(2º artigo. Vide Revista Espírita de março último)
Deixamos Lumen em Capela, ocupado em considerar a Terra, que ele acabara de deixar. Estando esse mundo situado a 170 trilhões e 392 bilhões de léguas da Terra, e percorrendo a luz 70.000 léguas por segundo, esta não pode chegar de um ao outro senão em 71 anos, 8 meses e 24 dias, ou seja, cerca de 72 anos. Disso resulta que o raio luminoso que leva a imagem da Terra só chega aos habitantes de Capela ao cabo de 72 anos. Tendo Lumen morrido em 1864 e lançando o olhar sobre Paris, a viu tal qual era 72 anos antes, isto é, em 1793, ano de seu nascimento.
Inicialmente ele ficou muito surpreendido por encontrar tudo diferente do que tinha visto, de ver ruelas, conventos, jardins e campos, em vez de avenidas, novos bulevares, estações de estrada de ferro, etc. Viu a Praça da Concórdia ocupada por uma imensa multidão e foi testemunha ocular do acontecimento de 21 de janeiro. A teoria da luz lhe deu a chave desse estranho fenômeno. Eis a solução de algumas dificuldades que ele levanta.1
Sitiens. ─ Mas, então, se o passado pode, assim, confundir-se com o presente; se a realidade e a visão se casam do mesmo modo; se personagens falecidas há muito tempo podem ser vistas representando em cena; se as construções novas e as metamorfoses de uma cidade como Paris podem desaparecer e deixar ver em seu lugar a cidade de outrora; se, enfim, o presente pode apagar-se para a ressurreição do passado, sobre que certeza, daqui para o futuro, nos podemos confiar? Em que se tornam a ciência e a observação? Em que se tornam as deduções e as teorias? Em que se fundamentam nossos conhecimentos, que nos parecem os mais sólidos? E se essas coisas são verdadeiras, não devemos de agora em diante duvidar de tudo ou crer em tudo?
Lúmen. ─ Estas e muitas outras considerações, meu amigo, me absorveram e atormentaram, mas não impediram de ser a realidade que eu observava. Quando tive a certeza que tínhamos presente, sob os nossos olhos, o ano de 1793, pensei imediatamente que a própria Ciência, em vez de combater essa realidade (porque duas verdades não podem opor-se uma à outra), devia me dar a sua explicação. Assim, interroguei a Física e esperei sua resposta. (Segue a demonstração científica do fenômeno).
Sitiens. ─ Assim, o raio luminoso é como um correio que nos traz notícias do estado do país que o envia, e que, se levar 72 anos para chegar até nós, dá-nos o estado desse país no momento de sua partida, isto é, 72 anos antes do momento em que o recebemos.
Lumen. ─ Adivinhastes o mistério. Para falar com mais exatidão ainda, o raio luminoso seria um correio que nos traria, não notícias escritas, mas a fotografia, ou mais rigorosamente ainda, o próprio aspecto do país de onde ele saiu. Assim, pois, quando examinamos ao telescópio a superfície de um astro, não vemos essa superfície tal qual é no momento exato em que o observamos, mas tal qual era no momento em que a luz que nos chega foi emitida por essa superfície.
Sitiens. ─ De sorte que se uma estrela cuja luz leva, suponhamos, dez anos par nos chegar, fosse subitamente aniquilada hoje, nós a veríamos ainda durante dez anos, porquanto seu último raio só nos chegaria dez anos depois.
Lumen. ─ É precisamente isto. Há, pois, aí, uma surpreendente transformação do passado em presente. Para o astro observado, é o passado já desaparecido; para o observador é o presente, o atual. O passado do astro é rigorosa e positivamente o presente do observador.
Mais tarde, Lumen se vê a si próprio, menino, com seis anos, brincando e discutindo com um grupo de outros meninos, na Praça do Panthéon.
Sitiens. ─ Confesso que me parece impossível que se possa ver assim a si próprio. Não podeis ser duas pessoas. Considerando-se que tínheis 72 anos quando morrestes, vosso estado de infância tinha passado, desaparecido, estava extinto há muito tempo. Não podeis ver uma coisa que não mais existe. Não podemos ver-nos em duplicidade, menino e velho.
