NOTÁVEL EXEMPLO DE CONCORDÂNCIA Uma sonâmbula médium, que pretende ser adormecida pelo Espírito do Sr. Jobard, dizia ter recebido dele uma comunicação dirigida a um outro médium, ao qual aconselhava cobrar as consultas dos ricos e dá-las gratuitamente aos pobres e aos operários. O Espírito lhe traçava o emprego do seu dia, sem poupar elogios a suas eminentes faculdades e a sua alta missão. Tendo uma pessoa levantado dúvidas sobre a autenticidade dessa comunicação, e sabendo que o Espírito do Sr. Jobard se manifesta frequentemente na Sociedade, pediu-nos que a submetêssemos a um exame crítico. Para mais segurança, dirigimos imediatamente estas simples palavras a seis médiuns: “Tende a bondade de perguntar ao Espírito do Sr. Jobard se ele ditou à Sra. X..., em sonambulismo magnético, uma comunicação para outro médium, que ele aconselha a explorar a sua faculdade. Eu teria necessidade dessa resposta para amanhã.” Tivemos o cuidado de não preveni-los desta espécie de concurso, de sorte que cada um se julgou o único chamado a resolver a questão. Contamos com a elevação do Espírito do Sr. Jobard para se prestar à circunstância, e não se ofender ou se impacientar com essa pergunta, que lhe devia ser dirigida quase simultaneamente em seis pontos diferentes. No dia seguinte recebemos as respostas abaixo, às quais fazemos acompanhar algumas reflexões. (20 DE OUTUBRO DE 1864 ─ MÉDIUM: SR. LEYMARIE) Mas quê, meus caros amigos, então o meu nome serve de plastrão a toda espécie de gente! Há muito tempo estou habituado a esses plagiários sem-vergonha, que me fazem, de vez em quando, mudar de cor como camaleão; tomam-me por um papalvo. Entretanto, minha vida passada, meus trabalhos e as numerosas provas de identidade dadas à Sociedade Espírita de Paris não permitem enganos quanto aos meus sentimentos. Eu era, como simples encarnado, tal qual sou no estado de Espírito livre, e minha missão junto a todos vós, amigos, é de devotamento, e sobretudo de desinteresse. O Espiritismo é uma ciência positiva. Os fatos sobre os quais ele repousa ainda não estão completos, mas tende paciência, vós que sabeis esperar, e esta ciência, que nada inventou, porque ela é uma força da Natureza, provará aos menos clarividentes que seu objetivo inteiramente moral é a regeneração da Humanidade, e que fora de todas as ciências especulativas, seu ensino é o contrário do materialismo, que procede por hipótese. Proceder com análise; estabelecer fatos para remontar às causas; proclamar o elemento espiritual, depois da constatação, tal é a sua maneira clara e sem subterfúgios. É a linha reta, aquela que deve ser o guia de todo espírita convicto. Eu separo, portanto, o joio do bom trigo e rejeito todos os interesses mesquinhos, os devotamentos pela metade, os compromissos malsãos, que são a chaga de nossa fé. Desde que vos dizeis espíritas, tenho o direito de vos perguntar o que sois, o que quereis ser. Pois bem! Se tendes fé, sois, antes de tudo, caridosos. Aos vossos olhos, todos os encarnados sofrem uma provação; como espectadores, assistis a muitos desfalecimentos, e nesse rude combate da vida, no qual os vossos irmãos buscam a luz, vosso dever, de privilegiados que vistes e sabeis, é dar generosamente o que, também generosamente, Deus vos concedeu. Médiuns, vós não deveis orgulhar-vos, porque a mão que dispensa pode afastar-se de vós. Quando, por vosso intermédio, um Espírito vem consolar, encorajar, ensinar, deveis ficar felizes e agradecer a Deus, que vos permite ser a boa fonte, onde aqueles que têm sede vêm saciar-se. Essa água, no entanto, não vos pertence. Ela é a provisão de todo mundo. Não podeis vendê-la nem cedê-la, porque seu domínio não é deste mundo. Quereríeis que vos expulsassem como vendedores do templo? Ricos ou pobres, acorrei e pedi. Cada um de vós tem seu sofrimento secreto; os andrajos de um tornar-se-ão a púrpura de outro em outra vida, e é por isto que a mediunidade não é a usura. Todos os encarnados são iguais perante ela. Olhai em torno de vós. São ricos, são pobres os que fazem profissão do dom providencial? Eles vendem a ciência dos Espíritos, e o óbolo que recolhem é a gangrena do seu espiritualismo. Eles fizeram bem em dizer espiritualismo, porque os espíritas reprovam, bem sabeis, toda venda moral. A venalidade não é o seu caso. Repelimos do nosso seio todas essas escórias vergonhosas, que fazem rir os assistentes introduzidos em sua loja. Quanto a mim, caro mestre, responderei àqueles ou àquelas que querem comerciar com o meu nome que, por mais paspalhão que eu pudesse ser, jamais o seria bastante para apor minha assinatura em títulos falsificados sacados contra o vosso devotado JOBARD (MÉDIUM: SRA. COSTEL) Venho reclamar e protestar contra o abuso que fazem de meu nome. Os pobres de espírito ─ e há muitos desses entre os Espíritos ─ têm o feio hábito de apoderar-se de nomes que lhe servem de passaporte junto a médiuns orgulhosos e crédulos. Certamente eu teria dificuldade em defender a nobreza de meu pobre nome, sinônimo de ingênuo. Contudo, espero tê-lo colocado bem alto no julgamento dos que me conheceram para temer ter-me tornado solidário com as trivialidades debitadas à minha assinatura. É, pois, apenas por temor à verdade que eu afirmo não ter adormecido nenhuma sonâmbula, nem exaltado nenhum médium. Comunico-me muito raramente, pois tenho muita coisa que aprender para servir de guia e instrutor dos outros. Em princípio, reprovo a exploração da mediunidade, pela simples razão que o médium, não gozando de sua faculdade senão de maneira intermitente e incerta, jamais pode algo prejulgar ou fundar sobre ela. Assim, as pessoas pobres erram ao abandonar sua profissão para exercerem a mediunidade no sentido lucrativo do vocábulo. Sei que muitas entre elas dissimulam