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Viagem Espírita em 1862 » Instruções particulares dadas aos grupos em resposta a algumas das questões propostas » VII

VII

Em presença dos sábios ensinamentos que dão os Espíritos, e do grande número de pessoas que são reconduzidas a Deus pelos conselhos deles, como é possível crer que suas comunicações sejam obra do demônio?

 

O demônio, nesse caso, seria bem inábil; afinal, quem ele pode agarrar melhor do que aquele que não crê em Deus, nem em sua alma, nem na vida futura, e ao qual ele pode, por conseguinte, mandar fazer tudo o que queira? É possível estar mais fora da Igreja do que aquele que não crê em nada, por mais batizado que tenha sido? O demônio não tem portanto mais nada a fazer para o atrair a si, e seria muito tolo de o reconduzir ele mesmo a Deus, à prece e a todas as crenças que podem desviá-lo do mal, para ter o prazer de voltar a mergulhá-lo aí em seguida. Essa doutrina dá uma ideia bem pobre do diabo, que se representa como tão astuto, e o torna verdadeiramente muito pouco temível; o homem da fábula: o Pescador e o Peixinho é mais esperto que ele. O que se diria daquele que, tendo um pássaro numa gaiola, o deixaria voar para o apanhar em seguida? Isso seria insensato. Mas há outra resposta mais séria. 

Se somente o demônio pode manifestar-se, é com ou sem a permissão de Deus; se o faz sem sua permissão, é que é mais poderoso do que ele; se é com sua permissão, é que Deus não é bom; isso porque, dar ao Espírito do mal, com exclusão de todos os outros, o poder de seduzir os homens, sem permitir aos bons Espíritos virem combater sua influência, não poderia ser um ato de bondade nem de justiça; seria pior ainda se, segundo a opinião de tais pessoas, a sorte dos homens fosse irrevogavelmente fixada após a morte; porque Deus então precipitaria voluntariamente, e com conhecimento de causa, suas criaturas nos tormentos eternos, armando emboscadas para elas. Sendo impossível conceber-se Deus sem o infinito de seus atributos, cortar ou diminuir um único deles seria a negação de Deus, porque isso implicaria a possibilidade de um ser mais perfeito. Portanto, essa doutrina refuta-se por si mesma, e também encontra muito pouco crédito, mesmo entre os indiferentes, para merecer que lhe demos mais importância; seu tempo logo terá passado, e aqueles que a preconizam a abandonarão eles próprios, quando virem que ela os prejudica mais do que lhes serve.


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