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Revista Espírita 1863 » Novembro » Exemplos da ação moralizadora do Espiritismo Revue Spirite 1863 » Novembre » Exemples de l'action moralisatrice du Spiritisme

Para as cartas que seguem chamamos a atenção dos que pretendem que, sem o medo das penas eternas, a Humanidade não teria mais freio, e que a negação do inferno eternamente pessoal abre caminho a todas as desordens e a todas as imoralidades:

 

“Montreuil, 23 de agosto de 1863.

“Em março último eu ainda era o que se pode dizer, com toda a força do termo, incrustado de ateísmo e de materialismo. Não poupava o chefe do grupo espírita de nossa pequena cidade, meu parente, de pilhérias e sarcasmos; até lhe aconselhava o hospício! Mas ele opunha às minhas troças uma paciência estoica.

“Ao mesmo tempo, durante a quaresma, um pregador falou do púlpito contra o Espiritismo. A circunstância excitou-me a curiosidade, pois não percebia muito bem o que a igreja poderia ter que ver com o Espiritismo. Então li o livrinho O que é o Espiritismo? prometendo a mim mesmo não ceder tão facilmente quanto o haviam feito certos materialistas convertidos, e armei-me com todas as peças, persuadido de que nada poderia destruir a força de meus argumentos, não duvidando absolutamente de uma vitória completa.

“Mas, ó prodígio! Ainda não havia chegado à página cinquenta e já havia reconhecido a inanidade de minha pobre bateria argumentativa. Durante alguns minutos fiquei como que iluminado; uma súbita revolução operou-se em mim e eis o que eu escrevia a meu irmão a 18 de junho:

 

“Sim, como dizes, minha conversão foi providencial; é a Deus que devo este sinal de grande benevolência. Sim, creio em Deus, em minha alma, em sua imortalidade após a morte. Antes disso tinha como filosofia uma certa firmeza de espírito, pela qual me punha acima das tribulações e dos acidentes da vida, mas me dobrei ante as numerosas torturas morais que me haviam infringido os pretensos amigos. A amargura de tais lembranças me haviam envenenado o coração. Eu ruminava mil projetos de vingança, e se não tivesse temido para mim e para os meus a maldição pública, talvez tivesse dado aos meus projetos uma funesta execução. Mas Deus me salvou. O Espiritismo levou-me prontamente a crer nas verdades fundamentais da religião, das quais a Igreja me havia afastado pelo horrível quadro das chamas eternas e por me querer impor, como artigos de fé, dogmas que estão em manifesta contradição com os atributos infinitos de Deus. Lembro-me ainda do pavor experimentado em 1814, aos sete anos de idade, quando da leitura desta bela passagem dos Pensées chrétiennes: “E quando um danado tiver sofrido tantos anos quantos são os átomos no ar, as folhas das florestas e os grãos de areia às bordas do mar, tudo isto será contado como nada!!!” E foi a Igreja que ousou proferir semelhante blasfêmia! Que Deus lha perdoe!”

“Continuo minha carta, caro Eugênio, deixando à Igreja a propriedade do império infernal sobre a qual nada tenho a reivindicar.

“A ideia que tinha feito de minha alma foi substituída pela dada pelos Espíritos. A pluralidade dos mundos, como a pluralidade das existências, não mais constituindo dúvidas para mim, causam-me agora uma indefinível satisfação moral. A perspectiva de um nada frio e lúgubre outrora me gelava o sangue nas veias; hoje me vejo, por antecipação, habitando um desses mundos mais adiantados moralmente, intelectualmente e fisicamente que o nosso planeta, esperando atingir o estado de puro Espírito.

“Para gozar dos benefícios de Deus e deles tornar-me inteiramente digno, perdoei com solicitude aos meus inimigos, àqueles que me fizeram sofrer duras torturas morais, a todos, enfim, que me ofenderam, e abjurei qualquer pensamento de vingança. Todos os dias agradeço a Deus a alta benevolência que me testemunhou, fazendo-me rapidamente sair do mau caminho onde me haviam lançado o ateísmo e o materialismo, e lhe peço conceda o mesmo favor a todos os que, como eu, dele duvidaram e o negaram. Também lhe peço fazer que minha mulher, meus filhos, o próximo, os parentes, os amigos e os inimigos, possam gozar das doçuras do Espiritismo. Enfim, peço por todos, por todas as almas sofredoras, para que Deus lhes deixe entrever que a sua bondade infinita não lhes fechou a porta do arrependimento. Também peço a Deus o perdão de minhas faltas e a graça de praticar a caridade em toda a sua extensão.

