Por Eug. Bonnemère
A guerra empreendida sob Luís XIV contra os calvinistas, ou Tremedores das Cevenas, é, sem contradita, um dos mais tristes episódios e dos mais comovedores da história da França, talvez menos notável do ponto de vista puramente militar, que renovou as atrocidades muito comuns nas guerras religiosas, do que pelos inumeráveis casos de sonambulismo espontâneo, êxtase, dupla vista, previsões e outros fenômenos do mesmo gênero, que se produziram durante todo o curso dessa infeliz cruzada. Esses fatos, que então eram considerados sobrenaturais, sustentavam a coragem dos calvinistas, encurralados nas montanhas, como feras, ao mesmo tempo que eram considerados como possessos do diabo, por uns, e como iluminados, por outros. Tendo sido uma das causas que provocaram e alimentaram a perseguição, eles representam, nesse episódio, o papel principal, e não acessório. Mas como os historiadores poderiam apreciá-los, quando lhes faltavam todos os elementos necessários para se esclarecerem sobre sua natureza e sua realidade? Eles não puderam senão desnaturá-los e apresentá-los sob um falso ângulo.
Só os novos conhecimentos fornecidos pelo magnetismo e pelo Espiritismo poderiam lançar luz sobre a questão. Ora, como não se pode falar com conhecimento de causa sobre o que não se compreende, ou sobre o que se tem interesse em dissimular, esses conhecimentos eram tão necessários para, sobre o assunto, fazer um trabalho completo e isento de preconceitos, quanto o eram a Geologia e a Astronomia para comentar a Gênese.
Demonstrando a verdadeira causa desses fenômenos, e provando que eles não se afastam da ordem natural, esses conhecimentos lhes devolveram seu verdadeiro caráter. Eles dão, também, a chave dos fenômenos do mesmo gênero que se produziram em muitas outras circunstâncias, e permitem separar o possível do exagero legendário.
Juntando ao talento de escritor e aos conhecimentos de historiador, um estudo sério e prático do Espiritismo e do magnetismo, o Sr. Bonnemère encontra-se nas melhores condições para tratar com conhecimento de causa e com imparcialidade o objetivo que empreendeu. A ideia espírita mais de uma vez contribuiu para obras de fantasia, mas é a primeira vez que o Espiritismo figura nominalmente e como elemento de controle numa obra histórica séria; é assim que, pouco a pouco, ele toma sua posição no mundo, e que se cumprem as previsões dos Espíritos.
A obra do Sr. Bonnemère só aparecerá de 5 a 10 de fevereiro, mas como algumas provas nos foram mostradas, delas extraímos as passagens seguintes, que temos a satisfação de reproduzir por antecipação. Contudo, suprimimos as notas indicativas das peças de apoio. Acrescentaremos que ela se distingue das obras sobre o mesmo assunto por documentos novos que ainda não haviam sido publicados na França, de modo que pode ser considerada como a mais completa.
Assim, ela é recomendável por mais de um motivo à atenção dos nossos leitores, que poderão julgá-la pelos fragmentos abaixo:
“O mundo jamais viu algo semelhante a esta guerra das Cevenas. Deus, os homens e os demônios se puseram à parte; os corpos e os Espíritos entraram em luta e, de maneira muito diversa da do Antigo Testamento, os profetas guiavam aos combates os guerreiros que pareciam, eles próprios, deslumbrados além das condições ordinárias da vida.
“Os céticos e os trocistas acham mais fácil negar; a Ciência derrotada teme comprometer-se, desvia os olhos e se recusa a pronunciar-se. Mas como não há fatos históricos mais incontestáveis do que estes, como não há fatos que tenham sido atestados por tão grande número de testemunhas, a troça, as razões para não aceitar não podem ser admitidas por mais tempo. Foi diante do sério povo inglês que juridicamente se recolheram os depoimentos, pelas mais solenes formas, ditados por protestantes refugiados, e eles foram publicados em Londres, em 1707, quando a lembrança de todas essas coisas ainda estava viva em todas as memórias, e os desmentidos poderiam tê-las esmagado sob o seu número, se tivessem sido falsas.
“Queremos falar do Teatro sagrado das Cevenas, ou Relato das diversas maravilhas novamente operadas nessa parte do Languedoc, do qual vamos fazer longas citações.
“Os estranhos fenômenos que aí se acham relatados não buscavam, para se produzir, nem a sombra nem o mistério; eles se manifestavam diante dos intendentes, diante dos generais, diante dos bispos, como diante dos ignorantes e dos pobres de espírito. Era testemunha quem quisesse e tivesse podido estudá-los, se o tivesse desejado.
“Em 25 de setembro de 1704, escrevia Villars a Chamillard:
“Eu vi, nesse gênero, coisas em que jamais teria acreditado, se elas não se tivessem passado aos meus olhos; uma cidade inteira, cujas mulheres todas pareciam possuídas do diabo. Elas tremiam e profetizavam publicamente nas ruas. Mandei prender vinte das piores, uma das quais teve a esperteza de tremer e profetizar em minha frente. Mandei prendê-la para exemplo e recolher as outras em hospitais.”
