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Revista Espírita 1866 » Novembro » Maomé e o Islamismo Revue Spirite 1866 » Novembre » Mahomet et l'Islamisme

(2º artigo ─ Vide o nº. de agosto de 1866)

 

Foi em Medina que Maomé mandou construir a primeira mesquita, na qual trabalhou com as próprias mãos e organizou um culto regular. Aí pregou pela primeira vez em 623. Todas as medidas tomadas por ele testemunhavam a sua solicitude e a sua previdência: “Um traço característico, ao mesmo tempo, do homem e do seu tempo”, diz o Sr. Barthélemy Saint-Hilaire, “é a escolha feita por Maomé de três poetas de Medina, oficialmente encarregados de defendê-lo contra as sátiras dos poetas de Meca. Provavelmente não era porque nele o amor-próprio fosse mais excitável do que convinha, mas, numa nação espirituosa e viva, esses ataques tinham uma repercussão análoga à que, em nossos dias, podem ter os jornais, e eles eram muito perigosos”.

Dissemos que Maomé foi constrangido a fazer-se guerreiro. Com efeito, ele absolutamente não tinha o humor belicoso como o havia provado nos primeiros cinquenta anos de sua existência. Ora, decorridos apenas dois anos de sua residência em Medina, e os coraicitas de Meca, coligados com as outras tribos hostis, vieram sitiar a cidade. Maomé teve que se defender, e a partir de então começou para ele um período guerreiro que durou dez anos, durante o qual se mostrou, sobretudo, um tático hábil. Num povo em que a guerra era o estado normal; que só conhecia o direito da força, ao chefe da nova religião era necessário o prestígio da vitória para firmar a sua autoridade, mesmo sobre os seus partidários. A persuasão tinha pouco domínio sobre essas populações ignorantes e turbulentas; uma mansuetude exagerada teria sido tomada como fraqueza. Em seu pensamento, o Deus forte não podia mani­festar-se senão por um homem forte, e o Cristo, com a sua inalterável doçura, teria fracassado nessas regiões.

Portanto, Maomé foi guerreiro pela força das circunstâncias, muito mais do que por seu caráter, e terá sempre o mérito de não ter sido o provocador. Uma vez iniciada a luta, ele tinha que vencer ou morrer; só com essa condição poderia ser aceito como o enviado de Deus; era preciso que os seus inimigos fossem destroçados para se convencerem da superioridade de seu Deus sobre os ídolos que eles adoravam. Com exceção de um dos primeiros combates, no qual ele foi ferido e os muçulmanos derrotados, em 625, suas armas foram constantemente vitoriosas e no espaço de alguns anos ele submeteu a Arábia inteira à sua lei. Quando ele viu sua autoridade consolidada e a idolatria destruída, entrou triunfalmente em Meca, após dez anos de exílio, seguido por aproximadamente cem mil peregrinos, e aí realizou a célebre peregrinação dita do adeus, cujos ritos os muçulmanos conservaram escrupulosamente. Ele morreu no mesmo ano, dois meses depois de seu regresso a Medina, a 8 de junho de 632, com sessenta e dois anos de idade.

Temos que julgar Maomé pela história autêntica e imparcial, e não segundo as lendas ridículas que a ignorância e o fanatismo espalharam por sua conta, ou segundo as descrições feitas pelos que tinham interesse em desacreditá-lo, apresentando-o como um ambicioso sanguinário e cruel. Também não se deve considerá-lo responsável pelos excessos de seus sucessores que quiseram conquistar o mundo para a fé muçulmana de espada em punho. Sem dúvida houve grandes manchas no último período de sua vida; ele pode ser censurado por ter abusado, em algumas circunstâncias, do direito de vencedor e de nem sempre ter agido com toda a moderação desejável. Entretanto, ao lado de alguns atos que a nossa civilização reprova, é preciso dizer, em seu favor, que muitíssimas vezes ele se mostrou muito mais humano e clemente para com os inimigos do que vingativo, e que muitas vezes deu provas de verdadeira grandeza de alma. É forçoso reconhecer, também, que mesmo em meio aos seus sucessos e quando havia chegado ao topo de sua glória, até o seu último dia limitou-se a seu papel de profeta, sem jamais usurpar uma autoridade temporal despótica. Ele não se fez rei nem potentado, e jamais, na sua vida privada, se maculou com qualquer ato de fria barbárie, nem de baixa cupidez. Sempre viveu com simplicidade, sem fausto e sem luxo, mostrando-se bom e benevolente para com todos. Isto é da história.

Se nos reportarmos ao tempo e ao meio em que ele vivia; se considerarmos sobretudo as perseguições de que ele e os seus foram vítimas, o encarniçamento dos seus inimigos e os atos de barbárie que estes cometeram contra os seus partidários, é lícito nos admiremos que na ebriez de sua vitória por vezes ele tenha feito uso de represálias?

Podemos censurá-lo por ter implantado sua religião a ferro e fogo no meio de um povo bárbaro que o combatia, quando a Bíblia registra, como fatos gloriosos para a fé, carnificinas de tamanha atrocidade que somos tentados a tomar como lendas? Quando, mil anos depois dele, nas regiões civilizadas do ocidente, cristãos que tinham por guia a sublime lei do Cristo, atirando-se sobre vítimas pacificas, extinguiam as heresias pelas fogueiras, pelas torturas, pelos massacres e em ondas de sangue?

Se o papel guerreiro de Maomé lhe foi uma necessidade, e se esse papel pode escusá-lo de certos atos políticos, o mesmo não se dá em relação a outros aspectos. Até a idade de cinquenta anos e enquanto viveu sua primeira esposa Khadidja, quinze anos mais velha do que ele, seus costumes foram irreprocháveis, mas a partir de então suas paixões não conheceram freio, e foi incontestavelmente para justificar o abuso que delas fez que ele consagrou a poligamia na sua religião. Foi o seu mais grave erro, porque foi uma barreira que ele interpôs entre o Islamismo e o mundo civilizado. Assim, sua religião, após doze séculos, não pôde transpor os limites de certas raças. É, também, o lado pelo qual o seu fundador mais se rebaixa aos nossos olhos. Os homens de gênio perdem sempre o seu prestígio quando se deixam dominar pela matéria; ao contrário, crescem tanto mais quanto mais se elevam acima das fraquezas da Humanidade.

Contudo, o desregramento dos costumes era tal na época de Maomé, que uma reforma radical era muito difícil em homens habituados a se entregar às suas paixões com uma brutalidade bestial. Portanto, podemos dizer que regulamentando a poligamia ele pôs limites à desordem e conteve abusos mais graves. Mas nem por isso a poligamia deixará de ser o verme roedor do Islamismo, porque é contrária às leis da Natureza. Pela igualdade numérica dos sexos, a própria Natureza traçou os limites das uniões. Permitindo quatro mulheres legítimas, Maomé não pensou que, para que sua lei abrangesse a universalidade dos homens, era preciso que o sexo feminino fosse ao menos quatro vezes mais numeroso que o masculino.

Malgrado as suas imperfeições, o Islamismo não deixou de ser um grande benefício para a época em que apareceu e para o país onde surgiu, porque fundou o culto da unidade de Deus sobre as ruínas da idolatria. Era a única religião possível para esses povos bárbaros, aos quais não era razoável pedir grandes sacrifícios de suas ideias e costumes. Era-lhes necessário algo de simples como a Natureza, em cujo meio viviam. A religião cristã tinha muitas sutilezas metafísicas; assim, todas as tentativas feitas durante cinco séculos para implantá-la nessas regiões tinham falhado fragorosamente; o próprio Judaísmo, muito questionador, tinha feito poucos prosélitos entre os árabes, embora os judeus propriamente ditos aí fossem bastante numerosos. Superior aos de sua raça, Maomé tinha compreendido os homens de seu tempo; para arrancá-los da baixeza em que os mantinham grosseiras crenças rebaixadas a um estúpido fetichismo, ele lhes deu uma religião apropriada às suas necessidades e ao seu caráter. Essa religião era a mais simples de todas: “Crença num Deus único, onipotente, eterno, infinito, onipresente, clemente e misericordioso, criador dos céus, dos anjos e da Terra, pai do homem, sobre o qual vela e cumula de bens; remunerador e vingador numa outra vida, onde nos espera para nos recompensar ou castigar, conforme os nossos méritos; que vê nossas ações mais secretas e preside o destino de suas criaturas que ele não abandona um só instante, nem neste mundo nem no outro; submissão a mais humilde e confiança absoluta em sua vontade santa”, eis os dogmas.

Quanto ao culto, consiste na prece repetida cinco vezes por dia, nos jejuns e nas mortificações do mês de ramadã e em certas práticas, das quais diversas tinham um fim higiênico, mas de que Maomé fez uma obrigação religiosa, tais como as abluções diárias, a abstenção do vinho, das bebidas inebriantes, da carne de certos animais, que os fiéis consideram um caso de consciência observar nos mais minuciosos detalhes. A sexta-feira foi adotada como o dia santo da semana e Meca indicada como o ponto para o qual todo muçulmano deve voltar-se ao orar. O serviço público nas mesquitas consiste na prece em comum, sermões, leitura e explicação do Alcorão. A circuncisão não foi instituída por Maomé, mas por ele conservada; era praticada entre os árabes desde tempos imemoriais. A proibição de reproduzir pela pintura ou escultura qualquer ser vivo, homens e animais, foi feita visando destruir a idolatria e impedir que ela se revigorasse. Enfim, a peregrinação a Meca, que todo fiel deve realizar pelo menos uma vez na vida, é um ato religioso; entretanto, ele tinha um outro objetivo nessa época, um objetivo político, o de aproximar, por um laço fraternal, as diversas tribos inimigas, reunindo-as num comum sentimento de piedade num mesmo lugar consagrado.

Do ponto de vista histórico, a religião muçulmana admite o Antigo Testamento por inteiro, até Jesus Cristo, inclusive, que ela reconhece como profeta. Segundo Maomé, Moisés e Jesus eram enviados de Deus para ensinar a verdade aos homens; como a lei do Sinai, o Evangelho é a palavra de Deus, mas os cristãos alteraram o seu sentido. Ele declara, em termos explícitos, que não traz nem crenças novas nem culto novo, mas que vem restabelecer o culto do Deus único professado por Abraão. Não fala senão respeitosamente dos patriarcas e dos profetas que o precederam: Moisés, David, Isaías, Ezequiel e Jesus Cristo; do Pentateuco, dos Salmos e do Evangelho. São os livros que precederam e prepararam o Alcorão. Longe de ocultar esses empréstimos, gaba-se disso, e a grandeza deles é o fundamento da sua. Pode-se julgar de seus sentimentos e do caráter de suas instruções pelo fragmento seguinte do último discurso que pronunciou em Meca quando da peregrinação do adeus, pouco tempo antes de sua morte, e conservado na obra de Ibn-Ishâc e de Ibn-lshâm:

 

“Ó povos! Escutai minhas palavras, pois não sei se no próximo ano poderei encontrar-me convosco neste lugar. Sede humanos e justos entre vós. Que a vida e a propriedade de cada um sejam invioláveis e sagradas para os outros; que aquele que recebeu um depósito o devolva fielmente àquele que o confiou. Aparecereis diante do vosso Senhor e ele vos pedirá contas de vossas ações. Tratai bem as mulheres; elas são vossas auxiliares e nada podem por si sós. Vós as tomastes como um bem que Deus vos confiou e delas tomastes posse por palavras divinas.

