est plus alors par les yeux qu'on en contacte la réalité, mais par le toucher. Si l'on pouvait attribuer à l'illusion ou à une sorte de fascination l'apparition simplement visuelle, le doute n'est plus permis quand on peut la toucher, la saisir, la palper; quand elle-même vous saisit et vous étreint[2].



[1] Voyez le mot rêve dans le vocabulaire.

[2] Voyez dans la Revue spirite des mois de mars, avril et mai 1858, le récit et l'explication des manifestations de ce genre. (Voyez aussi les travaux les plus récents des écrivains spirites et leur très abondante documentation. - N. de l'E.)


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