1. A Terra conserva em si os traços evidentes da sua formação. Acompanham-se-lhe as fases com precisão matemática, nos diferentes terrenos que lhe constituem o arcabouço. O conjunto desses estudos forma a ciência chamada Geologia, ciência nascida deste século (XIX) e que projetou luz sobre a tão controvertida questão da origem do globo terreno e da dos seres vivos que o habitam. Neste ponto, não há simples hipótese; há o resultado rigoroso da observação dos fatos e, diante dos fatos, nenhuma dúvida se justifica. A história da formação da Terra está escrita nas camadas geológicas, de maneira bem mais certa do que nos livros preconcebidos, porque é a própria Natureza que fala, que se põe a nu, e não a imaginação dos homens a criar sistemas. Desde que se notem traços de fogo, pode dizer-se com certeza que houve fogo ali; onde se vejam os da água, pode dizer-se que a água ali esteve; desde que se observem os de animais, pode dizer-se que viveram aí animais. A Geologia é, pois, uma ciência toda de observação; só tira deduções do que vê; sobre os pontos duvidosos, nada afirma; não emite opiniões discutíveis, por esperar de observações mais completas a solução procurada. Sem as descobertas da Geologia, como sem as da Astronomia, a Gênese do mundo ainda estaria nas trevas da lenda. Graças a elas, o homem conhece hoje a história da sua habitação, tendo desmoronado, para não mais tornar a erguer-se, a estrutura de fábulas que lhe rodeavam o berço. 2. Em todos os terrenos onde existam valas, escavações naturais ou praticadas pelo homem, nota-se o a que se chama estratificações, isto é, camadas superpostas. Os que apresentam essa disposição se designam pelo nome de terrenos estratificados. Essas camadas, de espessura que varia desde alguns centímetros até 100 metros e mais, se distinguem entre si pela cor e pela natureza das substâncias de que se compõem. Os trabalhos de arte, a perfuração de poços, a exploração de pedreiras e, sobretudo, de minas facultaram observá-las até grande profundidade. 3. São em geral homogêneas as camadas, isto é, cada uma constituída da mesma substância, ou de substâncias diversas, mas que existiram juntas e formaram um todo compacto. A linha de separação que as isola umas das outras é sempre nitidamente sulcada, como nas fiadas de uma construção. Em nenhuma parte se apresentam misturadas e sumidas umas nas outras, nos pontos de seus respectivos limites, como se dá, por exemplo, com as cores do prisma e do arco-íris. Por esses caracteres, reconhece-se que elas se formaram sucessivamente, depositando-se uma sobre outra, em condições e por causas diferentes. As mais profundas são, naturalmente, as que se formaram em primeiro lugar, tendo-se formado posteriormente as mais superficiais. A última de todas, a que se acha na superfície, é a camada da terra vegetal, que deve suas propriedades aos detritos de matérias orgânicas provenientes das plantas e dos animais. 4. As camadas inferiores, colocadas abaixo da camada vegetal, receberam em geologia o nome de rochas, palavra que, nessa acepção, nem sempre implica a idéia de uma substância pedrosa, significando antes um leito ou banco feito de uma substância mineral qualquer. Umas são formadas de areia, de argila ou de terra argilosa, de marna, de seixos rolados; outras o são de pedras propriamente ditas, mais ou menos duras, tais como os grés, os mármores, a cré, os calcáreos ou pedras calcáreas, as pedras molares, ou carvões-de-pedra, os asfaltos, etc. Diz-se que uma rocha é mais ou menos possante, conforme é mais ou menos considerável a sua espessura. Mediante o exame da natureza dessas rochas ou camadas, reconhece-se, por sinais certos, que umas provêm de matérias fundidas e, às vezes, vitrificadas sob a ação do fogo; outras, de substâncias terrosas depostas pelas águas; algumas de tais substâncias se conservaram desagregadas, como as areias; outras, a princípio em estado pastoso, sob a ação de certos agentes químicos ou por outras causas, endureceram e adquiriram, com o tempo, a consistência da pedra. Os bancos de pedras superpostas denunciam depósitos sucessivos. O fogo e a água participaram, pois, da formação dos materiais que compõem o arcabouço sólido do globo terráqueo. 