Lumen. ─ Não refletis bastante, meu amigo. Compreendestes muito bem ó fato geral para admiti-lo, mas não observastes suficientemente para perceber que este último fato particular se enquadra absolutamente no primeiro. Admitis que o aspecto da Terra leva 72 anos para vir a mim, não é? Que os acontecimentos não me chegam senão com esse intervalo de tempo depois de sua atualidade? Numa palavra, que eu veja o mundo tal qual era naquela época. Admitis igualmente que, vendo as ruas daquela época, eu veja, ao mesmo tempo, os meninos que corriam naquelas ruas? Então! Se eu vejo esse grupo de crianças, e se eu fazia parte desse grupo, por que quereis que não me veja tão bem quanto vejo os outros?
Sitiens. ─ Mas não estais mais naquele grupo.
Lumen. ─ Ainda uma vez, esse grupo, na verdade, não existe mais agora, mas eu o vejo tal qual existia no instante em que partiu o raio luminoso que hoje me chega, e se eu distingo os quinze ou dezoito meninos que o compunham, não há razão para que o menino que era eu desapareça porque sou eu quem olha. Outros observadores o veriam em companhia de seus camaradas. Por que quereis que haja uma exceção quando sou eu quem olha? Eu os vejo a todos, e me vejo com eles.
Lumen passa em revista a série dos principais acontecimentos políticos acontecidos desde 1793 até 1864, quando ele próprio se vê no leito de morte.
Sitiens. ─ Estes acontecimentos passaram rapidamente sob os vossos olhos?
Lumen. ─ Eu não poderia apreciar a medida do tempo, mas todo esse panorama retrospectivo se sucedeu certamente em menos de um dia... talvez nalgumas horas.
Sitiens. ─ Então não compreendo mais. Se 72 anos terrestres passaram sob vossos olhos, deveriam ter gasto exatamente 72 anos para vos aparecer, e não algumas horas. Se o ano de 1793 só vos aparecia em 1864, o de 1864, em compensação, não vos deveria aparecer senão em 1936?
Lumen. ─ Vossa objeção é fundada e me prova que compreendestes bem a teoria do fato. Assim, vou explicar-vos como não me foi necessário esperar 72 novos anos para rever minha vida, e como, sob o impulso de uma força inconsciente, efetivamente a revi em menos de um dia.
“Continuando a seguir minha existência, cheguei aos últimos anos notáveis pela transformação radical que sofreu Paris; vi meus últimos amigos e a vós mesmo; minha família e meu círculo de amizades; enfim, chegou o momento em que me vi deitado no leito de morte e onde assisti à última cena. É dizer-vos que tinha voltado à Terra.
“Atraída pela contemplação que a absorvia, rapidamente minha alma tinha esquecido a montanha dos velhos e Capela. Como a gente sente, às vezes, em sonho, ela se evolava na direção do objetivo de seus olhares. A princípio não me apercebi, tanto a estranha visão dominava todas as minhas faculdades. Não vos posso dizer nem por que lei, nem por que força as almas podem transportar-se tão rapidamente de um a outro lugar, mas a verdade é que eu tinha voltado à Terra em menos de um dia, e que eu penetrava em meu quarto justo no momento de meu enterro.
“Sendo que nessa viagem de volta eu ia à frente dos raios luminosos, eu diminuía incessantemente a distância que me separava da Terra; a luz tinha cada vez menos caminho a percorrer e acelerava assim a sucessão dos acontecimentos. No meio do caminho, quando estava a apenas de 36 anos, eles não me mostravam mais a Terra de 72 anos antes, mas de 36. A três quartos do caminho, os aspectos eram atrasados apenas 18 anos. Na metade do último quarto, chegavam-me apenas após passados 9 anos, e assim por diante, de sorte que a série inteira de minha existência se achou condensada em menos de um dia, devido à rápida volta de minha alma, indo à frente dos raios luminosos.”
Quando Lumen chegou a Capela, viu um grupo de velhos ocupados em considerações sobre a Terra, dissertando sobre o acontecimento de 1793. Um deles disse aos companheiros: “De joelhos, meus irmãos, peçamos indulgência ao Deus universal. Esse mundo, essa nação, essa cidade manchou-se por um grande crime; a cabeça de um rei inocente acaba de cair.”
