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Revista Espírita 1866 » Julho » Morte de Joseph Méry Revue Spirite 1866 » Juillet » Mort de Joseph Méry

Um homem de talento, inteligência de escol, poeta e literato distinto, o Sr. Joseph Méry morreu em Paris a 17 de junho de 1866, com 67 anos e meio de idade. Embora não fosse adepto confesso do Espiritismo, pertencia à numerosa classe dos que podem ser chamados de espíritas inconscientes, isto é, nos quais as ideias fundamentais do Espiritismo existem no estado de intuição. Podemos, em vista disto, sem sair de nossa especialidade, consagrar algumas linhas que não serão inúteis à nossa instrução.

Seria supérfluo repetir aqui as informações que a maioria dos jornais publicaram, por ocasião de sua morte, sobre a sua vida e as suas obras. Reproduziremos apenas a seguinte passagem da notícia do Siècle (19 de junho), porque é uma justa homenagem prestada ao caráter do homem. Depois de ter enumerado os seus trabalhos literários, o autor do artigo o pinta assim: “Joseph Méry era pródigo na conversação; conversador brilhante, improvisador de estâncias e de finais rimados, semeava ditos engenhosos e paradoxos, com uma veia infatigável; e, particularidade que o honra, jamais privou alguém de um dito engenhoso, uma piada, e jamais deixou de ser benevolente para com todos. É um dos mais belos elogios que pode fazer a uma escritor.”

Dissemos que o Sr. Méry era espírita por intuição. Ele não só acreditava na alma e na sua sobrevivência, no mundo espiritual que nos rodeia, mas na pluralidade das existências, e essa crença nele era o resultado de lembranças. Ele estava persuadido de ter vivido em Roma sob Augusto, na Alemanha, nas Índias, etc. Certos detalhes estavam tão presentes em sua memória, que ele descrevia com exatidão lugares que jamais tinha visto. É a essa faculdade que o autor do artigo precitado faz alusão, quando diz: “Sua imaginação inesgotável criava as regiões que não tinha visto, adivinhava os costumes, descrevendo os habitantes com uma fidelidade tanto mais maravilhosa porque a possuía malgrado seu.

Citamos os fatos mais importantes que lhe concernem a respeito disso no número da Revista de novembro de 1864, reproduzindo, sob o título de Lembranças de existências passadas, o artigo biográfico publicado pelo Sr. Dangeau no Jornal literário de 25 de setembro de 1864, e que acompanhamos de algumas reflexões. Essa faculdade era perfeitamente conhecida de seus confrades em literatura. Que pensavam disso? Para alguns não passava de singular efeito da imaginação, mas como o Sr. Méry era um homem estimado, de caráter simples e reto, que sabiam incapaz de uma impostura, - a exatidão de certas descrições locais, aliás, tinha sido reconhecida - e não poderiam racionalmente taxá-lo de louco, muitos diziam que aí podia haver algo de verdadeiro. Assim, esses fatos foram lembrados num dos discursos pronunciados em seu enterro. Ora, se os tivessem considerado como aberrações de seu espírito, teriam passado em silêncio. É, pois, em presença de um imenso concurso de ouvintes da elite da literatura e da imprensa, numa circunstância grave e solene, uma das que mais respeito impõem, que foi dito que o Sr. Méry se lembrava de ter vivido em outras épocas e o provava por fatos. Isto não pode deixar de dar espaço para reflexão, tanto mais quanto fora do Espiritismo, muitas pessoas adotam a ideia da pluralidade das existências como sendo a mais racional. Os fatos dessa natureza, no que diz respeito ao Sr. Méry, sendo uma das particularidades mais notáveis de sua vida, e tendo tido repercussão por ocasião de sua morte, não poderão senão acreditá-lo.