“Tais processos estavam em uso sob Luís XIV, e mandar prender uma pobre mulher porque uma força desconhecida a constrangia a dizer diante de um marechal de França coisas que lhe não agradavam, podia então ser uma maneira de agir que a ninguém revoltava, tanto era simples e natural e nos hábitos do tempo. Hoje é preciso ter coragem de enfrentar a dificuldade e lhe buscar soluções menos brutais e mais probantes.
“Não cremos nem no maravilhoso nem nos milagres. Vamos, pois, explicar naturalmente, da melhor forma que pudermos, esse grave problema histórico até hoje deixado sem solução. Vamos fazê-lo buscando ajuda das luzes que o magnetismo e o Espiritismo hoje põem à nossa disposição, sem pretender, contudo, a ninguém impor essas crenças.
“É lamentável que não possamos consagrar senão algumas linhas a isso que, compreende-se, exigiria um volume de desenvolvimentos. Diremos apenas, para tranquilizar os espíritos tímidos, que isto em nada choca as ideias cristãs; não necessitamos como prova senão destes dois versículos do Evangelho de São Mateus:
“Quando, pois, vos entregarem nas mãos dos governadores e dos reis, não vos preocupeis como lhes haveis de falar, nem com o que lhes haveis de dizer, porque o que lhes deveis dizer vos será dado na mesma hora;
“Porque não sois vós que falais, mas o espírito de vosso Pai que fala em vós. (Mat. X: 19 e 20).”
“Deixamos aos comentadores o cuidado de decidir qual é, ao certo, esse espírito de nosso Pai que, em dados momentos, se substitui ao nosso, fala em nosso lugar e nos inspira. Talvez possamos dizer que toda geração que desaparece é o pai e a mãe da que lhe sucede, e que os melhores entre os que parecem não mais existir se elevam rapidamente, quando desembaraçados dos entraves do corpo material, e vêm ocupar os órgãos daqueles de seus filhos que julgam dignos de lhes servir de intérpretes, e que pagarão caro, um dia, pelo mau uso que tiverem feito das faculdades preciosas que lhes são delegadas.
“O magnetismo desperta, superexcita e desenvolve em certos sonâmbulos o instinto que a Natureza deu a todos os seres para a sua cura, e que nossa civilização incompleta abafou em nós, para substituí-lo pelas falsas luzes da Ciência.
“O sonâmbulo natural põe o seu sonho em ação, eis tudo. Ele nada toma dos outros, nada pode por eles.
“O sonâmbulo fluídico, ao contrário, aquele no qual o contato do fluido do magnetizador provoca um estado bizarro, sente-se imperiosamente atormentado pelo desejo de aliviar os seus irmãos. Ele vê o mal, ou vem indicar-lhe o remédio.
“O sonâmbulo inspirado, que por vezes pode ser, ao mesmo tempo, fluídico, é o mais ricamente dotado, e nele a inspiração se mantém nas esferas elevadas, quando ela se manifesta espontaneamente. Só ele é um revelador; só nele reside o progresso, porque só ele é o eco, o instrumento dócil de um Espírito diferente do seu, e mais adiantado.
“O fluido é um ímã que atrai os mortos bem-amados para os que ficam. Ele se desprende abundantemente dos inspirados, e vai despertar a atenção dos seres que partiram antes, e que lhes são simpáticos. Estes, por seu lado, depurados e esclarecidos por uma vida melhor, julgam melhor e conhecem melhor essas naturezas primitivas, honestas, passivas, que lhes podem servir de intermediárias na ordem dos fatos que julgam útil revelar-lhes.
“No século passado eram chamados extáticos. Hoje são médiuns.
“O Espiritismo é a correspondência das almas entre si. Segundo os adeptos dessa crença, um ser invisível se põe em comunicação com outro dotado de uma organização particular que o torna apto a receber os pensamentos daqueles que viveram e a escrevê-los, quer por um impulso mecânico inconsciente imprimido à mão, quer por transmissão direta à inteligência dos médiuns.
“Se quisermos por um momento dar algum crédito a estas ideias, compreenderemos sem esforço que as almas indignadas desses mártires que o grande rei imolava às centenas diariamente, vinham velar sobre os seres queridos dos quais tinham sido violentamente separadas; que elas os haviam sustentado, guiado, consolado em meio às suas provações, inspirado por seu espírito; que lhes haviam anunciado por antecipação ─ o que aconteceu muitas vezes ─ os perigos que os ameaçavam.