“Assim, agora me encontro num estado de perfeita calma e tranquilidade quanto ao futuro. A ideia da morte não mais me apavora, porque tenho a convicção inabalável que minha alma sobreviverá ao meu corpo, e tenho inteira fé na vida futura. Contudo, um só pensamento me faz mal, o de abandonar na Terra seres que me são caros, com o receio de vê-los infelizes.

“Ah! Esse medo que comporta sua dor é muito natural, em face do egoísmo de que a maioria de nosso pobre mundo está impregnada. Mas Deus me compreende. Ele sabe que toda a minha confiança está depositada apenas nele. Já experimentei a felicidade de rever nossa cara Laura, em dezembro último, alguns dias após a sua morte. Certamente é um efeito antecipado de sua bondade para comigo”.

 

“Depois da data desta carta, meu caro senhor, meu bem-estar aumentou. Outrora a menor contrariedade me irritava. Hoje minha paciência é realmente notável, e sucedeu à violência e à impulsividade. A vitória que ela conquistou nestes dias, em prova bastante rude, vem em apoio à minha asserção. Certamente não teria sido assim em março último. É precisamente em tais circunstâncias que a Doutrina Espírita exerce sua suave influência. Os que a criticam dizem que ela está cheia de seduções, e eu não creio atenuar esse belo elogio achando-a cheia de volúpias.

“Minha volta à religião causou aqui uma surpresa, tanto maior porque eu era até agora ligado ao mais desenfreado materia­lismo. Por uma consequência muito lógica sou, por minha vez, vítima das troças e dos sarcasmos, mas fico insensível, e, como dizeis muito judiciosamente, tudo isto desliza sobre o verdadeiro Espiritismo, como a água sobre o mármore.

“Meu caro senhor, vou terminar minha carta, cuja prolixidade poderia vos fazer perder um tempo precioso. Aceitai a expressão de minha viva gratidão pela satisfação moral, pela esperança consoladora e pelo bem-estar que me proporcionastes.

“Continuai vossa santa missão, pois Deus vos abençoou, senhor!

 

 “ROUSSEL (Adolphe)

“Escrevente juramentado, antigo empresário de leilões.

 

“P. S. No interesse do Espiritismo, podeis fazer desta carta, no todo ou em parte, o uso que melhor vos aprouver”.

 

OBSERVAÇÃO: Já publicamos várias cartas deste teor, mas seriam necessários volumes para publicar todas as que recebemos no mesmo sentido e, o que não é menos notável, é que a maior parte delas vem de pessoas inteiramente desconhecidas, e não foram solicitadas por outra influência senão a ascendência da doutrina.

Eis, pois, um dos homens atingidos pelo anátema do Sr. Bispo de Argel, um homem que, sem a Doutrina Espírita, teria morrido no ateísmo e no materialismo; que, se se apresentasse para receber os sacramentos da Igreja, seria impiedosamente repelido. Quem o trouxe a Deus? O medo das penas eternas? Não, porque foi a teoria dessas penas que o afastou dela. Quem, pois, teve o poder de acalmar a sua impulsividade e dele fazer um homem suave e inofensivo; de fazê-lo abjurar suas ideias de vingança para perdoar os inimigos? Só o Espiritismo, porque nele auferiu uma fé inabalável no futuro.

É essa doutrina que quereis extirpar de vossa diocese, onde certamente se acham muitos indivíduos no mesmo caso e que, em vossa opinião, são vergonhosa chaga para a colônia. A quem persuadirão que para esse homem teria sido melhor ficar onde estava? Se se objetasse que é uma exceção, responderíamos com milhares de casos semelhantes, e mesmo que fosse uma exceção, responderíamos pela parábola das cem ovelhas, das quais uma se tresmalhou e à sua procura corre o pastor.