Ora, quais são as consequências dessa crença, abstração feita do Espiritismo? Se admitirmos que já vivemos uma vez, podemos e devemos mesmo ter vivido várias vezes, e podemos reviver depois desta existência. Se revivemos várias vezes, não pode ser com o mesmo corpo, portanto, há em nós um princípio inteligente independente da matéria, que conserva sua individualidade. É, como se vê, a negação das doutrinas materialistas e panteístas. Considerando-se que esse princípio, essa alma, revivendo na Terra, pode conservar a intuição de seu passado, ela não pode perder-se no infinito após a morte, como se crê vulgarmente; deve, no intervalo de suas existências corporais, ficar no meio em que vivem os homens; devendo retomar novas existências nesta mesma Humanidade, não deve perdê-la de vista; deve seguir as suas peripécias. Eis reconhecido, portanto, o mundo espiritual que nos cerca, em meio ao qual vivemos. Nesse mundo naturalmente se acham os nossos parentes e amigos que devem continuar a interessar-se por nós, como nós nos interessamos por eles, e que não estão perdidos para nós, pois existem e podem estar perto de nós. Eis o que chegam forçosamente a crer e as consequências a que não podem deixar de chegar aqueles que admitem o princípio da pluralidade das existências, e eis no que acreditava Méry. Que faz a mais o Espiritismo? Ele chama esses mesmos seres invisíveis de Espíritos, e diz que, estando em nosso meio, eles podem manifestar sua presença e comunicar-se com os encarnados. Quando o resto foi admitido, isto é tão desarrazoado?

Como vemos, a distância que separa o Espiritismo da crença íntima de uma porção de pessoas é muito pequena. O fato das manifestações não passa de um acessório e de uma confirmação prática do princípio fundamental admitido em teoria. Por que, então, alguns dos que admitem a base repelem o que deve servir de prova? Pela ideia falsa que disto fazem. Mas aqueles que se dão ao trabalho de estudá-lo e nele aprofundar-se, logo reconhecem que estão mais próximos do Espiritismo do que o julgavam, e que a maioria deles são espíritas sem o saber: só lhes falta o nome. Eis por que se veem tantas ideias espíritas emitidas a cada passo pelos mesmos que impugnam o vocábulo e por que essas mesmas ideias são tão facilmente aceitas por certas pessoas. Quando se trata apenas de uma questão de palavras, está-se muito próximo de entendimento.

Tocando em tudo, o Espiritismo entra no mundo por uma infinidade de portas. Uns a ele são trazidos pelo fato das manifestações; outros, pela desgraça que os fere e contra a qual acham nesta crença a única verdadeira consolação; outros pela ideia filosófica e religiosa; outros, enfim, pelo princípio da pluralidade das existências. Méry, contribuindo para dar credibilidade a esse princípio num certo meio, talvez faça mais pela propagação do Espiritismo do que se fosse abertamente espírita confesso.

É precisamente no momento em que esta grande lei da Humanidade vem afirmar-se por fatos e pelo testemunho de um homem honrado, que a Corte de Roma, por seu lado, acaba de desautorizá-la, pondo no índex a Pluralidade das existências da alma, por Pezzani (Jornal le Monde de 22 de junho de 1866). Essa medida inevitavelmente terá como efeito chamar a atenção sobre a questão e provocar o seu exame. A pluralidade das existências não é uma simples opinião filosófica; é uma lei da Natureza que nenhum anátema pode impedir de existir, e com a qual, mais cedo ou mais tarde, a Teologia terá que se pôr de acordo. É um certo excesso apressar-se em condenar, em nome da Divindade, uma lei que, como todas as que regem o mundo, é uma obra da Divindade. Tememos muito que em breve aconteça com essa condenação o que aconteceu com as que foram lançadas contra o movimento da Terra e os períodos de sua formação.

A comunicação seguinte foi obtida na Sociedade de Paris, a 22 de junho de 1866, pelo médium Sr. Desliens.

Pergunta. - Sr. Méry, não tínhamos o privilégio de conhecer-vos senão pela reputação, mas os vossos talentos e a merecida estima de que éreis cercado nos levam a esperar encontrar, nas conversas que teremos convosco, uma instrução que teremos a felicidade de aproveitar, todas as vezes que quiserdes vir entre nós.

As perguntas que hoje desejaríamos dirigir-vos, se a proximidade de vossa morte vos permitir responder, são estas:

1.º - Como se realizou vossa passagem desta para outra vida, e quais as vossas impressões ao entrar no mundo espiritual?

2.º - Em vida conhecíeis o Espiritismo? O que pensáveis dele?

3.º - O que dizem de vossas lembranças de vidas passadas é exato? Que influência essas lembranças exerceram sobre vossa vida terrena e os vossos escritos?

Julgamos supérfluo perguntar se sois feliz em vossa nova posição. A bondade do vosso caráter e vossa honorabilidade nos permitem esperar isto.