sob o título de missão o abandono do lar, desertado por orgulhosas satisfações, e pela importância efêmera que lhes concede a curiosidade mundana. Espero que esses médiuns se enganem de boa-fé, mas, enfim, enganam-se. A mediunidade é um dom sagrado e íntimo, que não pode ter consultório aberto. Os médiuns muito pobres para se consagrarem ao exercício de sua faculdade devem subordiná-la ao trabalho que lhes permite viver. Com isto, o Espiritismo nada perderá, ao contrário, e a dignidade deles muito ganhará. Não quero desencorajar ninguém, nem condenar aqueles que agem de boa-vontade, mas é fundamental que nossa cara doutrina seja mantida ao abrigo de toda acusação malsã. A mulher de César não deve ser objeto de suspeita, tampouco os espíritas. Eis o que se diz, e desejo que não fique o menor equívoco quanto às palavras do vosso amigo JOBARD (MÉDIUM: SR. RUL.) Como poderiam crer que aquele que em todas as suas comunicações recomendou a caridade e o desinteresse, hoje viria contradizer-se? É uma provação para a sonâmbula, e eu a aconselho a não se deixar seduzir pelos maus Espíritos que querem, por essa pequena especulação de além-túmulo, lançar o desfavor sobre os médiuns em geral, e em particular sobre este, de que se trata. Penso que não preciso fazer de novo minha profissão de fé. Não é àquele que, encarnado e tantas vezes roubado, sempre teve como regra de conduta a direitura e a lealdade, que se podem atribuir semelhantes comunicações! Ele ficaria feliz se, à maneira do que se faz com certas mercadorias da Terra, se pudessem afixar sobre as comunicações de além-túmulo o selo que atestaria a identidade do autor. Ainda não estais suficientemente adiantados para isso, mas, na falta do selo, servi-vos de vossa razão. Ela não vos pode enganar, e eu desafio a todos os Espíritos, por mais numerosos que sejam, a me fazerem passar, aos olhos dos meus antigos colegas, por mais bobo do que sou. Adeus. JOBARD (MÉDIUM: SR. VÉZY) Por que ainda tanta tolice entre os que creem de boa-fé? E dizer que se se lhes puser ante os olhos os verdadeiros princípios da coisa, eles mudam de repente e tornam-se mais incrédulos que São Tomé! Ide dizer àquela gentil senhora que eu jamais me comuniquei com ela. Ela vos dirá que é possível, e em vossa presença fingirá concordar. Mas, no seu foro íntimo, dirá que sois insensatos. Proibir um louco de fazer loucuras, dizem que é ser ainda mais louco do que ele. Entretanto, seria preciso achar um remédio para curar tantos pobres Espíritos que se desgarram sozinhos, persuadidos que estão de ser guiados por maravilhas. Na verdade, meu caro presidente, julgais-me capaz de escrever as frivolidades que vos leram? Então seria realmente o caso de me aplicar o nome que eu tinha, por ter ousado escrever semelhantes bobagens. O Espiritismo não se ensina a tanto por lição. Que aquele que não pode levar nossas palavras a seus irmãos senão em detrimento de seu próprio salário, fique em casa e peça à sua ferramenta ou à sua agulha que continue lhe dando o pão de cada dia. Mas assimilar-se a um apresentador de espetáculos é patinar sob o domínio do explorador e do charlatão. Que aquele que é pobre e sente coragem para tornar-se apóstolo de nossa doutrina cubra-se com o manto da sua fé e sua coragem, pois a Providência virá na devida hora lhe dar o pão que lhe falta. Mas não estenda a mão a todos os esforços, porque seríamos os primeiros a lhe gritar: Retira-te daqui, mendigo, e deixa o lugar aos que podem fazer o trabalho. Sempre encontramos muitos homens de boa vontade para desempenhar a tarefa que lhes pedimos. Mulheres ou homens que deixais o tear ou os utensílios para vos fazerdes pregador ou médium e pedis um salário, só o orgulho vos guia. Quereis um pouco de glória em torno de vosso nome? O metal só tem reflexos vis e que o tempo enferruja, ao passo que a verdadeira glória tem mais brilho na abnegação. Prefiro Malfilatre, Gilbert e Moreau cantando sua agonia num leito de hospital ao poeta mendigo que vende o próprio coração para conservar algumas franjas douradas em torno de seu leito de morte. Os desinteressados serão mais bem recompensados; uma duradoura felicidade os aguarda e seus nomes serão tanto mais poderosos quanto mais lágrimas tiverem derramado e quanto mais suas frontes tiverem sido cobertas de suor e poeira. Eis tudo quanto vos posso dizer a tal respeito, caro presidente, e aproveito a ocasião que se me apresenta para vos apertar a mão e vos reiterar todos os meus votos e os meus sinceros cumprimentos. Mantende-vos sempre valente e disposto na tarefa que vos impusestes. Fazei calar os invejosos e os palradores que vos cercam por essa firmeza e essa simplicidade que vos assentam tão bem. Hoje é preciso ser positivo. Não vos deixeis arrastar à conquista da Lua quando a Terra está aos vossos pés e aí tendes com que completar o vosso trabalho. Todos os materiais sobejam em torno de vós. Provai vossa teoria pelos fatos, e que os vossos exemplos não se apoiem em teoremas algébricos, que nem todos poderiam compreender, mas sobre axiomas matemáticos. Uma criança sabe que dois e dois são quatro. Deixai correr na frente os que têm pernas muito compridas; eles quebrarão o pescoço e é inútil que os acompanheis na queda. Apressemo-nos suavemente, pois o mundo ainda é novo e os homens têm o tempo diante deles para se instruírem. O sol se põe à tarde porque a obscuridade é necessária para fazer compreender o seu brilho. Por vezes a verdade se cobre de trevas para não cegar os que a olham muito de frente. P. ─ Jamais vos comunicastes com aquela senhora? Entretanto, ela diz que vós a magnetizastes! R. ─ Pobre mulher! Ela atribui a seres inteligentes o que só a tolice pode ditar, ou então algumas palavras muito boas e muito simples a grandes