Recusando-lhe o Espiritismo, o que lhe teríeis dado em substituição, para nele operar semelhante transformação? Sempre a perspectiva da danação eterna, a única, em vossa opinião, capaz de dominar a desordem e a imoralidade. Enfim, quem o levou a estudar o Espiritismo? Uma quadrilha de espíritas? Não, porque ele fugia dos espíritas. Foi um sermão pregado contra o Espiritismo. Por que, então, foi convertido pelo Espiritismo e não pelo sermão? É que, aparentemente, os argumentos do Espiritismo eram mais convincentes que os do sermão.

Assim tem sido com todas as pregações análogas. Assim será com a ordenação episcopal de Argel, que terá, predizemos, um resultado muito diferente daquele que dela esperam.

Ao autor desta carta diremos: “Irmão, esta espécie de confissão que fazeis perante homens é um grande ato de humildade. Jamais há vergonha, mas há grandeza em reconhecer que se enganou e confessar os seus erros. Deus ama os humildes, porque é a eles que pertence o reino dos céus.”

 

A carta seguinte é um exemplo não menos tocante dos milagres que o Espiritismo pode operar nas consciências, e aqui o resultado é muito mais admirável, porque não se trata de um homem do mundo, vivendo num meio esclarecido, cujas más inclinações podem ser contidas, senão pelo medo da vida futura, ao menos pelo da opinião, mas de um homem ferido pela justiça, de um condenado à reclusão numa penitenciária.

 

“20 de setembro de 1863.

“Senhor,

“Tive a felicidade de ler, de estudar algumas de vossas excelentes obras tratando do Espiritismo, e o efeito dessa leitura foi tal sobre o meu ser, que julgo dever com isso tomar-vos a atenção, mas, para que me possais bem compreender, penso que é necessário dar-vos a conhecer as circunstâncias em que me acho colocado.

“Tenho a infelicidade de ter sido condenado a seis anos de reclusão, justa consequência de minha conduta passada, por isso, não tenho direito de me queixar. Assim, é a bem da ordem que faço o relato.

“Há apenas um mês eu me julgava perdido para sempre. Por que hoje penso o contrário e por que a esperança brilha em meu coração? Não será porque o Espiritismo, desvendando-me a sublimidade de suas máximas, fez-me compreender que os bens terrenos nada são; que a felicidade só existe realmente para os que praticam as virtudes ensinadas por Jesus Cristo, virtudes que nos aproximam de Deus, nosso pai comum? Não é também porque, embora caído num estado de abjeção, embora aviltado pela Sociedade, posso esperar renascer de alguma sorte, e assim preparar minha alma para uma vida melhor, pela prática das virtudes e meu amor a Deus e ao próximo?

“Não sei se são bem estas as verdadeiras causas da mudança que em mim se operou. O que sei é que em todo o meu ser se passa algo que não posso definir. Estou com melhores disposições diante dos infelizes que, como eu, estão colocados sob a férula da Sociedade. Tenho certa autoridade sobre uma centena deles, e estou bem decidido a só usá-la para o bem. Minha posição moral parece-me menos penosa. Considero meus sofrimentos como uma justa expiação, e esta ideia me ajuda a suportá-la. Enfim, não é mais com sentimentos de ódio que considero a Sociedade: rendo-lhe a justiça que lhe é devida.

“Eis ─ estou certo disto ─ as causas que reagiram sobre o meu espírito, e que farão de mim, no futuro, ─ tenho uma suave esperança ─ um homem que ama e que serve a Deus e ao próximo, praticando a caridade e seus deveres.

“A quem deverei render graças por esta feliz metamorfose que de um homem mau terá feito um homem amante da virtude? Inicialmente a Deus, a que devemos tudo reportar, e em seguida aos vossos excelentes escritos.

“Assim, senhor, permiti que vo-lo diga, esta carta tem por objetivo vos assinalar toda a minha gratidão.

“Mas por que é preciso que minha educação espírita fique inaca­bada? Sem dúvida, Deus assim o quer. Que se faça a sua vontade!

