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O Espiritismo sem os Espíritos Revista Espírita 1866 » Abril » O Espiritismo sem os Espíritos Le Spiritisme sans les Esprits Revue Spirite 1866 » Avril » Le Spiritisme sans les Esprits

 

Ultimamente vimos uma seita tentar se formar, arvorando como bandeira a negação da prece. Acolhida inicialmente por um sentimento geral de reprovação, não vingou. Os homens e os Espíritos se uniram para repelir uma doutrina que era, ao mesmo tempo, uma ingratidão e uma revolta contra a Providência. Isto não era difícil porque, chocando o sentimento íntimo da imensa maioria, ela carregava em si o seu princípio destruidor. (Revista de janeiro de 1866).

 

Eis agora uma outra que se ensaia num novo terreno. Tem por divisa: Nada de comunicações dos Espíritos. É muito singular que esta opinião seja preconizada por alguns daqueles que outrora exaltavam a importância e a sublimidade dos ensinamentos espíritas e que se gloriavam do que eles próprios recebiam como médiuns. Terá ela mais chance de sucesso que a precedente? É isto que vamos examinar em poucas palavras.

 

Essa doutrina, se podemos dar tal nome a uma opinião restrita a algumas pessoas, se fundamenta nos dados seguintes:

 

“Os Espíritos que se comunicam não são senão Espíritos ordinários que até hoje não nos ensinaram nenhuma verdade nova, e que provam a sua incapacidade, não saindo das banalidades da moral. O critério que pretendem estabelecer sobre a concordância de seu ensino é ilusório, por força de sua insuficiência. É ao homem que cabe sondar os grandes mistérios da Natureza e submeter o que eles dizem ao controle de sua própria razão. Nada nos ensinando as suas comunicações, nós as proscrevemos de nossas reuniões. Discutiremos entre nós; buscaremos e decidiremos, em nossa sabedoria, os princípios que devem ser aceitos ou rejeitados, sem recorrer ao assentimento dos Espíritos.”

 

Notemos que não se trata de negar o fato das manifestações, mas de estabelecer a superioridade do julgamento do homem, ou de alguns homens, sobre o dos Espíritos; numa palavra, de separar o Espiritismo do ensino dos Espíritos, pois as instruções destes últimos estariam abaixo do que pode a inteligência dos homens.

 

Essa doutrina conduz a uma singular consequência, que não daria uma alta ideia da superioridade da lógica do homem sobre a dos Espíritos. Graças a estes últimos, sabemos que os da ordem mais elevada pertenceram à Humanidade corporal que eles ultrapassaram há muito tempo, como o general ultrapassou a classe do soldado da qual ele saiu. Sem os Espíritos, ainda estaríamos na crença de que os anjos são criaturas privilegiadas e os demônios criaturas predestinadas ao mal para a eternidade. “Não, dirão, porque houve homens que combateram essa ideia.” Que seja, mas quem eram esses homens senão Espíritos encarnados? Que influência teve a sua opinião isolada sobre a crença das massas? Perguntai ao primeiro que chegar se conhece ao menos de nome a maioria desses grandes filósofos? Ao passo que vindo os Espíritos a todos os cantos da Terra manifestar-se ao mais humilde como ao mais poderoso, a verdade propagou-se com a rapidez do relâmpago.

 

Podemos dividir os Espíritos em duas grandes categorias: aqueles que, depois de terem atingido o mais alto ponto da escala, deixaram definitivamente os mundos materiais, e aqueles que, pela lei da reencarnação, ainda pertencem ao turbilhão da Humanidade terrena. Admitamos que só estes últimos tenham o direito de comunicar-se com os homens, o que é uma hipótese: Entre eles há aqueles que em vida foram homens esclarecidos, cuja opinião tem autoridade, e que a gente sentir-se-ia feliz de consultar, se ainda fossem vivos. Ora, da doutrina acima resultaria que esses mesmos homens superiores tornaram-se nulidades ou mediocridades ao passar para o mundo dos Espíritos, incapazes de nos dar uma instrução de algum valor, ao passo que a gente se inclinaria respeitosamente diante deles se se apresentassem em carne e osso nas mesmas assembleias onde se recusam a escutá-los como Espíritos. Disso resulta ainda que Pascal, por exemplo, deixou de ser uma luz quando passou a ser Espírito, mas que se ele reencarnasse em Pedro ou Paulo, necessariamente com o mesmo gênio, porquanto nada teria perdido, ele seria um oráculo. Esta consequência é tão rigorosa que os partidários desse sistema admitem a reencarnação como uma das maiores verdades. Enfim, será preciso concluir que aqueles que colocam de muito boa-fé, como supomos, sua própria inteligência tão acima da dos Espíritos, serão eles próprios nulidades ou mediocridades, cuja opinião não terá valor, de sorte que seria preciso crer no que eles dizem enquanto estão vivos, e não crer amanhã, quando estiverem mortos, mesmo que viessem dizer a mesma coisa, e muito menos ainda se disserem que se enganaram.