oráculos. É uma doença que não se pode contrariar: ela está sediada nos nervos e se cura pela prudência e por duchas frias. JOBARD (MÉDIUM: SRA. DELANNE) Saudações fraternas a todos, meus bons amigos, que trabalhais com ardor para enxertar a Humanidade. Deveis redobrar a atenção porque neste momento uma incrível revolução se opera entre os desencarnados. Também tendes entre eles adversários que se empenham em vos suscitar entraves, mas Deus vela por sua obra. Ele colocou à vossa frente um chefe vigilante, que tem sangre-frio, perspicácia e uma vontade enérgica para vos fazer triunfar dos obstáculos que os vossos inimigos visíveis e invisíveis erguem a cada instante sob vossos passos. Assim, ele não se enganou lendo esta comunicação. Ele compreendeu muito bem que Jobard não podia falar assim, nem aprovar semelhante linguagem. Não, meus amigos, o Espiritismo não deve ser explorado por Espíritos sinceros e de boa-fé. Pregais contra os abusos desta natureza, que desacreditam a religião. Não podeis praticar aquilo que condenais, porque afastais aqueles que o vosso desinteresse poderia trazer a vós. Jamais refletistes seriamente nas funestas consequências das reuniões pagas? Compreendei bem que se Allan Kardec autorizasse semelhantes ideias por seu silêncio ou por sua aprovação tácita, em menos de dois anos o Espiritismo seria vítima de uma multidão de exploradores, e esta coisa santa e sagrada seria desacreditada pelo charlatanismo. Eis a minha opinião. Assim, repilo hoje, como sempre, toda ideia de especulação, sob qualquer pretexto, que possa entravar a doutrina em vez de ajudá-la. Dedicai-vos, no momento e antes de tudo, em reformar os homens por vosso ensino e vosso exemplo. Que vosso desinteresse e vossa moderação falem tão alto que nenhum de vossos adversários vos possa fazer censuras. Estando cada um de vós colocado em posições diferentes, cada um deve trabalhar conforme as suas forças. Deus não pede o impossível. Tende confiança nele, e deixai que cada coisa venha a seu tempo. Se ele tivesse querido que o Espiritismo marchasse ainda mais rapidamente, ele teria enviado mais cedo os grandes Espíritos que estão encarnados e que surgirão quase ao mesmo tempo em todos os pontos do globo, no seu devido tempo. Enquanto esperais, preparai os caminhos com prudência e sabedoria. Coragem, caro presidente! A cada dia as rédeas se tornam mais difíceis, mas aqui estamos para vos sustentar, e Deus vela sobre vós. JOBARD (MÉDIUM: SR. D’AMBEL) Ora! Isto vos admira! Mas há tantos bobos no mundo dos Espíritos, como entre vós, sem vos ofender, que um bobo pôde dar a outro a comunicação sonambúlica em questão. Quanto ao médium, é preciso inquietar-se além da medida? Dai tempo ao tempo, que é um grande reformador. Os que estabelecem preço para a sua mediunidade fazem como essas pessoas que dizem aos consulentes, abrindo um baralho aos seus olhos: “Eis um homem da cidade, ou um homem do campo; há uma carta a caminho, eis o ás de ouros.” Quem sabe se, nalguns, não é uma volta ao passado, um resto de hábitos antigos? Então, tanto pior para os que caem na mesma armadilha! Eles não obterão seu lucro e lamentarão um dia terem tomado o caminho errado. Tudo o que vos posso dizer é que não estando absolutamente nesse negócio, como bem o sabeis, lavo as mãos e lamento a pobre Humanidade porque ainda recorre a semelhantes expedientes. Adeus. JOBARD OBSERVAÇÕES A necessidade do desinteresse nos médiuns, atualmente, passou a ser de tal modo um princípio, que teria sido supérfluo publicar o fato acima, se ele não oferecesse, além da questão principal, um notável exemplo de coincidência e uma prova manifesta de identidade, pela similitude dos pensamentos e pelo cunho de originalidade que carregam, em geral, todas as comunicações do nosso antigo colega Jobard, a tal ponto que quando ele se manifesta espontaneamente na Sociedade, é raro que, desde as primeiras linhas, não se adivinhe o autor. Assim, não se ergueu nenhuma dúvida quanto à autenticidade das que acabamos de dar, ao passo que, na que nos haviam pedido que examinássemos, a trapaça salta aos olhos de quem conheça a linguagem e o caráter do Sr. Jobard, bem como os princípios que ele havia professado constantemente, como homem e como Espírito. Teria sido irracional admitir que subitamente ele tivesse mudado, em benefício dos interesses materiais de um indivíduo. A charlatanice era canhestra. Quanto à questão do desinteresse, seria inútil repetir tudo quanto foi dito sobre esse ponto, e que se encontra admiravelmente resumido nas respostas do Sr. Jobard. Apenas acrescentaremos uma consideração, que não é sem importância. Certos médiuns exploradores julgam salvar as aparências cobrando somente dos ricos, ou só aceitando uma contribuição voluntária. Em primeiro lugar, isto não é menos um ofício, a exploração de uma coisa santa, e um lucro tirado do que se recebe gratuitamente. Quando Jesus e os seus apóstolos ensinavam e curavam, não marcavam preço às suas palavras nem aos seus cuidados, posto não tivessem renda para viver. Por outro lado, esta maneira de operar não é garantia de sinceridade e não afasta a suspeita de charlatanismo. Sabe-se como considerar a filantropia no caso de consultas gratuitas oferecidas por certos médicos, bem como no caso de certos negociantes que vendem alguns artigos por preço muito baixo ou que os dão de graça. Em certas ocasiões a gratuidade é um meio de atrair a clientela produtiva. Há, porém, outra consideração, ainda mais forte. Como reconhecer quem pode e quem não pode pagar? A aparência por vezes é enganadora, e muitas vezes uma roupa limpa oculta necessidade maior do que o macacão de um operário. Então é preciso declinar sua pobreza, seus títulos à caridade, ou exibir um atestado de indigência? Aliás, quem