“Não vos deixarei ignorar, senhor, o nome da excelente pessoa a quem devo o que sei agora: é o Sr. Benoît, que, tendo notado em mim um desejo de refazer o meu passado, quis iniciar-me na Doutrina Espírita. Infelizmente vou perdê-lo, pois sua nova posição não mais permitirá que me venha ver. É uma grande infelicidade para mim, e não vo-la oculto, porque aos conselhos ele junta o exemplo. Ele também deve seu melhoramento à doutrina. Dizia-me ele: ‘Até ser esclarecido pelo espírito espírita, terminada a minha refeição, eu ia para o café, e lá muitas vezes me esquecia, não só dos deveres para com a minha pequena família, mas ainda para com o meu patrão. O tempo que assim passava, hoje emprego na leitura de livros espíritas, leitura que faço em voz alta, para que minha família aproveite. E crede-me, acrescentava o Sr. Benoît, isto vale mais, porque é o começo da verdadeira, da única felicidade’.

“Peço-vos perdoeis a minha temeridade e, sobretudo, a extensão desta carta, e crede-me, etc.

“D...”

 

Esse Sr. Benoît é um simples operário. Ele tinha sido instruído no Espiritismo por uma senhora da cidade, da qual havia falado ao prisioneiro. Este último, antes da partida de seu instrutor, a ela mandou a seguinte carta:

 

“Senhora,

“Certamente sou muito temerário ousando vos dirigir estas palavras, mas espero que vossa bondade me perdoe, sobretudo em razão das causas que me levam a agir. Para começar, agradeço-vos, senhora, mas agradeço do mais profundo do coração, de toda a minha alma, pelo bem que me fizestes, permitindo que o Sr. Benoît me instruísse no Espiritismo, esta sublime doutrina chamada a regenerar o mundo, e que sabe tão bem demonstrar ao homem o que deve a Deus, à sua família, à Sociedade e a si mesmo; que, provando-lhe que nem tudo acaba nesta vida, o estimula e lhe dá os meios de se preparar para uma outra vida. Creio ter aproveitado os úteis ensinamentos que recebi, porque experimento um sentimento que me deixa mais bem disposto em relação aos meus semelhantes, e me faz ter sempre o pensamento voltado para o Céu. É um começo de fé? Eu o espero. Infelizmente, o Sr. Benoît vai partir, e com ele a esperança de me instruir.

“Sei que sois boa, e que tendes pensado em continuar a dar-me os meios de me esclarecer. Eu vos rogo de joelhos que continueis a obra tão bem começada. Ela vos será contada por Deus, pois tendes a esperança de fazer de um infeliz perdido nos vícios do mundo um homem virtuoso, um homem digno desse nome, de sua família e da Sociedade.

“Esperando o dia em que, livre, poderei dar minhas provas, eu vos bendirei como meu Espírito nesta Terra; eu vos associarei às minhas preces, e dia virá em que também poderei ensinar à minha família a vos bendizer, a vos venerar, pois lhe tereis devolvido um filho, um irmão honesto. É impossível ser diferente, quando se serve a Deus sinceramente.

“Assim, concluo, senhora, pedindo sejais na Terra meu bom Espírito, e que me dirijais no bom caminho. O que fizerdes será contado como uma boa obra. Quanto a mim, prometo-vos ser dócil aos vossos ensinamentos.

“Termino, etc.”

 

OBSERVAÇÃO: Assim, esse Sr. Benoît, simples operário, era um exemplo recente do efeito moralizador do Espiritismo e, por sua vez, já traz ao bom caminho uma alma desviada; devolve à família e à Sociedade um homem honesto em vez de um criminoso, boa obra para a qual concorreu uma senhora caridosa, estranha a ambos, mas animada do único desejo de fazer o bem. E tudo isto é feito na sombra, sem fausto, sem ostentação, e com o testemunho apenas da consciência.

Espíritas, eis desses milagres de que vos deveis orgulhar, que todos podeis operar, e para os quais não necessitais de nenhuma faculdade excepcional, porque basta o desejo de fazer o bem.

Se o Espiritismo tem tal poder sobre as almas manchadas, o que não se deve esperar para a regeneração da Humanidade, quando ele se tiver convertido em crença comum, e cada um empregá-lo na sua esfera de ação!

