931. Por que, na sociedade, as classes sofredoras são mais numerosas do que as classes felizes?
“Nenhuma é perfeitamente feliz, e o que se pensa ser a felicidade não raro esconde pungentes aflições; o sofrimento está por toda parte. No entanto, para responder ao teu pensamento, direi que as classes que tu chamas sofredoras são mais numerosas, porque a Terra é um lugar de expiação. Quando o homem a tiver transformado em morada do bem e dos bons Espíritos, não mais será infeliz aí, e ela será para ele o paraíso terrestre.”
É por causa da importância que o homem atribui às coisas do mundo que ele é, as mais das vezes, infeliz; são a vaidade, a ambição e a cupidez frustradas que fazem a sua infelicidade. Se ele se colocar acima do círculo estreito da vida material; se elevar seus pensamentos ao infinito, que é seu destino, as vicissitudes da humanidade lhe parecerão mesquinhas e pueris, como a tristeza da criança que se aflige com a perda de um brinquedo que fazia sua felicidade suprema.
Aquele que vê felicidade unicamente na satisfação do orgulho e dos apetites grosseiros é infeliz quando não pode satisfazê-los, enquanto aquele que nada pede ao supérfluo é feliz com aquilo que outros consideram calamidades.
Falamos do homem civilizado, pois o selvagem, tendo necessidades mais limitadas, não tem os mesmos motivos de cobiça e de angústias: sua maneira de ver as coisas é totalmente outra. No estado de civilização, o homem raciocina sobre sua infelicidade e a analisa; por isso ela lhe afeta mais; mas pode também raciocinar sobre os meios de consolação e analisá-los. Ele encontra tal consolação no sentimento cristão que lhe dá a esperança de um futuro melhor, e no Espiritismo, que lhe dá a certeza desse futuro.