ACESSAR:
ROTEIRO DE ESTUDOS
PORTAL IPEAK
O Livro dos Espíritos » Parte Segunda - Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos » Capítulo VI - Da vida espírita » Escolha das provas Le Livre des Esprits » Livre Deuxième - Du monde spirite ou des Esprits » Chapitre VI - Vie spirite » Choix des épreuves

Escolha das provas

 

258. No estado errante, e antes de tomar uma nova existência corporal, o Espírito tem a consciência e a previsão das coisas que lhe acontecerão durante a vida?

“Ele mesmo escolhe o gênero de provas que quer suportar, e é nisso que consiste seu livre-arbítrio.”

— Então não é Deus que lhe impõe as tribulações da vida, como castigo?

“Nada acontece sem a permissão de Deus, pois foi ele que estabeleceu todas as leis que regem o Universo. Perguntai então por que ele fez tal lei em vez de tal outra! Dando ao Espírito a liberdade de escolha, ele lhe deixa toda a responsabilidade de seus atos e de suas consequências; nada entrava seu futuro; tanto o caminho do bem quanto o do mal estão abertos para ele. Mas, se ele sucumbe, resta-lhe uma consolação: a de que nem tudo está acabado para ele e que Deus, em sua bondade, o deixa livre para recomeçar o que foi mal feito. Ademais, é preciso distinguir o que é obra da vontade de Deus e o que é da vontade do homem. Se um perigo vos ameaça, não fostes vós que criastes tal perigo, foi Deus; mas vós tivestes a vontade de vos expordes a ele, porque vistes nisso um meio de progresso, e Deus o permitiu.”

259. Se o Espírito tem a escolha do gênero de prova que ele deve suportar, segue-se que todas as tribulações que experimentamos na vida foram previstas e escolhidas por nós?

“Todas, não, pois não escolhestes e previstes tudo o que vos acontece no mundo, até nas mínimas coisas; escolhestes o gênero da prova, os fatos de detalhe são a consequência de vossa posição e, muitas vezes, de vossas próprias ações. Se o Espírito quis nascer entre malfeitores, por exemplo, ele sabia a que arrastamentos se expunha, mas não cada um dos atos que praticaria; esses atos são o efeito de sua vontade, ou de seu livre-arbítrio. O Espírito sabe que, escolhendo tal caminho, terá tal gênero de luta a enfrentar; ele sabe, pois, a natureza das vicissitudes que encontrará, mas não sabe se será antes tal evento ou tal outro. Os acontecimentos de detalhe nascem das circunstâncias e da força das coisas. Apenas os grandes eventos, aqueles que influenciam no destino, são previstos. Se tomas um caminho cheio de sulcos, sabes que deves tomar grandes precauções, porque tens chance de cair, mas não sabes em que lugar cairás, e pode ser que não caias, se fores bastante prudente. Se, ao passar na rua, uma telha te cai na cabeça, não creias que isso estava escrito, como se diz vulgarmente.”

260. Como o Espírito pode querer nascer entre pessoas de má vida?

“É preciso que ele seja enviado a um meio onde possa suportar a prova que pediu. Pois bem! É preciso que haja analogia; para lutar contra o instinto do roubo, é preciso que se ache entre pessoas dessa espécie.”

Se não houvesse pessoas de má vida na Terra, então o Espírito não poderia encontrar aí o meio necessário a certas provas?

“Isso seria de se lastimar? É o que ocorre nos mundos superiores, onde o mal não tem acesso; eis porque em tais mundos só há bons Espíritos. Fazei com que em breve se dê o mesmo em vossa Terra.”

261. Nas provas que deve suportar para chegar à perfeição, o Espírito deve experimentar todos os gêneros de tentações; deve passar por todas as circunstâncias que podem excitar nele o orgulho, a inveja, a avareza, a sensualidade, etc.?

“Certamente não, pois sabeis que há aqueles que tomam, desde o início, um caminho que os isenta de muitas provas; mas aquele que se deixa arrastar pelo mau caminho, corre todos os perigos desse caminho. Um Espírito, por exemplo, pode pedir a riqueza, e isso pode ser-lhe concedido; então, conforme seu caráter, ele poderá tornar-se avaro ou pródigo, egoísta ou generoso, ou ainda entregar-se a todos os prazeres da sensualidade; mas isso não quer dizer que ele deverá forçosamente passar pela fieira de todas essas inclinações.”