Vós todos que atirais pedras contra o Espiritismo e dizeis que ele enche as casas de alienados, dai, pois, em seu lugar, algo que produza mais do que ele produz. Pelo fruto se reconhece a qualidade da árvore. Julgai, pois, o Espiritismo, por seus frutos, e tratai de produzir frutos melhores. Então sereis seguidos.

Ainda alguns anos e vereis muitos outros prodígios, não sinais no Céu, para ferir os olhos, como pediam os fariseus, mas prodígios no coração dos homens, dos quais o maior será o de fechar a boca dos detratores e de abrir os olhos dos cegos, pois é preciso que se realizem as predições do Cristo, e elas todas realizar-se-ão.


Nous appelons sur les lettres suivantes l'attention de ceux qui prétendent que, sans la crainte des peines éternelles, l'humanité n'aurait plus de frein, et que la négation de l'enfer, éternellement personnel, ouvre la carrière à tous les désordres et à toutes les immoralités:

« Montreuil, 23 août 1863.

« Au mois de mars dernier, j'étais encore ce qu'on peut appeler, dans toute la force du terme, encroûté d'athéisme et de matérialisme. Je ne ménageais pas au chef du groupe spirite de notre petite ville, mon parent, les plaisanteries et les sarcasmes; je lui conseillais même Charenton! mais il opposa à mes railleries une patience stoïque.

« Dans le même temps, pendant le carême, un prédicateur parla en chaire contre le Spiritisme. Cette circonstance excita ma curiosité, car je ne voyais pas trop ce que l'Église pouvait avoir à démêler avec le Spiritisme. J'entrepris donc la lecture du petit livre: Qu'est-ce que le spiritisme? me promettant bien de ne pas céder aussi facilement que l'avaient fait certains matérialistes convertis, et m'armai de toutes pièces, persuadé que rien ne pouvait détruire la force de mes arguments, et ne doutant nullement d'une victoire complète.

« Mais, ô prodige! je n'étais pas arrivé à la cinquantième page, que déjà j'avais reconnu la nihilité de ma pauvre artillerie argumentale. Pendant quelques minutes je fus comme illuminé, une révolution subite s'opéra en moi, et voici ce que j'écrivais à mon frère le 18 juin:

« Oui, comme tu le dis, ma conversion est providentielle; c'est à Dieu que je dois cette marque de grande bienveillance. Oui, je crois à Dieu, à mon âme, à son immortalité après la mort. Avant cela j'avais pour philosophie une certaine fermeté d'esprit par laquelle je me mettais au-dessus des tribulations et des accidents de la vie, mais j'ai fléchi devant les nombreuses tortures morales que m'avaient infligées de prétendus amis. L'amertume de ces souvenirs avait empoisonné mon cœur. Je ruminais mille projets de vengeance, et si je n'avais redouté pour moi et les miens la malédiction publique, peut-être aurais-je donné à mes projets une funeste exécution. Mais Dieu m'a sauvé. Le Spiritisme m'a amené promptement à croire aux vérités fondamentales de la religion, dont l'Église m'avait éloigné par l'horrible tableau de ses flammes éternelles, et en voulant m'imposer pour articles de foi des dogmes qui sont en contradiction manifeste avec les attributs infinis de Dieu. Je me rappelle encore l'effroi éprouvé en 1814, à l'âge de sept ans, lors de la lecture de ce joli passage dans les Pensées chrétiennes: « Et quand un damné aura souffert autant d'années qu'il y a d'atomes dans l'air, de feuilles dans les forêts, et de grains de sable sur les bords de la mer, tout cela sera compté pour rien!!! » Et c'est l'Église qui a osé proférer un pareil blasphème! Que Dieu le lui pardonne! »

« Je continue ma lettre, cher Eugène, en laissant à l'Eglise la propriété de l'empire infernal sur laquelle je n'ai rien à revendiquer.

« L'idée que je m'étais faite de mon âme a fait place à celle donnée par les Esprits. La pluralité des mondes, comme la pluralité des existences, n'étant plus un doute pour moi, j'éprouve à l'heure qu'il est une satisfaction morale indéfinissable. La perspective d'un néant froid et lugubre me glaçait autrefois le sang dans les veines; aujourd'hui, je me vois, par anticipation, habitant de l'un des mondes plus avancés moralement, intellectuellement et physiquement que notre planète, en attendant que je sois arrivé à l'état de pur Esprit.

