As pessoas que leram O Céu e o Inferno sem dúvida se lembram da tocante história de Marcel, o menino nº 4, relatada no Cap. VIII das Expiações terrestres. O fato seguinte apresenta um caso mais ou menos análogo e não menos instrutivo, como aplicação da soberana justiça e como explicação do que por vezes parece inexplicável em certas posições da vida.
Numa boa e honesta família morreu, em outubro de 1866, um rapaz de doze anos, cuja vida, durante nove anos, tinha sido um sofrimento contínuo, que nem os cuidados afetuosos de que era cercado, nem os socorros da ciência tinham podido ao menos suavizar. Ele foi acometido de paralisia e de hidropisia; seu corpo estava coberto de chagas invadidas pela gangrena e suas carnes caíam aos pedaços. Muitas vezes, no paroxismo da dor, ele exclamava: “Que fiz eu, então, meu Deus, para merecer tanto sofrimento? Desde que estou no mundo, entretanto, não fiz mal a ninguém!” Instintivamente esse menino compreendia que o sofrimento devia ser uma expiação, mas, na ignorância da lei de solidariedade das existências sucessivas, não remontando o seu pensamento além da vida presente, ele não se dava conta da causa que poderia justificar nele tão cruel castigo.
Uma particularidade digna de nota foi o nascimento de uma irmã, quando ele tinha cerca de três anos. Foi nessa época que se declararam os primeiros sintomas da terrível moléstia da qual ele devia sucumbir. Desde esse momento ele concebeu pela recém-vinda uma repulsa tal que não podia suportar sua presença e à sua vista pareciam redobrar seus sofrimentos. Muitas vezes ele se reprochava esse sentimento que nada justificava, porque a pequena não o partilhava, ao contrário, ela era para ele suave e amável. Ele dizia à sua mãe: “Por que, então, a visão de minha irmãzinha me é tão penosa? Ela é boa para mim, e contra minha vontade não possa impedir-me de detestá-la.” Entretanto não podia suportar que lhe fizessem o menor mal, nem que a magoassem; longe de se alegrar com suas penas, afligia-se quando a via chorar. Era evidente que dois sentimentos nele se combatiam; ele compreendia a injustiça de sua antipatia, mas seus esforços para superá-la eram impotentes.
Que tais enfermidades sejam, em certa idade, consequência de má conduta, seria uma coisa muito natural, mas de que faltas tão graves um menino dessa idade pode ser culpado para suportar semelhante martírio? Além disso, de onde podia provir essa repulsa por um ser inofensivo? Eis problemas que se apresentam a cada instante, e que levam muita gente a duvidar da justiça de Deus, porque aí não encontram solução em nenhuma religião. Essas anomalias aparentes encontram, ao contrário, sua completa justificação na solidariedade das existências. Um observador espírita poderia dizer, então, com toda a aparência de razão, que esses dois seres eram conhecidos e tinham sido colocados um ao lado do outro na existência atual para alguma expiação e para a reparação de alguma falta. Do estado de sofrimento do irmão poderíamos concluir que ele era o culpado, e que os laços de parentesco próximo que o uniam ao objeto de sua antipatia lhe eram impostos para preparar entre eles as vias de uma reaproximação. Assim, já se vê no irmão uma tendência e esforços para superar seu afastamento, que ele reconhece injusto. Essa antipatia não tinha os caracteres do ciúme que por vezes se nota em crianças do mesmo sangue. Ela provinha, pois, conforme toda a probabilidade, de lembranças penosas, e talvez do remorso despertado pelo presença da menina. Tais são as deduções que racionalmente podem ser tiradas, por analogia, da observação dos fatos, e que foram confirmadas pelo Espírito do rapaz.
Evocado quase imediatamente após a morte, por uma amiga da família, pela qual ele tinha muita afeição, a princípio não pôde explicar-se de maneira completa e prometeu dar ulteriormente detalhes mais circunstanciados. Entre as diversas comunicações que deu, eis as duas que se referem mais particularmente à questão.
“Esperais de mim o relato, que prometi, do que fui numa existência anterior, e a explicação da causa de meus grandes sofrimentos. Será um ensinamento para todos. Bem sei que tais ensinamentos estão em toda parte; encontram-se por todos os lados, mas o relato de fatos cujas consequências nós mesmos vimos, é sempre, para os que existem, uma prova muito mais chocante.