 

Sei que objetam a grande dificuldade da constatação da identidade. Essa questão já foi amplamente tratada, de modo que é supérfluo a ela voltar. Certamente não podemos saber, por uma prova material, se o Espírito que se apresenta sob o nome de Pascal é realmente o do grande Pascal. Que nos importa, se ele diz boas coisas? Cabe-nos pesar o valor de suas instruções, não pela forma da linguagem, que sabemos por vezes marcada pelo cunho da inferioridade do instrumento, mas pela grandeza e pela sabedoria dos pensamentos. Um grande Espírito que se comunica por um médium pouco letrado é como um hábil calígrafo que se serve de uma pena ruim. O conjunto da escrita terá o cunho de seu talento, mas os detalhes da execução, que dele não dependem, serão imperfeitos.

 

Jamais o Espiritismo disse que era preciso fazer abnegação de seu julgamento e submeter-se cegamente ao dizer dos Espíritos; são os próprios Espíritos que nos dizem para submeter todas as suas palavras ao cadinho da lógica, ao passo que certos encarnados dizem: “Não creiais senão no que dizemos e não creiais no que dizem os Espíritos.” Ora, como a razão individual está sujeita ao erro, e o homem, muito geralmente, é levado a tomar sua própria razão e suas ideias como a única expressão da verdade, aquele que não tem a orgulhosa pretensão de se julgar infalível a submete à apreciação da maioria. Por isto é tido como abdicando de sua opinião? Absolutamente. Ele está perfeitamente livre de crer que só ele tem razão contra todos, mas isto não impedirá a opinião da maioria de prevalecer e de ter, em definitivo, mais autoridade que a opinião de um só ou de alguns.

 

Examinemos agora a questão sob outro ponto de vista. Quem fez o Espiritismo? É uma concepção humana pessoal? Todo mundo sabe que é o contrário. O Espiritismo é o resultado do ensinamento dos Espíritos, de tal sorte que sem as comunicações dos Espíritos não haveria Espiritismo. Se a Doutrina Espírita fosse uma simples teoria filosófica nascida de um cérebro humano, ela não teria senão o valor de uma opinião pessoal; saída da universalidade do ensino dos Espíritos, tem o valor de uma obra coletiva, e é por isto mesmo que em tão pouco tempo se propagou por toda a Terra, cada um recebendo por si mesmo, ou por suas relações íntimas, instruções idênticas e a prova da realidade das manifestações.

 

Pois bem! É em presença deste resultado patente, material, que se tenta erigir em sistema a inutilidade das comunicações dos Espíritos. Convenhamos que se elas não tivessem a popularidade que adquiriram, não as atacariam, e que é a prodigiosa vulgarização dessas ideias que suscita tantos adversários ao Espiritismo. Os que hoje rejeitam as comunicações não parecem essas crianças ingratas que negam e desprezam os seus pais? Não é ingratidão para com os Espíritos, a quem devem o que sabem? Não é servir-se do que eles ensinaram para combatê-los; voltar contra eles, contra seus próprios pais, as armas que eles nos deram? Entre os Espíritos que se manifestam não está o Espírito de um pai, de uma mãe, de seres que nos são os mais caros, dos quais se recebem essas tocantes instruções que vão diretamente ao coração? Não é a eles que devemos o ter sido arrancados da incredulidade, das torturas da dúvida sobre o futuro? E é quando se goza do benefício que se desconhece a mão benfeitora?

