A seguinte passagem é extraída de uma nova obra intitulada Cartas a meu irmão sobre as minhas crenças religiosas, por Math. Briancourt:
“Creio num só Deus todo-poderoso, justo e bom, tendo por corpo a luz, por membros a totalidade dos astros ordenados em série hierárquica.
“Creio que Deus designa a todos os seus membros, grandes e pequenos, uma função a cumprir no desenvolvimento da vida universal que é a sua vida, reservando a inteligência para aqueles membros que ele associa a si mesmo no governo do mundo.
“Creio que os membros inteligentes do último grau, as Humanidades, têm por tarefa a gestão dos astros que habitam e sobre os quais têm missão de fazer reinar a ordem, a paz e a justiça.
“Creio que as criaturas cumprem suas funções satisfazendo às suas necessidades que Deus adapta exatamente às exigências das funções; e como, em sua bondade, ele liga o prazer à satisfação das necessidades, creio que toda criatura, realizando a sua tarefa, é tão feliz quanto comporta a sua natureza, e que os sofrimentos são tanto mais vivos quanto mais ele se afasta da realização de sua tarefa.
“Creio que a Humanidade terrena em breve terá adquirido os conhecimentos e o material que lhe são indispensáveis para cumprir sua alta função, e que, em consequência, o dia da felicidade geral aqui na Terra não tardará muito a surgir.
“Creio que a inteligência dos seres racionais dispõe de dois corpos, um formado de substâncias visíveis aos nossos olhos, outro de matérias mais sutis e invisíveis chamadas aromas.
“Creio que, com a morte de seu corpo visível, esses seres continuam a viver num mundo aromal, onde encontram a recompensa exata de suas obras boas ou más; em seguida, após um tempo mais ou menos longo, retomam um corpo material para abandoná-lo novamente à decomposição, e assim por diante.
“─ Creio que as inteligências que crescem cumprindo exatamente as suas funções vão animar seres cada vez mais elevados na divina hierarquia, até que entrem, no fim dos tempos, no seio de Deus, de onde saíram, que se unam à sua inteligência e partilhem de sua vida aromal.”
Com uma tal profissão de fé, compreende-se que os fourieristas e espíritas possam dar-se as mãos.
- - - - - - - - - -