“Eu pequei, sim, eu pequei! Sabeis o que é ter sido assassino, ter atentado contra a vida de seu semelhante? Não o fiz pela maneira que os assassinos empregam, matando rápido, com uma corda ou com uma faca ou qualquer outro instrumento. Não, não foi desta maneira. Matei, mas matei lentamente, fazendo sofrer um ser que eu detestava! Sim, detestava essa criança que eu julgava não me pertencer! Pobre inocente! Tinha ela merecido essa triste sorte? Não, meus pobres amigos, não o tinha merecido ou, pelo menos, não me cabia fazê-la sofrer esses tormentos. Entretanto, eu o fiz, e eis por que fui obrigado a sofrer como vistes.
“Eu sofri, meu Deus! É bastante? Sois muito bom, Senhor! Sim, em presença de meu crime e da expiação, acho que fostes muito misericordioso.
“Orai por mim, caros pais, caros amigos. Agora meus sofrimentos passaram. Pobre Sra. D..., eu vos faço sofrer! É que era muito penoso para mim vir fazer a confissão desse crime imenso!
“Esperança, meus bons amigos! Deus me perdoou minha falta. Agora estou na alegria e, entretanto, também na pena. Vede! É bom estar num estado melhor, ter expiado: o pensamento, a lembrança de seus crimes deixam uma tal impressão que é impossível que não se sinta ainda por muito tempo todo o horror, porque não foi somente na Terra que sofri, mas antes, nesta vida espiritual! E que sofrimento que tive para me decidir a vir sofrer esta expiação terrível! Não vos posso narrar tudo isto, pois seria muito horroroso! A visão constante de minha vítima e a outra, a pobre mãe! Enfim, meus amigos, preces por mim e graças ao Senhor! Eu vos tinha prometido este relato; era preciso que até o fim eu pagasse a minha dívida, por mais que ela me custasse.”
(Até aqui o médium havia escrito sob o império de uma viva emoção. Depois, continuou com mais calma).
“E agora, meus bons pais, uma palavra de consolação. Obrigado, oh obrigado a vós que me ajudastes nesta expiação e que carregastes uma parte; suavizastes, tanto quanto de vós dependia, o que havia de amargo em meu estado. Não vos magoeis, porque é coisa passada; estou feliz, eu vo-lo disse, sobretudo comparando o estado passado com o presente. Amo-vos a todos; agradeço-vos; beijo-vos; amai-me sempre. Encontrar-nos-emos e todos juntos continuaremos esta vida eterna, procurando que a vida futura resgate inteiramente a vida passada.
“Vosso filho, François E.”
Numa outra comunicação, o Espírito do jovem François completou as informações acima.
Pergunta. ─ Caro rapaz, não disseste de onde vinha tua antipatia por tua irmãzinha.
Resposta. ─ Não o adivinhais? Essa pobre e inocente criatura era minha vítima, que Deus tinha ligado à minha existência como um remorso vivo. Eis por que sua visão me fazia sofrer tanto.
P. ─ Entretanto não sabias quem era ela.
R. ─ Não sabia em estado de vigília, sem o que meus tormentos teriam sido cem vezes mais horríveis, tão horríveis quanto tinham sido na vida espiritual, onde eu a via incessantemente. Mas credes que meu Espírito, nos momentos em que estava desprendido, não o soubesse? Nisso estava a causa de minha repulsa; e se eu me esforçava por combatê-la, é que instintivamente sentia que era injusta. Eu não era ainda bastante forte para fazer bem àquela que eu não podia impedir-me de detestar, mas não queria que lhe fizessem mal: era um começo de reparação. Deus levou em conta esse sofrimento, por isto permitiu que cedo ficasse livre de minha vida de sofrimento, sem o que eu teria podido viver ainda longos anos na horrível situação em que me vistes.
“Bendizei, pois, minha morte, que pôs um termo à expiação, porque ela foi o preço de minha reabilitação.
P. ─ (ao guia do médium). Por que a expiação e o arrependimento na vida espiritual não bastam para a reabilitação, sem que seja necessário a isto juntar sofrimentos corporais?