─ Aproximei-me do ancião, disse Lumen, e lhe pedi que me fizesse o relato de suas observações.
“Ele informou-me que pela intuição de que são dotados os Espíritos do grau dos que habitam esse mundo, e pela faculdade íntima de percepção que receberam em partilha, eles possuem uma espécie de relação magnética com as estrelas vizinhas. Essas estrelas são em número de doze ou quinze; são as mais próximas; fora dessa região, a percepção torna-se confusa.
“Nosso Sol é uma dessas estrelas vizinhas.2 Eles conhecem, pois, vagamente mas sensivelmente, o estado das Humanidades que habitam os planetas dependentes desse sol, e o seu relativo grau de elevação intelectual e moral.
“Além disto, quando uma grande perturbação atravessa uma dessas Humanidades, quer na ordem física, quer na ordem moral, eles sofrem uma espécie de comoção íntima, como acontece quando uma corda vibra e faz entrar em vibração uma outra corda situada à distância.
“Há um ano (o ano desse mundo é igual a dez nos nossos), eles se tinham sentido atraídos por uma emoção particular para o planeta terrestre, e os observadores tinham seguido com interesse e inquietude a marcha deste mundo.”
Laboraríamos em erro se deduzíssemos do que precede que os habitantes das diversas esferas, do ponto onde estão, lançam um olhar investigador sobre o que se passa em outros mundos, e que os acontecimentos que aí se realizam passam sob seus olhos como no campo de uma luneta. Ademais, cada mundo tem suas preocupações especiais, que cativam a atenção de seus habitantes, conforme suas próprias necessidades, seus costumes completamente diferentes, e seu grau de adiantamento. Quando os Espíritos encarnados num planeta têm motivos para se interessarem pelo que se passa num outro mundo, ou por alguns dos que o habitam, sua alma para lá se transporta, como fez a de Lumen, em estado de desprendimento, e então se tornam momentaneamente, por assim dizer, habitantes espirituais desse mundo, ou aí se encarnam em missão. Eis, pelo menos, o que resulta do ensinamento dos Espíritos.
Esta última parte do relato de Lumen carece, pois, de exatidão, mas não se deve perder de vista que esta história não passa de uma hipótese destinada a tornar mais acessíveis à inteligência, e de certo modo palpáveis pela entrada em ação, da demonstração de uma teoria científica, como fizemos observar em nosso artigo precedente.
Chamamos a atenção para o parágrafo acima, no qual é dito que: “As grandes perturbações físicas e morais de um mundo produzem sobre os mundos vizinhos uma espécie de comoção íntima, como acontece quando uma corda vibra e faz entrar em vibração uma outra corda situada à distância.” O autor, que em matéria de Ciência não fala levianamente, anuncia aí um princípio que um dia bem poderia ser convertido em lei. A Ciência já admite, como resultado da observação, a ação recíproca material dos astros. Se, como se começa a suspeitar, esta ação, aumentada por certas circunstâncias, pode ocasionar perturbações e cataclismos, nada haveria de impossível que essas mesmas perturbações tivessem seu contragolpe. Até o presente a Ciência considerou apenas o princípio material, entretanto, se levarmos em conta o princípio espiritual como elemento ativo do Universo, e se pensarmos que esse princípio é tão geral e tão essencial quanto o princípio material, conceberemos que uma grande efervescência desse elemento e das modificações que ele sofre num ponto dado, possam ter sua reação, por força da correlação necessária que existe entre a matéria e o espírito. Há certamente nesta ideia o germe de um princípio fecundo e de um estudo sério para o qual o Espiritismo abre caminho.
Segundo o cálculo, e em razão da distância do Sol, que é de 38.230.000 léguas de 4 quilômetros, a luz desse astro nos chega em 8 minutos e 13 segundos. Disso resulta que um fenômeno que se passasse em sua superfície só nos chegaria 8 minutos e 13 segundos mais tarde, e que se o fenômeno fosse instantâneo, já não mais existiria quando o víssemos. Sendo a distância da Lua apenas de 85.000 léguas, sua luz nos chega mais ou menos em um segundo e um quarto; consequentemente, as perturbações que aí pudessem ocorrer nos apareceriam pouco depois do momento em que ocorressem. Se Lumen estivesse na Lua, teria visto Paris de 1864 e não de 1793; se estivesse num mundo duas vezes mais afastado do que Capela, teria visto a Regência.