262. Como o Espírito que, em sua origem, é simples, ignorante e sem experiência, pode escolher uma existência com conhecimento de causa e ser responsável por essa escolha?

“Deus supre sua inexperiência traçando-lhe o caminho que ele deve seguir, como fazeis com uma criança desde o berço; mas pouco a pouco ele o deixa senhor de suas escolhas, à medida que seu livre-arbítrio se desenvolve, e é então que frequentemente ele se extravia tomando o mau caminho, se não escuta os conselhos dos bons Espíritos; eis o que podemos chamar a queda do homem.”

Quando o Espírito goza de seu livre-arbítrio, a escolha da existência corporal depende sempre exclusivamente de sua vontade, ou essa existência pode ser-lhe imposta pela vontade de Deus, como expiação?

“Deus sabe aguardar: não apressa a expiação; no entanto, Deus pode impor uma existência a um Espírito, quando este, por sua inferioridade ou má vontade, não é apto a compreender o que lhe poderia ser mais salutar, e quando vê que essa existência pode servir à sua purificação e ao seu adiantamento, ao mesmo tempo que nela encontra uma expiação para o Espírito.”

263. O Espírito faz sua escolha imediatamente após a morte?

“Não, muitos creem na eternidade das penas; já vos foi dito: isso é para ele um castigo.”

264. O que dirige o Espírito na escolha das provas que ele quer suportar?

“Ele escolhe aquelas que podem ser para ele uma expiação, pela natureza de suas faltas, e fazê-lo avançar mais depressa. Uns podem, pois, impor-se uma vida de miséria e de privações, a fim de tentar suportá-la com coragem; outros, podem querer enfrentar as as tentações da fortuna e do poder, bem mais perigosas pelo abuso e mau uso que se pode fazer delas, e pelas más paixões que desenvolvem; outros, enfim, querem provar-se nas lutas que têm de sustentar no contato com o vício.”

265. Se certos Espíritos escolhem o contato com o vício como prova, há aqueles que o escolhem por simpatia e pelo desejo de viver num meio conforme aos seus gostos, ou para poderem entregar-se materialmente a inclinações materiais?

“Há, isso é certo, mas apenas entre aqueles cujo senso moral ainda é pouco desenvolvido; a prova vem por si mesma e eles a sofrem por mais tempo. Cedo ou tarde, eles compreendem que a satisfação de suas paixões brutais tem para eles consequências deploráveis, que eles sofrerão durante um tempo que lhes parecerá eterno; e Deus poderá deixá-los nesse estado, até que tenham compreendido sua falta e peçam eles mesmos para resgatá-la mediante provas proveitosas.”

266. Não parece natural escolher as provas menos penosas?

“Para vós, sim; para o Espírito, não; quando ele está desligado da matéria, a ilusão cessa, e ele pensa de modo diferente.”

O homem, na Terra, e sob a influência das ideias carnais, não vê nessas provas senão o lado penoso; por isso lhe parece natural escolher aquelas que, de seu ponto de vista, podem aliar-se aos gozos materiais; mas na vida espiritual, ele compara esses gozos fugazes e grosseiros com a felicidade inalterável que ele entrevê e, então, que lhe importam alguns sofrimentos passageiros? O Espírito pode, então, escolher a prova mais rude e, por conseguinte, a existência mais penosa, na esperança de chegar mais rapidamente a um estado melhor, como o doente escolhe muitas vezes o remédio mais desagradável para se curar mais cedo. Aquele que quer ligar seu nome à descoberta de um país desconhecido não escolhe uma estrada florida; ele sabe os perigos que corre, mas sabe também a glória que o aguarda se tiver bom êxito.