 

Que dizer dos que, tomando sua opinião pela de todo mundo, afirmam seriamente que agora em parte alguma se querem comunicações? Estranha ilusão que um olhar lançado em torno deles bastaria para fazer desvanecer-se. Da parte deles, que devem pensar os Espíritos que assistem às reuniões onde se discute se se deve condescender em escutá-los, se se deve ou não excepcionalmente permitir-lhes a palavra para agradar aos que têm a fraqueza de dar importância às suas instruções? Lá se encontram sem dúvida Espíritos ante os quais cairiam de joelhos se nesse momento eles se deixassem ver. Já pensaram no preço que se poderia pagar por tal ingratidão?

 

Tendo os Espíritos a liberdade de comunicar-se, independentemente de seu grau de saber, disso resulta uma grande diversidade no valor das comunicações, como nos escritos, num povo em que todo mundo tem a liberdade de escrever, e onde, certamente, nem todas as produções literárias são obras-primas. Segundo as qualidades individuais dos Espíritos, há, pois, comunicações boas pelo fundo e pela forma, e outras, enfim, que nada valem, nem pelo fundo nem pela forma. Cabe-nos escolher. Rejeitá-las todas porque algumas são más, não seria mais racional do que proscrever todas as publicações porque há escritores que produzem vulgaridades. Os melhores escritores, os maiores gênios, não têm coisas fracas em suas obras? Não se fazem seleções do que eles produziram de melhor? Façamos o mesmo em relação à produção dos Espíritos; aproveitemos o que há de bom e rejeitemos o que é mau; mas, para arrancar o joio, não arranquemos o bom grão.

 

Consideremos, pois, o mundo dos Espíritos como um duplo do mundo corporal, como uma fração da Humanidade e digamos que não devemos desdenhar ouvi-los, agora que estão desencarnados, pois não o teríamos feito quando encarnados. Eles estão sempre em nosso meio, como outrora; apenas estão atrás da cortina e não à frente, eis toda a diferença.

 

Mas, perguntarão, qual o alcance do ensino dos Espíritos, mesmo no que há de bom, se eles não ultrapassam o que os homens podem saber por si mesmos? É bem certo que eles não nos ensinam nada mais? No seu estado de Espírito, eles não veem o que não podemos ver? Sem eles, conheceríamos o seu estado, sua maneira de ser, suas sensações? Conheceríamos, como hoje conhecemos, esse mundo onde talvez estejamos amanhã? Se esse mundo não tem para nós os mesmos terrores, se encaramos sem pavor a passagem que a ele conduz, não é a eles que o devemos? Esse mundo está completamente explorado? Cada dia não nos revela uma nova face dele? E nada significa saber para onde iremos e o que poderemos ser ao sair daqui? Outrora lá entrávamos tateando e tremendo, como num abismo sem fundo; agora esse abismo é resplendente de luz e nele entramos alegres. E ousam dizer que o Espiritismo nada ensinou! (Revista Espírita, agosto de 1865: “O que ensina o Espiritismo”).

 

Sem dúvida o ensino dos Espíritos tem limites. Não se lhe deve pedir senão o que ele pode dar, o que está na sua essência, no seu objetivo providencial; e ele dá muito a quem sabe buscar. Mas tal como ele é, já fizemos todas as suas aplicações? Antes de lhe pedir mais, sondamos as profundezas do horizonte que nos descortina? Quanto ao seu alcance, ele se afirma por um fato material, patente, gigantesco, inaudito nos fastos da história: é que ainda em sua aurora, ele já revoluciona o mundo e abala as forças da Terra. Que homem teria tido tal poder?

 

O Espiritismo tende para a reforma da Humanidade pela caridade. Não é, pois, de admirar que os Espíritos preguem a caridade sem cessar; eles a pregarão ainda por tanto tempo quanto for necessário para desarraigar o orgulho e o egoísmo do coração do homem. Se alguns acham as comunicações inúteis, porque repetem incessantemente as lições de moral, devem ser felicitados, pois são bastante perfeitos para não mais necessitarem delas, mas eles devem pensar que os que não têm tanta confiança em seu próprio mérito e que desejam se melhorar, não se cansam de receber bons conselhos. Não busqueis, pois, tirar-lhes esse consolo.