5. A posição normal das camadas terrosas ou pedregosas, provenientes de depósitos aquosos, é a horizontal. Ao vermos essas planícies imensas, que por vezes se estendem a perder de vista, de perfeita horizontalidade, lisas como se as tivessem nivelado com um rolo compressor, ou esses vales profundos, tão planos como a superfície de um lago, podemos estar certos de que, em época mais ou menos afastada, tais lugares estiveram por longo tempo cobertos de águas tranqüilas que, ao se retirarem, deixaram em seco as terras que elas depositaram enquanto ali permaneceram. Retiradas as águas, essas terras se cobriram de vegetação. Se, em vez de terras gordas, limosas, argilosas, ou marnosas, próprias a assimilar os princípios nutritivos, as águas apenas depositaram areias silicosas, sem agregação, temos as planícies arenosas que constituem as charnecas e os desertos, dos quais nos podem dar pequena idéia os depósitos que ficam das inundações parciais e os que formam as aluviões na embocadura dos rios. 6. Conquanto a horizontal seja a posição mais generalizada e a que normalmente assumem as formações aquosas, não é raro verem-se, nos países montanhosos e em extensões bem grandes, rochas duras, cuja natureza indica que foram formadas em posição inclinada e, até por vezes, vertical. Ora, como, segundo as leis de equilíbrio dos líquidos e da gravidade, os depósitos aquosos somente em planos horizontais podem formar-se, pois os que se formam sobre planos inclinados são arrastados pelas correntes e pelo próprio peso para as baixadas, evidente se torna que tais depósitos foram levantados por uma força qualquer, depois de se terem solidificado ou transformado em pedras. Destas considerações se pode concluir, com certeza, que todas as camadas pedrosas que, provindo de depósitos aquosos, se encontram em posição perfeitamente horizontal, foram formadas, durante séculos, por águas tranqüilas e que, todas as vezes que se achem em posição inclinada, o solo foi convulsionado e deslocado posteriormente, por subversões gerais ou parciais, mais ou menos consideráveis. 7. Um fato característico e da mais alta importância, pelo testemunho irrecusável que oferece, consiste no existirem, em quantidades enormes, despojos fósseis de animais e vegetais, dentro das diferentes camadas. Como esses despojos se encontram até nas mais duras pedras, há de concluir-se que a existência de tais seres é anterior à formação das aludidas pedras. Ora, se levarmos em conta o prodigioso número de séculos que foram necessários para que se lhes produzisse o endurecimento e para que elas alcançassem o estado em que se acham desde tempos imemoriais, chega-se forçosamente à conclusão de que o aparecimento de seres orgânicos na Terra se perde na noite das idades e é muito anterior, por conseguinte, à data que lhes assina a Gênese.[1] 8. Entre os despojos de vegetais e animais, alguns há que se mostram penetrados em todos os pontos de sua substância, sem que isso lhes alterasse a forma, de matérias silicosas ou calcáreas que os transformaram em pedras, algumas das quais apresentam a dureza do mármore. São as petrificações propriamente ditas. Outros foram apenas envolvidos pela matéria no estado de flacidez; são encontrados intactos e, alguns, inteiros, nas mais duras pedras. Outros, finalmente, apenas deixaram marcas, mas de uma nitidez e uma delicadeza perfeitas. No interior de certas pedras, encontraram-se até marcas de passos e, pela forma do pé, dos dedos e das unhas, chegou-se a reconhecer a espécie animal a que pertenceram. 