CONSELHOS ÀS MÃES DE FAMÍLIA[1]
O opúsculo é produto de instruções mediúnicas, formando um conjunto completo, ditadas à Sra. Collignon, de Bordeaux, pelo Espírito que se assina Étienne, e que é desconhecido da médium. Essas instruções, inicialmente publicadas em artigos avulsos pelo jornal le Sauveur, foram reunidos em brochura.
Temos a satisfação de aprovar esse trabalho sem reservas, tão recomendável pela forma quanto pelo fundo. O estilo é simples, claro, conciso, sem ênfase nem palavras vazias para encher espaço, pensamentos profundos e de uma lógica irreprochável. É bem a linguagem de um Espírito elevado, e não esse estilo verboso de Espíritos que julgam compensar o vazio das ideias pela abundância das palavras.
Não tememos fazer estes elogios porque sabemos que a Sra. Collignon não os tomará para si, e que seu amor-próprio não será superexcitado, assim como não se melindraria com a mais severa crítica.
Nesse escrito, a educação é encarada sob seu verdadeiro ponto de vista em relação ao desenvolvimento físico, moral e intelectual da criança, considerado desde o berço até o seu estabelecimento no mundo. As mães espíritas, melhor do que todas as outras, apreciarão a sabedoria dos conselhos que ela encerra, pelo que lhes recomendamos como uma obra digna de toda a sua atenção.
A brochura é completada por um pequeno poema intitulado O corpo e o Espírito, também mediúnico, que mais de um autor de renome poderia assinar sem receio.
Eis o começo do poema:
Morfeu tinha mergulhado meus sentidos no sono;
Meu Espírito, liberto desse pesado aparelho,
Quis emancipar-se e vogar no espaço,
Abandonando seu corpo, como o soldado o seu posto.
Como um prisioneiro que geme nas algemas,
Enfim livre, quis elevar-se no espaço.
Era uma lembrança, um capricho, um mistério,
Que me levava o Espírito a deixar a Terra?
Eu não saberia dizê-lo, e ele, de regresso,
Responde à pergunta com evasivas.
Logo compreendi a razão de sua astúcia
E me zanguei, pois não gosto que me enganem.
“─ Ao menos me direis, Espírito caprichoso,
“O que vistes nesse passeio pelos céus?
“ ─ Para te agradar, algo devo dizer-te;
“Do contrário, o carcereiro, com seu triste humor,
“Faria ao preso um grosseiro sermão
“E o pobre cativo ficaria pior...
“Sabe, pois... ─ Esperai. É mesmo a história
“Que me ides contar? ─ Ó sim, tu podes crer.
“Sabe, pois, que outrora, no mundo dos Espíritos,
“Eu deixei os parentes e numerosos amigos:
“Eu queria revê-los, pois o exílio na Terra
“Não foi feito, acreditai, apenas para agradar!
“Aproveitando o sono que te prendia no leito,
“Lá deixei o corpo e logo, só em Espírito,
“Transpus os degraus que separam os mundos,
“Fazendo o seu percurso em quase dois segundos.
“Devia ser ligeiro, pois o menor atraso
“Podia fazer-te mal. Ora, se por acaso
“Me tivesse esquecido nesse grande percurso,
“De volta, veja bem, isto é coisa certa,
“Encontraria um cadáver no lugar de um corpo.
“E eu quis evitar semelhante remorso.
“Eu sabia que ficando cometeria um crime,
“Pois só Deus pode romper a nossa ligação.
“─ Obrigado pela lembrança, caro Espírito zeloso;
“Se não é menos certo que eu teria morrido
“Se a menor demora... Ah! palavra de corpo honesto,
“Até sinto que os cabelos se arrepiam!”
[1] Brochura in-8º; preço 50 cêntimos; pelo correio 60 cêntimos. Paris: Ledoyen, Palais Royal, Galerie d’Orléans, 31. ─ Bordeaux: Ferret, livreiros, Fossés-de-l'Intendance, 15, e no escritório do jornal Le Sauveur, caminho d’Aquitaine, 57.