« Pour jouir des bienfaits de Dieu, et m'en rendre tout à fait digne, j'ai pardonné avec empressement à mes ennemis, à ceux qui m'ont fait endurer de vives tortures morales, à tous ceux enfin qui m'ont offensé, et j'ai abjuré toute pensée de vengeance. Tous les jours je remercie Dieu de la haute bienveillance qu'il m'a témoignée en me faisant rapidement sortir du mauvais sentier où m'avaient jeté l'athéisme et le matérialisme, et le prie d'accorder la même faveur à tous ceux qui, comme moi, ont douté de lui et l'ont nié. Je le prie aussi de faire jouir ma femme, mes enfants, mon prochain, parents, amis et ennemis, des douceurs du Spiritisme. Enfin je prie pour tous, pour toutes les âmes souffrantes, afin que Dieu leur laisse entrevoir que sa bonté infinie ne leur a pas fermé la porte du repentir. Je demande aussi à Dieu le pardon de mes fautes, et la grâce de pratiquer la charité dans toute son étendue.

« Je me trouve donc maintenant dans un état parfait de calme et de tranquillité sur mon avenir. L'idée de la mort n'a plus rien qui m'épouvante, parce que j'ai la conviction inébranlable que mon âme survivra à mon corps, et une foi entière dans la vie future. Une seule pensée me fait mal cependant, c'est celle d'abandonner sur la terre des êtres qui me sont si chers, avec la crainte de les voir malheureux. Hélas! cette crainte qui comporte sa douleur est bien naturelle, en présence de l'égoïsme dont la majeure partie de notre pauvre monde est imprégnée. Mais Dieu me comprend; il sait que toute ma confiance est en lui seul. Déjà j'ai éprouvé le bonheur de revoir notre chère Laure en décembre dernier, quelques jours après sa mort. C'est assurément un effet anticipé de sa bonté pour moi. »

« Depuis la date de cette lettre, mon cher monsieur, mon bien-être a augmenté. Autrefois, la moindre contrariété m'irritait; aujourd'hui ma patience est vraiment remarquable; elle a succédé à la violence et à l'emportement. La victoire qu'elle a remportée ces jours-ci, dans une assez rude épreuve, vient à l'appui de mon assertion. Certes, il n'en eût pas été ainsi au mois de mars dernier. C'est bien dans ces sortes de circonstances que la doctrine spirite exerce sa douce influence. Ceux qui la critiquent la disent pleine de séductions, et moi je ne crois pas atténuer ce bel éloge en la trouvant pleine de voluptés.

« Mon retour à la religion a causé ici une surprise d'autant plus grande que j'avais jusqu'alors affiché le matérialisme le plus effréné. Par une conséquence bien logique je suis à mon tour en butte aux railleries et aux sarcasmes, mais j'y reste insensible, et comme vous le dites fort judicieusement, tout cela glisse sur le vrai Spirite, comme l'eau sur le marbre.

« Je vais, mon cher monsieur, finir ma lettre, dont la prolixité pourrait vous faire perdre un temps précieux. Veuillez agréer l'expression de ma vive gratitude pour la satisfaction morale, l'espérance consolante et le bien-être que vous m'avez procurés. Continuez votre sainte mission, Dieu vous a béni, monsieur!

« ROUSSEL (Adolphe),

« Clerc de notaire, ancien commissaire-priseur.

« P. S. Dans l'intérêt du Spiritisme, vous pouvez faire usage de cette lettre comme bon vous semblera, en tout ou en partie. »

Remarque. Nous avons déjà publié plusieurs lettres de cette nature, mais il faudrait des volumes pour publier toutes celles que nous recevons dans le même sens, et, ce qui n'est pas moins remarquable, c'est que la plupart viennent de personnes qui nous sont tout à fait étrangères, et ne sont sollicitées par aucune autre influence que l'ascendant de la doctrine.