A doutrina da liberdade na escolha de nossas existências e das provas que devemos enfrentar deixa de parecer extraordinária se considerarmos que os Espíritos, desligados da matéria, apreciam as coisas de maneira diferente de como nós mesmos o fazemos. Eles percebem o objetivo, objetivo muito mais sério para eles do que os prazeres fugazes do mundo; após cada existência, eles veem o passo que deram e compreendem o que ainda lhes falta em pureza para alcançá-lo: eis por que eles se submetem voluntariamente a todas as vicissitudes da vida corporal, pedindo, eles próprios, aquelas que podem fazê-los chegar a ele mais rapidamente. Não há, pois, razão para espantar-nos pelo fato de o Espírito não dar preferência à existência mais suave. Em seu estado de imperfeição, ele não pode gozar de uma vida isenta de amargura; ele a entrevê, e é para alcançá-la que ele busca se melhorar.

Não temos, aliás, todos os dias diante dos olhos o exemplo de semelhantes escolhas? Que faz o homem que trabalha uma parte de sua vida, sem trégua, nem descanso, para reunir o que possa garantir seu bem-estar, senão uma tarefa que ele se impõe, tendo em vista um futuro melhor? O militar que se oferece para uma missão perigosa, o viajante que enfrenta perigos não menos grandes no interesse da ciência ou de sua fortuna, o que fazem, senão provas voluntárias que devem lhes proporcionar honra e benefício se não sucumbirem? A que o homem não se submete e não se expõe por seu interesse ou por sua glória? Todos os concursos não são também provas voluntárias às quais o homem se submete com o objetivo de elevar-se na carreira que escolheu? Não se chega a uma posição social transcendente em qualquer área, seja nas ciências, seja nas artes, ou na indústria, senão passando pela fileira das posições inferiores que são outras tantas provas. A vida humana é, assim, cópia da vida espiritual; aqui encontramos, em ponto pequeno, todas as mesmas peripécias. Se, pois, na vida, escolhemos frequentemente as provas mais rudes tendo em vista um objetivo mais elevado, por que o Espírito, que vê mais longe que o corpo e para quem a vida do corpo não é apenas um incidente fugaz, não escolheria uma existência penosa e laboriosa, se ela deve conduzi-lo a uma felicidade eterna? Aqueles que dizem que, se tivessem a escolha de sua existência, pediriam para ser príncipes ou milionários, são como os míopes que não veem senão o que tocam, ou como essas crianças gulosas a quem se pergunta a profissão que preferem, e que respondem: pasteleiro ou confeiteiro.

Tal é o viajante que, no fundo do vale obscurecido pelo nevoeiro, não vê nem a extensão nem os pontos extremos de sua rota; chegado ao cume da montanha, ele vê o caminho que percorreu e o que lhe resta a percorrer; vê seu objetivo, os obstáculos que ainda tem a superar e pode então combinar com mais segurança os meios de chegar. O Espírito encarnado é como o viajante no sopé da montanha; desembaraçado dos laços terrestres, ele se eleva como aquele que está no cume. Para o viajante, o objetivo é o repouso após a fadiga; para o Espírito, é a felicidade suprema após as tribulações e as provas.

Todos os Espíritos dizem que, no estado errante, eles pesquisam, estudam, observam para fazer sua escolha. Não temos um exemplo desse fato na vida corporal? Não buscamos, frequentemente durante anos, a carreira que escolhemos livremente, porque acreditamos ser a mais adequada para que façamos o nosso caminho? Se fracassamos numa, procuramos outra. Cada carreira que abraçamos é uma fase, um período da vida. Cada dia não é empregado a buscar o que faremos no dia seguinte? Ora, o que são as diferentes existências corporais para o Espírito, senão fases, períodos, dias para sua vida espírita, que é, como sabemos, sua vida normal, sendo a vida corporal apenas transitória e passageira?

267. O Espírito poderia fazer sua escolha enquanto está encarnado?

“Seu desejo pode ter influência; isso depende da intenção; mas quando é Espírito, ele quase sempre vê as coisas de modo bem diferente. É somente o Espírito que faz essa escolha; mas, repito, ele pode fazê-la durante a vida material, pois o Espírito tem sempre momentos em que é independente da matéria que ele habita.”

— Muitas pessoas desejam as grandezas e as riquezas, e certamente não é como expiação, nem como prova.

“Sem dúvida, é a matéria que deseja essa grandeza para dela gozar, e é o Espírito que a deseja para conhecer-lhe as vicissitudes.”

