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Revista Espírita 1865 » Fevereiro » O Ramanenjana » Estudo sobre o fenômeno do Ramanenjana

Teria sido muito de admirar se o nome do Espiritismo não tivesse sido envolvido neste caso. Muito felizes ainda os seus adeptos por não terem sido acusados como seus causadores. Que não teriam dito se esses pobres malgaxes tivessem lido o Livro dos Espíritos! Não teriam deixado de afirmar que ele lhes tinha virado a cabeça. Quem, pois, sem o Espiritismo, lhes ensinou a crer nos Espíritos e na comunicação dos vivos com as almas dos mortos? É que o que está na Natureza se produz tão bem nos selvagens quanto nos homens civilizados; no ignorante quanto no sábio, na aldeia como na cidade. Como há Espíritos por toda parte, por toda parte ocorrem manifestações, com a diferença que nos homens próximos da Natureza, o orgulho do saber ainda não embotou as ideias intuitivas, que aí estão vivazes e em toda a sua ingenuidade, motivo pelo qual neles não se encontra a ingenuidade erigida em sistema. Eles podem julgar mal as coisas, dada a estreiteza de sua inteligência, mas a crença no mundo invisível neles é inata e entretida pelos fatos que testemunham.

Tudo prova, pois, que lá, como em Morzine, esses fenômenos são o resultado de uma obsessão ou possessão coletiva, verdadeira epidemia de maus Espíritos, como se produziu ao tempo do Cristo e em muitas outras épocas. Cada população deve fornecer ao mundo invisível ambiente Espíritos similares que, do espaço, reagem sobre essas mesmas populações, das quais, por força de sua inferioridade, eles conservaram os hábitos, as inclinações e os preconceitos. Os povos selvagens e bárbaros estão, pois, cercados por uma massa de Espíritos ainda selvagens e bárbaros, até que o progresso os tenha levado a se encarnarem num meio mais adiantado. É o que resulta da comunicação abaixo.

O relato acima foi lido numa reunião íntima e um dos guias espirituais da família ditou espontaneamente o que segue.

 

(Paris, 12 de janeiro de 1865 – Médium, Sra. Delanne)

 

Esta noite eu vos ouvi ler os fatos de obsessão passados em Madagascar. Se o permitis, emitirei minha opinião sobre esse assunto.

 

OBSERVAÇÃO: O Espírito não tinha sido evocado. Ele lá estava, pois, em meio à sociedade, escutando o que aí se dizia, sem ser visto. É assim que, sem o suspeitar, incessantemente temos testemunhas invisíveis de nossas ações.

 

Essas alucinações, como as denomina o correspondente do jornal, não são senão uma obsessão, embora de um caráter diverso daquelas que conheceis. Aqui é uma obsessão coletiva, produzida por uma plêiade de Espíritos atrasados que, tendo conservado suas antigas opiniões políticas, vêm por manifestações tentar perturbar os seus compatriotas, a fim de que, tomados de pavor, eles não ousem apoiar as ideias de civilização que começam a implantar-se nesses países onde o progresso começa a raiar.

Os Espíritos obsessores que impelem essas pobres criaturas a tantas manifestações ridículas, são os dos antigos Malgaxes, que ficam furiosos, repito, por verem os habitantes dessas regiões admitindo as ideias de civilização que alguns adiantados, encarnados, têm a missão de implantar entre eles. Assim, muitas vezes os ouvis dizer: “Nada de preces; abaixo os brancos, etc.” Cabe-vos fazer compreender que eles são antipáticos a tudo quando pode vir dos europeus, isto é, do centro intelectual.

Essas manifestações, à vista de toda a gente, não são uma confirmação dos vossos princípios? Elas são produzidas menos para essa gente meio selvagem do que para sanção dos vossos trabalhos.

As possessões de Morzine têm um caráter mais particular, ou melhor, mais restrito. Pode-se estudar in loco as fases de cada Espírito. Observando os detalhes, cada individualidade oferece um estudo especial, ao passo que as manifestações de Madagascar têm a espontaneidade e o caráter nacional. É toda uma população de antigos Espíritos atrasados que veem com despeito sua pátria sofrer o impulso do progresso. Eles próprios, não tendo progredido, buscam entravar a marcha da Providência.

Os Espíritos de Morzine são comparativamente mais adiantados. Embora brutos, eles julgam melhor que os malgaxes; distinguem o bem do mal, pois sabem reconhecer que a forma da prece nada é, mas o pensamento é tudo. Aliás, mais tarde vereis, pelos estudos que fareis, que eles não são tão atrasados quanto parecem à primeira vista. Aqui, é para mostrar que a Ciência é impotente para curar esses casos por seus meios materiais. Lá, é para atrair a atenção e confirmar o princípio.

UM ESPÍRITO PROTETOR

 

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