Voilà donc un de ces hommes qui sont frappés par l'anathème de monseigneur d'Alger; un homme qui, sans la doctrine spirite, serait mort dans l'athéisme et le matérialisme; qui, s'il se présentait pour recevoir les sacrements de l'Eglise, serait impitoyablement repoussé. Qui donc l'a ramené à Dieu? Est-ce la crainte des peines éternelles? Non, puisque c'est la théorie de ces peines qui l'en avait éloigné. Qui donc a eu la puissance de calmer ses emportements et d'en faire un homme doux et inoffensif; de lui faire abjurer ses idées de vengeance pour pardonner à ses ennemis? C'est le Spiritisme seul, parce qu'il y a puisé une foi inébranlable dans l'avenir; c'est cette doctrine que vous voudriez extirper de votre diocèse, où, certes, il se trouve bien des individus dans le même cas, et qui, selon vous, est une plaie honteuse pour la colonie. A qui persuadera-t-on qu'il eût mieux valu pour cet homme rester ce qu'il était? Si l'on objectait que c'est une exception, nous répondrions par des milliers d'exemples semblables; et encore, si c'était une exception, nous répondrions par la parabole des cent brebis dont une s'est égarée et à la recherche de laquelle court le pasteur. Lui refusant le Spiritisme, que lui auriez-vous donné à la place pour opérer en lui cette transformation? Toujours la perspective de la damnation éternelle, la seule, selon vous, qui soit capable d'enrayer le désordre et l'immoralité. Enfin, qui l'a porté à étudier le Spiritisme? Est-ce une coterie de Spirites? Non, puisqu'il les fuyait; c'est un sermon prêché contre le Spiritisme. Pourquoi donc a- t-il été converti par le Spiritisme et non par le sermon? C'est qu'apparemment les arguments du Spiritisme étaient plus convaincants que ceux du sermon. Ainsi en a-t-il été de toutes les prédications analogues; ainsi en sera-t-il de l'ordonnance épiscopale d'Alger, qui aura, nous le prédisons, un résultat tout autre que celui qu'on s'en était promis.

A l'auteur de cette lettre nous dirons: « Frère, cette sorte de confession que vous faites à la face des hommes est un grand acte d'humilité; il n'y a jamais honte, mais il y a grandeur, à reconnaître qu'on s'est trompé et à avouer ses torts; Dieu aime les humbles, car c'est à eux qu'appartient le royaume des cieux. »

La lettre suivante est un exemple non moins frappant des miracles que le Spiritisme peut opérer sur les consciences; et, ici, le résultat est d'autant plus remarquable qu'il ne s'agit pas d'un homme du monde, vivant dans un milieu éclairé, dont les mauvais penchants peuvent être contenus, sinon par la crainte de la vie future, du moins par celle de l'opinion, mais d'un homme frappé par la justice, d'un condamné à la réclusion dans une maison centrale.

20 septembre 1863.

« Monsieur,

« J'ai été assez heureux pour lire, pour étudier quelques-uns de vos excellents ouvrages traitant du Spiritisme, et l'effet de cette lecture a été tel sur tout mon être, que je crois devoir vous en entretenir; mais pour que vous puissiez bien me comprendre, je crois nécessaire de vous faire connaître les circonstances dans lesquelles je me trouve placé.

« J'ai le malheur d'être frappé d'une condamnation à six ans de réclusion, juste conséquence de ma conduite passée; je n'ai donc pas lieu de me plaindre, aussi n'est-ce que pour ordre que je le relate.

« Il y a un mois encore, je me croyais à tout jamais perdu; d'où vient qu'aujourd'hui je pense autrement, et que l'espoir s'est fait jour dans mon cœur? N'est-ce pas parce que le Spiritisme, en me dévoilant la sublimité de ses maximes, m'a fait comprendre que les biens terrestres n'étaient rien; que le bonheur n'existait réellement que pour ceux qui pratiquent les vertus enseignées par Jésus-Christ, vertus qui nous rapprochent de Dieu, notre père commun? N'est-ce pas aussi parce que, quoique tombé dans un état d'abjection, quoique flétri par la société, je puis espérer renaître en quelque sorte, et dans cette vue préparer mon âme à une vie meilleure par la pratique des vertus et mon amour de Dieu et du prochain?