 

Esta doutrina tem chance de prevalecer? Como dissemos, as comunicações dos Espíritos fundamentaram o Espiritismo. Repeli-las depois de havê-las aclamado é querer solapar o Espiritismo pela base, tirar-lhe o alicerce. Tal não pode ser o pensamento dos Espíritas sérios e devotados, porque seria absolutamente como alguém que se dissesse cristão negar o valor dos ensinamentos do Cristo, sob o pretexto que sua moral é idêntica à de Platão. Foi nessas comunicações que os espíritas encontraram a alegria, a consolação, a esperança. Foi por elas que compreenderam a necessidade do bem, da resignação, da submissão à vontade de Deus; é por elas que suportam com coragem as vicissitudes da vida; por elas que não há mais separação real entre eles e os objetos de suas mais ternas afeições. Não é enganar-se com o coração humano crer que ele possa renunciar a uma crença que faz a felicidade?

 

Repetimos aqui o que dissemos a propósito da prece: Se o Espiritismo deve ganhar em influência, é aumentando a soma das satisfações morais que proporciona. Que aqueles que o acham insuficiente tal qual é se esforcem por dar mais que ele; mas não será dando menos, tirando o que faz o seu encanto, sua força e sua popularidade que eles o suplantarão.

 


Nous avons vu dernièrement une secte tenter de se former, en arborant pour drapeau: La négation de la prière. Accueillie, à son début, par un sentiment général de réprobation, elle n'a pas même vécu. Les hommes et les Esprits se sont unis pour repousser une doctrine qui était à la fois une ingratitude et une révolte contre la Providence. Cela n'était pas difficile, car, en froissant le sens intime de l'immense majorité, elle portait en elle son principe destructeur. (Revue de janvier 1866).

En voici maintenant une autre qui s'essaie sur un nouveau terrain; elle a pour devise: Plus de communications des Esprits. Il est assez singulier que cette opinion soit aujourd'hui préconisée par quelques-uns de ceux qui ont jadis exalté l'importance et la sublimité des enseignements spirites, et qui se faisaient gloire de ce qu'ils recevaient eux-mêmes comme médiums. A-t-elle plus de chance de succès que la précédente? C'est ce que nous allons examiner en quelques mots.

Cette doctrine, si l'on peut donner ce nom à une opinion restreinte à quelques individualités, se fonde sur les données suivantes:

« Les Esprits qui se communiquent ne sont que des Esprits ordinaires qui ne nous ont, jusqu'à ce jour, appris aucune vérité nouvelle, et qui prouvent leur incapacité en ne sortant pas des banalités de la morale. Le critérium que l'on prétend établir sur la concordance de leur enseignement est illusoire, par suite de leur insuffisance. C'est à l'homme qu'il appartient de sonder les grands mystères de la nature, et de soumettre ce qu'ils disent au contrôle de sa propre raison. Leurs communications ne pouvant rien nous apprendre, nous les proscrivons de nos réunions. Nous discuterons entre nous; nous chercherons et nous déciderons, dans notre sagesse, les principes qui doivent être acceptés ou rejetés, sans recourir à l'assentiment des Esprits. »

Remarquons qu'il ne s'agit point de nier le fait des manifestations, mais d'établir la supériorité du jugement de l'homme, ou de quelques hommes, sur celui des Esprits; en un mot, de dégager le Spiritisme de l'enseignement des Esprits: les instructions de ces derniers étant au- dessous de ce que peut l'intelligence des hommes.