“Só um pequeno número era verdadeiramente inspirado. O desprendimento fluídico que deles saía, como de certos seres superiores e privilegiados, agia sobre essa multidão profundamente perturbada que os rodeava, mas sem poder desenvolver, na maioria, entre eles, outra coisa senão os fenômenos grosseiros e largamente falíveis da alucinação. Inspirados e alucinados, todos tinham a pretensão de profetizar, mas estes últimos emitiam uma porção de erros, em meio dos quais não se podia mais discernir as verdades que o Espírito realmente soprava aos primeiros. Essa massa de alucinados por sua vez reagia sobre os inspirados e lançava a perturbação no meio de suas manifestações...
“Diz o Padre Pluquet que eram necessários recursos extraordinários, prodígios, para sustentar a fé dos restos dispersos do Protestantismo. Eles explodiram de todos os lados entre os reformados, durante os quatro primeiros anos que se seguiram à revogação do Edito de Nantes. Ouviram-se nos ares, nas cercanias dos lugares onde outrora tinha havido templos, vozes tão perfeitamente semelhantes aos cantos dos salmos, tais como os cantam os protestantes, que não podiam ser tomados por outra coisa. Essa melodia era celeste e essas vozes angélicas cantavam os salmos segundo as versões de Clément Marot e de Théodore de Bèze. Essas vozes foram ouvidas em Béarn, nas Cevenas, em Vassy, etc. Ministros fugitivos foram escoltados por essa divina salmodia e até a trombeta não os abandonou senão depois que eles transpuseram as fronteiras do reino. Jurieu reuniu com cuidado os testemunhos dessas maravilhas e daí concluiu que ‘Deus, tendo feito bocas no meio dos ares, era uma censura indireta que a Providência fazia aos protestantes de França por se terem calado muito facilmente’. Ele ousou predizer que em 1689 o Calvinismo seria restabelecido na França... Jurieu dissera: ‘O Espírito do Senhor estará convosco. Ele falará pela boca das crianças e das mulheres, em vez de vos abandonar.’
“Foi mais que o necessário para que os protestantes perseguidos se pusessem a ver as mulheres e as crianças pondo-se a profetizar.
“Um homem mantinha em casa, numa vidraria oculta no topo da montanha de Pevrat, no Delfinado, uma verdadeira escola de profecia. Era um velho gentil-homem, chamado Du Serre, nascido na aldeia de Dieu-le-Fit. Aqui as origens são um pouco obscuras. Dizem que ele tinha sido iniciado, em Gênova, nas práticas de uma arte misteriosa cujo segredo era transmitido a um pequeno número de pessoas. Reunindo em sua casa rapazes e algumas moças cuja natureza impressionável e nervosa ele sem dúvida havia observado, submetia-os previamente a jejuns austeros; agia poderosamente sobre sua imaginação, para eles estendia as mãos como que para lhes impor o Espírito de Deus, soprava sobre suas frontes e os fazia cair como inanimados à sua frente, com os olhos fechados, adormecidos, os membros tensos pela catalepsia, insensíveis à dor, não vendo e não ouvindo mais nada do que se passava ao seu redor, mas pareciam escutar vozes interiores que lhes falavam, e ver espetáculos esplêndidos, cujas maravilhas contavam, porque, nesse estado bizarro, eles falavam e escreviam; depois, voltando ao seu estado ordinário, eles não se lembravam mais de nada do que tinham feito, do que tinham dito, do que tinham escrito.
“Eis o que Brueys conta desses ‘pequenos profetas adormecidos’, como ele os chama. Aí encontramos os processos, hoje bem conhecidos, do magnetismo, e quem quiser poderá, em muitas circunstâncias, reproduzir os milagres do velho gentil-homem vidreiro...
“Em 1701 houve uma nova explosão de profetas. Eles choviam do céu, brotavam da terra e, das montanhas de Lozère até às margens do Mediterrâneo. Contavam-se aos milhares. Os católicos haviam tomado os filhos dos calvinistas. Deus se serviu dos filhos para protestar contra essa prodigiosa iniquidade. O governo do grande rei só conhecia a violência. Prendiam em massa, ao acaso, esses profetas-meninos; açoitavam impiedosamente os menores, queimavam as plantas dos pés dos maiores. Nada se fez, e havia mais de trezentos nas prisões de Uzès, quando a Faculdade de Montpellier recebeu ordem de se transportar àquela cidade para examinar o seu estado. Após maduras reflexões, a douta Faculdade os declarou ‘atingidos de fanatismo.’
“Essa bela solução da ciência oficial, que hoje ainda não poderia dizer muito mais sobre o assunto, não pôs termo à onda transbordante de inspirações. Bâville então publicou uma ordenação (setembro de 1701) para tornar os pais responsáveis pelo fanatismo de seus filhos.
“Puseram soldados à vontade nas casas de todos quantos não haviam podido desviar seus filhos desse perigoso oficio e os condenaram a penas arbitrárias. Assim, tudo repercutia os lamentos e clamores desses pais infortunados. A vidência foi levada tão longe que, para dela se livrarem, houve várias pessoas que denunciaram seus próprios filhos, ou os entregaram aos intendentes e aos magistrados, dizendo: ‘Ei-los, nós nos desobrigamos; vós mesmos fazei-os, se possível, perder a vontade de profetizar’.