268. Até que chegue ao estado de pureza perfeita, o Espírito tem constantemente provas a suportar?

“Sim, mas elas não são como as entendeis; vós chamais provas às tribulações materiais; ora, o Espírito, chegado a um certo grau, sem ser perfeito, não tem mais que suportá-las; mas tem sempre deveres que o ajudam a se aperfeiçoar, e que nada têm de penoso para ele, mesmo o de ajudar os outros a se aperfeiçoarem.”

269. O Espírito pode enganar-se sobre a eficácia da prova que escolhe?

“Ele pode escolher uma que esteja acima de suas forças, e então sucumbe; pode também escolher uma que não lhe traga nenhum proveito, como ocorre se busca uma vida ociosa e inútil; mas então, uma vez de volta ao mundo dos Espíritos, ele percebe que nada ganhou e pede para reparar o tempo perdido.”

270. A que se devem as vocações de certas pessoas, e a vontade que têm de seguir uma carreira em vez de uma outra?

“Parece-me que podeis vós mesmos responder a esta questão. Pois não é a consequência de tudo o que dissemos sobre a escolha das provas e sobre o progresso realizado em uma existência anterior?”

271. No estado errante, o Espírito, estudando as diversas condições nas quais poderá progredir, como pensa poder fazê-lo nascendo, por exemplo, entre os povos canibais?

“Não são Espíritos já avançados que nascem entre os canibais, mas Espíritos da mesma natureza que os dos canibais ou que lhes são inferiores.”

Sabemos que nossos antropófagos não estão no degrau mais baixo da escala, e que há mundos onde o embrutecimento e a ferocidade não têm análogos na Terra. Esses Espíritos são ainda inferiores aos mais inferiores de nosso mundo, e vir entre os nossos selvagens é para eles um progresso, assim como seria um progresso para nossos antropófagos exercer entre nós uma profissão que os obrigasse a derramar sangue. Se não almejam mais alto, é porque sua inferioridade moral não lhes permite compreender um progresso mais completo. O Espírito só pode avançar gradualmente; ele não pode transpor de um salto a distância que separa a barbárie da civilização, e é nisso que vemos uma das necessidades da reencarnação, que está verdadeiramente de acordo com a justiça de Deus; de outro modo, o que seria desses milhões de seres que morrem a cada dia no último estado de degradação, se não tivessem os meios de alcançar a superioridade? Por que Deus os teria deserdado dos favores concedidos aos outros homens?

272. Espíritos vindos de um mundo inferior à Terra, ou de um povo muito atrasado, como os canibais, por exemplo, poderiam nascer entre os nossos povos civilizados?

“Sim, alguns se extraviam querendo subir muito alto; mas então eles ficam deslocados entre vós, porque têm costumes e instintos que não condizem com os vossos.”

Esses seres nos dão o triste espetáculo da ferocidade em meio à civilização; ao retornarem entre os canibais, não será uma decadência, eles apenas retomarão seu lugar e talvez ainda ganhem com isso.

273. Um homem pertencente a uma raça civilizada poderia, por expiação, reencarnar numa raça selvagem?

“Sim, mas isso depende do gênero de expiação; um senhor que foi duro com seus escravos poderá tornar-se escravo, por sua vez, e sofrer os maus-tratos que infligira aos outros. Aquele que comandou numa época pode, numa nova existência, obedecer àqueles mesmos que se curvavam sob sua vontade. É uma expiação se ele abusou de seu poder, e Deus lhe pode impô-la. Um bom Espírito pode também, para fazê-los avançar, escolher uma existência influente entre esses povos, e então é uma missão.”


258. A l'état errant, et avant de prendre une nouvelle existence corporelle, l'Esprit a-t-il la conscience et la prévision des choses qui lui arriveront pendant la vie ?

« Il choisit lui-même le genre d'épreuves qu'il veut subir, et c'est en cela que consiste son libre arbitre. »

- Ce n'est donc point Dieu qui lui impose les tribulations de la vie comme châtiment ?