“Ó povos! Escutai minhas palavras e fixai-as em vosso Espírito. Eu vos revelei tudo; deixo-vos uma lei que vos preservará para sempre do erro, se a ela ficardes ligados fielmente, uma lei clara e positiva, o livro de Deus e o exemplo de seu profeta.

“Ó povos! Escutai minhas palavras e fixai-as em vosso Espírito. Sabei que todo muçulmano é o irmão do outro; que todos os muçulmanos são irmãos entre si, que sois todos iguais entre vós e que sois apenas uma família de irmãos. Guardai-vos da injustiça; ninguém deve cometê-la em detrimento de seu irmão: ela arrastará à vossa perdição eterna.

“Ó Deus! Desempenhei minha mensagem e terminei minha missão?

“A multidão que o rodeava respondeu: Sim, tu a cumpriste.

“E Maomé exclamou: Ó Deus, digna-te receber este testemunho!”

 

Eis agora o julgamento de Maomé e da influência de sua doutrina, feito por um de seus historiógrafos, o Sr. G. Weil, em sua obra alemã intitulada Mohammet der Prophet, às páginas 400 e seguintes:

 

“A doutrina de Deus e dos santos destinos do homem pregada por Maomé num país que estava entregue à mais brutal idolatria e que tinha uma pálida ideia da imortalidade da alma, tanto mais nos deve reconciliar com ele, a despeito de suas fraquezas e de seus erros, quanto sua vida particular não podia exercer sobre os seus aderentes nenhuma influência perniciosa. Longe de se dar jamais por modelo, ele queria sempre que o olhassem como um ser privilegiado, a quem Deus permitia pôr-se acima da lei comum, e de fato ele foi cada vez mais considerado sob esse aspecto especial.

“Seríamos injustos e cegos se não reconhecêssemos que seu povo lhe deve ainda outra coisa de verdadeiro e de bom. Ele reuniu numa só grande nação que fraternalmente crê em Deus, as inumeráveis tribos árabes, até então inimigas entre si. Em lugar do mais violento arbítrio, do direito da força e da luta individual, ele estabeleceu um direito inquebrantável que, malgrado suas imperfeições, constitui a base de todas as leis do Islamismo. Ele limitou a vingança de sangue que antes dele se estendia até aos parentes mais afastados e a limitou àquele que os juízes reconhecessem como assassino. Prestou relevantes serviços sobretudo ao belo sexo, não só protegendo as filhas contra o atroz costume que muitas vezes permitiam que fossem imoladas por seus pais, mas, além disso, protegendo as mulheres contra os parentes de seus maridos que as herdavam como coisas materiais, e protegendo-as contra os maus tratos dos homens. Restringiu a poligamia, não permitindo aos crentes senão quatro esposas legítimas, em vez de dez, como era usual, sobretudo em Medina. Sem ter emancipado inteiramente os escravos, foi bom e útil para eles de várias maneiras. Para os pobres, não só recomendou sempre a beneficência para com eles, mas estabeleceu formalmente um imposto em seu favor e lhes concedeu uma parte especial no espólio e no tributo. Proibindo o jogo, o vinho e todas as bebidas inebriantes, preveniu muitos vícios, muitos excessos, muitas querelas e muita desordem.

“Embora não consideremos Maomé como um verdadeiro profeta, porque empregou para propagar sua religião meios violentos e impuros e porque ele próprio foi muito fraco para se submeter à lei comum e porque se dizia o selo dos profetas, declarando que Deus sempre podia substituir o que ele havia dado por algo de melhor, não obstante ele tem o mérito de ter feito penetrar as mais belas doutrinas do Velho e do Novo Testamento num povo que não era esclarecido por nenhum raio da fé e sob este ponto de vista deve parecer, mesmo aos olhos não maometanos, como um enviado de Deus.”

 

Como complemento deste estudo, citaremos algumas passagens textuais do Alcorão, tiradas da tradução de Savary:

 

Em nome do Deus clemente e misericordioso. ─ Louvor a Deus, soberano dos mundos. ─ A misericórdia é a sua partilha. ─ Ele é o rei no dia do juízo. ─ Nós te adoramos, Senhor, e imploramos a tua assistência. ─ Dirige-nos no caminho da salvação, ─ no caminho dos que cumulaste com os teus benefícios; ─ dos que não mereceram a tua cólera e se preservaram do erro. (Introdução, Surata 1).

Ó mortais, adorai o Senhor que vos criou, vós e os vossos pais, a fim de que o temais; que vos deu a terra por leito e o céu por teto; que fez descer a chuva dos céus para produzir todos os frutos de que vos alimentais. Não deis sócio ao Altíssimo; vós o sabeis. (Surata II, v. 19 e 20).

Por que não credes em Deus? Estáveis mortos, ele vos deu a vida; ele extinguirá vossos dias e lhes reacenderá o facho. Voltareis a ele. ─ Ele criou para vosso refúgio tudo o que há sobre a Terra. Voltando depois seu olhar para o firmamento, formou os sete céus. Sua ciência abarca o Universo. (Surata II, v. 26 e 27).

O Oriente e o Ocidente pertencem a Deus; para qualquer lugar que se voltem vossos olhos, reconhecereis a sua face. Ele enche o Universo com a sua imensidade e com a sua ciência. ─ Ele formou a Terra e os céus. Quer ele produzir qualquer obra? Ele diz: “Seja feita”, e a obra é feita. ─ Os ignorantes dizem: “Se Deus não nos fala e se tu não nos fazes ver um milagre, nós não cremos.” Assim falavam seus pais; seus corações são semelhantes. Fizemos brilhar muitos prodígios para os que têm fé. (Surata II, v. 109 a 112).

Deus não exigirá de cada um de nós senão conforme as suas forças. Cada um terá em seu favor as boas obras e contra si o mal que houver feito. Senhor, não nos castigues por faltas cometidas por esquecimento. Perdoa os nossos pecados; não nos imponhas o fardo que nossos pais carregaram. Não nos carregues além de nossas forças. Faze brilhar para os teus servos o perdão e a indulgência. Tem compaixão de nós; és o nosso socorro. Ajuda-nos contra as nações infiéis. (Surata, II, v. 286).

Ó Deus, rei supremo, dás e tiras à vontade as coroas e o poder. Elevas e rebaixas os humanos à tua vontade; o bem está em tuas mãos: tu és o onipotente. ─ Mudas o dia em noite e a noite em dia. Fazes sair a vida do seio da morte e a morte do seio da vida. Derramas teus tesouros infinitos sobre quem te apraz. (Surata III, v. 25 e 26).

Ignorais quantos povos fizemos desaparecer da face da Terra? Nós lhes havíamos dado um império mais estável que o vosso. Mandávamos as nuvens derramarem a chuva sobre os seus campos; aí fazíamos correrem os rios. Só os seus crimes causaram a sua ruína. Nós os substituímos por outras nações. (Surata VI, v. 6).

É a Deus que deveis o sono da noite e o despertar da manhã. Ele sabe o que fazeis durante o dia. Ele vos deixa realizar o curso da vida. Reaparecereis diante dele e ele vos mostrará vossas obras. ─ Ele domina os seus servos. Ele vos dá como guardas, anjos encarregados de terminar vossos dias no momento prescrito. Eles executam cuidadosamente a ordem do Céu. ─ Voltareis em seguida diante do Deus da verdade. Não é a ele que cabe julgar? Ele é o mais exato dos juízes. ─ Quem vos livra das tribulações da terra e dos mares, quando, invocando-o em público ou no íntimo do coração exclamais: “Senhor, se de nós afastas estes males, nós te seremos reconhecidos?” ─ É Deus que deles vos livra. É sua bondade que vos alivia da pena que vos oprime; e depois voltais à idolatria. (Surata VI, v. 60 a 64)

Todos os segredos são desvelados aos seus olhos; é grande o Altíssimo. ─ Aquele que fala em segredo; aquele que fala em público; aquele que se envolve nas sombras da noite e aquele que aparece à luz do dia lhe são igualmente conhecidos. ─ É ele que faz brilhar o raio aos vossos olhos para vos inspirar o medo e a esperança. É ele que eleva as nuvens carregadas de chuva. ─ O trovão celebra seus louvores. Os anjos tremem em sua presença. Ele lança o raio e este fere as vítimas marcadas. Os homens discutem sobre Deus, mas ele é o forte e o poderoso. ─ Ele é a verdadeira invocação. Os que imploram a outros deuses não serão exalçados; eles se assemelham ao viajante que, premido pela sede, estende a mão para a água que não pode alcançar. A invocação dos infiéis se perde na noite do erro. (Surata XIII, v. 10 a 15).

Jamais digas: “Farei isto amanhã”, sem acrescentar: “se for a vontade de Deus”. Eleva a ele o teu pensamento quando tiveres esquecido alguma coisa e diz: “Talvez ele me esclareça e me faça conhecer a verdade.” (Surata XVIII, v. 23).

Se as ondas do mar se transformassem em tinta para descrever os louvores do Senhor, esgotar-se-iam antes de haver celebrado todas as suas maravilhas. Um outro oceano semelhante ainda não bastaria. (Surata XVIII, v. 109).

Aquele que busca a verdadeira grandeza a encontra em Deus, fonte de todas as perfeições. Os discursos virtuosos sobem ao seu trono. Ele exalta as boas obras; ele pune rigorosamente o celerado que trama perfídias.

Não, o céu jamais anula o decreto que ele pronunciou. ─ Eles não percorreram a Terra? Eles não viram que ela foi o fim deplorável dos povos que antes deles marcharam no caminho da iniquidade? Esses povos eram mais fortes e mais poderosos do que eles. Mas nada nos céus e na Terra pode opor-se as vontades do Altíssimo. A ciência e a força são seus atributos. ─ Se Deus punisse os homens desde o instante em que se tomam culpados, não restaria nenhum ser animado na Terra. Ele difere os castigos até o termo marcado. ─ Quando chega o tempo, ele distingue as ações de seus servidores. (Surata XXXV, v. 11 e 41 a 45).

 

Estas citações bastam para mostrar o profundo sentimento de piedade que animava Maomé e a ideia grande e sublime que ele fazia de Deus. O Cristianismo poderia reivindicar esse quadro.

Maomé não ensinou o dogma da fatalidade absoluta, como pensam geralmente. Essa crença, de que estão imbuídos os muçulmanos, e que paralisa sua iniciativa em muitas circunstâncias, não passa de uma falsa interpretação e de uma falsa aplicação do princípio da submissão à vontade de Deus levada além dos limites racionais; eles não compreendem que tal submissão não exclui o exercício das faculdades do homem, e lhes falta como corretivo a máxima: “Ajuda-te, e o céu te ajudará.”

As passagens seguintes tratam de pontos particulares da doutrina.

 

Deus tem um filho, dizem os cristãos. Longe dele esta blasfêmia! Tudo o que está no céu e na Terra lhe pertence. Todos os seres obedecem à sua voz. (Surata II, v. 110).