Resposta. - Senhores, estou extremamente tocado pelo testemunho de simpatia que acabais de me dar, que está contido nas palavras do vosso honrado presidente. Sinto-me feliz de atender ao vosso chamado, porque minha situação atual me afirma a realidade de um ensinamento cuja intuição eu trazia ao nascer, e também porque pensais no que resta de Méry, o romancista, e no futuro de minha parte viva e íntima, em minha alma, enfim, ao passo que meus numerosos amigos pensavam, sobretudo, ao me deixar, na personalidade que os abandonava. Eles me lançavam seu último adeus desejando que a terra me fosse leve! Que resta de Méry para eles?... Um pouco de poeira e obras sobre cujo mérito não sou chamado a pronunciar-me... De minha vida nova, nenhuma palavra!

Lembraram das minhas teorias como uma das singularidades de meu caráter; a imposição de minhas convicções como um efeito magnético, um encanto que desapareceria com a minha ausência; mas do Méry que sobreviveu ao corpo, desse ser inteligente que hoje tem consciência de sua vida de ontem e que pensa em sua vida de amanhã, que disseram?... Nada!... Eles nem mesmo pensaram... O romancista tão alegre, tão triste, por vezes tão divertido, partiu; deram-lhe uma lágrima, uma lembrança! Daqui a oito dias nele não pensarão mais, e as peripécias da guerra farão esquecer a volta do pobre exilado à sua pátria.

Insensatos! Há muito tempo eles diziam: “Méry está doente; ele está enfraquecendo; ele está envelhecendo.” Como se enganavam! ... Eu ia para a juventude, crede; o menino que chora ao entrar na vida é que avança para a velhice; o homem maduro que morre reencontra a juventude eterna no além-túmulo!

A morte foi para mim de uma doçura inefável! Meu pobre corpo, afligido pela doença, teve algumas convulsões finais e nada mais, mas o meu Espírito saía pouco a pouco de seus cueiros e planava, ainda prisioneiro, já aspirando ao infinito!.. Fui libertado sem perturbação, sem abalos; não tive surpresas, porque o túmulo não mais tinha véu para mim. Eu atingia uma margem conhecida; sabia que amigos devotados me esperavam nessa praia, pois não era a primeira vez que eu fazia essa viagem.

Como eu dizia aos meus ouvintes admirados, conheci a Roma dos Césares; comandei como conquistador subalterno nessa Gália que habitava recentemente como cidadão; ajudei a conquistar a vossa pátria, a subjugar vossos bravos antepassados, depois parti para retemperar minhas forças na fonte da vida intelectual para escolher novas provas e novos meios de progresso. Vi as margens do Ganges e dos rios da China; assimilei civilizações tão diferentes da vossa e contudo tão grandes, tão avançadas em seu gênero. Vivi na zona tórrida e nos climas temperados, sempre filósofo e sonhador...

Esta última existência foi para mim como um resumo de todas as precedentes. Adquiri recentemente; ainda ontem gastava os tesouros acumulados numa série de existências, de observações e de estudos.

Sim, eu era espírita de coração e de espírito, senão de raciocínio. A preexistência para mim era um fato, a reencarnação uma lei, o Espiritismo uma verdade. Quanto às questões de detalhe, confesso de boa-fé não haver ligado grande importância. Acreditava na sobrevivência da alma, na pluralidade de suas existências, mas nunca tentei investigar se ela podia, após ter deixado o corpo mortal, livre, manter relações com os que ainda estão ligados à cadeia. Ah! Victor Hugo disse com acerto: “A Terra não é senão a galé do Céu!...” Por vezes quebramos suas cadeias, mas para retomá-la. Certamente não saímos daqui senão deixando aos guardas o cuidado de, chegado o momento, desatar os laços que nos prendem à provação.

Estou feliz, muito feliz, porque tenho consciência de ter vivido bem!

Perdoai-me, senhores, é ainda Méry, o sonhador, quem vos fala, e permiti que eu volte a uma reunião onde me sinto à vontade. Deve haver o que aprender convosco e, se me quiserdes receber no número de vossos ouvintes invisíveis, é com felicidade que ficarei entre vós escutando, instruindo-me e falando, se se oferecer ocasião. 

J. MÉRY


Un homme de talent, intelligence d'élite, poète et littérateur distingué, M. Joseph Méry, est mort à Paris, le 17 juin 1866, à l'âge de 67 ans et demi. Bien qu'il ne fût pas adepte avoué du Spiritisme, il appartenait à la classe nombreuse de ceux qu'on peut appeler Spirites inconscients, c'est- à-dire en qui les idées fondamentales du Spiritisme existent à l'état d'intuition. A ce titre, nous pouvons, sans sortir de notre spécialité, lui consacrer quelques lignes qui ne seront pas inutiles à notre instruction.