R. ─ Sofrer num mundo ou no outro é sempre sofrer, e se sofre o tempo necessário para que a reabilitação seja completa.
Essa criança sofreu muito na Terra. Ora! Isto nada é em comparação com o que suportou no mundo dos Espíritos. Aqui ele tinha, em compensação, os cuidados e a afeição de que era rodeado. Há ainda esta diferença entre o sofrimento corporal e o sofrimento espiritual, que o primeiro é quase sempre voluntariamente aceito como complemento de expiação, ou como provação para adiantar-se mais rapidamente, ao passo que o outro é imposto.
Mas há outros motivos para o sofrimento corporal: inicialmente, para que a reparação se faça nas mesmas condições em que o mal foi feito; depois, para servir de exemplo aos encarnados. Vendo seus semelhantes sofrerem e sabendo a razão, eles ficam muito mais impressionados do que ao saber que são infelizes como Espíritos; podem melhor compreender a causa de seus próprios sofrimentos; a justiça divina se mostra, de certo modo, palpável aos seus olhos. Enfim, o sofrimento corporal é uma ocasião para os encarnados exercitarem a caridade entre si, uma prova para seus sentimentos de comiseração, e muitas vezes um meio de reparar erros anteriores, porque, crede-o, quando um infortunado se acha em vosso caminho, não é por efeito do acaso.
Para os pais do jovem Francisco, era uma grande prova ter um filho nessa triste posição. Pois bem! Eles cumpriram dignamente seu mandato, e serão tanto melhor recompensados por terem agido espontaneamente, pelo próprio impulso do coração. Se os Espíritos não sofressem na encarnação, seria porque na Terra só haveria Espíritos perfeitos.
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Les personnes qui ont lu Ciel et Enfer, se souviennent sans doute de la touchante histoire de Marcel, l'enfant du n 4, rapportée au chapitre VIII des Expiations terrestres. Le fait suivant présente un cas à peu près analogue et non moins instructif, comme application de la souveraine justice, et comme expiation de ce qui souvent paraît inexplicable dans certaines positions de la vie. Dans une bonne et honnête famille, mourut au mois d'octobre 1866, un jeune enfant de douze ans, dont la vie, pendant neuf ans, n'avait été qu'une souffrance continue que ni les soins affectueux dont il était entouré, ni les secours de la science n'avaient pu même adoucir. Il était atteint de paralysie et d'hydropisie; son corps était couvert de plaies envahies par la gangrène, et ses chairs tombaient en lambeaux. Souvent, dans le paroxysme de la douleur, il s'écriait: « Qu'ai- je donc fait, mon Dieu, pour mériter de tant souffrir? Depuis que je suis au monde, je n'ai cependant fait de mal à personne! » Instinctivement, cet enfant comprenait que la souffrance devait être une expiation, mais dans l'ignorance de la loi de solidarité des existences successives, sa pensée ne remontant pas au delà de la vie présente, il ne se rendait pas compte de la cause qui pouvait justifier en lui un si cruel châtiment. Une particularité digne de remarque, fut la naissance d'une sœur alors qu'il avait environ trois ans. C'est à cette époque que se déclarèrent les premiers symptômes de la terrible maladie à laquelle il devait succomber. Dès ce moment aussi il conçut pour la nouvelle venue une répulsion telle qu'il ne pouvait supporter sa présence, et que sa vue semblait redoubler ses souffrances. Souvent il se reprochait ce sentiment que rien ne justifiait, car la petite fille ne le partageait pas; elle était au contraire pour lui douce et aimante. Il disait à sa mère: « Pourquoi donc la vue de ma petite sœur m'est-elle si pénible? Elle est bonne pour moi, et malgré moi je ne puis m'empêcher de la détester. » Cependant il ne pouvait souffrir qu'on lui fît le moindre mal, ni qu'on la chagrinât; loin de se réjouir de ses peines, il s'affligeait quand il la voyait pleurer. Il était évident que deux sentiments se combattaient en lui; il comprenait l'injustice de son antipathie, mais ses efforts pour la surmonter étaient impuissants. Que de telles infirmités soient, à un certain âge, les suites de l'inconduite, ce serait une chose toute naturelle; mais