Ó vós que recebestes as escrituras, não ultrapasseis os limites da fé; não digais de Deus senão a verdade. Jesus é filho de Maria, enviado do Altíssimo e o seu Verbo. Ele o fez descer ao seio de Maria; ele é o seu sopro. Crede em Deus e em seus apóstolos, mas não digais que há uma trindade em Deus. Ele é uno; esta crença vos será mais segura. Longe de ter um filho, ele governa sozinho o Céu e a Terra; ele se basta a si mesmo. ─ O Messias não corará por ser o servo de Deus, assim como os anjos que rodeiam o seu trono e lhe obedecem. (Surata IV, v. 169, 170).

Aqueles que sustentam a trindade de Deus são blasfemos; não há senão um Deus. Se eles não mudarem de crença, um doloroso suplício será o preço de sua impiedade. (Surata V, v. 77).

Os judeus dizem que Ozaï é o filho de Deus. Os cristãos dizem o mesmo do Messias. Eles falam como os infiéis que os precederam. O céu punirá suas blasfêmias. ─ Eles chamam senhores aos seus pontífices, seus monges, e o Messias filho de Maria. Mas lhes é recomendado servir a um só Deus: não há outro. Anátema sobre os que eles associam ao seu culto. (Surata IX, 30, 31).

Deus não tem filhos; ele não partilha o império com outro Deus. Se assim fosse, cada um deles quereria apropriar-se de sua criação e elevar-se acima de seu rival. Louvor ao Altíssimo! Longe dele essas blasfêmias! (Surata XXII, v. 93).

Declara, ó Maomé, o que o céu te revelou. ─ A assembleia dos gênios, tendo escutado a leitura do Alcorão, exclamou: “Eis uma doutrina maravilhosa. ─ Ela conduz à verdadeira fé. Nós cremos nela e não damos um igual a Deus. ─ Glória à sua Majestade suprema! Deus não tem esposa; ele não gerou.” (Surata LXXII, v. l a 4).

Dizei: “Cremos em Deus, no livro que nos foi enviado, no que foi revelado a Abraão, Ismael, Isaac, Jacob e às doze tribos. Cremos na doutrina de Moisés, de Jesus e dos profetas; não fazemos nenhuma diferença entre eles e somos muçulmanos.” (Surata II, v. 130).

Não há Deus senão o Deus vivo e eterno. ─ Ele te enviou o livro que encerra a verdade, para confirmar a verdade das Escrituras que o precederam. Antes dele, fez descer o Pentateuco e o Evangelho, para servirem de guias aos homens; ele enviou o Alcorão dos céus. ─ Os que negarem a doutrina divina só devem esperar suplícios; Deus é poderoso e a vingança está em suas mãos. (Surata III, v. 1, 2, 3).

Há os que dizem: “Juramos a Deus não crer em nenhum profeta, a menos que a oferenda que ele apresenta não seja confirmada pelo fogo do Céu.” ─ Responde-lhes: “Tínheis profetas antes de mim; eles operaram milagres e aquele mesmo de que falais. Por que então manchastes as vossas mãos com seu sangue, se dizeis a verdade?” ─ Se eles negam a tua missão, trataram do mesmo modo os apóstolos que te precederam, embora fossem dotados do dom dos milagres e tivessem trazido o livro que esclarece (o Evangelho) e o livro dos salmos. (Surata III, v. 179 a 181).

Nós te inspiramos, assim como inspiramos Noé, os profetas, Abraão, Ismael, Isaac, Jacob, as tribos, Jesus, Job, Jonas, Aarão e Salomão. Nós demos os salmos de Davi. (Surata IV, v. 161).

 

Em muitas outras passagens Maomé fala no mesmo sentido e com o mesmo respeito dos profetas, de Jesus e do Evangelho, mas é evi­dente que se equivocou quanto ao sentido ligado à Trindade e a qualidade de filho de Deus, que ele toma ao pé da letra. Se esse mistério é incompreensível para tantos cristãos, e se entre estes provocou tantos comentários e controvérsias, não é de admirar que Maomé não o tenha compreendido. Nas três pessoas da Trindade ele viu três deuses e não um só Deus e três pessoas distintas; no filho de Deus ele viu uma procriação. Ora, a ideia que ele fazia do Ser Supremo era tão grande que a menor paridade entre Deus e um ser qualquer e a ideia de que pudesse partilhar o seu poder lhe parecia uma blasfêmia. Não se tendo Jesus jamais apresentado como Deus e não tendo falado da Trindade, esses dogmas lhe pareceram uma derrogação das próprias palavras do Cristo. Ele viu em Jesus e no Evangelho a confirmação do princípio da unidade de Deus, objetivo que ele próprio buscava. Eis por que os tinha em grande estima, ao passo que acusava os cristãos por se haverem afastado desse ensinamento, fracionando Deus e deificando o seu messias. Assim, ele se diz enviado após Jesus para reconduzir os homens à unidade pura da divindade. Toda a parte dogmática do Alcorão repousa nesse princípio que ele repete a cada passo.

Tendo o Islamismo as suas raízes no Antigo e no Novo Testamento, é uma derivação deles. Podemos considerá-lo como uma das numerosas seitas nascidas das dissidências que surgiram desde a origem do Cristianismo devidas à natureza do Cristo, com a diferença que o Islamismo, formado fora do Cristianismo, sobreviveu à maioria dessas seitas e conta hoje com cem milhões de sectários.

Maomé vinha combater a qualquer custo, na sua própria nação, a crença em vários deuses, para aí estabelecer o culto abandonado do Deus único de Abraão e de Moisés. O anátema que ele lançou sobre os infiéis e os ímpios tinha por objetivo principalmente a grosseira idolatria professada pelos da sua raça, mas de contragolpe feria os cristãos. É essa a causa do desprezo dos muçulmanos por tudo quanto leva o nome de cristão, malgrado seu respeito por Jesus e pelo Evangelho. Esse desprezo transformou-se em ódio sob a influência do fanatismo alimentado e estimulado por seus sacerdotes. Digamos, também, que por seu lado, os cristãos não estão isentos de censuras e que eles próprios alimentaram esse antagonismo por suas próprias agressões.

Embora censurando os cristãos, Maomé não tinha por eles sentimentos hostis e no próprio Alcorão ele recomenda habilidade para com eles, mas o fanatismo os englobou na proscrição geral dos idólatras e dos infiéis cuja presença não deve manchar os santuários do Islamismo, razão pela qual a entrada nas mesquitas, em Meca e nos lugares santos, lhes é interdita. Deu-se o mesmo em relação aos judeus, e se Maomé os castigou rudemente em Medina, foi por se haverem coligado contra ele. Aliás, em parte alguma no Alcorão se encontra o extermínio dos judeus e dos cristãos erigida em dever, como geralmente se pensa. Seria, pois, injusto imputar-lhe os males causados pelo zelo ininteligente e os excessos de seus sucessores.

 

Nós te inspiramos para que abraçasses a religião de Abraão, que reco­nhece a unidade de Deus e que só adora a sua majestade suprema. ─ Emprega a voz da sabedoria e a força de persuasão para chamar os homens a Deus. Combates com as armas da eloquência. Deus conhece perfeitamente os que estão transviados e os que marcham sob o estandarte da fé. (Surata XVI, v. 124 e 126).

Se eles te acusarem de impostura, responde-lhes: “Tenho por mim as minhas obras; que as vossas falem em vosso favor. Não sereis responsáveis pelo que faço, e sou inocente do que fazeis. (Surata X, v. 42).

Quando se cumprirão tuas ameaças? perguntam os infiéis; marca-nos um termo, se és verdadeiro. Responde-lhes: “Os tesouros e as vinganças celestes não estão em minhas mãos; só Deus é o seu dispensador. Cada nação tem o seu termo fixado; ela não poderia apressá-lo nem retardá-lo um instante.” (Surata X, v. 49, 50).

Se negam a tua doutrina, sabe que os profetas vindos antes de ti sofreram a mesma sorte, embora os milagres, a tradição e o livro que esclarece (o Evangelho) atestem a verdade de sua missão. (Surata XXXV, v. 23).

A cegueira dos infiéis te surpreende e eles riem de tua admiração. ─ Em vão queres instruí-los; seu coração rejeita a instrução. ─ Se eles vissem milagres, zombariam; ─ atribuí-los-iam à magia. (Surata XXXVII, v. 12 a 15).

 

Estas não são ordens de um Deus sanguinário que ordena o extermínio. Maomé não se faz o executor de sua justiça; seu papel é o de instruir; só a Deus cabe castigar ou recompensar neste e no outro mundo. O último parágrafo parece escrito para os espíritas de nossos dias, pois os homens são os mesmos, sempre e por toda a parte.

 

Fazei preces, dai esmolas; o bem que fizerdes encontrareis junto a Deus, pois ele vê as vossas ações. (Surata II, v. 104).

Para ser justificado não basta virar o rosto para o oriente e para o ocidente; ainda é preciso crer em Deus, no juízo final, nos anjos, no Alcorão, nos profetas. É preciso, por amor a Deus, socorrer o próximo, os órfãos, os pobres, os viajantes, os cativos e aqueles que pedem. É preciso fazer as preces, guardar as promessas, suportar pacientemente a adversidade e os males da guerra. Tais são os deveres dos verdadeiros crentes. (Surata II, v. 172).

Uma palavra honesta e o perdão das ofensas são preferíveis à esmola que fosse consequência da injustiça. Deus é rico e clemente. (Surata II, v. 265).

Se vosso devedor tem dificuldade em vos pagar, concedei-lhe tempo; ou se quiserdes fazer melhor, perdoai-lhe a dívida. Se soubésseis! (Surata II, v. 280).

A vingança deve ser proporcional à injúria, mas o homem generoso que perdoa tem sua recompensa assegurada junto a Deus, que odeia a violência. (Surata XLII, v. 38).

Combatei vossos inimigos na guerra empreendida pela religião, mas não ataqueis primeiro. Deus odeia os agressores. (Surata II, v. 186).

Certamente os muçulmanos, os judeus, os cristãos e os sabeístas, que creem em Deus e no juízo final, e que fizerem o bem, receberão a recompensa de suas mãos; eles estarão isentos do medo e dos suplícios. (Surata V, v. 73).

Não façais violência aos homens por causa de sua fé. O caminho da salvação é bem distinto do caminho do erro. Aquele que abjurar o culto dos ídolos pela religião santa terá conquistado uma coluna inabalável. O Senhor sabe e ouve tudo. (Surata II, v. 257).

Não discutais com os judeus e os cristãos senão em termos honestos e moderados. Entre eles confundi os ímpios. Dizei: “Nós cremos no livro que nos foi revelado e em vossas escrituras. Nosso Deus e o vosso são apenas um. Nós somos muçulmanos.” (Surata XXIX, v. 45).

Os Cristãos serão julgados segundo o Evangelho. Aqueles que os julgarem de outro modo serão prevaricadores. (Surata V, v. 51).

Nós demos o Pentateuco a Moisés. É à sua luz que deve marchar o povo hebreu. Não duvides de encontrar no céu o guia dos israelitas. (Surata XXXII, v. 23).

Se os judeus tivessem fé e temor ao Senhor, nós apagaríamos os seus pecados; introduzi-los-íamos no jardim das delícias. A observação do Pentateuco, do Evangelho e dos preceitos divinos proporcionar-lhes-ia o gozo de todos os bens. Há entre eles os que seguem o bom caminho, mas em maioria são ímpios. (Surata V, v. 70).