diz que o médium, mesmo admitindo de sua parte a mais completa sinceridade, terá para com aquele que não paga, ou que paga menos, a mesma solicitude que tem para com aquele que paga largamente, e que não dará a cada um conforme o dinheiro? Que, se um rico e um pobre a ele se dirigirem ao mesmo tempo, ele não receberá primeiro o rico, que apenas queria satisfazer uma curiosidade vã, ao passo que o atendimento do pobre que talvez esperasse uma suprema consolação será adiado? Involuntariamente, sua consciência estará sujeita à tentação da preferência. Ele será levado a olhar melhor para o que paga, mesmo que este lhe atirasse com desdém uma moeda de ouro como a um mercenário, ao passo que olhará no mínimo com indiferença as parcas moedas que lhe apresentará timidamente o pobre envergonhado. São tais sentimentos compatíveis com o Espiritismo? Não é manter entre o rico e o pobre essa demarcação humilhante que já fez tanto mal, e que o Espiritismo deve fazer desaparecer, provando a igualdade do rico e do pobre perante Deus, que não mede os raios de seu Sol pela fortuna, e que não pode a ela subordinar mais as consolações do coração que ele dá aos homens pelos bons Espíritos, seus mensageiros? Sinceramente, se houvesse uma escolha a fazer, preferiríamos ainda o médium que cobrasse sempre, porque ao menos não há hipocrisia; sabe-se imediatamente como considerá-lo. Além do mais, a multiplicidade sempre crescente dos médiuns em todas as camadas sociais e no seio da maioria das famílias, tira à mediunidade remunerada toda utilidade e toda razão de ser. Essa multiplicidade dará fim à exploração, quando mais não fosse pelo sentimento de repulsa que a ela se liga. Assinalam-nos o encerramento das atividades, numa cidade provinciana, de um grupo antigo e numeroso, organizado com propósitos interesseiros. O chefe desse grupo, assim como sua família, tinha abandonado seu ofício sob o especioso pretexto de devotamento à causa, à qual queria consagrar todo o seu tempo. Ela a havia substituído pelos recursos que esperava tirar do Espiritismo. Infelizmente, a exploração da mediunidade está de tal modo desacreditada no interior que, na maior parte das cidades, quem a transformasse em profissão, ainda que tivesse as mais transcendentes faculdades, nenhuma confiança inspiraria. Ele aí seria muito mal visto e todos os grupos sérios lhe fechariam as portas. A especulação não correspondeu à expectativa, e o chefe desse grupo ter-se-ia lamentado junto aos seus frequentadores, ao que se diz, por seu estado precário, e teria pedido ajuda, ao que ter-lhe-iam respondido que se estava em dificuldades a culpa era sua; que ele tinha errado em fechar a sua oficina para viver do Espiritismo e cobrar pelas instruções que os Espíritos lhe davam de graça. A isto ele respondeu culpando os Espíritos. Em nove médiuns presentes aos quais a questão foi apresentada, oito receberam comunicações censurando sua maneira de agir; só um o aprovou: era a sua esposa. Submetendo-se de boa vontade ao conselho dos Espíritos, o chefe do grupo anunciou que a partir daquele momento seu grupo estaria fechado. Sem dúvida teria sido mais sábio escutar mais cedo os conselhos que há muito tempo lhe eram dados por amigos sinceros do Espiritismo. Um outro grupo, em condições mais ou menos idênticas, se viu aos poucos abandonado por seus frequentadores e finalmente forçado a se dissolver. Assim, eis dois grupos que sucumbem sob a pressão da opinião. Escrevem-nos que o texto da Imitação do Evangelho em seus itens 392 e seguintes sem dúvida não é estranho a esse resultado. Aliás, é impossível que um espírita sincero, compreendendo a essência e os verdadeiros interesses da doutrina, se torne defensor e suporte de um abuso que inevitavelmente tenderia a desacreditá-la. Nós os convidamos a desconfiarem das armadilhas que os inimigos do Espiritismo lhes tentassem armar sob tal propósito. Sabe-se que em falta de boas razões para combatê-lo, uma de suas táticas é buscar arruiná-lo por si mesmo. Assim, vê-se com que ardor espiam as ocasiões de pilhá-lo em falta ou em contradição consigo mesmo. É por isto que os Espíritos nos dizem, sem cessar, que vigiemos e nos mantenhamos em guarda. Quanto a nós, não ignoramos que nossa persistência em combater o abuso de que falamos não transformou em nossos amigos aqueles que viram no Espiritismo um objeto de exploração, nem aqueles que os sustentam. Mas, que nos importa a oposição de alguns indivíduos?! Defendemos um princípio verdadeiro, e nenhuma consideração pessoal nos fará recuar ante o cumprimento de um dever. Nossos esforços tenderão sempre a preservar o Espiritismo da invasão da venalidade. O momento presente é o mais difícil, mas à medida que a doutrina for melhor compreendida, essa invasão será menos temível. A opinião das massas opor-lhe-á uma barreira intransponível. O princípio do desinteresse, que satisfaz ao mesmo tempo o coração e a razão, terá sempre as mais numerosas simpatias e o levará à vitória, pela força as coisas, sobre o princípio da especulação. Aqui o Espírito de Jobard faz um trocadilho. Jobard, em francês, é um substantivo e adjetivo que significa papalvo, estúpido, paspalhão, bobo. N. do T.