Il serait superflu de répéter ici les renseignements que la plupart des journaux ont publiés, à l'occasion de sa mort, sur sa vie et sur ses ouvrages. Nous reproduirons seulement le passage suivant de la notice du Siècle (19 juin), parce que c'est un juste hommage rendu au caractère de l'homme. Après avoir énuméré ses travaux littéraires, l'auteur de l'article le dépeint ainsi: « Joseph Méry se prodiguait dans la conversation; causeur étincelant, improvisateur de stances et de bouts rimés, il semait les saillies, les paradoxes, avec une verve infatigable; et, particularité qui l'honore, jamais il n'a sacrifié personne à un bon mot, jamais il n'a cessé d'être bienveillant pour tous. C'est un des plus beaux éloges qu'on puisse faire d'un écrivain. »

Nous avons dit que M. Méry était Spirite d'intuition; il croyait non seulement à l'âme et à sa survivance, au monde spirituel qui nous environne, mais à la pluralité des existences, et cette croyance était chez lui le résultat des souvenirs. Il était persuadé avoir vécu à Rome sous Auguste, en Germanie, aux Indes, etc.; certains détails même étaient si bien présents à sa mémoire qu'il décrivait avec exactitude des lieux qu'il n'avait jamais vus. C'est à cette faculté que l'auteur de l'article précité fait allusion quand il dit: « Son imagination inépuisable créait les contrées qu'il n'avait pas vues, devinait les mœurs, en peignait les habitants avec une fidélité d'autant plus merveilleuse qu'il la possédait à son insu. »

Nous avons cité les faits les plus saillants qui le concernent sous ce rapport, dans le numéro de la Revue de novembre 1864, page 328, en reproduisant, sous le titre de Souvenirs d'existences passées, l'article biographique publié par M. Dangeau, dans le Journal littéraire du 25 septembre 1864, et que nous avons fait suivre de quelques réflexions. Cette faculté était parfaitement connue de ses confrères en littérature; qu'en pensaient-ils? Pour quelques-uns, ce n'était qu'un singulier effet de l'imagination; mais, comme M. Méry était un homme estimé, d'un caractère simple et droit, que l'on savait incapable d'une imposture - l'exactitude de certaines descriptions locales avait d'ailleurs été reconnue, - et qu'on ne pouvait rationnellement le taxer de folie, beaucoup se disaient qu'il pourrait bien y avoir là quelque chose de vrai; aussi ces faits ont-ils été rappelés dans un des discours qui ont été prononcés sur sa tombe; or, si on les eût considérés comme des aberrations de son esprit, on les eût passés sous silence. C'est donc en présence d'un immense concours d'auditeurs, de l'élite de la littérature et de la presse, dans une circonstance grave et solennelle, une de celles qui commandent le plus de respect, qu'il a été dit que M. Méry se souvenait avoir vécu à d'autres époques et le prouvait par des faits. Cela ne peut manquer de donner lieu à réfléchir, d'autant mieux, qu'en dehors du Spiritisme, beaucoup de personnes adoptent l'idée de la pluralité des existences comme étant la plus rationnelle. Les faits de cette nature concernant M. Méry, étant une des particularités saillantes de sa vie, et ayant eu du retentissement à l'occasion de sa mort, ne pourront que l'accréditer.

Or, quelles sont les conséquences de cette croyance, abstraction faite du Spiritisme? Si l'on admet que l'on a déjà vécu une fois, on peut, on doit même avoir vécu plusieurs fois, et l'on peut revivre après cette existence. Si l'on revit plusieurs fois, ce ne peut être avec le même corps; donc il y a en nous un principe intelligent indépendant de la matière et qui conserve son individualité; c'est, comme on le voit, la négation des doctrines matérialistes et panthéistes. Ce principe, ou âme, revivant sur la terre, puisqu'elle peut conserver l'intuition de son passé, ne peut se perdre dans l'infini après la mort, comme on le croit vulgairement; elle doit, dans l'intervalle de ses existences corporelles, rester dans le milieu humanitaire; devant reprendre de nouvelles existences dans cette même humanité, elle ne doit pas la perdre de vue; elle doit en suivre les péripéties: voilà donc le monde spirituel qui nous entoure, au milieu duquel nous vivons, reconnu; dans ce monde, se trouvent naturellement nos parents, nos amis, qui doivent continuer à s'intéresser à nous, comme nous nous intéressons à eux, et qui ne sont pas perdus pour nous, puisqu'ils existent et peuvent être près de nous. Voilà ce qu'arrivent forcément à croire, les conséquences auxquelles ne peuvent manquer d'aboutir ceux qui admettent le principe de la pluralité des existences, et voilà ce que croyait Méry. Que fait de plus le Spiritisme? il appelle Esprits ces mêmes êtres invisibles, et dit qu'étant au milieu de nous, ils peuvent manifester leur présence et se communiquer aux incarnés. Quand le surplus a été admis, ceci est-il donc si déraisonnable?