Dize aos judeus e aos cristãos: “Terminemos nossas diferenças; não admitamos senão um Deus e não lhe demos um igual; que nenhum de nós tenha outro Senhor senão ele.” Se recusarem obedecer, dize-lhes: “Pelo menos dareis testemunho que, quanto a nós, nós somos crentes. (Surata III, v. 57).

 

Eis certas máximas de caridade e de tolerância que gostaríamos de ver em todos os corações cristãos!

 

Nós te enviamos a um povo que outros povos precederam, para que lhe ensines as nossas revelações. Eles não creem nos misericordiosos. Dizei-lhes: “Ele é o meu Senhor; não há Deus senão ele. Pus minha confiança em sua bondade. Eu aparecerei diante de seu tribunal.” (Surata XIII, v. 29).

Trouxemos aos homens um livro no qual brilha a ciência que deve esclarecer os fiéis e lhes proporcionar a misericórdia divina. ─ Esperam eles a realização do Alcorão? No dia em que ele for cumprido, os que tiverem vivido no esquecimento de suas máximas, dirão: “Os ministros do Senhor nos pregavam a verdade. Onde encontraremos agora intercessores? Que esperança temos de voltar à Terra para nos corrigirmos? Eles perderam sua alma e suas ilusões se desvaneceram. (Surata VII, v. 50, 51).

 

O vocábulo voltar implica a ideia de já ter vindo, isto é, de ter vivido antes da existência atual. Maomé a expressa muito bem quando diz: “Reapareceis diante dele e ele vos mostrará as vossas obras. Voltareis ante o Deus de Verdade.” É o fundo da doutrina da preexistência da alma, ao passo que, segundo a Igreja, a alma é criada no nascimento de cada corpo. A pluralidade das existências terrenas não está indicada no Alcorão de maneira tão explícita quanto no Evangelho, entretanto, a ideia de reviver na Terra entrou no pensamento de Maomé, pois tal seria, segundo ele, o desejo dos culpados de se corrigir. Assim ele compreendeu que seria útil poder recomeçar uma nova existência.

 

Quando lhes perguntamos: Credes no que Deus enviou do céu? Eles respondem: “Cremos nas Escrituras que recebemos.” E rejeitam o livro verdadeiro que veio depois para pôr o selo em seus livros sagrados. Dizei-lhes: “Por que matastes os profetas se tínheis fé?” (Surata II, v. 85).

Maomé não é o pai de nenhum de vós. Ele é o enviado de Deus e o selo dos profetas. A ciência de Deus é infinita. (Surata XXXIII, v. 40).

 

Considerando-se como o selo dos profetas, Maomé anuncia que é o último, a conclusão, porque disse toda a verdade; depois dele não virão outros. Eis um artigo de fé entre os muçulmanos. Do ponto de vista exclusivamente religioso, ele caiu no erro de todas as religiões, que se julgam inamovíveis, mesmo contra o progresso das ciências, mas para ele era quase uma necessidade, a fim de afirmar a autoridade de sua palavra num povo que ele teve tanto trabalho para converter à sua fé. Do ponto de vista social era um erro, porque sendo o Alcorão uma legislação civil e religiosa, ele pôs um ponto de estagnação no progresso. Tal a causa que tornou, e tornará ainda por muito tempo os povos muçulmanos estacionários e refratários às inovações e às reformas que não se acham no Alcorão. É um exemplo do inconveniente que há em confundir o que deve ser distinto. Maomé não levou em conta o progresso humano. É um erro comum a quase todos os reformadores religiosos. Por outro lado, havia não só que reformar a fé, mas o caráter, os usos, os hábitos sociais de seus povos; era-lhe necessário apoiar suas reformas na autoridade da religião, como o fizeram todos os legisladores dos povos primitivos. A dificuldade era grande, sem dúvida; contudo ele deixa uma porta aberta à interpretação e às modificações, dizendo que “Deus sempre pode substituir o que deu por algo de melhor”.

 

Interdito vos é desposar vossas mães, vossas filhas, vossas irmãs, vossas tias paternas e maternas, vossas sobrinhas, vossas amas, vossas irmãs de leite, as mães de vossas esposas, as filhas confiadas à vossa tutela e filhas de mulheres com as quais tenhais coabitado. Também não desposeis as filhas dos vossos filhos que tiverdes gerado, nem duas irmãs. É-vos proibido desposar mulheres casadas, exceto as que tiverem caído em vossas mãos como escravas. (Surata IV, v. 27 e seguintes).

 

Estas prescrições podem dar uma ideia da imoralidade desses povos. Para ser obrigado a proibir tais abusos, era preciso que eles existissem.

 

Esposas do Profeta, ficai no interior de vossas casas. Não vos adorneis faustosamente, como nos dias da idolatria. Fazei preces e dai esmolas. Obedecei a Deus e ao seu apóstolo. Ele quer afastar o vício dos vossos corações. Sois da família do profeta e deveis ser puras. ─ Zeid repudiou a sua esposa. Nós te unimos com ela, para que os fiéis tenham a liberdade de desposar as mulheres de seus filhos adotivos, após o repúdio. O preceito divino deve ter sua execução. ─ Ó profeta, a ti é permitido desposar as mulheres que tiveres adotado, as escravas que Deus fez caírem em tuas mãos, as filhas de teus tios e de tuas tias que fugiram contigo, e toda mulher fiel que te der seu coração. É um privilégio que te concedemos. ─ Não aumentarás o atual número de tuas esposas; não poderás trocá-las por outras cuja beleza te haja tocado. Mas a frequentação de tuas mulheres escravas te é sempre permitida. Deus tudo observa. (Surata XXXIII, v. 37, 49, 52).

 

É aqui que Maomé realmente desce do pedestal no qual ele havia subido. Lamentamos vê-lo cair tão baixo depois de se haver elevado tanto, e fazer Deus intervir para justificar os privilégios que ele a si próprio concedia para a satisfação de suas paixões. Ele permitia aos crentes quatro esposas legítimas, enquanto ele próprio tinha treze. O legislador deve ser o primeiro a cumprir as leis que faz. É uma mancha indelével que ele lançou sobre si e sobre o Islamismo.

 

Esforçai-vos por merecer a indulgência do Senhor e a posse do paraíso, cuja extensão iguala os céus e a Terra, morada preparada para os justos, ─ para aqueles que dão esmola na prosperidade e na adversidade, e que, senhores dos movimentos de sua cólera, sabem perdoar os seus semelhantes. Deus ama a beneficência. (Surata III, v. 127, 128).

Deus prometeu aos fiéis que houverem praticado a virtude a entrada nos jardins onde os rios correm. Eles aí morarão eternamente. As promessas do Senhor são verdadeiras. Que de mais infalível que sua palavra? (Surata IV, v. 121).

Eles habitarão eternamente a morada que Deus lhes preparou, os jardins de delícias regados pelos rios, lugares onde reinará a suprema beatitude. (Surata IX v. 90).

Os jardins e as fontes serão a partilha dos que temem o Senhor. Eles entrarão com a paz e a segurança. ─ Tiraremos a inveja de seus corações. Eles repousarão em leitos e terão uns para com os outros uma benevolência fraterna. ─ A fadiga não se aproximará da morada das delícias. Sua posse não lhes será tirada. (Surata XV, v. 45 a 48).

Os jardins do Éden serão a habitação dos justos. Braceletes de ouro ornados de pérolas e roupas de seda formarão sua indumentária. ─ Louvor a Deus, exclamarão eles; ele afastou de nós o sofrimento; é misericordioso e compassivo. ─ Ele introduziu-nos no palácio eterno, morada de sua magnificência. Nem a fadiga nem a dor se aproximam deste asilo. (Surata XXXV, v. 30, 31, 32).

Os habitantes do paraíso beberão a largos sorvos na taça da felicidade. ─ Deitados em leitos de seda, repousarão junto às suas esposas, em sombras deliciosas. ─ Eles encontrarão todos os frutos. Todos os seus desejos serão satisfeitos. (Surata XXXVI, v. 55, 56, 57).

Os verdadeiros servos de Deus terão um alimento escolhido, ─ frutos deliciosos, e serão servidos com honra. ─ Os jardins das delícias serão seu asilo. ─ Cheios de mútua benevolência, eles repousarão em poltronas. ─ Ser-lhes-ão oferecidas taças de uma água pura, límpida e de um gosto delicioso ─ que não lhes obscurecerá a razão e não os embriagará. ─ Perto deles estarão virgens de olhar modesto, grandes olhos negros e cuja tez terá a cor dos ovos de avestruz. (Surata XXXVII, v. 30 a 47).

Dir-se-á aos crentes que tiverem professado o Islamismo: Entrai no jardim das delícias, vós e vossas esposas; abri vossos corações à alegria. ─ Dar-lhes-ão a beber em taças de ouro. O coração encontrará nessa morada tudo quanto pode desejar, o olho tudo quanto pode encantá-lo e esses prazeres serão eternos. ─ Eis o paraíso que vossas obras vos proporcionaram. ─ Alimentai-vos dos frutos que ali crescem em abundância. (Surata XLIII, v. 69 a 72).

 

Eis aí o famoso paraíso de Maomé, do qual tanto zombaram, e que certamente não procuraremos justificar. Apenas diremos que estava em harmonia com os costumes desses povos e que devia agradá-los muito mais que a perspectiva de um estado puramente espiritual, por mais esplêndido que fosse, porque eles eram muito apegados à matéria para compreendê-lo e apreciarem seu valor. Era-lhes preciso algo de mais substancial e pode-se dizer que eles foram servidos a contento. Sem dúvida notar-se-á que os rios, as fontes, os frutos abundantes e as sombras aí representam um grande papel, porque representam o que falta aos habitantes do deserto. Leitos macios e roupas de seda, para pessoas habituadas a dormir no chão vestidas ou cobertas com pele de camelo, também deviam ter grande atrativo. Por mais ridículo que isto nos pareça, pensemos no meio em que vivia Maomé e não o censuremos muito, pois com o auxílio deste atrativo, ele soube tirar um povo da barbárie e dele fazer uma grande nação.

Em próximo artigo examinaremos como o Islamismo poderá ligar-se à grande família da Humanidade civilizada.

 

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(2e article. – Voir le n° d'août 1866.)

C'est à Médine que Mahomet fit construire la première mosquée, à laquelle il travailla de ses propres mains, et qu'il organisa un culte régulier; il y prêcha peur la première fois en 623. Toutes les mesures prises par lui témoignaient de sa sollicitude et de sa prévoyance: « Un trait caractéristique à la fois de l'homme et de son temps, dit M. Barthélemy Saint-Hilaire, c'est le choix que Mahomet dut faire de trois poètes de Médine, chargés officiellement de le défendre contre les satires des poètes mecquois. Ce n'était probablement pas que l'amour- propre fût plus excitable en lui qu'il ne convenait, mais chez une nation spirituelle et vive, ces attaques avaient un retentissement analogue à celui que les journaux peuvent avoir de nos jours, et elles étaient fort dangereuses. »

Nous avons dit que Mahomet fut contraint de se faire guerrier; en effet, il n'avait nullement l'humeur belliqueuse, ainsi qu'il l'avait prouvé par les cinquante premières années de sa vie. Or, deux ans à peine s'étaient écoulés depuis son séjour à Médine, que les Coraychites de la Mecque, coalisés avec les autres tribus hostiles, vinrent assiéger la ville. Mahomet dut se défendre; dès lors commença pour lui la période guerrière qui dura dix ans, et pendant laquelle il se montra surtout tacticien habile. Chez un peuple dont la guerre était l'état normal, qui ne connaissait de droit que celui de la force, il fallait au chef de la nouvelle religion le prestige de la victoire pour asseoir son autorité, même sur ses partisans. La persuasion avait peu d'empire sur ces populations ignorantes et turbulentes; une trop grande mansuétude eût été prise pour de la faiblesse. Dans leur pensée, le Dieu fort ne pouvait se manifester que par un homme fort, et le Christ avec son inaltérable douceur, eût échoué dans ces contrées.