Cette doctrine conduit à une singulière conséquence, qui ne donnerait pas une haute idée de la supériorité de la logique de l'homme sur celle des Esprits. Nous savons, grâce à ces derniers, que ceux de l'ordre le plus élevé ont appartenu à l'humanité corporelle qu'ils ont depuis longtemps dépassée, comme le général a dépassé la classe du soldat d'où il était sorti. Sans les Esprits, nous en serions encore à la croyance que les anges sont des créatures privilégiées, et les démons des créatures prédestinées au mal pour l'éternité. « Non, dira-t-on, car il y a eu des hommes qui ont combattu cette idée. » Soit; mais qu'étaient ces hommes, sinon des Esprits incarnés? Quelle influence leur opinion isolée a-t-elle eue sur la croyance des masses? Demandez au premier venu s'il connaît seulement de nom la plupart de ces grands philosophes? Tandis que les Esprits, venant sur toute la surface de la terre se manifester au plus humble comme au plus puissant, la vérité s'est propagée avec la rapidité de l'éclair.

Les Esprits peuvent se diviser en deux grandes catégories: ceux qui, parvenus au plus haut point de l'échelle, ont définitivement quitté les mondes matériels, et ceux qui, par la loi de la réincarnation, appartiennent encore au tourbillon de l'humanité terrienne. Admettons que ces derniers seuls aient le droit de se communiquer aux hommes, ce qui est une question: dans le nombre il y en a qui, de leur vivant, ont été des hommes éclairés, dont l'opinion fait autorité, et que l'on serait heureux de consulter s'ils vivaient encore. Or, de la doctrine ci-dessus il résulterait que ces mêmes hommes supérieurs sont devenus des nullités ou des médiocrités en passant dans le monde des Esprits, incapables de nous donner une instruction de quelque valeur, tandis qu'on s'inclinerait respectueusement devant eux s'ils se présentaient en chair et en os dans les assemblées mêmes où l'on refuse de les écouter comme Esprits. Il en résulte encore que Pascal, par exemple, n'est plus une lumière depuis qu'il est Esprit; mais que, s'il se réincarnait dans Pierre ou Paul, nécessairement avec le même génie, puisqu'il n'aurait rien perdu, il serait un oracle. Cette conséquence est tellement rigoureuse, que les partisans de ce système admettent la réincarnation comme une des plus grandes vérités. Il faudra en induire enfin que ceux qui placent, de très bonne foi nous le supposons, leur propre intelligence si fort au-dessus de celle des Esprits, seront eux-mêmes des nullités ou des médiocrités dont l'opinion sera sans valeur; de telle sorte qu'il faudrait croire à ce qu'ils disent, aujourd'hui qu'ils vivent, et qu'il n'y faudrait plus croire demain, quand ils seront morts, lors même qu'ils viendraient dire la même chose, et encore moins s'ils viennent dire qu'ils se sont trompés.

Je sais qu'on objecte la grande difficulté de la constatation de l'identité. Cette question a été assez amplement traitée pour qu'il soit superflu d'y revenir. Nous ne pouvons assurément savoir, par une preuve matérielle, si l'Esprit qui se présente sous le nom de Pascal est bien réellement celui du grand Pascal. Que nous importe, s'il dit de bonnes choses! C'est à nous de peser la valeur de ses instructions, non à la forme du langage, qu'on sait porter souvent l'empreinte de l'infériorité de l'instrument, mais à la grandeur et à la sagesse des pensées. Un grand Esprit qui se communique par un médium peu lettré est comme un habile calligraphe qui se sert d'une mauvaise plume; l'ensemble de l'écriture portera le cachet de son talent, mais les détails d'exécution, qui ne dépendent pas de lui, seront imparfaits.

Jamais le Spiritisme n'a dit qu'il fallait faire abnégation de son jugement, et se soumettre aveuglément au dire des Esprits; ce sont les Esprits eux-mêmes qui nous disent de passer toutes leurs paroles au creuset de la logique, tandis que certains incarnés disent: « Ne croyez qu'à ce que nous disons, et ne croyez pas à ce que disent les Esprits. » Or, comme la raison individuelle est sujette à erreur, et que l'homme est assez généralement porté à prendre sa propre raison et ses idées pour l'unique expression de la vérité, celui qui n'a pas l'orgueilleuse prétention de se croire infaillible en réfère à l'appréciation de la majorité. Est-il tenu pour cela d'abdiquer son opinion? Nullement; il est parfaitement libre de croire qu'il a seul raison contre tous, mais il n'empêchera pas l'opinion du plus grand nombre de prévaloir, et d'avoir, en définitive, plus d'autorité que l'opinion d'un seul ou de quelques-uns.