Comme on le voit, la distance qui sépare le Spiritisme de la croyance intime d'une foule de gens est bien peu de chose. Le fait des manifestations n'est plus qu'un accessoire et une confirmation pratique du principe fondamental admis en théorie. Pourquoi donc quelques-uns de ceux qui admettent la base repoussent-ils ce qui doit y servir de preuve? Par l'idée fausse qu'ils s'en font. Mais ceux qui se donnent la peine de l'étudier et de l'approfondir, reconnaissent bientôt qu'ils sont plus près du Spiritisme qu'ils ne le croyaient, et que la plupart d'entre eux sont Spirites sans le savoir: il ne leur manque que le nom. Voilà pourquoi on voit tant d'idées spirites émises à chaque instant par ceux mêmes qui repoussent le mot, et pourquoi ces mêmes idées sont si facilement acceptées par certaines personnes. Quand on en est à une question de mot, on est bien près de s'entendre.

Le Spiritisme touchant à tout entre dans le monde par une infinité de portes: les uns y sont amenés par le fait des manifestations; d'autres, par le malheur qui les frappe et contre lequel ils trouvent dans cette croyance la seule consolation véritable; d'autres, par l'idée philosophique et religieuse; d'autres enfin par le principe de la pluralité des existences. Méry, contribuant à accréditer ce principe dans un certain monde, fera plus peut-être pour la propagation du Spiritisme que s'il s'était ouvertement avoué Spirite.

C'est précisément au moment où cette grande loi de l'humanité vient s'affirmer par des faits et le témoignage d'un homme honorable, que la Cour de Rome vient, de son côté, la désavouer en mettant à l'index la Pluralité des existences de l'âme, par Pezzani (journal le Monde, 22 juin 1866); cette mesure aura inévitablement pour effet d'appeler l'attention sur la question et d'en provoquer l'examen. La pluralité des existences n'est pas une simple opinion philosophique; c'est une loi de nature qu'aucun anathème ne peut empêcher d'être, et avec laquelle il faudra tôt ou tard que la théologie se mette d'accord. C'est un peu trop se hâter que de condamner, au nom de la Divinité, une loi qui, comme toutes celles qui régissent le monde, est une œuvre de la Divinité; il est fort à craindre qu'il n'en soit bientôt de cette condamnation comme de celles qui furent lancées contre le mouvement de la terre et les périodes de sa formation.

La communication suivante a été obtenue à la Société de Paris, le 22 juin 1866; (médium, M. Desliens).

Demande. Monsieur Méry, nous n'avions l'avantage de vous connaître que de réputation; mais vos talents et l'estime méritée dont vous étiez entouré nous font espérer trouver, dans les entretiens que nous aurons avec vous, une instruction dont nous serons heureux de profiter toutes les fois que vous voudrez bien venir parmi nous.

Les questions que nous désirerions vous adresser aujourd'hui, si l'époque rapprochée de votre mort vous permet de répondre, sont celles- ci:

1° Comment s'est accompli pour vous le passage de cette vie dans l'autre, et quelles ont été vos impressions en entrant dans le monde spirituel?

2° De votre vivant aviez-vous connaissance du Spiritisme, et qu'en pensiez-vous?

3° Ce que l'on dit de vos souvenirs d'existences antérieures est-il exact, et quelle influence ces souvenirs ont-ils exercée sur votre vie terrestre et vos écrits?

Nous pensons superflu de vous demander si vous êtes heureux dans votre nouvelle position; la bonté de votre caractère et votre honorabilité nous donnent lieu de l'espérer.