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1 Segundo o cálculo, e em razão da distância do Sol, que é de 38.230.000 léguas de 4 quilômetros, a luz desse astro nos chega em 8 minutos e 13 segundos. Disso resulta que um fenômeno que se passasse em sua superfície só nos chegaria 8 minutos e 13 segundos mais tarde, e que se o fenômeno fosse instantâneo, já não mais existiria quando o víssemos. Sendo a distância da Lua apenas de 85.000 léguas, sua luz nos chega mais ou menos em um segundo e um quarto; consequentemente, as perturbações que aí pudessem ocorrer nos apareceriam pouco depois do momento em que ocorressem. Se Lumen estivesse na Lua, teria visto Paris de 1864 e não de 1793; se estivesse num mundo duas vezes mais afastado do que Capela, teria visto a Regência.
2 170 trilhões e 892 bilhões de léguas! Pela distância que separa as estrelas vizinhas, podemos imaginar a extensão ocupada pelo conjunto das que, entretanto, nos parecem à vista tão perto umas das outras, sem contar o número infinitamente maior das que só são perceptíveis com o auxílio do telescópio, e que não são, elas próprias, senão uma ínfima fração daquelas que, perdidas nas profundezas do infinito, escapam a todos os nossos meios de investigação. Se considerarmos que cada estrela é um sol, centro de um turbilhão planetário, compreenderemos que o nosso próprio turbilhão não passa de um ponto nessa imensidão. O que, então, nosso globo de 3.000 léguas de diâmetro, entre esses bilhões de mundos? Que são esses habitantes que durante muito tempo acreditaram que seu pequeno mundo é o ponto central do Universo, e eles próprios se crerem os únicos seres vivos da criação, concentrando apenas neles próprios as preocupações da solicitude do Eterno, e crendo de boa fé que o espetáculo dos céus não tinha sido feito senão para lhes recrear a vista? Todo esse sistema egoístico e mesquinho que durante longos séculos constituiu o fundamento da fé religiosa, esboroou-se diante das descobertas de Galileu.
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(2e article. Voir le numéro de mars, page 93.) Nous avons laissé Lumen dans Capella, occupé à considérer la terre qu'il venait de quitter. Ce monde étant situé à 170 trillions 392 milliards de lieues de la terre, et la lumière parcourant 70,000 lieues par seconde, celle-ci ne peut arriver de l'un à l'autre qu'en 71 ans 8 mois et 24 jours, soit environ 72 ans. Il en résulte que le rayon lumineux qui porte l'empreinte de l'image de la terre n'arrive aux habitants de Capella qu'au bout de 72 ans. Lumen étant mort en 1864, et portant sa vue sur Paris, le vit tel qu'il était 72 ans auparavant, c'est-à-dire en 93, année de sa naissance. Il fut donc d'abord très surpris de le trouver tout différent de ce qu'il l'avait vu, de voir des ruelles, des couvents, des jardins, des champs à la place des avenues, des nouveaux boulevards, des gares de chemins de fer, etc. Il vit la place de la Concorde occupée par une foule immense, et fut témoin oculaire de l'avènement du 21 janvier. La théorie de la lumière lui donna la clef de cet étrange phénomène. Voici la solution de quelques-unes des difficultés qu'il soulève6. Sitiens. Mais alors, si le passé peut se confondre ainsi dans le présent; si la réalité et la vision se marient de la sorte; si des personnages morts depuis longtemps peuvent encore être vus jouant sur la scène; si les constructions nouvelles et les métamorphoses d'une ville comme Paris peuvent disparaître et laisser voir à leur place la cité d'autrefois; si enfin le présent peut s'évanouir pour la résurrection du passé, sur quelle certitude pouvons-nous désormais nous confier? Que deviennent la science et l'observation? Que deviennent les déductions et les théories? Sur quoi sont fondées nos connaissances qui nous paraissent les plus solides? Et si ces choses sont vraies, ne devons-nous pas désormais douter de tout ou croire à tout? Lumen. Ces considérations et bien d'autres, mon ami, m'ont absorbé et tourmenté; mais elles n'ont pas empêché d'être la réalité que j'observais. Lorsque j'eus la certitude que nous avions présente sous les