Examinons maintenant la question sous un autre point de vue. Qui est- ce qui a fait le Spiritisme? Est-ce une conception humaine personnelle? Tout le monde sait le contraire. Le Spiritisme est le résultat de l'enseignement des Esprits; de telle sorte que, sans les communications des Esprits, il n'y aurait point de Spiritisme. Si la doctrine spirite était une simple théorie philosophique éclose dans un cerveau humain, elle n'aurait que la valeur d'une opinion personnelle; sortie de l'universalité de l'enseignement des Esprits, elle a la valeur d'une œuvre collective, et c'est par cela même qu'en si peu de temps elle s'est propagée par toute la terre, chacun recevant par soi-même, ou par ses relations intimes, des instructions identiques et la preuve de la réalité des manifestations.

Eh bien! c'est en présence de ce résultat patent, matériel, que l'on essaie d'ériger en système l'inutilité des communications des Esprits. Convenons que si elles n'avaient pas la popularité qu'elles ont acquise, on ne les attaquerait pas, et que c'est la prodigieuse vulgarisation de ces idées qui suscite tant d'adversaires au Spiritisme. Ceux qui rejettent aujourd'hui les communications ne ressemblent-ils pas à ces enfants ingrats qui renient et méprisent leurs parents? N'est-ce pas de l'ingratitude envers les Esprits, à qui ils doivent ce qu'ils savent? N'est- ce pas se servir de ce qu'ils en ont appris pour les combattre, retourner contre eux, contre ses propres parents, les armes qu'ils nous ont données? Parmi les Esprits qui se manifestent, n'est-ce pas de l'Esprit d'un père, d'une mère, des êtres qui nous sont le plus chers, qu'on reçoit ces touchantes instructions qui vont directement au cœur? N'est-ce pas à eux que l'on doit d'avoir été arraché à l'incrédulité, aux tortures du doute sur l'avenir? Et c'est alors qu'on jouit du bienfait, qu'on méconnaît la main du bienfaiteur!

Que dire de ceux qui, prenant leur opinion pour celle de tout le monde, affirment sérieusement que, maintenant, nulle part on ne veut de communications? Étrange illusion! qu'un regard jeté autour d'eux suffirait pour faire évanouir. De leur côté, que doivent penser les Esprits qui assistent aux réunions où l'on discute si l'on doit condescendre à les écouter, si l'on doit ou non leur permettre exceptionnellement la parole pour complaire à ceux qui ont la faiblesse de tenir à leurs instructions? La se trouvent sans doute des Esprits devant lesquels on tomberait à genoux si, à ce moment, ils se présentaient à la vue. A-t-on songé au prix dont pouvait être payée une telle ingratitude?

Les Esprits ayant la liberté de se communiquer, sans égard au degré de leur savoir, il en résulte une grande diversité dans la valeur des communications, comme dans les écrits, chez un peuple où tout le monde a la liberté d'écrire, et où certes toutes les productions littéraires ne sont pas des chefs-d'œuvre. Selon les qualités individuelles des Esprits, il y a donc des communications bonnes pour le fond et pour la forme, d'autres qui sont bonnes pour le fond et mauvaises pour la forme, d'autres enfin qui ne valent rien, ni pour le fond ni pour la forme; c'est à nous de choisir. Il ne serait pas plus rationnel de les rejeter toutes parce qu'il y en a de mauvaises, qu'il le serait de proscrire toutes les publications parce qu'il y a des écrivains qui donnent des platitudes. Les meilleurs écrivains, les plus grands génies, n'ont-ils pas des parties faibles dans leurs œuvres? Ne fait-on pas des recueils de ce qu'ils ont produit de mieux? Faisons de même à l'égard des productions des Esprits; profitons de ce qu'il y a de bon et rejetons ce qui est mauvais; mais pour arracher l'ivraie, n'arrachons pas le bon grain.

Considérons donc le monde des Esprits comme la doublure du monde corporel, comme une fraction de l'humanité, et disons-nous que nous ne devons pas plus dédaigner de les entendre, maintenant qu'ils sont désincarnés, que nous ne l'eussions fait alors qu'ils étaient incarnés; ils sont toujours au milieu de nous, comme jadis; seulement, ils sont derrière le rideau, au lieu d'être devant: voilà toute la différence.