9. Os fósseis de animais absolutamente não contêm, e isso é fácil de conceber-se, senão as partes sólidas e resistentes, isto é, as ossaturas, as escamas e os cornos; são, não raro, esqueletos completos; as mais das vezes, no entanto, são apenas partes destacadas, mas cuja procedência facilmente se reconhece. Examinando-se uma queixada, um dente, logo se vê se pertence a um animal herbívoro, ou carnívoro. Como todas as partes do animal guardam necessária correlação, a forma da cabeça, de uma omoplata, de um osso da perna, de um pé, basta para determinar o porte, a forma geral, o gênero de vida do animal[2]. Os animais terrestres têm uma organização que não permite sejam confundidos com os animais aquáticos. São extremamente numerosos os peixes e os moluscos testáceos fósseis; só estes últimos formam, às vezes, bancos inteiros de grande espessura. Pela natureza deles, verifica-se sem dificuldade se são animais marinhos ou de água doce. 10. Os seixos rolados, que em certos lugares formam rochas formidáveis, constituem inequívoco indício da origem deles. São arredondados como os calhaus de beira-mar, sinal certo do atrito que sofreram, por efeito das águas. As regiões onde eles se encontram enterrados, em massas consideráveis, foram incontestavelmente ocupadas pelo oceano, ou, durante longo tempo, por outras águas movediças, ou violentamente agitadas. 11. Além disso, os terrenos das diversas formações se caracterizam pela natureza mesma dos fósseis que encerram. As mais antigas contêm espécies animais ou vegetais que desapareceram inteiramente da superfície do planeta. Também desapareceram algumas espécies mais recentes; conservaram-se, porém, outras análogas, que apenas diferem daquelas pelo porte e por alguns matizes de forma. Outras, finalmente, cujos últimos representantes ainda vemos, tendem evidentemente a desaparecer em futuro mais ou menos próximo, tais como os elefantes, os rinocerontes, os hipopótamos, etc. Assim à medida que as camadas terrestres se aproximam da nossa época, as espécies animais e vegetais também se aproximam das que hoje existem. As perturbações, os cataclismos que se produziram na Terra, desde a sua origem, lhe mudaram as condições de aptidão para entretenimento da vida e fizeram desaparecessem gerações inteiras de seres vivos. 12. Interrogando-se a natureza das camadas geológicas, vem-se a saber, de modo mais positivo, se, na época de sua formação, a região onde elas se apresentam era ocupada pelo mar, pelos lagos, ou por florestas e planícies povoadas de animais terrestres. Conseguintemente, se, numa mesma região, se encontra uma série de camadas superpostas, contendo alternativamente fósseis marinhos, terrestres e de água doce, muitas vezes repetidas, constitui esse fato prova irrecusável de que essa região foi muitas vezes invadida pelo mar, coberta de lagos e posta a seco. E quantos séculos de séculos, certamente, quantos milhares de séculos, talvez, não foram precisos para que cada período se completasse! Que força poderosa não foi necessária para deslocar e recolocar o oceano, levantar montanhas! Por quantas revoluções físicas, comoções violentas não teve a Terra de passar, antes de ser qual a vemos desde os tempos históricos! E querer-se que tudo isso fosse obra executada em menos tempo do que o que leva uma planta para germinar! 13. O estudo das camadas geológicas atesta, como já se disse, formações sucessivas, que mudaram o aspecto do globo e lhe dividem a história em muitas épocas, que constituem os chamados períodos geológicos, cujo conhecimento é essencial para a determinação da Gênese. São em número de seis os principais, designados pelos nomes de períodos primário, de transição, secundário, terciário, diluviano, pós-diluviano ou atual. Os terrenos formados durante cada período também se chamam: terrenos primitivos, de transição, secundários, etc. Diz-se, pois, que tal ou tal camada ou rocha, tal ou tal fóssil se encontram nos terrenos de tal ou tal período. 14. Cumpre se note que o número desses períodos não é absoluto, pois depende dos sistemas de classificação. Nos seis principais, mencionados acima, só se compreendem os que estão assinalados por uma mudança notável e geral no estado do planeta; mas, a observação prova que muitas formações sucessivas se operaram, enquanto durou cada um deles. Por isso é que são divididos em seis períodos caracterizados pela natureza dos terrenos e que elevam a vinte e seis o número das formações gerais bem assinaladas, sem contar os que provém de modificações devidas a causas puramente locais.