Mahomet fut donc guerrier par la force des circonstances, bien plus que par son caractère, et il aura toujours le mérite de n'avoir pas été le provocateur. Une fois la lutte engagée, il lui fallait vaincre ou périr; à cette condition seule, il pouvait être accepté comme l'envoyé de Dieu; il fallait que ses ennemis fussent terrassés pour se convaincre de la supériorité de son Dieu sur les idoles qu'ils adoraient. A l'exception d'un des premiers combats où il fut blessé, et les Musulmans défaits, en 625, ses armes furent constamment victorieuses, et, dans l'espace de quelques années, il soumit l'Arabie entière à sa loi. Lorsqu'il vit son autorité assise et l'idolâtrie anéantie, il se rendit triomphalement à la Mecque, après dix ans d'exil, suivi de près de cent mille pèlerins, et y accomplit le célèbre pèlerinage dit d'adieu, dont les Musulmans ont scrupuleusement conservé les rites. Il mourut la même année, deux mois après son retour à Médine, le 8 juin 632, à l'âge de soixante-deux ans.

Il faut juger Mahomet par l'histoire authentique et impartiale, non d'après les légendes ridicules que l'ignorance et le fanatisme ont répandues sur son compte, ou les peintures qu'en ont faites ceux qui avaient intérêt à le discréditer en le présentant comme un ambitieux sanguinaire et cruel. Il ne faut pas non plus le rendre responsable des excès de ses successeurs qui voulurent conquérir le monde à la foi musulmane le sabre à la main. Sans doute, il y a eu de grandes taches dans la dernière période de sa vie; on peut lui reprocher d'avoir en quelques circonstances abusé du droit du vainqueur, et de n'avoir pas toujours agi avec toute la modération désirable. Cependant, à côté de quelques actes que notre civilisation réprouve, il faut dire, à sa décharge, qu'il s'est montré bien plus souvent humain et clément envers ses ennemis que vindicatif, et qu'il a maintes fois donné les preuves d'une véritable grandeur d'âme. Il faut reconnaître aussi qu'au milieu même de ses succès, et alors qu'il était arrivé au plus haut point de sa gloire, il s'est, jusqu'à son dernier jour, renfermé dans son rôle de prophète, sans jamais usurper une autorité temporelle despotique; il ne s'est fait ni roi, ni potentat, et jamais, dans la vie privée, il ne s'est souillé d'aucun acte de froide barbarie, ni de basse cupidité; il a toujours vécu simplement, sans faste et sans luxe, se montrant bon et bienveillant pour tout le monde. Ceci est de l'histoire.

Si l'on se reporte au temps et au milieu où il vivait, si l'on considère surtout les persécutions dont lui et les siens furent l'objet, l'acharnement de ses ennemis, et les actes de barbarie que ceux-ci commirent sur ses partisans, peut-on s'étonner que dans l'enivrement de sa victoire il ait parfois usé de représailles? Est-on bien venu à lui reprocher d'avoir établi sa religion par le fer, chez un peuple barbare qui le combattait, quand la Bible enregistre, comme des faits glorieux pour la foi, des boucheries d'une atrocité telle qu'on est tenté de les prendre pour des légendes? Quand, mille ans après lui, dans les contrées civilisées de l'Occident, des chrétiens, qui avaient pour guide la sublime loi du Christ, se ruant sur de paisibles victimes, étouffaient les hérésies par les bûchers, les tortures, les massacres, et dans des flots de sang?

Si le rôle guerrier de Mahomet fut une nécessité pour lui, et si ce rôle peut l'excuser de certains actes politiques, il n'en est pas de même sous d'autres rapports. Jusqu'à l'âge de cinquante ans, et tant que vécut sa première femme Khadidja, de quinze ans plus âgée que lui, ses mœurs furent irréprochables; mais de ce moment ses passions ne connurent aucun frein, et c'est incontestablement pour justifier l'abus qu'il en fit, qu'il consacra la polygamie dans sa religion. Ce fut son tort le plus grave, car c'est une barrière qu'il a élevée entre l'islamisme et le monde civilisé; aussi sa religion n'a-t-elle pu, après douze siècles, franchir les limites de certaines races. C'est aussi le côté par lequel son fondateur se rabaisse le plus à nos yeux; les hommes de génie perdent toujours de leur prestige quand ils se laissent dominer par la matière; ils grandissent au contraire d'autant plus qu'ils s'élèvent davantage au-dessus des faiblesses de l'humanité.

Cependant le dérèglement des mœurs était tel à l'époque de Mahomet, qu'une réforme radicale était bien difficile chez des hommes habitués à se livrer à leurs passions avec une brutalité bestiale; on peut donc dire qu'en réglementant la polygamie, il a mis des bornes au désordre et arrêté des abus bien plus graves; mais la polygamie n'en restera pas moins le ver rongeur de l'Islamisme, parce qu'elle est contraire aux lois de la nature. Par l'égalité numérique des sexes, la nature elle-même a tracé la limite des unions. En permettant quatre femmes légitimes, Mahomet n'a pas songé que, pour que sa loi devînt celle de l'universalité des hommes, il faudrait que le sexe féminin fût au moins quatre fois plus nombreux que le sexe masculin.

Malgré ses imperfections, l'islamisme n'en a pas moins été un grand bienfait à l'époque où il a paru et pour le pays où il pris naissance, car il a fondé le culte de l'unité de Dieu sur les ruines de l'idolâtrie. C'était la seule religion possible pour ces peuples barbares auxquels il ne fallait pas demander de trop grands sacrifices à leurs idées et à leurs coutumes. Il leur fallait quelque chose de simple comme la nature au milieu de laquelle ils vivaient; la religion chrétienne avait trop de subtilités métaphysiques; aussi toutes les tentatives faites pendant cinq siècles pour l'implanter dans ces contrées, avaient complètement échoué; le judaïsme même, trop ergoteur, y avait fait peu de prosélytes parmi les Arabes, quoique les Juifs proprement dits y fussent assez nombreux. Mahomet, supérieur à ceux de sa race, avait compris les hommes de son temps; pour les tirer de l'abaissement dans lequel les maintenaient de grossières croyances descendues à un stupide fétichisme, il leur donna une religion appropriée à leurs besoins et à leur caractère. Cette religion était la plus simple de toutes: « Croyance en un Dieu unique, tout-puissant, éternel, infini, présent partout, clément et miséricordieux, créateur des cieux, des anges et de la terre, Père de l'homme, sur lequel il veille et qu'il comble de biens; rémunérateur et vengeur dans une autre vie, où il nous attend pour nous récompenser ou nous punir selon nos mérites; voyant nos actions les plus secrètes, et présidant à la destinée entière de ses créatures qu'il n'abandonne pas un seul instant, ni dans ce monde, ni dans l'autre; soumission la plus humble et confiance absolue en sa volonté sainte: » voilà les dogmes.

Pour le culte, il consiste dans la prière répétée cinq fois par jour, le jeûne et les mortifications du mois de rhamadan, et dans certaines pratiques, dont plusieurs avaient un but hygiénique, mais dont Mahomet fit une obligation religieuse, telles que les ablutions quotidiennes, l'abstention du vin, des liqueurs enivrantes, de la chair de certains animaux, et que les fidèles se font un cas de conscience d'observer dans les plus minutieux détails. Le vendredi fut adopté pour le saint jour de la semaine, et la Mecque indiquée comme le point vers lequel tout Musulman doit se tourner en priant. Le service public dans les mosquées consiste en prières en commun, sermons, lecture et explication du Coran. La circoncision n'a pas été instituée par Mahomet, mais conservée par lui; elle était pratiquée de temps immémorial chez les Arabes. La défense de reproduire par la peinture ou la sculpture aucun être vivant, hommes et animaux, a été faite en vue de détruire l'idolâtrie, et d'empêcher qu'elle ne se renouvelât. Enfin, le pèlerinage de la Mecque, que tout fidèle doit accomplir au moins une fois dans sa vie, est un acte religieux; mais il avait un autre but à cette époque, un but politique, celui de rapprocher par un lien fraternel les diverses tribus ennemies, en les réunissant dans un commun sentiment de piété sur un même lieu consacré.

Au point de vue historique, la religion musulmane admet l'Ancien Testament dans son entier jusqu'à Jésus-Christ inclusivement, qu'elle reconnaît comme prophète. Selon Mahomet, Moïse et Jésus étaient des envoyés de Dieu pour enseigner la vérité aux hommes; l'Evangile, de même que la loi du Sinaï, est la parole de Dieu; mais les Chrétiens en ont détourné le sens. Il déclare, en termes explicites, qu'il n'apporte ni croyances nouvelles, ni culte nouveau, mais qu'il vient rétablir le culte du Dieu unique professé par Abraham. Il ne parle qu'avec respect des patriarches et des prophètes qui l'ont précédé: Moïse, David, Isaïe, Ézéchiel et Jésus-Christ; du Pentateuque, des Psaumes et de l'Evangile. Ce sont les livres qui ont devancé et préparé le Coran. Loin de cacher les emprunts qu'il leur fait, il s'en vante, et leur grandeur est le fondement de la sienne. On peut juger de ses sentiments et du caractère de ses instructions par le fragment suivant du dernier discours qu'il prononça à la Mecque lors du pèlerinage d'adieu, peu de temps avant sa mort, et conservé dans l'ouvrage d'Ibn- Ishâc et d'Ibn-Ishâm:

« O peuples! écoutez mes paroles; car je ne sais si, une autre année, je pourrai me retrouver encore avec vous dans ce lieu. Soyez humains et justes entre vous. Que la vie et la propriété de chacun soient inviolables et sacrées pour les autres; que celui qui a reçu un dépôt le rende fidèlement à qui le lui a remis. Vous paraîtrez devant votre Seigneur, et il vous demandera compte de vos actions. Traitez bien les femmes, elles sont vos aides, elles ne peuvent rien par elles seules. Vous les avez prises comme un bien que Dieu vous a confié, et vous avez pris possession d'elles par des paroles divines.

« O peuples! écoutez mes paroles et fixez-les dans vos esprits. Je vous ai tout révélé; je vous laisse une loi qui vous préservera à jamais de l'erreur, si vous y restez fidèlement attachés; une loi claire et positive, le livre de Dieu et l'exemple de son prophète.

« O peuples! écoutez mes paroles, et fixez-les dans vos esprits. Sachez que tout Musulman est le frère de l'autre; que tous les Musulmans sont frères entre eux, que vous êtes tous égaux entre vous, et que vous n'êtes qu'une famille de frères. Gardez-vous de l'injustice; personne ne doit la commettre au détriment de son frère: elle entraînerait votre perte éternelle.