Mais, dira-t-on, quelle est la portée de l'enseignement des Esprits, même dans ce qu'il a de bon, s'il ne dépasse pas ce que les hommes peuvent savoir par eux-mêmes? Est-il bien certain qu'ils ne nous apprennent rien de plus? Dans leur état d'Esprit ne voient-ils pas ce que nous ne pouvons voir? Sans eux, connaîtrions-nous leur état, leur manière d'être, leurs sensations? connaîtrions-nous, comme nous le connaissons aujourd'hui, ce monde où nous serons peut-être demain? Si ce monde n'a plus pour nous les mêmes terreurs, si nous envisageons sans effroi le passage qui y conduit, n'est-ce pas à eux que nous le devons? Ce monde est-il complètement exploré? Chaque jour ne nous en révèle-t-il pas une nouvelle face? et n'est-ce rien de savoir où l'on va, et ce que l'on peut être en sortant d'ici? Jadis on y entrait à tâtons et en frémissant, comme dans un gouffre sans fond; maintenant ce gouffre est resplendissant de lumière, et l'on y entre joyeux; et l'on ose dire que le Spiritisme ne nous a rien appris! (Revue spirite, août 1865, page 225: « Ce qu'apprend le Spiritisme. »)

Sans doute, l'enseignement des Esprits a ses limites; il ne faut lui demander que ce qu'il peut donner, ce qui est dans son essence, dans son but providentiel, et il donne beaucoup à celui qui sait chercher; mais, tel qu'il est, en avons-nous fait toutes les applications? Avant de lui demander plus, avons-nous sondé la profondeur des horizons qu'il nous découvre? Quant à sa portée, elle s'affirme par un fait matériel, patent, gigantesque, inouï dans les fastes de l'histoire: c'est qu'à peine à son aurore, il révolutionne déjà le monde et met en émoi les puissances de la terre. Quel est l'homme qui aurait eu ce pouvoir?

Le Spiritisme tend à la réforme de l'humanité par la charité; il n'est donc pas étonnant que les Esprits prêchent sans cesse la charité; ils la prêcheront aussi longtemps qu'elle n'aura pas déraciné du cœur des hommes l'égoïsme et l'orgueil. S'il en est qui trouvent les communications inutiles, parce qu'elles répètent sans cesse les leçons de morale, il faut les féliciter, s'ils sont assez parfaits pour n'en avoir plus besoin; mais ils doivent songer que ceux qui n'ont pas autant de confiance dans leur propre mérite et qui ont à cœur de s'améliorer, ne se lassent pas de recevoir de bons conseils. Ne cherchez donc point à leur enlever cette consolation.

Cette doctrine a-t-elle des chances de prévaloir? Les communications des Esprits ont, comme nous l'avons dit, fondé le Spiritisme. Les repousser après les avoir acclamées, c'est vouloir saper le Spiritisme par sa base, lui enlever sa pierre d'assise; telle ne peut être la pensée de Spirites sérieux et dévoués, car ce serait absolument comme celui qui se dirait chrétien en déniant la valeur des enseignements du Christ, sous le prétexte que sa morale est identique à celle de Platon. C'est dans ces communications que les Spirites ont trouvé la joie, la consolation, l'espérance; c'est par elles qu'ils ont compris la nécessité du bien, de la résignation, de la soumission à la volonté de Dieu; c'est par elles qu'ils supportent avec courage les vicissitudes de la vie, par elles qu'il n'y a plus de séparation réelle entre eux et les objets de leurs plus tendres affections. N'est-ce pas se méprendre sur le cœur humain, de croire qu'il puisse renoncer à une croyance qui fait le bonheur!

Nous répétons ici ce que nous avons dit à propos de la prière: Si le Spiritisme doit gagner en influence, c'est en augmentant la somme des satisfactions morales qu'il procure. Que ceux qui le trouvent insuffisant tel qu'il est s'efforcent de donner plus que lui; mais ce n'est pas en donnant moins, en lui ôtant ce qui en fait le charme, la force et la popularité qu'ils le supplanteront.


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