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Exemple remarquable de concordance. Une somnambule médium, qui prétend être endormie par l'Esprit de M. Jobard, en avait disait-elle reçu une communication à l'adresse d'un autre médium, auquel il conseillait de faire payer ses consultations par les riches, et de les donner gratuitement aux pauvres et aux ouvriers. L'Esprit lui traçait l'emploi de sa journée, sans épargner les éloges sur ses éminentes facultés et sa haute mission. Une personne ayant conçu des doutes sur l'authenticité de cette communication, et sachant que l'Esprit de M. Jobard se manifeste fréquemment à la société, nous pria de la faire contrôler. Pour plus de sûreté, nous adressâmes immédiatement à six médiums ces simples mots: « Veuillez demander à l'Esprit de M. Jobard s'il a dicté à Mad. X…, en somnambulisme magnétique, une communication pour un autre médium qu'il engage à exploiter sa faculté. J'aurais besoin de cette réponse pour demain. » Nous eûmes soin de ne point les prévenir de cette espèce de concours, de sorte que chacun se crut seul appelé à résoudre la question. Nous comptions sur l'élévation de l'Esprit de M. Jobard pour se prêter à la circonstance, et ne pas se formaliser ou s'impatienter de cette demande qui devait lui être adressée presque simultanément sur six points différents. Le lendemain nous reçûmes les réponses ci-après, que nous ferons suivre de quelques réflexions. (20 octobre 1864. - Médium, M. Leymarie.) Eh quoi! chers amis, mon nom sert donc de plastron à toutes sortes de gens! Depuis longtemps je suis habitué à ces plagiaires sans vergogne qui me font tour à tour adopter, comme un caméléon, toutes les couleurs; on me prend pour un jobard. Pourtant ma vie passée, mes travaux et les nombreuses preuves d'identité données à la société Spirite de Paris, ne peuvent faire se méprendre sur mes sentiments. Tel j'étais simple incarné, tel je suis à l'état d'Esprit libre, et ma mission auprès de vous tous, mes amis, est celle du dévouement, et surtout du désintéressement. Le Spiritisme est une science positive; les faits sur lesquels il repose ne sont pas encore complétés; mais patientez encore, vous qui savez attendre, et cette science, qui n'a rien inventé puisqu'elle est une force de la nature, prouvera aux moins clairvoyants que son but tout moral est la régénération de l'humanité, et qu'en dehors de toutes sciences spéculatives, son enseignement est le contraire du matérialisme, qui procède par hypothèse. Procéder avec analyse, établir des faits pour remonter aux causes, proclamer l'élément spirituel, après constatation, telle est sa manière nette et sans ambages; c'est la ligne droite, celle qui doit être le guide de tout Spirite convaincu. Je rejette donc l'ivraie du bon grain, tous les intérêts mesquins, les demi-dévouements, les compromis malsains qui sont la plaie de notre foi. Du jour où vous vous dites Spirites, j'ai le droit de vous demander ce que vous êtes, ce que vous voulez être. Eh bien! si vous avez la foi, vous êtes charitables avant tout; tous les incarnés à vos yeux subissent une épreuve; vous assistez en spectateurs à bien des défaillances, et dans ce rude combat de la vie où vos frères cherchent la lumière, votre devoir, à vous privilégiés qui avez vu et savez, est de donner généreusement ce que Dieu vous a distribué généreusement aussi. Médium, vous ne devez pas vous en enorgueillir, car la main qui dispense peut se retirer de vous; lorsque, par votre intermédiaire, un Esprit vient consoler, encourager, enseigner, vous devez être heureux et remercier Dieu qui vous permet d'être la bonne fontaine où ceux qui ont soif viennent se désaltérer. Mais cette eau ne vous appartient pas, c'est la provision de tout le monde, vous ne pouvez la vendre, ni la céder, car ce domaine n'est pas de ce monde. Voudriez-vous qu'on vous chassât comme les vendeurs du temple? Riches ou pauvres, accourez et demandez: chacun de vous a sa souffrance secrète; la guenille de l'un deviendra dans une autre vie la pourpre de l'autre, et c'est pour cela que la médianimité n'est pas l'usure: tous les incarnés sont égaux devant elle. Regardez autour de vous: sont-ils riches, sont-ils pauvres, ceux qui font métier du don providentiel? Ils vendent la science des Esprits, et l'obole qu'ils recueillent est la gangrène de leur spiritualisme. Ils ont bien fait de dire spiritualisme, car les Spirites réprouvent, sachez-le, toute vente morale; la vénalité n'est pas leur fait. Nous rejetons de notre sein toutes ces scories honteuses qui font rire les assistants introduits dans leur boutique. Quant à moi, cher maître, répondez à ceux ou à celles qui veulent commercer avec mon nom que tout jobard que je puisse être, je ne le serai jamais assez pour apposer ma signature sur des traites falsifiées, tirées sur votre dévoué JOBARD. (Médium, madame Costel.) Je viens réclamer et protester contre l'abus qu'on fait de mon nom. Les pauvres d'esprit, - et il s'en trouve beaucoup parmi les Esprits, - ont la fâcheuse habitude de s'affubler de noms qui leur servent de passe-port auprès des médiums orgueilleux et crédules. Assurément, j'aurais mauvaise grâce à défendre la noblesse de mon pauvre nom, synonyme de niais; cependant j'espère l'avoir placé assez haut dans le jugement de ceux qui m'ont connu pour craindre d'être rendu solidaire des pauvretés débitées sous ma signature. C'est donc seulement par amour de la vérité que je proteste n'avoir endormi aucune somnambule, ni exalté aucun médium. Je me communique fort rarement, ayant moi-même trop de choses à apprendre pour servir de guide instructeur aux autres. Je réprouve en principe l'exploitation de la médianimité, par cette raison fort simple que le médium, ne jouissant de sa faculté que d'une façon intermittente et incertaine, ne peut jamais rien préjuger ni rien fonder sur elle. Donc, les personnes pauvres ont tort d'abandonner leur profession pour exercer la médianimité dans le sens lucratif du mot. Je sais que beaucoup d'entre elles abritent sous le titre de mission l'abandon de leur foyer, déserté pour d'orgueilleuses satisfactions, et l'importance éphémère que leur accorde la curiosité mondaine. Ces médiums se trompent de bonne foi, je l'espère, mais enfin ils se trompent; la médianimité est un don sacré et intime dont il ne peut être tenu bureau