de quelles fautes assez graves un enfant de cet âge peut-il s'être rendu coupable pour endurer un pareil martyre? D'où pouvait en outre provenir cette répulsion pour un être inoffensif? Ce sont là des problèmes qui se présentent à chaque instant, et qui portent une foule de gens à douter de la justice de Dieu, parce qu'ils n'y trouvent de solution dans aucune religion; ces anomalies apparentes trouvent au contraire leur complète justification dans la solidarité des existences. Un observateur spirite pouvait donc se dire, avec toute apparence de raison, que ces deux êtres s'étaient connus, et avaient été placés à côté l'un de l'autre dans l'existence actuelle pour quelque expiation et la réparation de quelque tort. De l'état de souffrance du frère, on pouvait conclure qu'il était le coupable, et que les liens de proche parenté qui l'unissaient à l'objet de son antipathie lui étaient imposés pour préparer entre eux les voies d'un rapprochement; aussi voit-on déjà chez le frère une tendance et des efforts pour surmonter son éloignement qu'il reconnaît injuste. Cette antipathie n'avait point les caractères de la jalousie qu'on remarque parfois chez les enfants d'un même sang; elle provenait donc, selon toute probabilité, de souvenirs pénibles, et peut-être de remords qu'éveillait la présence de la petite fille. Telles sont les déductions qu'on pouvait rationnellement tirer, par analogie, de l'observation des faits, et qui ont été confirmées par l'Esprit de l'enfant. Évoqué presque immédiatement après sa mort par une amie de la famille à laquelle il portait beaucoup d'affection, il ne put d'abord s'expliquer d'une manière complète, et promit de donner ultérieurement des détails plus circonstanciés. Parmi les diverses communications qu'il a données, voici les deux qui se rapportent plus particulièrement à la question: « Vous attendez de moi le récit que je vous ai promis de ce que j'ai été dans une existence antérieure et l'explication de la cause de mes grandes souffrances; ce sera pour tous un enseignement. Ces enseignements sont partout, je le sais; il s'en trouve de tous cotés, mais le récit de faits dont on a vu soi-même les suites, est toujours, pour ceux qui existent, une preuve bien plus frappante. « J'ai péché, oui j'ai péché! Savez-vous ce que c'est que d'avoir été assassin, d'avoir attenté à la vie de son semblable? Je ne l'ai pas fait de la manière que les assassins emploient en tuant de suite, soit avec une corde, soit avec un couteau, ou tout autre instrument; non, ce n'est pas de cette marnière. J'ai tué, mais j'ai tué lentement, en faisant souffrir un être que je détestais! Oui, je le détestais, cet enfant que je croyais ne pas m'appartenir! Pauvre innocent! avait-il mérité ce triste sort? Non, mes pauvres amis, il ne l'avait pas mérité, ou du moins ce n'était pas à moi à lui faire subir ces tourments. Je l'ai fait, pourtant, et voilà pourquoi j'ai été obligé de souffrir comme vous avez vu. « J'ai souffert, mon Dieu! est-ce assez? vous êtes trop bon, Seigneur! oui, en présence de mon crime et de l'expiation, je trouve que vous avez été trop miséricordieux. Priez pour moi, chers parents, chers amis; maintenant mes souffrances sont passées. Pauvre madame D…, je vous fais souffrir! c'est qu'il était bien pénible pour moi de venir faire l'aveu de ce crime immense! « Espérance, mes bons amis, Dieu ma remis ma faute; je suis maintenant dans la joie, et cependant aussi dans la peine; voyezvous! on a beau être dans un état meilleur, avoir expié: la pensée, le souvenir de ses crimes laissent une telle impression, qu'il est impossible qu'on n'en ressente pas longtemps encore toute l'horreur, car ce n'est pas seulement sur terre que j'ai souffert, mais avant, dans cette vie spirituelle! Et, quelle peine j'ai eue à me décider à venir souffrir cette expiation terrible! je ne puis vous narrer tout cela, ce serait trop affreux! La vue constante de ma victime, et l'autre, la pauvre mère! Enfin, mes amis: prières pour moi et grâces au Seigneur! Je vous avais promis ce récit; il fallait jusqu'au bout que j'acquitasse ma dette, quoi qu'il pût m'en