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O Livro dos Espíritos » Parte Primeira - Das causas primárias » Capítulo II - Dos elementos gerais do universo » Espírito e matéria » 25

25. O espírito é independente da matéria, ou é apenas uma propriedade dela, como as cores são propriedades da luz, e o som uma propriedade do ar?

“Um e outra são distintos; mas é preciso a união do espírito e da matéria para intelligenter[1] a matéria.”

— Essa união é igualmente necessária para a manifestação do espírito? (Entendemos aqui por espírito o princípio da inteligência, abstração feita das individualidades designadas por esse nome).

“Ela é necessária para vós, porque não estais organizados para perceber o espírito sem a matéria; vossos sentidos não são feitos para isso.”

 

[1] N. E. O termo intelligenter significa tornar algo passível da manifestação da inteligência. Trata-se de um neologismo criado a partir de uma derivação sufixal (adição do sufixo er no adjetivo inteligent para formar o verbo). Em nossos estudos, entendemos que, no contexto da ciência espírita, esse verbo, que aparece apenas duas vezes em toda obra do Sr. Allan Kardec (itens 25 e 71), expressa a seguinte ideia: "tornar a matéria – que é o agente, o intermediário com o auxílio do qual e sobre o qual age o espírito –, suscetível de receber a ação do princípio inteligente.” (Vide os itens 22 ao 27 e o 71.)

Submetemos esse nosso entendimento ao mestre Allan Kardec, ao que nos foi respondido:

– “Sim, entendestes corretamente. O conceito desse verbo é conhecido dos falantes da língua francesa, bem como sua relação com a palavra inteligência e suas variações e significados. No entanto, mesmo na época da publicação do Livro dos Espíritos nem todos os leitores perceberam as nuances do significado presente nessa forma que foi apresentada pelos Espíritos e por mim anotada e entendida como sendo a melhor. (…)"

"Ocorre que, nas traduções já elaboradas para o verbo intelligenter, nos dois contextos em que ele aparece na obra, os tradutores preocuparam-se com o que a ação do verbo produz como consequência, dando assim ocasião à confusão no entendimento. Isso seria ocultar o que a ação do verbo de fato representa, dando a entender que tudo o que se produz na matéria já sofreu tal ação e que isso já seria de fato a ação e não o seu resultado posterior.

“Assim, podemos dizer que o verbo intelligenter expressa a ideia que vos foi inspirada.

Há uma reorganização, uma transformação, uma combinação da matéria com o fluido universal, que, a partir de então, se torna apta a ser um instrumento funcional, apta a receber a manifestação do princípio inteligente, e também a tornar inteligível a existência de um ser, que lhe é anterior, que dela se utiliza e, ao mesmo tempo, sofre sua influência. Então, tomar essa consequência, que é a manifestação da inteligência, como sendo a ideia significada pelo verbo intelligenter é o equívoco que esse novo entendimento desfaz. “Tornar a matéria inteligente”, “intelectualizá-la”, “espiritualizá-la”, são opções não só frágeis, mas errôneas, porque produzem alternativas interpretativas que levam a uma ideia contrária à que o verbo significa, ao que o conteúdo exposto nos dois itens propõe.

Intelligenter é uma fase que pode ser denominada de processo de preparação, num conjunto didaticamente organizado em três fases. A primeira é a união, entendendo união como ligação, junção, visando a uma unidade que se expressa em um conjunto, em um todo; cada elemento tem suas particularidades mas, em associação, dá e recebe em vista desse todo, desse conjunto. Então, após a união do fluido universal à matéria, há a preparação da matéria para que ela possa adentrar na terceira e última fase que é a de manifestar outro elemento que compõe o todo dessa união: o espírito.

Na terceira fase o espírito se une à matéria por meio do fluido universal. O espírito prepara a matéria. O espírito se utiliza da matéria animalizada para manifestar-se, para expressar inteligência. Intelligenter seria o verbo cujo significado abarcado está nessa segunda fase das três, que é a preparação, ou seja, dar à matéria as condições para que ele possa se manifestar. (…)” (Respostas dadas por psicofonia, dia 15 de agosto de 2025, no grupo que se ocupou da tradução desta obra).

Nota da equipe do Ipeak: inserimos aqui essas reflexões não como um ponto final à questão, mas para que outros estudiosos possam também refletir sobre esse assunto e dar-nos suas contribuições.


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