[1] Fóssil, do latim fossilia, fossilis, derivado de fossa, e de fodere, cavar, escavar a terra, é uma palavra que em geologia se emprega designando corpos ou despojos de corpos orgânicos de seres que viveram anteriormente às épocas históricas. Por extensão, diz-se igualmente das substâncias minerais que revelam traços da presença de seres organizados, quais as marcas deixadas por vegetais ou animais. O termo petrificado se emprega relativamente aos corpos que se transformaram em pedra, pela infiltração de matérias silicosas ou calcáreas nos tecidos orgânicos. Todas as petrificações necessariamente são fósseis, mas nem todos os fósseis são petrificações. Nos objetos que se revestem de uma camada pedregosa quando mergulhados em certas águas carregadas de substâncias calcáreas, como as do regato de Saint Allyre, perto de Clermont, no Auvergne (França), não são petrificações propriamente ditas, porém simples incrustações. Os monumentos, inscrições e objetos produzidos por fabricação humana, esses pertencem à Arqueologia. [2] No ponto a que Jorge Cuvier levou a ciência paleontológica, um só osso basta freqüentemente para determinar o gênero, a espécie, a forma de um animal, seus hábitos, e para o reconstruir todo inteiro.
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1.- La terre porte en elle les traces évidentes de sa formation ; on en suit les phases avec une précision mathématique dans les différents terrains qui composent sa charpente. L'ensemble de ces études constitue la science appelée géologie, science née de ce siècle, et qui a jeté la lumière sur la question si controversée de son origine et de celle des êtres vivants qui l'habitent. Ici, il n'y a point d'hypothèse ; c'est le résultat rigoureux de l'observation des faits, et en présence des faits le doute n'est point permis. L'histoire de la formation du globe est écrite dans les couches géologiques d'une manière bien autrement certaine que dans les livres préconçus, parce que c'est la nature elle-même qui parle, qui se montre à découvert, et non l'imagination des hommes qui crée des systèmes. Où l'on voit les traces du feu, on peut dire avec certitude que le feu a existé ; où l'on voit celles de l'eau, on dit avec non moins de certitude que l'eau a séjourné ; où l'on voit celles des animaux, on dit que les animaux ont vécu. La géologie est donc une science toute d'observation ; elle ne tire de conséquence que de ce qu'elle voit ; sur les points douteux, elle n'affirme rien : elle n'émet que des opinions discutables dont la solution définitive attend des observations plus complètes. Sans les découvertes de la géologie, comme sans celles de l'astronomie, la Genèse du monde serait encore dans les ténèbres de la légende. Grâce à elle, aujourd'hui l'homme connaît l'histoire de son habitation, et l'échafaudage des fables qui entouraient son berceau s'est écroulé pour ne plus se relever. 2.- Partout où existent, dans les terrains, des tranchées, des excavations naturelles ou pratiquées par les hommes, on remarque ce qu'on appelle des stratifications, c'est-à-dire des couches superposées. Les terrains qui présentent cette disposition sont désignés sous le nom de terrains stratifiés. Ces couches, d'une épaisseur très variable, depuis quelques centimètres jusqu'à 100 mètres et plus, se distinguent entre elles par la couleur et la nature des substances dont elles se composent. Les travaux d'art, le percement des puits, l'exploitation des carrières et surtout des mines ont permis de les observer jusqu'à une assez grande profondeur. 3.