“Vãos esforços! Prendiam, torturaram os corpos, mas o Espírito ficava livre e os profetas se multiplicavam. Em novembro retiraram mais de duzentos das Cevenas ‘que condenaram a servir ao rei, uns nos seus exércitos, outros nas galés’ (Corte de Gébelin). Houve execuções capitais, que não pouparam nem mesmo as mulheres. Em Montpellier enforcaram uma profetisa de Vivarais, porque saía sangue de seus olhos e de seu nariz, que ela chamava de lágrimas de sangue que chorava sobre os infortúnios de seus correligionários, sobre os crimes de Roma e dos papistas...
“Uma surda irritação, uma onda de cólera há muito contida rugia em todas as gargantas ao término desses vinte anos de intoleráveis iniquidades. A paciência das vítimas não diminuía a fúria dos carrascos. Pensaram, enfim, em conter a força pela força.
“Era, sem dúvida, diz Brueys, um espetáculo muito extraordinário e muito novo; via-se marcharem as forças armadas para combaterem pequenos exércitos de profetas.” (t. 1, pág. 156).
“Espetáculo estranho, com efeito, porque os mais perigosos entre esses pequenos profetas defendiam-se a pedradas, refugiados em alturas inacessíveis. Mas na maioria das vezes eles não tentavam nem mesmo defender a própria vida. Quando as tropas avançavam para atacá-los, eles marchavam atrevidamente contra elas, soltando brados: ‘Tartará! Tartará! Para trás, Satã!’ Dizia-se que eles acreditavam que a palavra tartará, como um exorcismo, devia pôr os inimigos em fuga; que eles próprios eram invulneráveis, ou que ressuscitariam ao cabo de três dias, se viessem a sucumbir na luta. Suas ilusões não duravam muito nesses vários pontos, e em breve opuseram aos católicos armas mais eficazes.
“Em dois encontros na montanha de Chailaret, não longe de Saint-Genieys mataram algumas centenas, prenderam um bom número, e o resto pareceu dispersar-se. Bâville julgava os cativos, mandava prender alguns e enviava o resto para as galés; e como nada disso parecia absolutamente desencorajar os reformados, continuaram a procurar as reuniões do deserto, a estrangular impiedosamente os que se rendiam, sem que estes pensassem ainda em opor uma séria resistência a seus carrascos. Segundo o depoimento de uma profetisa chamada Isabel Charras, consignado no Teatro sagrado de Cevenas, esses infelizes mártires voluntários entregavam-se, previamente advertidos pelas revelações dos extáticos, à sorte que os aguardava. Lemos ali:
“O chamado Jean Héraut, nosso vizinho, e quatro ou cinco de seus filhos com ele, tinham inspirações. Os dois mais novos tinham, um sete anos, o outro cinco e meio, quando receberam o dom. Eu os vi muitas vezes em seus êxtases. Um outro vizinho nosso, chamado Marliant, também tinha dois filhos e três filhas no mesmo estado. A mais velha era casada. Estando grávida de cerca de oito meses, foi a uma assembleia, em companhia de seus irmãos e irmãs, levando com ela o filhinho de sete anos. Ali foi massacrada com o dito menino, um de seus irmãos e uma das irmãs. O irmão que não foi morto ficou ferido, mas se curou, e a mais nova das irmãs foi deixada como morta, debaixo de corpos massacrados, sem ter sido ferida. A outra irmã foi levada ainda viva para a casa do pai, mas morreu dos ferimentos, alguns dias depois. Eu não estava na assembleia, mas vi o espetáculo desses mortos e desses feridos.”
“O que há de mais notável é que todos esses mártires tinham sido avisados pelo Espírito do que lhes devia acontecer. Eles tinham-no dito a seu pai, dele se despedindo e pedindo sua bênção, na mesma tarde em que saíram de casa para ir à assembleia que devia realizar-se na noite seguinte. Quando o pai viu todas essas lamentáveis ocorrências, não sucumbiu à sua dor, mas, ao contrário, disse com piedosa resignação: ‘O Senhor o deu, o Senhor o tirou; que o nome do Senhor seja bendito!’ Foi do irmão, do genro, dos dois filhos feridos e de toda a família que eu soube que tudo isto tinha sido predito.”
EUGÈNE BONNEMÈRE.
ALLAN KARDEC.