ouvert. Les médiums trop pauvres pour se consacrer à l'exercice de leur faculté doivent la subordonner au travail qui les fait vivre; le Spiritisme n'y perdra rien, au contraire, et leur dignité y gagnera beaucoup. Je ne veux décourager personne, ni rebuter aucune bonne volonté: mais il importe que notre chère doctrine soit à l'abri de toute accusation malsaine; la femme de César ne doit pas être soupçonnée, ni les Spirites non plus. Voilà qui est dit, et je souhaite qu'il ne reste pas la moindre équivoque sur les paroles de votre vieil ami JOBARD. (Médium, M. Rul.) Comment pourrait-on croire que celui qui, dans toutes ses communications, a recommandé la charité et le désintéressement, viendrait aujourd'hui se contredire? C'est une épreuve pour la somnambule, et je l'engage à ne pas se laisser séduire par les mauvais Esprits qui veulent, par cette petite spéculation d'outre-tombe, jeter de la défaveur sur les médiums en général, et sur le médium dont il est question en particulier. Je n'ai pas besoin, je pense, de faire de nouveau ma profession de foi. Ce n'est pas à celui qui, incarné, si souvent volé, a toujours eu pour règle de conduite la droiture et la loyauté, que l'on peut attribuer de pareilles communications! Il serait heureux qu'à l'instar de ce qui se fait pour certaines marchandises de la terre, on pût apposer sur les communications d'outre-tombe l'estampille qui constaterait l'identité de l'auteur. Vous n'êtes pas encore assez avancés, mais à défaut d'estampille, servez-vous de votre raison, elle ne peut pas vous tromper, et je défie tous les Esprits, quelque nombreux qu'ils soient, de me faire passer aux yeux de mes anciens confrères pour plus jobard que je ne le suis. Adieu. JOBARD. (Médium, M. Vézy.) Pourquoi tant de sottises encore chez ceux qui croient de bonne foi? Et dire que si on leur met devant les yeux les vrais principes de la chose, ils changent d'un coup et deviennent plus incrédules que saint Thomas! Allez dire à cette chère dame que je ne me suis jamais communiqué à elle. Elle vous dira: c'est possible, et devant vous semblera partager votre jugement; mais, dans son for intérieur, elle se dira que vous êtes des insensés. Défendre à un fou de faire des folies, c'est être plus fou que lui, dit-on. Pourtant, il faudrait bien trouver un remède pour guérir tant de pauvres Esprits qui s'égarent tout seuls, persuadés qu'ils sont d'être guidés par des merveilles. Vraiment, mon cher président, me croyez-vous capable d'écrire les billevesées qui vous ont été lues? Ce serait alors vraiment le cas de m'appliquer le nom que je portais pour avoir osé écrire semblables jobardises. Le Spiritisme ne s'enseigne point à tant la leçon ou le cachet. Que celui qui ne peut aller porter nos paroles à ses frères qu'au détriment de son propre salaire, reste à son foyer et demande à son outil ou à son aiguille de lui continuer son pain quotidien; mais s'assimiler à un donneur de représentations, c'est empiéter sur le domaine de l'exploitant ou du charlatan. Que celui qui est pauvre et qui se sent le courage de devenir l'apôtre de notre doctrine se drape dans sa foi et dans son courage, la Providence viendra à son heure lui donner le pain qui lui manque; mais qu'il ne tende point la main pour tous ses efforts, car nous serions les premiers à lui crier: Retire-toi d'ici, mendiant, et laisse la place à ceux qui en peuvent faire l'office. Nous rencontrons toujours assez d'hommes de bonne volonté pour remplir la tâche que nous leur demandons. Femmes ou hommes qui quittez le rouet ou l'outil pour vous faire prêcheur ou médium, et demandez un salaire, ce n'est que l'orgueil qui vous guide. Vous voulez un peu de gloire autour de votre nom: le métal n'a que de vilains reflets que rouille le temps, tandis que la vraie gloire a plus d'éclat dans l'abnégation. J'aime mieux Malfilatre, Gilbert et Moreau, chantant leur agonie sur un lit d'hôpital que le poète mendiant l'obole en livrant son cœur pour conserver quelques lambris dorés autour de son lit de mort. Les désintéressés seront les mieux récompensés; un bonheur durable les attend, et leurs noms seront d'autant plus puissants qu'ils auront répandu plus de larmes, et que leurs fronts se seront couverts de plus de sueur et de poussière. Voilà tout ce que je peux vous dire à ce sujet, cher président, et je profite de la bonne occasion qui se présente à moi pour vous serrer la main et vous réitérer tous mes bons souhaits et mes sincères compliments. Restez toujours vaillant et robuste dans la tâche que vous vous êtes imposée. Faites taire les jaloux et les bavards qui vous environnent par cette fermeté et cette simplicité qui vous sied si bien. Il faut être positif aujourd'hui; ne vous laissez pas entraîner à la recherche de la lune quand la terre est à vos pieds, et que vous avez là de quoi compléter votre travail. Tous les matériaux abondent autour de vous. Prouvez vos théories par des faits, et que vos exemples ne s'appuient point sur des théorèmes algébriques que tout le monde ne pourrait comprendre, mais sur des axiomes mathématiques. Un enfant sait que deux et deux font quatre. Laissez courir devant ceux qui ont de trop grandes jambes; ils se casseront le cou, et il est inutile que vous les suiviez dans leur chute. Hâtons-nous doucement; le monde est jeune encore, et les hommes ont le temps devant eux pour s'instruire. Le soleil se cache la nuit parce qu'il faut l'obscurité pour faire comprendre son éclat; la vérité se couvre quelquefois de ténèbres pour ne point aveugler ceux qui la regardent trop en face. Dem. Vous ne vous êtes alors jamais communiqué à cette dame; elle se dit pourtant magnétisée par vous? Rép. Pauvre femme! elle attribue à des êtres intelligents ce que la sottise seule peut dicter, ou bien