« O Dieu! ai-je rempli mon message et terminé ma mission? - La foule qui l'entourait répondit: « Oui, tu l'as accomplie. » Et Mahomet s'écria: O Dieu, daigne recevoir ce témoignage! »

Voici maintenant le jugement que porte sur Mahomet, et l'influence de sa doctrine, un de ses historiographes, M. G. Weil, dans son ouvrage allemand intitulé: Mohammet der Prophet, pages 400 et suivantes:

« La doctrine de Dieu et des saintes destinées de l'homme, prêchée par Mahomet dans un pays qui était livré à la plus brutale idolâtrie, et qui avait à peine une idée de l'immortalité de l'âme, doit d'autant plus nous réconcilier avec lui, malgré ses faiblesses et ses fautes, que sa vie particulière ne pouvait exercer sur ses adhérents aucune influence fâcheuse. Loin de se donner jamais pour modèle, il voulait toujours qu'on le regardât comme un être privilégié, à qui Dieu permettait de se mettre au-dessus de la loi commune; et, de fait, on l'a considéré de plus en plus sous ce jour spécial.

« Nous serions injustes et aveugles, si nous ne reconnaissions pas que son peuple lui doit encore autre chose de vrai et de bien. Il a réuni en une seule grande nation, croyant fraternellement à Dieu, les tribus innombrables des Arabes jusque-là ennemies entre elles. A la place du plus violent arbitraire, du droit de la force, et de la lutte individuelle, il a mis un droit inébranlable, qui, malgré ses imperfections, forme toujours la base de toutes les lois de l'Islamisme. Il a limité la vengeance du sang qui, avant lui, s'étendait jusqu'aux parents les plus éloignés, et il l'a bornée à celui-là seul que les juges reconnaissaient pour meurtrier. Il a bien mérité surtout du beau sexe, non-seulement en protégeant les filles contre l'atroce coutume qui les faisait souvent immoler par leurs pères; mais en outre, en protégeant les femmes contre les parents de leurs maris, qui en héritaient comme d'une chose matérielle, et en les défendant contre les mauvais traitements des hommes. Il a restreint la polygamie, en ne permettant aux croyants que quatre femmes légitimes, au lieu de dix, comme c'était l'usage, surtout à Médine. Sans avoir entièrement émancipé les esclaves, il leur a été bon et utile de bien des manières. Pour les pauvres, il a non-seulement recommandé toujours la bienfaisance à leur égard, mais il a formellement établi un impôt en leur faveur, et il leur a fait une part spéciale dans le butin et le tribut. En défendant le jeu, le vin et toutes les boissons enivrantes, il a prévenu bien des vices, bien des excès, bien des querelles et bien des désordres.

« Quoique nous ne regardions pas Mahomet comme un vrai prophète, parce qu'il a employé pour propager sa religion des moyens violents et impurs, parce qu'il a été trop faible pour se soumettre lui-même à la loi commune, et parce qu'il s'appelait le sceau des prophètes, tout en déclarant que Dieu pouvait toujours remplacer ce qu'il avait donné par quelque chose de mieux, il a le mérite, néanmoins, d'avoir fait pénétrer les plus belles doctrines de l'Ancien et du Nouveau Testament chez un peuple qui n'était éclairé par aucun rayon de la foi, et il doit à ce titre paraître, même à des yeux non mahométans, comme un envoyé de Dieu. »

Comme complément de cette étude, nous citerons quelques passages textuels du Coran, empruntés à la traduction de Savary:

Au nom du Dieu clément et miséricordieux. - Louange à Dieu, souverain des mondes. - La miséricorde est son partage. - Il est le roi au jour du jugement. - Nous t'adorons, Seigneur, et nous implorons ton assistance. – Dirige-nous dans le sentier du salut, - dans le sentier de ceux que tu as comblés de tes bienfaits; - de ceux qui n'ont point mérité ta colère et se sont préservés de l'erreur. (Introduction, Sourate I.)

O mortels, adorez le Seigneur qui vous a créés, vous et vos pères, afin que vous le craigniez; qui vous a donné la terre pour lit, et le ciel pour toit; qui a fait descendre la pluie des cieux pour produire tous les fruits dont vous vous nourrissez. Ne donnez point d'associé au Très-Haut; vous le savez. (Sourate II, v. 19 et 20.)

Pourquoi ne croyez-vous pas à Dieu? Vous étiez morts, il vous a donné la vie; il éteindra vos jours, et il en rallumera le flambeau. Vous retournerez à lui. - Il créa pour votre refuge tout ce qui est sur la terre. Portant ensuite ses regards vers le firmament, il forma les sept cieux. C'est lui dont la science embrasse l'univers. (Sourate II, v. 26, 27.)

L'Orient et l'Occident appartiennent à Dieu; vers quelque lieu que se tournent vos regards, vous rencontrerez sa face. Il remplit l'univers de son immensité et de sa science. - Il a formé la terre et les cieux. Veut-il produire quelque ouvrage? il dit: « Sois fait; » et l'ouvrage est fait. - Les ignorants disent: « Si Dieu ne nous parle, ou si tu ne nous fais voir un miracle, nous ne croirons point. » Ainsi parlaient leurs pères; leurs cœurs sont semblables. Nous avons fait éclater assez de prodiges pour ceux qui ont la foi. (Sourate II, v. 109 à 112.)

Dieu n'exigera de chacun de nous que suivant ses forces. Chacun aura en sa faveur ses bonnes œuvres, et contre lui le mal qu'il aura fait. Seigneur, ne nous punis pas des fautes commises par oubli. Pardonne-nous nos péchés; ne nous impose pas le fardeau qu'ont porté nos pères. Ne nous charge pas au-dessus de nos forces. Fais éclater pour tes serviteurs le pardon et l'indulgence. Aie compassion de nous; tu es notre secours. Aide-nous contre les nations infidèles. (Sourate II, v. 296.)

O Dieu, roi suprême, tu donnes et tu ôtes à ton gré les couronnes et le pouvoir. Tu élèves et tu abaisses les humains à ta volonté; le bien est dans tes mains: tu es le Tout-Puissant. - Tu changes le jour en nuit, et la nuit en jour. Tu fais sortir la vie du sein de la mort, et la mort du sein de la vie. Tu verses tes trésors infinis sur ceux qu'il te plaît. (Sourate III, v. 25 et 26.)

Ignorez-vous combien de peuples nous avons fait disparaître de la face de la terre? Nous leur avions donné un empire plus stable que le vôtre. Nous envoyions les nuages verser la pluie sur leurs campagnes; nous y faisions couler des fleuves. Leurs crimes seuls ont causé leur ruine. Nous les avons remplacés par d'autres nations. (Sourate VI, v. 6.)

C'est à Dieu que vous devez le sommeil de la nuit et le réveil du matin. Il sait ce que vous faites pendant le jour. Il vous laisse accomplir la carrière de la vie. Vous reparaîtrez devant lui, et il vous montrera vos œuvres. – Il domine sur ses serviteurs. Il vous donne pour gardiens des anges chargés de terminer vos jours au moment prescrit. Il exécute soigneusement l'ordre du ciel. – Vous retournerez ensuite devant le Dieu de vérité. N'est-ce pas à lui qu'il appartient de juger? Il est le plus exact des juges. - Qui vous délivre des tribulations de la terre et des mers, lorsque, l'invoquant en public ou dans le secret de vos cœurs, vous vous écriez: « Seigneur, si tu écartes de nous ces maux, nous en serons reconnaissants? » - C'est Dieu qui vous en délivre. C'est sa bonté qui vous soulage de la peine qui vous oppresse; et ensuite vous retournez à l'idolâtrie. (Sourate VI, v. 60 à 64.)

Tous les secrets sont dévoilés à ses yeux; il est grand le Très-Haut. - Celui qui parle dans le secret, celui qui parle en public, celui qui s'enveloppe des ombres de la nuit et celui qui paraît au grand jour, lui sont également connus. – C'est lui qui fait briller la foudre à vos regards pour vous inspirer la crainte et l'espérance. C'est lui qui élève les nuages chargés de pluie. - Le tonnerre célèbre ses louanges. Les anges tremblent en sa présence. Il lance la foudre, et elle frappe les victimes marquées. Les hommes disputent de Dieu, mais il est le fort et le puissant. - Il est l'invocation véritable. Ceux qui implorent d'autres dieux ne seront point exaucés. Ils ressemblent au voyageur qui, pressé par la soif, tend la main vers l'eau qu'il ne peut atteindre. L'invocation des infidèles se perd dans la nuit de l'erreur. (Sourate XIII, v. 10 à 15.)

Ne dis jamais: « Je ferai cela demain, » sans ajouter: « Si c'est la volonté de Dieu. » Elève vers lui ta pensée, lorsque tu as oublié quelque chose, et dis: « Peut-être qu'il m'éclairera et qu'il me fera connaître la vérité. (Sourate XVIII, v. 23.)

Si les flots de la mer se changeaient en encre pour décrire les louanges du Seigneur, ils seraient épuisés avant d'avoir célébré toutes ses merveilles. Un autre océan semblable ne suffirait point encore. (Sourate XVIII, v. 109.)

Celui qui cherche la vraie grandeur la trouve en Dieu, source de toutes les perfections. Les discours vertueux montent vers son trône. Il exalte les bonnes œuvres; il punit rigoureusement le scélérat qui trame des perfidies.

Non, le ciel ne révoque jamais l'arrêt qu'il a prononcé. - N'ont-ils pas parcouru la terre? n'ont-ils pas vu quelle a été la fin déplorable des peuples qui, avant eux, marchèrent dans les voies d'iniquité? Ces peuples étaient plus forts et plus puissants qu'ils ne sont. Mais rien dans les cieux et sur la terre ne peut s'opposer aux volontés du Très-Haut. La science et la force sont ses attributs. - Si Dieu punissait les hommes dès l'instant qu'ils sont coupables, il ne resterait point sur la terre d'être animé. Il diffère les châtiments jusqu'au terme marqué. - Lorsque le temps est venu, il distingue les actions de ses serviteurs. (Sourate XXXV, v. 11, 41 à 45.)

Ces citations suffisent pour montrer le profond sentiment de piété qui animait Mahomet, et l'idée grande et sublime qu'il se faisait de Dieu. Le Christianisme pourrait revendiquer ce tableau.

Mahomet n'a point enseigné le dogme de la fatalité absolue, ainsi qu'on le croit généralement. Cette croyance, dont sont imbus les musulmans et qui paralyse leur initiative en maintes circonstances, n'est qu'une fausse interprétation et une fausse application du principe de la soumission à la volonté de Dieu poussé hors de ses limites rationnelles; ils ne comprennent pas que cette soumission n'exclut pas l'exercice des facultés de l'homme, et il leur manque pour correctif la maxime: Aide- toi, le ciel t'aidera.

Les passages suivants ont trait à des points particuliers de doctrine.

Dieu a un fils, disent les Chrétiens. Loin de lui ce blasphème! Tout ce qui est dans les cieux et sur la terre lui appartient. Tous les êtres obéissent à sa voix. (Sourate II, v. 110.)

O vous qui avez reçu les Ecritures, ne passez pas les bornes de la foi; ne dites de Dieu que la vérité. Jésus est fils de Marie, l'envoyé du Très-Haut et son Verbe. Il l'a fait descendre dans le sein de Marie; il est son souffle. Croyez en Dieu et en ses apôtres; mais ne dites pas qu'il y a une trinité en Dieu. Il est un: cette croyance vous sera plus sûre. Loin qu'il ait un fils, il gouverne seul le ciel et la terre; il se suffit à lui-même. - Le Messie ne rougira pas d'être le serviteur de Dieu, pas plus que les anges qui entourent son trône et lui obéissent. (Sourate IV, v. 169, 170.)