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Par Eug. Bonnemère4. La guerre entreprise sous Louis XIV contre les Camisards, ou Trembleurs des Cévennes, est, sans contredit, un des épisodes les plus tristes et les plus émouvants de l'histoire de France. Elle est moins remarquable, peut-être, au point de vue purement militaire, qui a renouvelé les atrocités trop communes dans les guerres de religion, que par les innombrables faits de somnambulisme spontané, extase, double vue, prévisions et autres phénomènes du même genre qui se sont produits pendant tout le cours de cette malheureuse croisade. Ces faits, que l'on croyait alors surnaturels, entretenaient le courage chez les calvinistes, traqués dans les montagnes, comme des bêtes fauves, en même temps qu'ils les faisaient considérer comme des possédés du diable par les uns, et comme des illuminés par les autres; ayant été une des causes qui ont provoqué et entretenu la persécution, ils y jouent un rôle principal et non accessoire; mais comment les historiens pouvaient- ils les apprécier, alors qu'ils manquaient de tous les éléments nécessaires pour s'éclairer sur leur nature et leur réalité? Ils n'ont pu que les dénaturer et les présenter sous un faux jour. Les connaissances nouvelles fournies par le magnétisme et le Spiritisme pouvaient seules jeter la lumière sur la question; or, comme on ne peut parler avec vérité de ce que l'on ne comprend pas, ou de ce que l'on a intérêt à dissimuler, ces connaissances étaient aussi nécessaires pour faire sur ce sujet un travail complet et exempt de préjugés, que l'étaient la géologie et l'astronomie pour commenter la Genèse. En démontrant la véritable cause de ces phénomènes, en prouvant qu'ils ne sortent pas de l'ordre naturel, ces connaissances leur ont restitué leur véritable caractère. Elles donnent ainsi la clef des phénomènes du même genre qui se sont produits en maintes autres circonstances, et permettent de faire la part du possible et de l'exagération légendaire. M. Bonnemère, joignant au talent de l'écrivain, et aux connaissances de l'historien, une étude sérieuse et pratique du Spiritisme et du magnétisme, se trouve dans les meilleures conditions pour traiter en connaissance de cause et avec impartialité le sujet qu'il a entrepris. L'idée spirite a plus d'une fois été mise à contribution dans des œuvres de fantaisie, mais c'est la première fois que le Spiritisme figure nominalement et comme élément de contrôle dans une œuvre historique sérieuse; c'est ainsi que peu à peu il prend son rang dans le monde, et que s'accomplissent les prévisions des Esprits. L'ouvrage de M. Bonnemère ne paraîtra que du 5 au 10 février, mais quelques épreuves nous ayant été communiquées, nous en extrayons les passages suivants que nous sommes heureux de pouvoir reproduire par anticipation. Nous en supprimons toutefois les notes indicatives des pièces à l'appui. Nous ajouterons qu'il se distingue des ouvrages sur le même sujet par des documents nouveaux qui n'avaient point encore été publiés en France, de sorte qu'on peut le considérer comme le plus complet. Il se recommande donc par plus d'un titre à l'attention de nos lecteurs, qui pourront en juger par les fragments ci-après: « Le monde n'a jamais rien vu de semblable à cette guerre des Cévennes. Dieu, les hommes et les démons se mirent de la partie; les corps et les Esprits entrèrent en lutte, et, bien autrement encore que dans l'Ancien Testament, les prophètes guidaient aux combats les guerriers qui semblaient eux-mêmes ravis au-dessus des conditions ordinaires de la vie. « Les sceptiques et les railleurs trouvent plus facile de nier; la science déroutée craint de se compromettre, détourne ses regards et refuse de se prononcer. Mais comme il n'est pas de faits historiques qui soient plus incontestables que ceux-là, comme il n'en est pas qui aient été attestés par d'aussi nombreux témoins, la raillerie, les fins de non-recevoir ne peuvent pas être admises plus longtemps. C'est devant le sérieux peuple anglais que les dépositions ont été juridiquement recueillies, avec les formes les plus solennelles, sous la dictée des protestants réfugiés, et elles ont été publiées à Londres, en 1707, alors que le souvenir de toutes ces choses était encore vivant dans toutes les mémoires, et que les démentis eussent pu les écraser sous leur nombre, si elles eussent été fausses. « Nous voulons parler du Théâtre sacré des Cévennes, ou Récit des diverses merveilles nouvellement opérées dans cette partie du Languedoc, auquel nous allons faire de larges emprunts. « Les phénomènes étranges qui s'y trouvent rapportés ne cherchaient, pour se produire, ni l'ombre ni le mystère; ils se manifestaient devant les intendants, devant les généraux, devant les évêques, comme devant les ignorants et les simples d'esprit. En était témoin qui voulait et eût pu les étudier qui l'eût désiré. « J'ai vu dans ce genre, écrivait Villars à Chamillard, le 25 septembre 