- Les couches sont généralement homogènes, c'est-à-dire que chacune est formée d'une même substance, ou de diverses substances qui ont existé ensemble et ont formé un tout compact. La ligne de séparation qui les isole les unes des autres est toujours nettement tranchée, comme dans les assises d'un bâtiment ; nulle part, on ne les voit se mêler et se perdre l'une dans l'autre à l'endroit de leurs limites respectives, comme cela a lieu, par exemple, dans les couleurs du prisme et de l'arc-en-ciel. A ces caractères, on reconnaît qu'elles ont été formées successivement, déposées l'une sur l'autre dans des conditions et par des causes différentes ; les plus profondes ont naturellement été formées les premières, et les plus superficielles postérieurement. La dernière de toutes, celle qui se trouve à la surface, est la couche de terre végétale qui doit ses propriétés aux détritus des matières organiques provenant des plantes et des animaux. 4.- Les couches inférieures, placées au-dessous de la couche végétale, ont reçu en géologie le nom de roches, mot qui, dans cette acception, n'implique pas toujours l'idée d'une substance pierreuse, mais signifie un lit ou banc d'une substance minérale quelconque. Les unes sont formées de sable, d'argile ou terre glaise, de marne, de cailloux roulés ; d'autres, de pierres proprement dites, plus ou moins dures, telles que les grès, les marbres, la craie, les calcaires ou pierres à chaux, les pierres meulières, les charbons de terre, les asphaltes, etc. On dit qu'une roche est plus ou moins puissante, selon que son épaisseur est plus ou moins considérable. Par l'inspection de la nature de ces roches ou couches, on reconnaît à des signes certains que les unes proviennent de matières fondues et parfois vitrifiées par l'action du feu ; d'autres, de substances terreuses déposées par les eaux ; quelques-unes de ces substances sont restées désagrégées, comme les sables ; les autres, d'abord à l'état pâteux, sous l'action de certains agents chimiques ou autres causes, se sont durcies et ont acquis à la longue la consistance de la pierre. Les bancs de pierres superposées annoncent des dépôts successifs. Le feu et l'eau ont donc eu leur part d'action dans la formation des matériaux qui composent la charpente solide du globe. 5.- La position normale des couches terreuses ou pierreuses provenant de dépôts aqueux est la direction horizontale. Lorsqu'on voit ces immenses plaines qui s'étendent parfois à perte de vue, d'une horizontalité parfaite, unies comme si on les avait nivelées au rouleau, ou ces fonds de vallées aussi planes que la surface d'un lac, on peut être certain qu'à une époque plus ou moins reculée, ces lieux ont été longtemps couverts par des eaux tranquilles qui, en se retirant, ont laissé à sec les terres qu'elles avaient déposées pendant leur séjour. Après la retraite des eaux, ces terres se sont couvertes de végétation. Si au lieu de terres grasses, limoneuses, argileuses ou marneuses, propres à s'assimiler les principes nutritifs, les eaux n'ont déposé que des sables siliceux, sans agrégation, on a ces plaines sablonneuses et arides qui constituent les landes et les déserts. Les dépôts que laissent les inondations partielles, et ceux qui forment les atterrissements à l'embouchure des rivières, peuvent en donner une idée en petit. 6.- Bien que l'horizontalité soit la position normale et la plus générale des formations aqueuses, on voit souvent, sur d'assez grandes étendues, dans les pays de montagnes, des roches dures, que leur nature indique avoir été formées par les eaux, être dans une position inclinée et parfois même verticale. Or, comme, d'après les lois de l'équilibre des liquides et de la pesanteur, les dépôts aqueux ne peuvent se former qu'en plans horizontaux, attendu que ceux qui ont lieu sur des plans inclinés sont entraînés dans les bas-fonds par les courants et leur propre poids, il demeure évident que ces dépôts ont dû être soulevés par une force quelconque, après leur solidification ou transformation en pierres. De ces considérations, on peut conclure avec certitude que toutes les couches pierreuses provenant de dépôts aqueux dans une position parfaitement horizontale, ont été formées à la suite des siècles par des eaux tranquilles, et que toutes les fois qu'elles ont une position inclinée, c'est que le sol a été tourmenté et disloqué postérieurement par des bouleversements généraux ou partiels plus ou moins considérables. 