« Rien n'arrive sans la permission de Dieu, car c'est lui qui a établi toutes les lois qui régissent l'univers. Demandez donc pourquoi il a fait telle loi plutôt que telle autre. En donnant à l'Esprit la liberté du choix, il lui laisse toute la responsabilité de ses actes et de leurs conséquences ; rien n'entrave son avenir ; la route du bien est à lui comme celle du mal. Mais s'il succombe, il lui reste une consolation, c'est que tout n'est pas fini pour lui, et que Dieu, dans sa bonté, le laisse libre de recommencer ce qu'il a mal fait. Il faut d'ailleurs distinguer ce qui est l'œuvre de la volonté de Dieu, et ce qui est celle de l'homme. Si un danger vous menace, ce n'est pas vous qui avez créé ce danger, c'est Dieu ; mais vous avez la volonté de vous y exposer, parce que vous y avez vu un moyen d'avancement, et Dieu l'a permis. »

259. Si l'Esprit a le choix du genre d'épreuve qu'il doit subir, s'ensuit-il que toutes les tribulations que nous éprouvons dans la vie ont été prévues et choisies par nous ?

« Toutes n'est pas le mot, car ce n'est pas à dire que vous avez choisi et prévu tout ce qui vous arrive dans le monde, jusque dans les moindres choses ; vous avez choisi le genre d'épreuve, les faits de détail sont la conséquence de la position, et souvent de vos propres actions. Si l'Esprit a voulu naître parmi des malfaiteurs, par exemple, il savait à quels entraînements il s'exposait, mais non chacun des actes qu'il accomplirait ; ces actes sont l'effet de sa volonté ou de son libre arbitre. L'Esprit sait qu'en choisissant telle route il aura tel genre de lutte à subir ; il sait donc la nature des vicissitudes qu'il rencontrera, mais il ne sait pas si ce sera plutôt tel événement que tel autre. Les événements de détail naissent des circonstances et de la force des choses. Il n'y a que les grands événements, ceux qui influent sur la destinée, qui sont prévus. Si tu prends une route remplie d'ornières, tu sais que tu as de grandes précautions à prendre, parce que tu as chance de tomber, mais tu ne sais pas dans quel endroit tu tomberas, et il se peut que tu ne tombes pas, si tu es assez prudent. Si en passant dans la rue il te tombe une tuile sur la tête, ne crois pas que c'était écrit, comme on le dit vulgairement. »

260. Comment l'Esprit peut-il vouloir naître parmi des gens de mauvaise vie ?

« Il faut bien qu'il soit envoyé dans un milieu où il puisse subir l'épreuve qu'il a demandée. Eh bien ! il faut donc qu'il y ait de l'analogie ; pour lutter contre l'instinct du brigandage, il faut qu'il se trouve avec des gens de cette sorte. »

- S'il n'y avait pas des gens de mauvaise vie sur la terre, l'Esprit ne pourrait donc y trouver le milieu nécessaire à certaines épreuves ?

« Est-ce qu'il faudrait s'en plaindre ? C'est ce qui a lieu dans les mondes supérieurs où le mal n'a pas accès ; c'est pourquoi il n'y a que de bons Esprits. Faites qu'il en soit bientôt de même sur votre terre. »

261. L'Esprit, dans les épreuves qu'il doit subir pour arriver à la perfection, doit-il éprouver tous les genres de tentations ; doit-il passer par toutes les circonstances qui peuvent exciter en lui l'orgueil, la jalousie, l'avarice, la sensualité, etc. ?

« Certainement non, puisque vous savez qu'il y en a qui prennent, dès le début, une route qui les affranchit de bien des épreuves ; mais celui qui se laisse entraîner dans la mauvaise route, court tous les dangers de cette route. Un Esprit, par exemple, peut demander la richesse, et cela peut lui être accordé ; alors, suivant son caractère, il pourra devenir avare ou prodigue, égoïste ou généreux, ou bien il se livrera à toutes les jouissances de la sensualité ; mais ce n'est pas à dire qu'il devra passer forcément par la filière de tous ces penchants. »

262. Comment l'Esprit qui, à son origine, est simple, ignorant et sans expérience, peut-il choisir une existence en connaissance de cause, et être responsable de ce choix ?

« Dieu supplée à son inexpérience en lui traçant la route qu'il doit suivre, comme tu le fais pour un enfant dès le berceau ; mais il le laisse peu à peu maître de choisir à mesure que son libre arbitre se développe, et c'est alors que souvent il se fourvoie en prenant le mauvais chemin s'il n'écoute pas les conseils des bons Esprits ; c'est là ce qu'on peut appeler la chute de l'homme. »

- Lorsque l'Esprit jouit de son libre arbitre, le choix de l'existence corporelle dépend-il toujours exclusivement de sa volonté, ou bien cette existence peut-elle lui être imposée par la volonté de Dieu comme expiation ?