yeux l'année 1793, je songeai de suite que la science elle-même, au lieu de combattre cette réalité (car deux vérités ne peuvent être opposées l'une à l'autre), devait m'en donner l'explication. J'interrogeai donc la physique, et j'attendis sa réponse. (Suit la démonstration scientifique du phénomène.) Sitiens. Ainsi, le rayon lumineux est comme un courrier qui nous apporte des nouvelles de l'état du pays qui l'envoie, et qui, s'il met 72 ans à nous parvenir, nous donne l'état de ce pays au moment de son départ, c'est-à-dire près de 72 ans avant le moment où il nous arrive. Lumen. Vous avez deviné le mystère. Pour parler plus exactement encore, le rayon lumineux serait un courrier qui nous apporterait, non pas des nouvelles écrites, mais la photographie, ou plus rigoureusement encore l'aspect lui-même du pays d'où il est sorti. Lors donc que nous examinons au télescope la surface d'un astre, nous ne voyons pas encore cette surface telle qu'elle est au moment même où nous l'observons, mais telle qu'elle était au moment où la lumière qui nous en arrive fut émise par cette surface. Sitiens. De sorte que si une étoile dont la lumière met, je suppose, dix ans à nous parvenir, était subitement anéantie aujourd'hui, nous la verrions encore pendant dix ans, puisque son dernier rayon ne nous arriverait que dans dix ans. Lumen. C'est précisément cela. Il y a donc là une surprenante transformation du passé au présent. Pour l'astre observé, c'est le passé, déjà disparu; pour l'observateur c'est le présent, l'actuel. Le passé de l'astre est rigoureusement et positivement le présent de l'observateur Lumen se voit lui-même plus tard, enfant, à l'âge de six ans, jouant et se disputant avec une troupe d'autres enfants sur la place du Panthéon. Sitiens. Je vous avoue qu'il me paraît impossible que l'on puisse se voir ainsi soi-même. Vous ne pouvez être deux personnes. Puisque vous aviez 72 ans quand vous êtes mort, votre état d'enfance était passé, disparu, évanoui depuis longtemps. Vous ne pouvez voir une chose qui n'est plus. On ne peut se voir en double, enfant et vieillard. Lumen. Vous ne réfléchissez pas assez, mon ami. Vous avez assez bien compris le fait général pour l'admettre; mais vous n'avez pas suffisamment observé que ce dernier fait particulier rentre absolument dans le premier. Vous admettez que l'aspect de la terre emploie 72 ans à venir à moi, n'est-ce pas? que les événements ne m'arrivent qu'à cet intervalle de temps après leur actualité? En un mot, que je vois le monde tel qu'il était à cette époque. Vous admettez pareillement que voyant les rues de cette époque, je vois en même temps les enfants qui couraient dans ces rues? Eh bien! puisque je vois cette troupe d'enfants; et que je faisais alors partie de cette troupe, pourquoi voulez- vous que je ne me voie pas aussi bien que je vois les autres? Sitiens. Mais vous n'y êtes plus, dans cette troupe? Lumen. Encore une fois, cette troupe elle-même n'existe plus maintenant, mais je la vois telle qu'elle existait à l'instant où est parti le rayon lumineux qui m'arrive aujourd'hui, et puisque je distingue les quinze ou dix-huit enfants qui la composaient, il n'y a pas de raison pour que l'enfant qui était moi disparaisse, parce que c'est moi qui le regarde. D'autres observateurs le verraient en compagnie de ses camarades. Pourquoi voulez-vous qu'il y ait exception quand c'est moi qui regarde? Je les vois tous, et je me vois avec eux. Lumen passe en revue la série des principaux événements politiques arrivés depuis 1793 jusqu'en 1864, où il se voit lui-même sur son lit de mort. Sitiens. Est-ce que ces événements passèrent rapidement sous vos regards? Lumen. Je ne saurais apprécier la mesure du temps; mais tout ce panorama rétrospectif se succéda certainement en moins d'un jour… en quelques heures peut-être. Sitiens. Alors je ne comprends plus. Si 72 années terrestres ont passé sous vos yeux, elles auraient dû mettre exactement 72 ans à vous apparaître, et non quelques heures. Si l'année 1793 vous apparaissait seulement en 1864, l'année 1864, en retour, ne devrait par conséquent vous apparaître