quelques paroles toutes bonnes et toutes simples à de grands oracles. C'est une maladie qu'il ne faut pas contrarier; elle a son siège dans les nerfs, et se guérit par la prudence et les douches froides. JOBARD. (Médium, madame Delanne.) Salut fraternel à vous tous, mes bons amis, qui travaillez avec ardeur à greffer l'humanité. Il faut que vous redoubliez d'attention, car, en ce moment, une incroyable révolution s'opère parmi les désincarnés. Vous avez aussi parmi eux des adversaires qui s'attachent à vous susciter des entraves, mais Dieu veille sur son œuvre. Il a placé à votre tête un chef vigilant qui possède le sang-froid, la perspicacité et une volonté énergique pour vous faire triompher des obstacles que vos ennemis visibles et invisibles dressent à chaque instant sous vos pas. Aussi il ne s'est point trompé en lisant cette communication; il a bien compris que Jobard ne pouvait parler ainsi ni approuver un pareil langage. Non, mes amis, le Spiritisme ne doit point être exploité par des Spirites sincères et de bonne foi. Vous prêchez contre les abus de cette nature qui discréditent la religion, vous ne pouvez pratiquer ce que vous condamnez, car vous éloigneriez ceux que votre désintéressement pourrait amener à vous. Avez-vous jamais réfléchi sérieusement aux conséquences funestes des réunions payantes? Comprenez bien que si Allan Kardec autorisait de pareilles idées par son silence ou son approbation tacite, avant deux ans le Spiritisme serait la proie d'une foule d'exploiteurs, et que cette chose sainte et sacrée serait discréditée par le charlatanisme. Voilà mon opinion. Je repousse donc aujourd'hui, comme toujours, toute idée de spéculation, quel qu'en soit le prétexte, qui entraverait la doctrine au lieu de l'aider. Attachez-vous, pour l'instant et avant tout, à réformer les hommes par vos enseignements et votre exemple. Que votre désintéressement et votre modération parlent si haut qu'aucun de vos adversaires ne puisse vous faire de reproches. Chacun de vous étant placé dans des positions différentes, vous devez travailler chacun selon vos forces; Dieu ne demande pas l'impossible. Ayez confiance en lui, et laissez chaque chose venir en son temps. S'il avait voulu que le Spiritisme marchât encore plus rapidement, il aurait envoyé plus tôt les grands Esprits qui sont incarnés et qui surgiront presque en même temps sur tous les points du globe lorsqu'il en sera temps; en attendant, préparez les voies avec prudence et sagesse. Courage, cher président, chaque jour les rênes deviennent plus difficiles; mais nous sommes là pour vous soutenir, et Dieu veille sur vous. JOBARD. (Médium, M d'Ambel.) Eh bien! cela vous étonne! Mais il y a tant de jobards dans le monde des Esprits, comme parmi vous, sans vous offenser, qu'un jobard a pu donner à un autre la communication somnambulique en question. Quant au médium, est-il besoin de s'en inquiéter outre-mesure? Laissez faire le temps; c'est un grand réformateur. Ceux qui mettent à prix leur médiumnité font comme ces personnes qui disent aux interrogateurs, en étalant un jeu de cartes sous leurs yeux: « Voilà un homme de ville ou un homme de campagne; - il y a une lettre en route, voilà l'as de carreau. » Qui sait si, chez quelques-uns, ce n'est pas un retour vers le passé, un reste d'anciennes habitudes? Eh bien, tant pis pour ceux qui tombent dans la même ornière! Ils n'en tireront pas leurs frais, et regretteront un jour d'avoir pris le chemin de traverse. Tout ce que je puis vous dire, c'est que n'étant pour rien dans ce petit commerce, vous le savez bien, je m'en lave les mains, et plains la pauvre humanimalité d'avoir encore recours à de pareils expédients. Adieu. JOBARD. Observations. La nécessité du désintéressement chez les médiums est aujourd'hui tellement passée en principe, qu'il eût été superflu de publier le fait ci- dessus, s'il n'eût offert, en dehors de la question principale, un remarquable exemple de coïncidence et une preuve manifeste d'identité, par la similitude des pensées et le cachet d'originalité que portent en général toutes les communications de notre ancien collègue Jobard. C'est à tel point que lorsqu'il se manifeste spontanément à la Société, il est rare que, dès les premières lignes, on ne devine pas l'auteur. Aussi ne s'est-il élevé aucun doute sur l'authenticité de celles que nous venons de rapporter, tandis que, dans celle qu'on nous avait prié de faire contrôler, la supercherie sautait aux yeux de quiconque connaît le langage et le caractère de M. Jobard, ainsi que les principes qu'il avait constamment professés comme homme et comme Esprit; il eût été irrationnel d'admettre qu'il en eût subitement changé au profit des intérêts matériels d'un individu. La supercherie était maladroite. Quant à la question du désintéressement, il serait inutile de répéter tout ce qui a été dit sur ce point, et qui se trouve admirablement résumé dans les réponses de M. Jobard. Nous y ajouterons seulement une considération qui n'est pas sans importance. Certains médiums exploiteurs croient sauver les apparences en ne faisant payer que les riches, ou en n'acceptant qu'une rétribution volontaire. En premier lieu, ce n'en est pas moins un métier, l'exploitation d'une chose sainte, et un lucre tiré de ce que l'on reçoit gratuitement. Lorsque Jésus et ses apures enseignaient et guérissaient, ils ne mettaient de prix ni à leurs paroles ni à leurs soins, et cependant ils n'avaient pas de rentes pour vivre. D'un autre côté, cette manière d'opérer n'est pas une garantie de sincérité, et ne met pas à l'abri de la suspicion de charlatanisme. On sait à quoi s'en tenir sur la philanthropie des consultations gratuites de certains médecins, et ce que rapportent à certains marchands les articles qu'ils donnent