Réponse. Messieurs, je suis extrêmement touché du témoignage de sympathie que vous voulez bien me donner, et qui est renfermé dans les paroles de votre honorable président. Je suis heureux de me rendre à votre appel, parce que ma situation actuelle m'affirme la réalité d'un enseignement dont j'avais apporté l'intuition en naissant, et aussi parce que vous songez à ce qui reste de Méry le romancier, à l'avenir de ma partie intime et vivante, à mon âme enfin, tandis que mes nombreux amis songeaient surtout, en me quittant, à la personnalité qui les abandonnait. Ils me jetaient leur dernier adieu en me souhaitant que la terre me soit légère! Que reste-t-il de Méry pour eux?… Un peu de poussière et des œuvres sur le mérite desquelles je ne suis pas appelé à me prononcer… De ma vie nouvelle, pas un mot! On a rappelé mes théories comme une des singularités de mon caractère, l'imposition de mes convictions comme un effet magnétique, un charme qui disparaissait avec mon absence; mais du Méry qui survit au corps, de cet être intelligent qui rend compte aujourd'hui de sa vie d'hier et qui songe à sa vie de demain, qu'en ont-ils dit?… Rien!… ils n'y ont pas même songé… Le romancier si gai, si triste, si amusant parfois, est parti; on lui a donné une larme, un souvenir! Dans huit jours, on n'y songera plus, et les péripéties de la guerre feront oublier le retour du pauvre exilé dans sa patrie.

Les insensés! ils se disaient depuis longtemps: « Méry est malade, il s'affaiblit, il vieillit. » Comme ils se trompaient!… J'allais à la jeunesse, croyez-le; c'est l'enfant qui pleure en entrant dans la vie, qui s'avance vers la vieillesse; l'homme mûr qui meurt retrouve la jeunesse éternelle au delà du tombeau!

La mort a été pour moi d'une douceur ineffable. Mon pauvre corps, affligé par la maladie, a eu quelques dernières convulsions, et tout a été dit; mais mon Esprit sortait peu à peu de ses langes, il planait prisonnier encore et aspirant déjà à l'infini!… J'ai été délivré sans trouble, sans secousse; je n'ai pas eu d'étonnement, car la tombe n'avait plus de voile pour moi. J'abordais un rivage connu; je savais que des amis dévoués m'attendaient sur la plage, car ce n'était pas la première fois que je faisais ce voyage.

Comme je le disais à mes auditeurs étonnés, j'ai connu la Rome des Césars; j'ai commandé en conquérant subalterne dans cette Gaule que j'habitais récemment comme citoyen; j'ai aidé à conquérir votre patrie, à asservir vos fiers ancêtres, puis je suis parti pour retremper mes forces à la source de vie intellectuelle, pour choisir de nouvelles preuves et de nouveaux moyens d'avancement. J'ai vu les rives du Gange et celles des fleuves de la Chine; je me suis assimilé ces civilisations si différentes de la vôtre, et cependant si grandes, si avancées dans leur genre. J'ai vécu sous la zone torride et dans les climats tempérés; j'ai étudié les mœurs ici et là-bas, guerrier, poète, écrivain tour à tour, philosophe et rêveur toujours…

Cette dernière existence a été pour moi une sorte de résumé de toutes celles qui l'ont précédée. J'ai acquis naguère; hier encore, je dépensais les trésors accumulés par une série d'existences, d'observations et d'études.

Oui, j'étais Spirite de cœur et d'esprit, sinon de raisonnement. La préexistence était pour moi un fait, la réincarnation une loi, le Spiritisme une vérité. Quant aux questions de détail, je vous avoue de bonne foi ne pas y avoir attaché une grande importance. Je croyais la survivance de l'âme, à la pluralité de ses existences, mais je n'ai jamais tenté d'approfondir si elle pouvait, après avoir quitté son corps mortel, entretenir, libre, des relations avec ceux qui sont encore attachés à la chaîne. Ah! Victor Hugo l'a dit avec vérité, « la terre n'est autre chose que le bagne du ciel!… » On brise quelquefois sa chaîne, mais pour la reprendre. On ne sort d'ici, à coup sûr, qu'en laissant à ses gardiens le soin de dénouer, quand le moment est venu, les liens qui nous rivent à l'épreuve.

Je suis heureux, bien heureux, car j'ai conscience d'avoir bien vécu!

Pardonnez-moi, messieurs, c'est encore Méry le rêveur qui vous parle, et permettez-moi de revenir dans une réunion où je me sens à l'aise. Il doit y avoir à apprendre avec vous, et, si vous voulez me recevoir au nombre de vos auditeurs invisibles, c'est avec bonheur que je demeurerai parmi vous, écoutant, m'instruisant et parlant si l'occasion s'en présente.

J. MÉRY.

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