« Dieu sait attendre : il ne hâte pas l'expiation ; cependant, Dieu peut imposer une existence à un Esprit, lorsque celui-ci, par son infériorité ou son mauvais vouloir, n'est pas apte à comprendre ce qui pourrait lui être le plus salutaire, et lorsqu'il voit que cette existence peut servir à sa purification et à son avancement, en même temps qu'il y trouve une expiation. »

263. L'Esprit fait-il son choix immédiatement après la mort ?

« Non, plusieurs croient à l'éternité des peines ; on vous l'a dit : c'est un châtiment. »

264. Qu'est-ce qui dirige l'Esprit dans le choix des épreuves qu'il veut subir ?

« Il choisit celles qui peuvent être pour lui une expiation, par la nature de ses fautes, et le faire avancer plus vite. Les uns peuvent donc s'imposer une vie de misère et de privations pour essayer de la supporter avec courage ; d'autres vouloir s'éprouver par les tentations de la fortune et de la puissance, bien plus dangereuses par l'abus et le mauvais usage que l'on en peut faire, et par les mauvaises passions qu'elles développent ; d'autres, enfin, veulent s'éprouver par les luttes qu'ils ont à soutenir dans le contact du vice. »

265. Si certains Esprits choisissent le contact du vice comme épreuve, y en a-t-il qui le choisissent par sympathie et par le désir de vivre dans un milieu conforme à leurs goûts, ou pour pouvoir se livrer matériellement à des penchants matériels ?

« Il y en a, cela est certain, mais ce n'est que chez ceux dont le sens moral est encore peu développé ; l'épreuve vient d'elle-même et ils la subissent plus longtemps. Tôt ou tard, ils comprennent que l'assouvissement des passions brutales a pour eux des conséquences déplorables qu'ils subiront pendant un temps qui leur semblera éternel ; et Dieu pourra les laisser dans cet état, jusqu'à ce qu'ils aient compris leur faute, et qu'ils demandent eux-mêmes à la racheter par des épreuves profitables. »

266. Ne semble-t-il pas naturel de choisir les épreuves les moins pénibles ?

« Pour vous, oui ; pour l'Esprit, non ; lorsqu'il est dégagé de la matière, l'illusion cesse, et il pense autrement. »

L'homme, sur la terre, et placé sous l'influence des idées charnelles, ne voit dans ces épreuves que le côté pénible ; c'est pourquoi il lui semble naturel de choisir celles qui, à son point de vue, peuvent s'allier aux jouissances matérielles ; mais dans la vie spirituelle, il compare ces jouissances fugitives et grossières avec la félicité inaltérable qu'il entrevoit, et dès lors que lui font quelques souffrances passagères ? L'Esprit peut donc choisir l'épreuve la plus rude, et par conséquent l'existence la plus pénible dans l'espoir d'arriver plus vite à un état meilleur, comme le malade choisit souvent le remède le plus désagréable pour se guérir plus tôt. Celui qui veut attacher son nom à la découverte d'un pays inconnu ne choisit pas une route fleurie ; il sait les dangers qu'il court, mais il sait aussi la gloire qui l'attend s'il réussit.

La doctrine de la liberté dans le choix de nos existences et des épreuves que nous devons subir cesse de paraître extraordinaire si l'on considère que les Esprits, dégagés de la matière, apprécient les choses d'une manière différente que nous ne le faisons nous-mêmes. Ils aperçoivent le but, bien autrement sérieux pour eux que les jouissances fugitives du monde ; après chaque existence, ils voient le pas qu'ils ont fait, et comprennent ce qui leur manque encore en pureté pour l'atteindre : voilà pourquoi ils se soumettent volontairement à toutes les vicissitudes de la vie corporelle en demandant eux-mêmes celles qui peuvent les faire arriver le plus promptement. C'est donc à tort que l'on s'étonne de ne pas voir l'Esprit donner la préférence à l'existence la plus douce. Cette vie exempte d'amertume, il ne peut en jouir dans son état d'imperfection ; il l'entrevoit, et c'est pour y arriver qu'il cherche à s'améliorer.