à perte et quelquefois pour rien. La gratuité, en certaines occasions, est un moyen d'attirer la clientèle productive. Mais il est une autre considération plus puissante encore. A quel signe reconnaître celui qui peut ou non paver? La mise est parfois trompeuse, et souvent un vêtement propre cache une gêne plus grande que la blouse de l'ouvrier. Faut-il donc décliner sa pauvreté, ses titres à la charité, ou produire un certificat d'indulgence? Qui dit d'ailleurs que le médium, tout en admettant de sa part la plus entière sincérité, aura la même sollicitude pour celui qui ne paye pas ou qui paye moins, que pour celui qui paye largement, et qu'il n'en donnera pas à chacun pour son argent? Que, si un riche et un pauvre s'adressent à lui en même temps, il ne fera pas passer le riche le premier, celui-ci n'eût-il en vue que de satisfaire une vaine curiosité, tandis que le pauvre, qui attend peut-être une suprême consolation, sera ajourné? Involontairement sa conscience sera aux prises avec la tentation de la préférence; il sera porté à voir d'un œil meilleur celui qui paye, alors même qu'il lui jettera avec dédain une pièce d'or comme à un mercenaire, tandis qu'il regardera tout au moins avec indifférence les quelques sous que lui tendra timidement le pauvre honteux. Sont-ce là des sentiments compatibles avec le Spiritisme? N'est-ce pas entretenir entre le riche et le pauvre cette démarcation humiliante qui a déjà fait tant de mal, et que le Spiritisme doit faire disparaître en prouvant l'égalité du riche et du pauvre devant Dieu qui ne mesure pas les rayons de son soleil à la fortune, et qui ne peut y subordonner davantage les consolations du cœur qu'il fait donner aux hommes par les bons Esprits ses messagers. A tout prendre, s'il y avait un choix à faire, nous préfèrerions encore le médium qui se ferait toujours payer, parce qu'au moins il n'y a pas d'hypocrisie; on sait tout de suite à quoi s'en tenir sur son compte. Au surplus, la multiplicité toujours croissante des médiums dans tous les rangs de la société et dans le sein de la plupart des familles, ôte à la médiumnité rétribuée toute utilité et toute raison d'être. Cette multiplicité tuera l'exploitation, alors même qu'elle ne le serait pas par le sentiment de répulsion qui s'y rattache. On nous signale la fermeture, dans une ville de province, d'un groupe ancien et nombreux, organisé dans des vues intéressées. Le chef de ce groupe avait, ainsi que sa famille, abandonné son état sous le spécieux prétexte de dévouement à la cause, à laquelle il voulait consacrer tout son temps; il y avait substitué les ressources qu'il espérait retirer du Spiritisme. Malheureusement, l'exploitation de la médiumnité est tellement discréditée en province que, dans la plupart des villes, celui qui en ferait métier, eût-il les facultés les plus transcendantes, n'inspirerait aucune confiance; il y serait très mal vu, et tous les groupes sérieux lui seraient fermés. La spéculation ne répondit pas à l'attente, et le chef de ce groupe se serait plaint à ses habitués, dit-on, de son état de gêne, et aurait réclamé des secours; à quoi il lui fut répondu que s'il était gêné c'était sa faute; qu'il avait eu le tort de fermer ses ateliers pour vivre du Spiritisme, et faire payer les instructions que les Esprits lui donnaient pour rien. Sur ce, il déclara s'en référer aux Esprits. Sur neuf médiums présents à qui la question fut posée, huit reçurent des communications blâmant sa manière d'agir, une seule l'approuva: c'était celle de sa femme. Le chef du groupe, se soumettant de bonne grâce à l'avis des Esprits, annonça qu'à partir de ce moment son groupe serait fermé. Il eût sans doute été plus sage à lui d'écouter plus tôt les conseils qui, depuis longtemps, lui étaient donnés par des amis sincères du Spiritisme. Un autre groupe, dans des conditions à peu près identiques, se vit successivement déserté par ses habitués, et finalement contraint de se dissoudre. Ainsi voilà deux groupes qui succombent sous la pression de l'opinion. On nous écrit que le paragraphe de l'Imitation de l'Evangile, nos 392 et suiv., n'est sans doute pas étranger à ce résultat. Il est du reste impossible que tout Spirite sincère, comprenant l'essence et les vrais intérêts de la doctrine, se fasse le défenseur et le soutien d'un abus qui tendrait inévitablement à la discréditer. Nous les invitons à se défier des pièges que les ennemis du Spiritisme essayeraient de leur tendre sous ce rapport. On sait qu'à défaut de bonnes raisons pour le combattre, une de leurs tactiques est de chercher à le ruiner par lui-même; aussi voit-on avec quelle ardeur ils épient les occasions de le trouver en faute ou en contradiction avec lui-même; c'est pourquoi les Esprits nous disent sans cesse de veiller et de nous tenir sur nos gardes. Quant à nous, nous n'ignorons pas que notre persistance à combattre l'abus dont nous parlons ne nous a pas fait des amis de ceux qui ont vu dans le Spiritisme une matière exploitable, ni de ceux qui les soutiennent; mais que nous importe l'opposition de quelques individus! Nous défendons un principe vrai, et aucune considération personnelle ne nous fera reculer devant l'accomplissement d'un devoir. Nos efforts tendront toujours à préserver le Spiritisme de l'envahissement de la vénalité; le moment présent est le plus difficile, mais à mesure que la doctrine sera mieux comprise, cet envahissement sera moins à craindre; l'opinion des masses lui opposera une barrière infranchissable. Le principe du désintéressement, qui satisfait à la fois le cœur et la raison, aura toujours les plus nombreuses sympathies, et l'emportera, par la force des choses, sur le principe de la spéculation. ______________
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