1704, des choses que je n'aurais jamais crues, si elles ne s'étaient pas passées sous mes yeux: une ville entière, dont toutes les femmes sans exception paraissaient possédées du diable. Elles tremblaient et prophétisaient publiquement dans les rues. J'en fis arrêter vingt des plus méchantes dont une eut la hardiesse de trembler et prophétiser devant moi. Je la fis pendre pour l'exemple, et renfermer les autres dans les hôpitaux. » « De tels procédés étaient de mise sous Louis XIV, et faire pendre une pauvre femme parce qu'une force inconnue la contraignait à dire devant un maréchal de France des choses qui ne lui agréaient pas, pouvait être alors une façon d'agir qui ne révoltait personne, tant elle était simple et naturelle et dans les habitudes du temps. Aujourd'hui, il faut avoir le courage d'aborder en face la difficulté et de lui chercher des solutions moins brutales et plus probantes. « Nous ne croyons ni au merveilleux, ni aux miracles. Nous allons donc expliquer naturellement, de notre mieux, ce grave problème historique, resté sans solution jusques ici. Nous allons le faire en nous aidant des lumières que le magnétisme et le Spiritisme mettent aujourd'hui à notre disposition, sans prétendre d'ailleurs imposer à personne ces croyances. « Il est regrettable que nous ne puissions consacrer que quelques lignes à ce qui, on le comprend, exigerait un volume de développements. Nous dirons seulement, pour rassurer les esprits timides, que cela ne froisse en rien les idées chrétiennes; nous n'en voulons pour preuve que ces deux versets de l'Evangile de saint Matthieu: « Lors donc que l'on vous livrera entre les mains des gouverneurs et des rois, ne vous mettez point en peine comment vous leur parlerez, ni de ce que vous leur direz: car ce que vous leur devez dire vous sera donné à l'heure même; « Car ce n'est pas vous qui parlez, mais c'est l'esprit de votre père qui parle en vous. (Matth., ch. X, v. 19, 20). « Nous laissons aux commentateurs le soin de décider quel est, au vrai, cet esprit de notre Père qui, à certains moments, se substitue à nous, parle à notre place et nous inspire. Peut-être pourrait-on dire que toute génération qui disparaît est le père et la mère de celle qui lui succède, et que les meilleurs parmi ceux qui semblent n'être plus, s'élevant rapidement lorsqu'ils sont débarrassés des entraves du corps matériel, viennent emprunter les organes de ceux de leurs fils qu'ils estiment dignes de leur servir d'interprètes, et qui expieront chèrement un jour le mauvais usage qu'ils auront fait des facultés précieuses qui leur sont déléguées. « Le magnétisme réveille, surexcite et développe chez certains somnambules l'instinct que la nature a donné à tous les êtres pour leur guérison, et que notre civilisation incomplète a étouffé en nous pour les remplacer par les fausses lueurs de la science. « Le somnambule naturel met son rêve en action, voilà tout. Il n'emprunte rien aux autres, ne peut rien pour eux. « Le somnambule fluidique, au contraire, celui chez lequel le contact du fluide du magnétiseur provoque cet état bizarre, se sent impérieusement tourmenté du désir de soulager ses frères. Il voit le mal, ou vient lui indiquer le remède. « Le somnambule inspiré, qui peut parfois être en même temps fluidique, est le plus richement doué, et chez lui l'inspiration se maintient dans des sphères élevées lorsqu'elle se manifeste spontanément. Celui-là seul est un révélateur; c'est en lui seul que le progrès réside, parce que seul il est l'écho, l'instrument docile d'un Esprit autre que le sien, et plus avancé. « Le fluide est un aimant qui attire les morts bien aimés vers ceux qui restent. Il se dégage abondamment des inspirés, et va éveiller l'attention des êtres partis les premiers, et qui leur sont sympathiques. Ceux-ci de leur côté, épurés et éclairés par une vie meilleure, jugent mieux et connaissent mieux ces natures primitives, honnêtes, passives, qui peuvent leur servir d'intermédiaires dans l'ordre de faits qu'ils croient utile de leur révéler. « Au siècle dernier, on les appelait des extatiques. Aujourd'hui ce sont des médiums. « Le Spiritisme est la correspondance des âmes entre elles. Suivant les adeptes de cette croyance, un être invisible se met en communication avec un autre, jouissant d'une organisation particulière qui le rend apte à recevoir les pensées de ceux qui ont vécu, et à les écrire, soit par une impulsion mécanique inconsciente imprimée à la main, soit par transmission directe à l'intelligence des médiums. « Si l'on veut accorder pour un moment quelque créance à ces idées, on comprendra sans peine que les âmes indignées de ces martyrs que le grand roi immolait chaque jour par centaines, soient venues veiller sur les êtres chéris dont elles avaient été violemment séparées, qu'elles les aient soutenus, guidés, consolés au milieu de leurs dures épreuves, inspirés de leur esprit, qu'elles leur aient annoncé par avance, - ce qui eut