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O Livro dos Espíritos » Parte Terceira - Das leis morais » Capítulo V - 4. Lei de conservação » Gozo dos bens terrenos

Gozo dos bens terrestres

 

711. O uso dos bens da Terra é um direito de todos os homens?

“Esse direito é consequência da necessidade de viver. Deus não poderia ter imposto ao homem um dever sem lhe dar o meio de cumpri-lo.”

712. Com que objetivo Deus pôs atrativo aos gozos dos bens materiais?

“Para incitar o homem ao cumprimento de sua missão, e também para prová-lo pela tentação.”

— Qual é o objetivo dessa tentação?

“Desenvolver sua razão, que deve preservá-lo dos excessos.”

Se o homem não tivesse sido incitado ao uso dos bens da Terra senão com vistas à utilidade, sua indiferença poderia comprometer a harmonia do universo: Deus lhe deu o atrativo do prazer que o solicita ao cumprimento dos desígnios da Providência. Mas, por esse atrativo mesmo, Deus quis, além disso, prová-lo pela tentação que o arrasta ao abuso, de que deve sua razão defendê-lo.

713. Os gozos têm limites traçados pela natureza?

“Sim, para vos indicar o limite do necessário; mas, por vossos excessos, chegais à saciedade e vos punis a vós mesmos.”

714. Que pensar do homem que busca nos excessos de todos os gêneros um refinamento de seus gozos?

“Pobre criatura que se deve lamentar e não invejar, pois está bem perto da morte!”

— Perto da morte física ou da morte moral?

“De uma e da outra.”

O homem que busca nos excessos de todos os gêneros um refinamento de gozos se coloca abaixo do bruto, pois o bruto sabe parar quando satisfeita a necessidade. Um tal homem abdica da razão que Deus lhe deu por guia, e quanto maiores forem seus excessos, mais ele dá à sua natureza animal o império sobre sua natureza espiritual. As doenças, as enfermidades, a própria morte, que são consequência do abuso, são ao mesmo tempo a punição da transgressão da lei de Deus.


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