Ceux qui soutiennent la trinité de Dieu sont blasphémateurs; il n'y a qu'un seul Dieu. S'ils ne changent de croyance, un supplice douloureux sera le prix de leur impiété. (Sourate V, v. 77.)

Les Juifs disent qu'Ozaï est le fils de Dieu. Les Chrétiens disent la même chose du Messie. Ils parlent comme les infidèles qui les ont précédés. Le ciel punira leurs blasphèmes. - Ils appellent seigneurs leurs pontifes, leurs moines, et le Messie fils de Marie. Mais il leur est recommandé de servir un seul Dieu: Il n'y en a point d'autre. Anathème sur ceux qu'ils associent à son culte. (Sourate IX, v. 30, 31.)

Dieu n'a point de fils; il ne partage point l'empire avec un autre Dieu. S'il en était ainsi, chacun d'eux voudrait s'approprier sa création et s'élever au-dessus de son rival. Louange au Très-haut! Loin de lui ces blasphèmes! (Sourate XXII, v. 93.)

Déclare, ô Mahomet, ce que le ciel t'a révélé. - L'assemblée des génies ayant écouté la lecture du Coran, s'écria: « Voilà une doctrine merveilleuse. - Elle conduit à la vraie foi. Nous croyons en elle, et nous ne donnons pas d'égal à Dieu. - Gloire à sa Majesté suprême! Dieu n'a point d'épouse; il n'a point enfanté. » (Sourate LXXII, v. 1 à 4.)

Dites: « Nous croyons en Dieu, au livre qui nous a été envoyé, à ce qui a été révélé à Abraham, Ismaël, Isaac, Jacob et aux douze tribus. Nous croyons à la doctrine de Moïse, de Jésus et des prophètes; nous ne mettons aucune différence entre eux, et nous sommes musulmans. » (Sourate II, v. 130.)

Il n'y a de Dieu que le Dieu vivant et éternel. - Il t'a envoyé le livre qui renferme la vérité, pour confirmer la vérité des Ecritures qui l'ont précédé. Avant lui, il fit descendre le Pentateuque et l'Evangile pour servir de guides aux hommes; il a envoyé le Coran des cieux. - Ceux qui nieront la doctrine divine ne doivent s'attendre qu'à des supplices; Dieu est puissant et la vengeance est dans ses mains. (Sourate III, v. 1, 2, 3.)

Il en est qui disent: « Nous avons fait serment à Dieu de ne croire à aucun prophète, à moins que l'offrande qu'il présente ne soit confirmée par le feu du ciel. » - Réponds-leur: « Vous aviez des prophètes avant moi; ils ont opéré des miracles, et celui-là même dont vous parlez. Pourquoi alors avez-vous teint vos mains de leur sang, si vous dites la vérité? - S'ils nient ta mission, ils ont traité de même les apôtres qui t'ont précédé, quoiqu'ils fussent doués du don des miracles et qu'ils eussent apporté le livre qui éclaire (l'Evangile) et le livre des psaumes. (Sourate III, v. 179 à 181.)

Nous t'avons inspiré, comme nous avons inspiré Noé, les prophètes, Abraham, Ismaël, Isaac, Jacob, les tribus, Jésus, Job, Jonas, Aaron et Salomon. Nous avons donné les psaumes de David. (Sourate IV, v. 161.)

Dans maints autres endroits, Mahomet parle dans le même sens et avec le même respect des prophètes, de Jésus et de l'Évangile; mais il est évident qu'il s'est mépris sur le sens attaché à la Trinité, et à la qualité de fils de Dieu qu'il prend à la lettre. Si ce mystère est incompréhensible pour tant de chrétiens, et s'il a soulevé tant de commentaires et de controverses parmi eux, on ne doit pas s'étonner que Mahomet ne l'ait pas compris. Dans les trois personnes de la Trinité il a vu trois dieux, et non un seul Dieu en trois personnes distinctes; dans le fils de Dieu, il a vu une procréation; or, l'idée qu'il se faisait de l'Etre suprême était si grande, que la moindre parité entre Dieu et un être quelconque, et l'idée qu'il pouvait partager sa puissance, lui semblait un blasphème. Jésus ne s'étant jamais donné comme Dieu, et n'ayant point parlé de la Trinité, ces dogmes lui parurent une dérogation aux paroles mêmes du Christ. Il vit dans Jésus et l'Évangile la confirmation du principe de l'unité de Dieu, but qu'il poursuivait lui-même; c'est pourquoi il les avait en grande estime, tandis qu'il accusait les Chrétiens de s'être écartés de cet enseignement, en fractionnant Dieu et en déifiant son messie. Aussi se dit-il envoyé après Jésus pour ramener les hommes à l'unité pure de la divinité. Toute la partie dogmatique du Coran repose sur ce principe qu'il répète à chaque pas.

L'Islamisme ayant ses racines dans l'ancien et le nouveau Testament, en est une dérivation; on peut le considérer comme une des nombreuses sectes nées des dissidences qui surgirent dès l'origine du christianisme touchant la nature du Christ, avec cette différence que l'Islamisme, formé en dehors du christianisme, a survécu à la plupart de ces sectes, et compte aujourd'hui cent millions de sectateurs.

Mahomet venait combattre à outrance, dans sa propre nation, la croyance en plusieurs dieux, pour y rétablir le culte abandonné du Dieu unique d'Abraham et de Moïse; l'anathème qu'il a lancé contre les infidèles et les impies avait surtout pour objet la grossière idolâtrie professée par ceux de sa race, mais il frappait par contre-coup les Chrétiens. Telle est la cause du mépris des Musulmans pour tout ce qui porte le nom de chrétien, malgré leur respect pour Jésus et l'Evangile. Ce mépris s'est transformé en haine sous l'influence du fanatisme entretenu et surexcité par leurs prêtres. Disons aussi que, de leur côté, les Chrétiens ne sont pas sans reproches, et qu'ils ont eux-mêmes alimenté cet antagonisme par leurs propres agressions.

Tout en blâmant les Chrétiens, Mahomet n'avait point pour eux des sentiments hostiles, et dans le Coran même il recommande d'user envers eux de ménagements, mais le fanatisme les a englobés dans la proscription générale des idolâtres et des infidèles dont la présence ne doit point souiller les sanctuaires de l'Islamisme, c'est pourquoi l'entrée des mosquées, de la Mecque et des lieux saints leur est interdite. Il en fut de même à l'égard des Juifs, et si Mahomet les a rudement châtiés à Médine, c'est qu'ils s'étaient ligués contre lui. Du reste, nulle part, dans le Coran, on ne trouve l'extermination des Juifs et des Chrétiens érigée en devoir, ainsi qu'on le croit généralement. Il serait donc injuste de lui imputer les maux causés par le zèle inintelligent et les excès de ses successeurs.

Nous t'avons inspiré d'embrasser la religion d'Abraham, qui reconnaît l'unité de Dieu et qui n'adore que sa majesté suprême. - Emploie la voix de la sagesse et la force de la persuasion pour appeler les hommes à Dieu. Combats avec les armes de l'éloquence. Dieu connaît parfaitement ceux qui ont dans l'égarement et ceux qui marchent au flambeau de la foi. (Sourate XVI, v. 124, 126.)

S'ils t'accusent d'imposture, réponds-leur: « J'ai pour moi mes œuvres; que les vôtres parlent en votre faveur. Vous ne serez point responsables de ce que je fais, et moi, je suis innocent de ce que vous faites. (Sourate X, v. 42.)

Quand s'accompliront tes menaces? demandent les infidèles. Marque-nous en le terme, si tu es véridique. Réponds-leur: « Les trésors et les vengeances célestes ne sont pont dans mes mains; Dieu seul en est le dispensateur. Chaque nation a son terme fixé; elle ne saurait ni le hâter, ni le retarder un instant. » (Sourate X, v. 49, 50.)

Si l'on nie ta doctrine, sache que les prophètes venus avant toi subirent le même sort, quoique les miracles, la tradition et le livre qui éclaire (l'Evangile) attestassent la vérité de leur mission. (Sourate XXXV, v. 23.)

L'aveuglement des infidèles te surprend, et ils rient de ton étonnement. - En vain tu veux les instruire: leur cœur rejette l'instruction. - S'ils voyaient des miracles, ils s'en moqueraient; - ils les attribueraient à la magie. (Sourate XXXVII, v. 12 à 15.)

Ce ne sont pas là les ordres d'un Dieu sanguinaire qui commande l'extermination. Mahomet ne se fait point l'exécuteur de sa justice; son rôle est d'instruire; à Dieu seul appartient de punir ou de récompenser en ce monde et en l'autre. Le dernier paragraphe semble être écrit pour les Spirites de nos jours, tant les hommes sont toujours et partout les mêmes.

Faites la prière, donnez l'aumône; le bien que vous ferez, vous le trouverez auprès de Dieu, parce qu'il voit vos actions. (Sourate II, v. 104.)

Il ne suffit pas, pour être justifié, de tourner son visage vers l'orient et l'occident; il faut en outre croire à Dieu, au jour dernier, aux anges, au Coran, aux prophètes. Il faut pour l'amour de Dieu secourir ses proches, les orphelins, les pauvres, les voyageurs, les captifs et ceux qui demandent. Il faut faire la prière, garder sa promesse, supporter patiemment l'adversité et les maux de la guerre. Tels sont les devoirs des vrais croyants. (Sourate II, v. 172.)

Une parole honnête et le pardon des offenses sont préférables à l'aumône qu'aurait suivie l'injustice. Dieu est riche et clément. (Sourate II, v. 265.)

Si votre débiteur a de la peine à vous payer, donnez-lui du temps; ou, si vous voulez mieux faire, remettez-lui la dette. Si vous saviez! (Sourate II, v. 280.)

La vengeance doit être proportionnée à l'injure; mais l'homme généreux qui pardonne a sa récompense assurée auprès de Dieu, qui hait la violence. (Sourate XLII, v. 38.)

Combattez vos ennemis dans la guerre entreprise pour la religion, mais n'attaquez pas les premiers; Dieu hait les agresseurs. (Sourate II, v. 186.)

Certainement les Musulmans, les Juifs, les Chrétiens et les Sabéens, qui croient en Dieu et au jugement dernier, et qui feront le bien, en recevront la récompense de ses mains; ils seront exempts de la crainte et des supplices. (Sourate V, v. 73.)

Ne faites point violence aux hommes à cause de leur foi. La voie du salut est assez distincte du chemin de l'erreur. Celui qui abjurera le culte des idoles pour la religion sainte aura saisi une colonne inébranlable. Le Seigneur sait et entend tout. (Sourate II, v. 257.)

Ne disputez avec les Juifs et les Chrétiens qu'en termes honnêtes et modérés. Confondez ceux d'entre eux qui sont impies. Dites: Nous croyons au livre qui nous a été révélé et à vos écritures. Notre Dieu et le vôtre ne font qu'un. Nous sommes musulmans. (Sourate XXIX, v. 45.)

Les Chrétiens seront jugés d'après l'Evangile; ceux qui les jugeront autrement seront prévaricateurs. (Sourate V, v. 51.)