lieu bien souvent, - les périls qui les menaçaient. « Un petit nombre seulement étaient véritablement inspirés. Le dégagement fluidique qui sortait d'eux, comme de certains êtres supérieurs et privilégiés, agissait sur cette foule profondément troublée qui les entourait, mais sans pouvoir développer chez la plupart d'entre eux autre chose que les phénomènes grossiers et largement faillibles de l'hallucination. Inspirés et hallucinés, tous avaient la prétention de prophétiser, mais ces derniers émettaient une foule d'erreurs au milieu desquelles on ne pouvait plus discerner les vérités que l'Esprit soufflait véritablement aux premiers. Cette masse d'hallucinés réagissait à son tour sur les inspirés, et jetait le trouble au milieu de leurs manifestations… « Il fallait, dit l'abbé Pluquet, pour soutenir la foi des restes dispersés du protestantisme, des secours extraordinaires, des prodiges. Ils éclatèrent de toutes parts parmi les réformés, pendant les quatre premières années qui suivirent la révocation de l'Édit de Nantes. On entendit dans les airs, aux environs des lieux où il y avait eu autrefois des temples, des voix si parfaitement semblables aux chants des psaumes, tels que les protestants les chantent, qu'on ne put les prendre pour autre chose. Cette mélodie était céleste et ces voix angéliques chantaient les psaumes selon la version de Clément Marot et de Théodore de Bèze. Ces voix furent entendues dans le Béarn, dans les Cévennes, à Vassy, etc. Des ministres fugitifs furent escortés par cette divine psalmodie, et même la trompette ne les abandonna qu'après qu'ils eurent franchi les frontières du royaume. Jurieu rassembla avec soin les témoignages de ces merveilles et en conclut que « Dieu s'étant fait des bouches au milieu des airs, c'était un reproche indirect que la Providence faisait aux protestants de France de s'être tus trop facilement. » Il osa prédire qu'en 1689 le calvinisme serait rétabli en France… » « L'Esprit du Seigneur sera avec vous, avait dit Jurieu; il parlera par la bouche des enfants et des femmes, plutôt que de vous abandonner. » « C'était plus qu'il n'en fallait pour que les protestants persécutés s'attendissent à voir les femmes et les enfants se mettre à prophétiser. « Un homme tenait chez lui, dans une verrerie cachée au sommet de la montagne de Peyrat, en Dauphiné, une véritable école de prophétie. C'était un vieux gentilhomme nommé Du Serre, né dans le village de Dieu-le-Fit. Ici les origines sont un peu obscures. On dit qu'il s'était fait initier à Genève aux pratiques d'un art mystérieux dont un petit nombre de personnages se transmettaient le secret. Rassemblant chez lui quelques jeunes garçons et quelques jeunes filles, dont il avait sans doute observé la nature impressionnable et nerveuse, il les soumettait préalablement à des jeûnes austères; il agissait puissamment sur leur imagination, étendait vers eux ses mains comme pour leur imposer l'Esprit de Dieu, soufflait sur leurs fronts, et les faisait tomber comme inanimés devant lui, les yeux fermés, endormis, les membres raidis par la catalepsie, insensibles à la douleur, ne voyant, n'entendant plus rien de ce qui se passait autour d'eux, mais paraissant écouter des voix intérieures qui parlaient en eux, et voir des spectacles splendides dont ils racontaient les merveilles. Car, dans cet état bizarre, ils parlaient, ils écrivaient, puis, revenus à leur état ordinaire, ils ne se rappelaient plus rien de ce qu'ils avaient fait, de ce qu'ils avaient dit, de ce qu'ils avaient écrit. « Voilà ce que Brueys raconte de ces « petits prophètes dormants, » comme il les appelle. Nous trouvons là les procédés, bien connus aujourd'hui, du magnétisme, et quiconque le veut, peut, dans bien des circonstances, reproduire les miracles du vieux gentilhomme verrier… « Il y eut, en 1701, une explosion nouvelle de prophètes. Ils pleuvaient du ciel, ils sourçaient de terre, et, des montagnes de la Lozère jusqu'aux rivages de la Méditerranée, on les comptait par milliers. Les catholiques avaient enlevé aux calvinistes leurs enfants: Dieu se servit des enfants pour protester contre cette prodigieuse iniquité. Le gouvernement du grand roi ne connaissait que la violence. On arrêta en masse, au hasard, ces prophètes-enfants; on fouetta impitoyablement les plus petits, on brûla la plante des pieds aux plus grands. Rien n'y fit, et il y en avait plus de trois cents dans les prisons d'Uzès, lorsque la faculté de Montpellier reçut l'ordre de se transporter dans cette ville pour examiner leur état. Après de mûres réflexions, la docte faculté les déclara « atteints de fanatisme. » « Cette belle solution de la science officielle, qui aujourd'hui encore n'en saurait pas dire beaucoup plus long sur cette question, ne mit pas un terme à ce flot débordant d'inspirations. Bâville publia alors une ordonnance (septembre 1701) pour rendre les parents responsables du fanatisme de leurs enfants. « On mit des soldats à