qu'en 1936. Lumen. Votre objection est fondée, et me prouve que vous avez bien compris la théorie du fait. Aussi vais-je vous expliquer comment il ne me fut pas nécessaire d'attendre 72 nouvelles années pour revoir ma vie, et comment, sous l'impulsion d'une force inconsciente, je l'ai effectivement revue en moins d'un jour. Continuant de suivre mon existence, j'arrivai aux dernières années remarquables par la transformation radicale que Paris a subie; je vis mes derniers amis et vous-même; ma famille et mon cercle de connaissances; et enfin le moment arriva où je me vis couché sur mon lit de mort et où j'assistai à la dernière scène. C'est vous dire que j'étais revenu sur la terre. Attirée par la contemplation qui l'absorbait, mon âme avait vite oublié la montagne des vieillards et Capella. Comme on le ressent parfois en rêve, elle s'envolait vers le but de ses regards. Je ne m'en aperçus pas d'abord, tant l'étrange vision captivait toutes mes facultés. Je ne puis vous dire ni par quelle loi, ni par quelle puissance les âmes peuvent se transporter aussi rapidement d'un lieu à un autre; mais la vérité est que j'étais revenu à la terre, en moins d'un jour, et que je pénétrais dans ma chambre au moment même de mon ensevelissement. Puisque, dans ce voyage de retour, j'allais au devant des rayons lumineux, je raccourcissais sans cesse la distance qui me séparait de la terre, la lumière avait de moins en moins de chemin à parcourir, et resserrait ainsi la succession des événements. Au milieu du chemin m'arrivant de 36 ans seulement, ils ne me montraient plus la terre de 72 ans auparavant, mais de 36. Aux trois quarts du chemin, les aspects n'étaient plus en retard que de 18 ans. A la moitié du dernier quart, ils m'arrivaient seulement 9 ans après s'être passés, et ainsi de suite; de sorte que la série entière de mon existence se trouva condensée en moins d'un jour par suite du retour rapide de mon âme, allant au-devant des rayons lumineux. Lorsque Lumen arriva dans Capella, il vit un groupe de vieillards occupés à considérer la terre, et dissertant sur l'événement de 93; l'un d'eux dit à ses compagnons: « A genoux! mes frères; demandons l'indulgence au Dieu universel. Ce monde, cette nation, cette cité s'est souillée d'un grand crime; la tête d'un roi innocent vient de tomber. » Je m'approchai de l'ancien, dit Lumen, et lui demandai de me faire le récit de ses observations. « Il m'apprit que, par l'intuition dont sont doués les Esprits du degré de ceux qui habitent ce monde, et par la faculté intime d'aperception qu'ils ont reçue en partage, ils possèdent une sorte de relation magnétique avec les étoiles avoisinantes. Ces étoiles sont au nombre de douze ou quinze; ce sont les plus rapprochées; hors de cette région l'aperception devient confuse. Notre soleil est l'une de ces étoiles voisines7. Ils connaissent donc, vaguement mais sensiblement, l'état des humanités qui habitent les planètes dépendantes de ce soleil, et leur degré relatif d'élévation intellectuelle et morale. « De plus, lorsqu'une grande perturbation traverse l'une de ces humanités, soit dans l'ordre physique, soit dans l'ordre moral, ils en subissent une sorte de commotion intime, comme on voit une corde vibrante faire entrer en vibration une autre corde située à distance. « Depuis un an (l'année de ce monde est égale à dix des nôtres), ils s'étaient sentis attirés par une émotion particulière vers la planète terrestre; et les observateurs avaient suivi avec intérêt et inquiétude la marche de ce monde. » On serait dans l'erreur si l'on induisait de ce qui précède que les habitants des différentes sphères portent, du point où ils sont, un regard investigateur sur ce qui se passe dans les autres mondes, et que les événements qui s'y accomplissent passent sous leurs yeux comme dans le champ d'une lunette. Chaque monde d'ailleurs, a ses préoccupations spéciales qui captivent l'attention de ses habitants, selon leurs besoins propres, leurs mœurs toutes différentes, et leur degré d'avancement. Lorsque les Esprits incarnés dans une planète ont des motifs personnels de s'intéresser à ce qui