7.- Un fait caractéristique de la plus haute importance, par le témoignage irrécusable qu'il fournit, consiste dans les débris fossiles d'animaux et de végétaux que l'on rencontre en quantités innombrables dans les différentes couches ; et comme ces débris se trouvent même dans les pierres les plus dures, il en faut conclure que l'existence de ces êtres est antérieure à la formation de ces mêmes pierres ; or, si l'on considère le nombre prodigieux de siècles qu'il a fallu pour en opérer le durcissement, et les amener à l'état où elles sont de temps immémorial, on arrive à cette conséquence forcée, que l'apparition des êtres organiques sur la terre se perd dans la nuit des temps et qu'elle est bien antérieure, par conséquent, à la date assignée par la Genèse[1]. 8.- Parmi ces débris de végétaux et d'animaux, il en est qui ont été pénétrés dans toutes les parties de leur substance, sans que leur forme en ait été altérée, de matières siliceuses ou calcaires qui les ont transformés en pierres, dont quelques-unes ont la dureté du marbre ; ce sont les pétrifications proprement dites. D'autres ont été simplement enveloppés par la matière à l'état de mollesse ; on les trouve intacts et quelques-uns dans leur entier, dans les pierres les plus dures. D'autres, enfin, n'ont laissé que des empreintes, mais d'une netteté et d'une délicatesse parfaites. Dans l'intérieur de certaines pierres, on a trouvé jusqu'à l'empreinte des pas, et à la forme du pied, des doigts et des ongles, on a reconnu de quelle espèce d'animal ils provenaient. 9.- Les fossiles d'animaux ne comprennent guère, on le conçoit, que les parties solides et résistantes, c'est-à-dire les ossements, les écailles et les cornes ; quelquefois ce sont des squelettes complets ; le plus souvent, ce n'en sont que des parties détachées, mais dont il est facile de reconnaître la provenance. A l'inspection d'une mâchoire, d'une dent, on voit de suite si elle appartient à un animal herbivore ou carnassier. Comme toutes les parties de l'animal ont une corrélation nécessaire, la forme de la tête, d'une omoplate, d'un os de jambe, d'un pied, suffit pour déterminer la taille, la forme générale, le genre de vie de l'animal[2]. Les animaux terrestres ont une organisation qui ne permet pas de les confondre avec les animaux aquatiques. Les poissons et les coquillages fossiles sont excessivement nombreux ; les coquillages seuls forment quelquefois des bancs entiers d'une grande épaisseur. A leur nature, on reconnaît sans peine si ce sont des animaux marins ou d'eau douce. 10.- Les cailloux roulés, qui dans certains endroits constituent des roches puissantes, sont un indice non équivoque de leur origine. Ils sont arrondis comme les galets du bord de la mer, signe certain du frottement qu'ils ont subi par l'effet des eaux. Les contrées où on les trouve enfouis en masses considérables ont incontestablement été occupées par l'Océan, ou par des eaux longtemps ou violemment agitées. 11.- Les terrains des diverses formations sont, en outre, caractérisés par la nature même des fossiles qu'ils renferment ; les plus anciens contiennent des espèces animales ou végétales qui ont entièrement disparu de la surface du globe. Certaines espèces plus récentes ont également disparu, mais ont conservé leurs analogues, qui ne diffèrent de leurs souches que par la taille et quelques nuances de forme. D'autres, enfin, dont nous voyons les derniers représentants, tendent évidemment à disparaître dans un avenir plus ou moins prochain, tels que les éléphants, les rhinocéros, les hippopotames, etc. Ainsi, à mesure que les couches terrestres se rapprochent de notre époque, les espèces animales et végétales se rapprochent aussi de celles qui existent aujourd'hui. Les perturbations, les cataclysmes qui ont eu lieu sur la terre depuis son origine en ont donc changé les conditions d'aptitude à l'entretien de la vie, et ont fait disparaître des générations entières d'êtres vivants. 