discrétion chez tous ceux qui n'avaient pu détourner leurs enfants de ce dangereux métier, et on les condamna à des peines arbitraires. Aussi tout retentissait des plaintes et des clameurs de ces pères infortunés. La violence fut portée si loin que pour s'en délivrer, il y eut plusieurs personnes qui dénoncèrent ellesmêmes leurs enfants, ou les livrèrent aux intendants et aux magistrats, en leur disant: « Les voilà, nous nous en déchargeons, faites-leur passer vous-mêmes, s'il est possible, l'envie de prophétiser. » « Vains efforts! On enchaînait, on torturait le corps, mais l'Esprit restait libre, et les prophètes se multipliaient. En novembre, on en enleva plus de deux cents des Cévennes, « que l'on condamna à servir le roi, les uns dans ses armées, les autres sur les galères » (Court de Gébelin). Il y eut des exécutions capitales qui n'épargnèrent pas même les femmes. On pendit à Montpellier une prophétesse du Vivarais, parce qu'il sortait de son nez et de ses yeux du sang, qu'elle appelait des larmes de sang, qu'elle pleurait sur les infortunes de ses coreligionnaires, sur les crimes de Rome, et des papistes… « Une sourde irritation, un flot de colère longtemps contenue grondait depuis longtemps dans toutes les poitrines, au bout de ces vingt années d'intolérables iniquités. La patience des victimes ne lassait pas la fureur des bourreaux. On songea enfin à repousser la force par la force… « C'était sans doute, dit Brueys, un spectacle bien extraordinaire et bien nouveau; on voyait marcher des gens de guerre pour aller combattre de petites armées de prophètes » (t. I, p. 156). « Spectacle étrange, en effet, car les plus dangereux parmi ces petits prophètes se défendaient à coups de pierres, réfugiés sur des hauteurs inaccessibles. Mais le plus souvent ils n'essayaient même pas de disputer leur vie. Lorsque les troupes s'avançaient pour les attaquer, ils marchaient hardiment contre elles, en poussant de grands cris: « Tartara! tartara! Arrière Satan! » Ils croyaient, disait-on, que ce mot, tartara, devait, comme un exorcisme, mettre leurs ennemis en fuite, qu'eux-mêmes étaient invulnérables, ou qu'ils ressusciteraient au bout de trois jours, s'ils venaient à succomber dans la mêlée. Leurs illusions ne furent pas de longue durée sur ces divers points, et bientôt ils opposèrent aux catholiques des armes plus efficaces. « Dans deux rencontres, sur la montagne de Chailaret, et non loin de Saint-Genieys, on en tua quelques centaines, on en prit un bon nombre et le reste parut se disperser. Bâville jugeait les captifs, en faisait pendre quelques-uns, envoyait le reste aux galères; et comme rien de tout cela ne paraissait décourager les réformés, on continua à rechercher les assemblées du désert, à égorger sans pitié ceux qui s'y rendaient, sans que ceux-ci songeassent encore à opposer une sérieuse résistance à leurs bourreaux. D'après la déposition d'une prophétesse nommée Isabeau Charras, consignée dans le Théâtre sacré des Cévennes, ces malheureux martyrs volontaires s'y rendaient, avertis d'avance par les révélations des extatiques, du sort qui les attendait; on y lit: « Le nommé Jean Héraut, de notre voisinage, et quatre ou cinq de ses enfants avec lui, avaient des inspirations. Les deux plus jeunes étaient âgés, l'un de sept ans, l'autre de cinq ans et demi, quand ils reçurent le don; je les ai vus bien des fois dans leurs extases. Un autre de nos voisins, nommé Marliant, avait aussi deux fils et trois filles dans le même état. L'aînée était mariée. Étant enceinte d'environ huit mois, elle alla dans une assemblée, en compagnie de ses frères et sœurs, et ayant avec elle son petit garçon, âgé de sept ans. Elle y fut massacrée avec son dit enfant, un de ses frères et une de ses sœurs. Celui de ses frères qui ne fut pas tué, fut blessé, mais il en guérit: et la plus jeune des sœurs fut laissée pour morte sous les corps massacrés, sans avoir été blessée. L'autre sœur fut rapportée, encore vivante, chez son père, mais elle mourut de ses blessures quelques jours après. Je n'étais pas dans l'assemblée, mais j'ai vu le spectacle de ces morts et de ces blessés. » « Ce qu'il y a de plus notable, c'est que tous ces martyrs avaient été avertis par l'Esprit de ce qui devait leur arriver. Ils l'avaient dit à leur père en prenant congé de lui et en lui demandant sa bénédiction, le soir même qu'ils sortirent de la maison pour se trouver dans l'assemblée qui devait se faire la nuit suivante. Quand le père vit tous ces lamentables objets, il ne succomba pas à sa douleur, mais, au contraire, il dit avec une pieuse résignation: « Le Seigneur l'a donné, le Seigneur l'a ôté, que le nom du Seigneur soit béni! » C'est du frère du gendre, des deux enfants blessés et de toute la famille que j'ai appris que tout cela avait été prédit. » EUGENE BONNEMÈRE. 4 1 vol. in-12, 3 fr. 50; par la poste, 4 fr. Paris, chez Décembre-Alonnier, lib.
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