Nous donnâmes le Pentateuque à Moïse. C'est à sa lumière que doit marcher le peuple hébreu. Ne doute pas de rencontrer au ciel le guide des Israélites. (Sourate XXXII, v. 23.)

Si les juifs avaient la foi et la crainte du Seigneur, nous effacerions leurs péchés; nous les introduirions dans le jardin des délices. L'observation du Pentateuque, de l'Evangile et des préceptes divins leur procurerait la jouissance de tous les biens. Il en est parmi eux qui marchent dans la bonne voie, mais la plupart sont impies. (Sourate V, v. 70.)

Dis aux Juifs et aux Chrétiens: « Terminons nos différends; n'admettons qu'un Dieu, et ne lui donnons point d'égal; qu'aucun de nous n'ait d'autre Seigneur que lui. » S'ils refusent d'obéir, dis-leur: « Vous rendrez du moins témoignage que, quant à nous, nous sommes croyants. (Sourate III, v. 57.)

Voilà certes des maximes de charité et de tolérance qu'on aimerait à voir dans tous les cœurs chrétiens!

Nous t'avons envoyé à un peuple que d'autres peuples ont précédé, afin que tu lui enseignes nos révélations. Ils ne croient point aux miséricordieux. Dis-leur: « Il est mon Seigneur; il n'y a de Dieu que lui. J'ai mis ma confiance en sa bonté. Je reparaîtrai devant son tribunal. (Sourate XIII, v. 29.)

Nous avons apporté aux hommes un livre où brille la science qui doit éclairer les fidèles et leur procurer la miséricorde divine. – Attendent-ils l'accomplissement du Coran? Le jour où il sera accompli, ceux qui auront vécu dans l'oubli de ses maximes diront: « Les ministres du Seigneur nous prêchaient la vérité. Où trouverons-nous maintenant des intercesseurs? Quel espoir avons-nous de retourner sur la terre pour nous corriger? Ils ont perdu leurs âmes, et leurs illusions se sont évanouies. (Sour. VII, v. 50, 51.)

Le mot reparaître implique l'idée d'avoir déjà paru; c'est-à-dire d'avoir vécu avant l'existence actuelle. Mahomet l'exprime clairement quand il dit ailleurs: « Vous reparaîtrez devant lui et il vous montrera vos œuvres. Vous retournerez devant le Dieu de vérité. » C'est le fond de la doctrine de la préexistence de l'âme, tandis que, selon l'Eglise, l'âme est créée à la naissance de chaque corps. La pluralité des existences terrestres n'est point indiquée dans le Coran d'une manière aussi explicite que dans l'Evangile; cependant l'idée de revivre sur la terre est entrée dans la pensée de Mahomet, puisque tel serait, selon lui, le désir des coupables pour se corriger. Il a donc compris qu'il serait utile de pouvoir recommencer une nouvelle existence.

Quand on leur demande: Croyez-vous à ce que Dieu a envoyé du ciel? Ils répondent: « Nous croyons aux Ecritures que nous avons reçues; » et ils rejettent le livre véritable, venu depuis, pour mettre le sceau à leurs livres sacrés. Dis-leur: « Pourquoi avez-vous tué les prophètes si vous aviez la foi? (Sourate II, v. 85.)

Mahomet n'est le père d'aucun de vous. Il est l'envoyé de Dieu et le sceau des prophètes. La science de Dieu est infinie. (Sourate XXXIII, v. 40.)

En se donnant comme le sceau des prophètes, Mahomet annonce qu'il est le dernier, la conclusion, parce qu'il a dit toute la vérité; après lui il n'en viendra plus d'autres. C'est là un article de foi chez les Musulmans. Au point de vue inclusivement religieux, il est tombé dans l'erreur de toutes les religions qui se croient inamovibles, même contre le progrès des sciences; mais pour lui c'était presque une nécessité afin d'affermir l'autorité de sa parole chez un peuple qu'il avait eu tant de peine à convertir à sa foi. Au point de vue social c'était un tort, parce que le Coran étant une législation civile autant que religieuse, il a posé un point d'arrêt au progrès. Telle est la cause qui a rendu et rendra longtemps encore les peuples musulmans stationnaires, et réfractaires aux innovations et aux réformes qui ne sont pas dans le Coran. C'est un exemple de l'inconvénient qu'il y a de confondre ce qui doit être distinct. Mahomet n'a pas tenu compte du progrès humain; c'est une faute commune à presque tous les réformateurs religieux. D'un autre côté, il avait à réformer non-seulement la foi, mais le caractère, les usages, les habitudes sociales de ses peuples; il lui fallait appuyer ses réformes sur l'autorité de la religion, ainsi que l'ont fait tous les législateurs des peuples primitifs; la difficulté était grande, sans doute; cependant, il laisse une porte ouverte à l'interprétation et aux modifications, en disant que « Dieu peut toujours remplacer ce qu'il a donné par quelque chose de mieux. »

Il vous est interdit d'épouser vos mères, vos filles, vos sœurs, vos tantes paternelles et maternelles, vos nièces, vos nourrices, vos sœurs de lait, les mères de vos femmes, les filles confiées à votre tutelle et issues de femmes avec lesquelles vous auriez cohabité. N'épousez pas non plus les filles de vos fils que vous avez engendrés, ni deux sœurs. Il vous est défendu d'épouser des femmes mariées, excepté celles qui seraient tombées entre vos mains comme esclaves. (Sourate IV, v. 27 et suiv.)

Ces prescriptions peuvent donner une idée de la démoralisation de ces peuples; pour être obligé de défendre de tels abus, il fallait qu'ils existassent.

Epouses du Prophète, restez au sein de vos maisons. Ne vous parez point fastueusement, comme aux jours de l'idolâtrie. Faites la prière et l'aumône. Obéissez à Dieu et à son apôtre. Il veut écarter le vice de vos cœurs. Vous êtes de la famille du Prophète, et vous devez être pures. - Zeid répudia son épouse. Nous t'avons uni avec elle, afin que les fidèles aient la liberté d'épouser les femmes de leurs fils adoptifs, après la répudiation. Le précepte divin doit avoir son exécution. - O prophète, il t'est permis d'épouser les femmes que tu auras dotées, les captives que Dieu a fait tomber dans tes mains, les filles de tes oncles et de tes tantes qui ont pris la fuite avec toi, et toute femme fidèle qui t'accordera son cœur. C'est un privilège que nous t'accordons. - Tu n'ajouteras point au nombre actuel de tes épouses; tu ne pourras les changer contre d'autres dont la beauté t'aurait frappé. Mais la fréquentation de tes femmes esclaves t'est toujours permise. Dieu observe tout. (Sourate XXXIII, v. 37, 49, 52.)

C'est ici que Mahomet descend véritablement du piédestal sur lequel il était monté. On regrette de le voir tomber si bas après s'être élevé si haut, et faire intervenir Dieu pour justifier les privilèges qu'il s'octroyait pour l'assouvissement de ses passions. Il accordait aux croyants quatre femmes légitimes, alors que lui-même s'en était donné treize. Le législateur doit être le premier sujet des lois qu'il fait. C'est une tache ineffaçable qu'il a jetée sur lui et sur l'Islamisme.

Efforcez-vous de mériter l'indulgence du Seigneur, et la possession du paradis, dont l'étendue égale les cieux et la terre, séjour préparé aux justes, - à ceux qui font l'aumône dans la prospérité et dans l'adversité, et qui, maîtres des mouvements de leur colère, savent pardonner à leurs semblables. Dieu aime la bienfaisance. (Sourate III, v. 127, 128.)

Dieu a promis aux fidèles qui auront pratiqué la vertu l'entrée des jardins où coulent des fleuves. Ils y demeureront éternellement. Les promesses du Seigneur sont véritables. Quoi de plus infaillible que sa parole? (Sourate IV, v. 121.)

Ils habiteront éternellement le séjour que Dieu leur a préparé, les jardins de délices arrosés par des fleuves, lieux où règnera la souveraine béatitude. (Sourate IX, v. 90.)

Les jardins et les fontaines seront le partage de ceux qui craignent le Seigneur. Ils entreront avec la paix et la sécurité. - Nous ôterons l'envie de leurs cœurs. Ils reposeront sur des lits, et ils auront les uns pour les autres une bienveillance fraternelle. - La fatigue n'approchera point du séjour des délices. On ne leur en ravira point la possession. (Sourate XV, v. 45 à 48.)

Les jardins d'Eden seront l'habitation des justes. Des bracelets d'or ornés de perles, et des habits de soie formeront leur parure. - Louange à Dieu, s'écrieront- ils; il a écarté de nous la peine; il est miséricordieux et compatissant. - Il nous a introduits dans le palais éternel, séjour de sa magnificence. La fatigue ni la douleur n'approchent point de cet asile. (Sourate XXXV, v. 30, 31, 32.)

Les hôtes du paradis boiront à longs traits dans la coupe du bonheur. - Couchés sur des lits de soie, ils reposeront près de leurs épouses, sous des ombrages délicieux. - Ils trouveront tous les fruits. Tous leurs désirs seront comblés. (Sourate XXXVI, v. 55, 56, 57.)

Les vrais serviteurs de Dieu auront une nourriture choisie, - des fruits exquis, et ils seront servis avec honneur. - Les jardins des délices seront leur asile. - Pleins d'une bienveillance mutuelle, ils reposeront sur des sièges. - On leur offrira des coupes remplies d'une eau pure, - limpide et d'un goût délicieux, - qui n'obscurcira point leur raison, et ne les enivrera pas. - Près d'eux seront des vierges aux regards modestes, aux grands yeux noirs et dont le teint aura la couleur des œufs de l'autruche. (Sourate XXXVII, v. 39 à 47.)

On dira aux croyants qui auront professé l'Islamisme: Entrez dans le jardin des délices, vous et vos épouses; ouvrez vos cœurs à la joie. – On leur présentera à boire dans des coupes d'or. Le cœur trouvera dans ce séjour tout ce qu'il peut désirer, l'œil tout ce qui peut le charmer, et ces plaisirs seront éternels. - Voici le paradis dont vos œuvres vous ont procuré la possession. – Nourrissez- vous des fruits qui y croissent en abondance. (Sourate XLIII, v. 69 à 72.)

Tel est ce fameux paradis de Mahomet sur lequel on s'est tant égayé, et que nous ne chercherons assurément pas à justifier. Nous dirons seulement qu'il était en harmonie avec les mœurs de ces peuples, et qu'il devait les flatter bien plus que la perspective d'un état purement spirituel, quelque splendide qu'il fût, parce qu'ils étaient trop matériels pour le comprendre et en apprécier la valeur; il leur fallait quelque chose de plus substantiel, et on peut dire qu'ils ont été servis à souhait. On remarquera sans doute que les fleuves, les fontaines, les fruits abondants et les ombrages y jouaient un grand rôle, car c'est là ce qui manque surtout aux habitants du désert. Des lits moelleux et des habits de soie, pour des gens habitués à coucher sur la terre et vêtus de grossières couvertures en poil de chameau, devaient aussi avoir un grand attrait. Quelque ridicule que tout cela nous paraisse, songeons au milieu où vivait Mahomet, et ne le blâmons pas trop, puisqu'à l'aide de cet appât, il a su tirer un peuple de la barbarie et en faire une grande nation.

Dans un prochain article nous examinerons comment l'Islamisme pourra se rallier à la grande famille de l'humanité civilisée.

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