coûter. (Jusqu'ici le médium avait écrit sous l'empire d'une vive émotion; il continua avec plus de calme.) Et maintenant, mes bons parents, un mot de consolation. Merci, oh merci! à vous qui m'avez aidé dans cette expiation, et qui en avez porté une partie; vous avez adouci, autant qu'il dépendait de vous, ce qu'il y avait d'amer dans mon état. Ne vous chagrinez pas, c'est une chose passée; je suis heureux, je vous l'ai dit, surtout en comparant l'état passé à l'état présent. Je vous aime tous; je vous remercie; je vous embrasse; aimez-moi toujours. Nous nous retrouverons, et, tous ensemble, nous continuerons cette vie éternelle, en tâchant que la vie future rachète entièrement la vie passée. Votre fils, FRANÇOIS E. Dans une autre communication l'Esprit du jeune François compléta les renseignements ci-dessus: Demande. Cher enfant, tu n'as pas dit d'où venait ton antipathie pour ta petite sœur. Réponse. Ne le devinez-vous pas? Cette pauvre et innocente créature était ma victime que Dieu avait attachée à ma dernière existence comme un remords vivant; voilà pourquoi sa vue me faisait tant souffrir. Demande. Cependant tu ne savais pas qui elle était. Réponse. Je ne le savais pas à l'état de veille, sans cela mes tourments eussent été cent fois plus affreux; aussi affreux qu'ils l'avaient été dans la vie spirituelle où je la voyais sans cesse; mais croyez-vous que mon Esprit, dans les moments où il était dégagé, ne le savait pas? C'était la cause de ma répulsion, et si je m'efforçais de la combattre, c'est qu'instinctivement je sentais qu'elle était injuste. Je n'étais pas encore assez fort pour faire du bien à celle que je ne pouvais m'empêcher de détester, mais je ne voulais pas qu'on lui fît du mal: c'était un commencement de réparation. Dieu m'a tenu compte de ce sentiment, c'est pourquoi il a permis que je fusse délivré de bonne heure de ma vie de souffrance, sans cela j'aurais pu vivre encore de longues années dans l'horrible situation où vous m'avez vu. Bénissez donc ma mort qui a mis un terme à l'expiation, car elle a été le gage de ma réhabilitation. Demande (au guide du médium). Pourquoi l'expiation et le repentir dans la vie spirituelle ne suffisent-ils pas pour la réhabilitation, sans qu'il soit nécessaire d'y ajouter les souffrances corporelles? Réponse. Souffrir dans un monde ou dans un autre, c'est toujours souffrir, et l'on souffre aussi longtemps que la réhabilitation n'est pas complète. Cet enfant a bien souffert sur la terre; eh bien! ce n'est rien en comparaison de ce qu'il a enduré dans le monde des Esprits. Ici il avait en compensation les soins et l'affection dont il était entouré. Il y a encore cette différence entre la souffrance corporelle et la souffrance spirituelle, que la première est presque toujours volontairement acceptée comme complément d'expiation, ou comme épreuve pour avancer plus rapidement, tandis que l'autre est imposée. Mais il y a d'autres motifs à la souffrance corporelle: c'est d'abord afin que la réparation ait lieu dans les mêmes conditions où le mal a été fait; puis pour servir d'exemple aux incarnés. En voyant leurs semblables souffrir et en en sachant la raison, ils en sont bien autrement impressionnés que de savoir qu'ils sont malheureux comme Esprits; ils peuvent mieux s'expliquer la cause de leurs propres souffrances; la justice divine se montre en quelque sorte palpable à leurs yeux. Enfin la souffrance corporelle est une occasion pour les incarnés d'exercer entre eux la charité, une épreuve pour leurs sentiments de commisération, et souvent un moyen de réparer des torts antérieurs; car, croyez-le bien, lorsqu'un infortuné se trouve sur votre chemin, ce n'est point l'effet du hasard. Pour les parents du jeune François, c'était une grande épreuve d'avoir un enfant dans cette triste position; eh bien! ils ont dignement rempli leur mandat, et ils en seront d'autant mieux récompensés qu'ils ont agi spontanément, par la propre impulsion de leur cœur. Si les Esprits ne souffraient pas dans l'incarnation, c'est qu'il n'y aurait que des Esprits parfaits sur la terre.
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