N'avons-nous pas, d'ailleurs, tous les jours sous les yeux l'exemple de choix pareils ? L'homme qui travaille une partie de sa vie sans trêve ni relâche pour amasser de quoi se procurer le bien-être, qu'est-ce que c'est, sinon une tâche qu'il s'impose en vue d'un avenir meilleur ? Le militaire qui s'offre pour une mission périlleuse, le voyageur qui brave les dangers non moins grands dans l'intérêt de la science ou de sa fortune, qu'est-ce que c'est encore, sinon des épreuves volontaires qui doivent leur procurer honneur et profit s'ils en reviennent ? A quoi l'homme ne se soumet-il pas et ne s'expose-t-il pas pour son intérêt ou pour sa gloire ? Tous les concours ne sont-ils pas aussi des épreuves volontaires auxquelles on se soumet en vue de s'élever dans la carrière que l'on a choisie ? On n'arrive à une position sociale transcendante quelconque dans les sciences, les arts, l'industrie, qu'en passant par la filière des positions inférieures qui sont autant d'épreuves. La vie humaine est ainsi le calque de la vie spirituelle ; nous y retrouvons en petit toutes les mêmes péripéties. Si donc, dans la vie, nous choisissons souvent les épreuves les plus rudes en vue d'un but plus élevé, pourquoi l'Esprit qui voit plus loin que le corps, et pour qui la vie du corps n'est qu'un incident fugitif, ne ferait-il pas choix d'une existence pénible et laborieuse, si elle doit le conduire à une éternelle félicité ? Ceux qui disent que, si l'homme a le choix de son existence, ils demanderont à être princes ou millionnaires, sont comme les myopes qui ne voient que ce qu'ils touchent, ou comme ces enfants gourmands à qui l'on demande l'état qu'ils préfèrent, et qui répondent : pâtissier ou confiseur.

Tel est le voyageur qui, dans le fond de la vallée obscurcie par le brouillard, ne voit ni la longueur ni les points extrêmes de sa route ; arrivé au faîte de la montagne, il embrasse le chemin qu'il a parcouru, et ce qui lui reste à parcourir ; il voit son but, les obstacles qu'il a encore à franchir, et peut alors combiner plus sûrement les moyens d'arriver. L'Esprit incarné est comme le voyageur au bas de la montagne ; débarrassé des liens terrestres, il domine comme celui qui est au sommet. Pour le voyageur, le but est le repos après la fatigue ; pour l'Esprit, c'est le bonheur suprême après les tribulations et les épreuves.

Tous les Esprits disent qu'à l'état errant ils cherchent, étudient, observent pour faire leur choix. N'avons-nous pas un exemple de ce fait dans la vie corporelle ? Ne cherchons-nous pas souvent pendant des années la carrière sur laquelle nous fixons librement notre choix, parce que nous la croyons la plus propre à nous faire faire notre chemin ? Si nous échouons dans l'une, nous en cherchons une autre. Chaque carrière que nous embrassons est une phase, une période de la vie. Chaque jour n'est-il pas employé à chercher ce que nous ferons le lendemain ? Or, que sont les différentes existences corporelles pour l'Esprit, sinon des phases, des périodes, des jours pour sa vie spirite, qui est, comme nous le savons, sa vie normale, la vie corporelle n'étant que transitoire et passagère ?

267. L'Esprit pourrait-il faire son choix pendant l'état corporel ?

« Son désir peut avoir de l'influence ; cela dépend de l'intention ; mais quand il est Esprit il voit souvent les choses bien différemment. Ce n'est que l'Esprit qui fait ce choix ; mais encore une fois il peut le faire dans cette vie matérielle, car l'Esprit a toujours de ces moments où il est indépendant de la matière qu'il habite. »

- Beaucoup de gens désirent les grandeurs et les richesses, et ce n'est assurément ni comme expiation, ni comme épreuve ?