12.- En interrogeant la nature des couches géologiques, on sait de la manière la plus positive si, à l'époque de leur formation, la contrée qui les renferme était occupée par la mer, par des lacs, ou par des forêts et des plaines peuplées d'animaux terrestres. Si donc, dans une même contrée, on trouve une série de couches superposées, contenant alternativement des fossiles marins, terrestres et d'eau douce, plusieurs fois répétées, c'est une preuve irrécusable que cette même contrée a été plusieurs fois envahie par la mer, couverte de lacs et mise à sec. Et combien de siècles de siècles certainement, de milliers de siècles peut-être, a-t-il fallu à chaque période pour s'accomplir ! Quelle force puissante n'a-t-il pas fallu pour déplacer et replacer l'Océan, soulever les montagnes ! Par combien de révolutions physiques, de commotions violentes, la terre n'a-t-elle pas dû passer avant d'être ce que nous la voyons depuis les temps historiques ! Et l'on voudrait que ce fût l'oeuvre de moins de temps qu'il n'en faut pour faire pousser une plante ! 13.- L'étude des couches géologiques atteste, ainsi que cela a été dit, des formations successives qui ont changé l'aspect du globe, et divisent son histoire en plusieurs époques. Ces époques constituent ce qu'on appelle les périodes géologiques, dont la connaissance est essentielle pour l'établissement de la Genèse. On en compte six principales, que l'on désigne sous les noms de périodes primaire, de transition, secondaire, tertiaire, diluvienne, post-diluvienne ou actuelle. Les terrains formés pendant la durée de chaque période s'appellent aussi : terrains primitifs, de transition, secondaires, etc. On dit ainsi que telle ou telle couche ou roche, tel ou tel fossile, se trouvent dans les terrains de telle ou telle période. 14.- Il est essentiel de remarquer que le nombre de ces périodes n'est point absolu, et qu'il dépend des systèmes de classification. On ne comprend dans les six principales désignées ci-dessus que celles qui sont marquées par un changement notable et général dans l'état du globe ; mais l'observation prouve que plusieurs transformations successives se sont opérées pendant la durée de chacune ; c'est pourquoi on les divise en sous-périodes caractérisées par la nature des terrains, et qui portent à vingt-six le nombre des formations générales bien caractérisées, sans compter celles qui proviennent de modifications dues à des causes purement locales.
[1] Fossile, du latin fossilia, fossilis, dérivé de fossa, fosse, et de fodere, fouir creuser la terre. Ce mot se dit, en géologie, des corps ou débris de corps organisés, provenant d'êtres qui vivaient antérieurement aux temps historiques. Par extension, il se dit également des substances minérales portant les traces de la présence d'êtres organisés, telles que les empreintes de végétaux ou d'animaux. Le mot pétrification ne se dit que des corps transformés en pierre par l'infiltration de matières siliceuses ou calcaires dans les tissus organiques. Toutes les pétrifications sont nécessairement des fossiles, mais tous les fossiles ne sont pas des pétrifications. Les objets qui se revêtent d'une couche pierreuse, lorsqu'ils sont plongés dans certaines eaux chargées de substances calcaires, comme celles du ruisseau de Saint-Allyre, près de Clermont, en Auvergne, ne sont pas des pétrifications proprement dites, mais de simples incrustations. Les monuments, inscriptions et objets provenant de fabrication humaine appartiennent à l'archéologie. [2] Au point où Georges Cuvier a porté la science paléontologique, un seul os suffit souvent pour déterminer le genre, l'espèce, la forme d'un animal, ses habitudes, et pour le reconstruire tout entier.
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