se passe dans un autre monde, ou à quelques-uns de ceux qui l'habitent, leur âme s'y transporte, comme le fit celle de Lumen, à l'état de dégagement, et alors ils redeviennent momentanément, pour ainsi dire habitants spirituels de ce monde, ou bien ils s'y incarnent en mission. Voilà, du moins, ce qui résulte de l'enseignement des Esprits. Cette dernière partie du récit de Lumen manque donc d'exactitude; mais il ne faut pas perdre de vue que cette histoire n'est qu'une hypothèse destinée à rendre plus accessibles à l'intelligence, et en quelque sorte palpables par la mise en action, la démonstration d'une théorie scientifique, ainsi que nous l'avons fait observer dans notre précédent article. Nous appelons l'attention sur le paragraphe ci-dessus où il est dit que: « Les grandes perturbations physiques et morales d'un monde produisent sur les mondes voisins une sorte de commotion intime, comme une corde vibrante fait vibrer une autre corde placée à distance. » L'auteur, qui en matière de science ne parle pas à la légère, énonce là un principe qui pourrait bien un jour être converti en loi. Déjà la science admet, comme résultat d'observation, l'action réciproque matérielle des astres. Si, comme on commence à le soupçonner, cette action, augmentée par le fait de certaines circonstances, peut occasionner des perturbations et des cataclysmes, il n'y aurait rien d'impossible à ce que ces mêmes perturbations eussent leur contrecoup. Jusqu'à présent la science n'a considéré que le principe matériel; mais si l'on tient compte du principe spirituel comme élément actif de l'univers, et si l'on songe que ce principe est tout aussi général et tout aussi essentiel que le principe matériel, on conçoit qu'une grande effervescence de cet élément et les modifications qu'il subit sur un point donné puissent avoir leur réaction, par suite de la corrélation nécessaire qui existe entre la matière et l'esprit. Il y a certainement dans cette idée le germe d'un principe fécond et d'une étude sérieuse dont le Spiritisme ouvre la voie. _____________ 6 D'après le calcul, et en raison de la distance du soleil qui est de 38 millions 230 mille lieues, de 4 kilomètres, la lumière de cet astre nous arrive en 8 minutes 13 secondes. Il en résulte qu'un phénomène qui se passerait à sa surface ne nous apparaîtrait que 8 m. 13 s. plus tard, et que si le phénomène était instantané il n'existerait déjà plus lorsque nous le verrions. La distance de la lune n'étant que de 85 mille lieues, sa lumière nous arrive à peu près en une seconde, et un quart, les perturbations qui pourraient s'y produire nous apparaîtraient, par conséquent, à peu de chose près au moment où elles ont lieu. Si Lumen se fût trouvé dans la lune, il aurait vu le Paris de 1864 et non de 93; s'il eût été dans un monde deux fois plus éloigné que Capella, il aurait vu la Régence.
7 170 trillions, 392 milliards de lieues! Par la distance qui sépare les étoiles voisines on peut juger de l'étendue occupée par l'ensemble de celles qui nous paraissent cependant à la vue si près les unes des autres, sans compter le nombre infiniment plus grand de celles qui ne sont perceptibles qu'à l'aide du télescope, et qui ne sont elles-mêmes qu'une infime fraction de celles qui, perdues dans les profondeurs de l'infini, échappent à tous nos moyens d'investigation. Si l'on considère que chaque étoile est un soleil, centre d'un tourbillon planétaire, on comprendra que notre propre tourbillon n'est qu'un point dans cette immensité. Qu'est donc notre globe de 3,000 lieues de diamètre parmi ces milliards de mondes? Que sont ses habitants qui ont cru longtemps leur petit monde le point central de l'univers, et se sont crus eux-mêmes les seuls êtres vivants de la création, concentrant en eux seuls les préoccupations et la sollicitude de l'Éternel, et croyant de bonne foi que le spectacle des cieux n'était fait que pour récréer leur vue? Tout ce système égoïste et mesquin, qui a fait pendant de longs siècles le fondement de la foi religieuse, s'est écroulé devant les découvertes de Galilée.
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