« Sans doute, c'est la matière qui désire cette grandeur pour en jouir, et c'est l'Esprit qui la désire pour en connaître les vicissitudes. »

268. Jusqu'à ce qu'il arrive à l'état de pureté parfaite, l'Esprit a-t-il constamment des épreuves à subir ?

« Oui, mais elles ne sont pas telles que vous l'entendez ; vous appelez épreuves les tribulations matérielles ; or, l'Esprit, arrivé à un certain degré, sans être parfait, n'en a plus à subir ; mais il a toujours des devoirs qui l'aident à se perfectionner, et n'ont rien de pénible pour lui, ne fût-ce que d'aider aux autres à se perfectionner eux-mêmes. »

269. L'Esprit peut-il se tromper sur l'efficacité de l'épreuve qu'il choisit ?

« Il peut en choisir une qui soit au-dessus de ses forces, et alors il succombe ; il peut aussi en choisir une qui ne lui profite nullement, comme s'il cherche un genre de vie oisive et inutile ; mais alors, une fois rentré dans le monde des Esprits, il s'aperçoit qu'il n'a rien gagné et il demande à réparer le temps perdu. »

270. A quoi tiennent les vocations de certaines personnes, et leur volonté de suivre une carrière plutôt qu'une autre ?

« Il me semble que vous pouvez répondre vous-mêmes à cette question. N'est-ce pas la conséquence de tout ce que nous avons dit sur le choix des épreuves et sur le progrès accompli dans une existence antérieure ? »

271. Dans l'état errant, l'Esprit étudiant les diverses conditions dans lesquelles il pourra progresser, comment pense-t-il pouvoir le faire en naissant, par exemple, parmi les peuples cannibales ?

« Ce ne sont pas les Esprits déjà avancés qui naissent parmi les cannibales, mais des Esprits de la nature de ceux des cannibales ou qui leur sont inférieurs. »

Nous savons que nos anthropophages ne sont pas au dernier degré de l'échelle, et qu'il y a des mondes où l'abrutissement et la férocité n'ont pas d'analogue sur la terre. Ces Esprits sont donc encore inférieurs aux plus inférieurs de notre monde, et venir parmi nos sauvages, c'est pour eux un progrès, comme ce serait un progrès pour nos anthropophages d'exercer parmi nous une profession qui les obligerait à verser le sang. S'ils ne visent pas plus haut, c'est que leur infériorité morale ne leur permet pas de comprendre un progrès plus complet. L'Esprit ne peut avancer que graduellement ; il ne peut franchir d'un bond la distance qui sépare la barbarie de la civilisation, et c'est en cela que nous voyons une des nécessités de la réincarnation, qui est bien véritablement selon la justice de Dieu ; autrement, que deviendraient ces millions d'êtres qui meurent chaque jour dans le dernier état de dégradation, s'ils n'avaient les moyens d'atteindre à la supériorité ? Pourquoi Dieu les aurait-il déshérités des faveurs accordées aux autres hommes ?

272. Des Esprits venant d'un monde inférieur à la terre, ou d'un peuple très arriéré, comme les cannibales, par exemple, pourraient-ils naître parmi nos peuples civilisés ?

« Oui, il y en a qui se fourvoient en voulant monter trop haut ; mais alors ils sont déplacés parmi vous, parce qu'ils ont des mœurs et des instincts qui jurent avec les vôtres. »

Ces êtres nous donnent le triste spectacle de la férocité au milieu de la civilisation ; en retournant parmi les cannibales, ce ne sera pas une déchéance, ils ne feront que reprendre leur place et ils y gagneront peut-être encore.

273. Un homme appartenant à une race civilisée pourrait-il, par expiation, être réincarné dans une race sauvage ?

« Oui, mais cela dépend du genre d'expiation ; un maître qui aura été dur pour ses esclaves pourra devenir esclave à son tour et subir les mauvais traitements qu'il aura fait endurer. Celui qui a commandé à une époque peut, dans une nouvelle existence, obéir à ceux-là mêmes qui se courbaient sous sa volonté. C'est une expiation s'il a abusé de son pouvoir, et Dieu peut la lui imposer. Un bon Esprit peut aussi, pour les faire avancer, choisir une existence influente parmi ces peuples, et alors c'est une mission. »


TEXTOS RELACIONADOS:






























































ACESSAR:
ROTEIRO DE ESTUDOS
PORTAL IPEAK