« Je ne sais si ce sont bien là les véritables causes du changement qui s'opère en moi; mais ce que je sais, c'est qu'il se passe dans tout mon être quelque chose que je ne puis définir. Je suis mieux disposé vis-à-vis des malheureux qui, comme moi, sont placés sous la férule de la société. J'ai une certaine autorité sur une centaine d'entre eux, et je suis bien décidé à n'en user que pour le bien. Ma position morale me paraît moins pénible; je considère mes souffrances comme une juste expiation, et cette idée m'aide à les supporter. Enfin ce n'est plus avec des sentiments de haine que je considère la société; je lui rends la justice qui lui est due.

« Voilà, j'en suis sûr, les causes qui ont réagi sur mon esprit, et qui feront de moi, à l'avenir, j'en ai le doux espoir, un homme aimant et servant Dieu et son prochain, pratiquant la charité et ses devoirs. Et à qui devrai-je rendre grâce de cette heureuse métamorphose qui d'un homme méchant en aura fait un homme aimant la vertu? A Dieu d'abord, à qui nous devons tout rapporter, et ensuite à vos excellents écrits. Aussi, monsieur, permettez-moi de vous le dire, cette lettre a pour but de vous marquer toute ma gratitude.

« Mais pourquoi faut-il que mon éducation spirite reste inachevée? Sans doute, Dieu le veut ainsi; que sa volonté soit faite! Je ne vous laisserai pas ignorer, monsieur, le nom de l'excellente personne à laquelle je suis redevable de ce que je sais maintenant: c'est M. Benoît qui, ayant remarqué en moi un désir de revenir sur mon passé, a bien voulu m'initier à la doctrine spirite; malheureusement je vais le perdre, sa nouvelle position ne lui permettant plus de venir me voir. C'est un grand malheur pour moi, je ne vous le cache pas, car aux conseils il joignait l'exemple. Lui aussi doit son amélioration à la doctrine. Il me disait: « Jusqu'à ce que j'aie été éclairé de l'Esprit spirite, aussitôt mon repas terminé, je me rendais au café, et là souvent j'oubliais, non- seulement mes devoirs envers ma petite famille, mais encore envers mon patron. Le temps que je passais ainsi, je l'emploie maintenant à la lecture des livres spirites, lecture que je fais à haute voix, pour que ma famille en profite. Et croyez-moi, ajoutait M. Benoît, cela vaut mieux, c'est le commencement du vrai, du seul bonheur. »

« Pardonnez-moi, je vous prie, ma témérité, et surtout la longueur de cette lettre, et veuillez croire, etc.

« D… »

Ce M. Benoît est un simple ouvrier. Il avait été instruit dans le Spiritisme par une dame de la ville dont il avait parlé au prisonnier. Ce dernier, avant le départ de son instructeur, écrivit à cette dame la lettre suivante:

« Madame,

« Je suis sans doute bien téméraire d'oser vous adresser ces quelques lignes, mais j'espère en votre bonté pour me pardonner, surtout en raison des causes qui me font agir. J'ai d'abord à vous remercier, madame, mais à vous remercier du plus profond de mon cœur, de toute mon âme, pour le bien que vous m'avez fait, en permettant à M. Benoît de m'instruire du Spiritisme, de cette sublime doctrine appelée à régénérer le monde, et qui sait si bien démontrer à l'homme ce qu'il doit à Dieu, à sa famille, à la société, à lui-même; qui, en lui prouvant que tout n'est pas fini avec cette vie, l'engage et lui donne les moyens de se préparer pour une autre vie. Je crois avoir profité des utiles enseignements que j'ai reçus, car j'éprouve un sentiment qui me laisse mieux disposé pour mes semblables, et me fait toujours avoir la pensée vers le ciel. Est-ce là un commencement de foi? Je l'espère; malheureusement M. Benoît va partir, et avec lui mon espoir de m'instruire.

« Je sais que vous êtes bonne, que vous aurez pensé à continuer de me donner les moyens de m'éclairer; je vous en conjure à genoux, continuez l'œuvre si bien commencée; elle vous sera comptée par Dieu, car vous avez l'espoir de faire d'un malheureux perdu dans les vices du monde un homme vertueux, un homme digne de ce nom, et de sa famille, et de la société. En attendant le jour où, libre, je pourrai donner mes preuves, je vous bénirai comme mon Esprit sur cette terre; je vous associerai à mes prières, et un jour viendra où je pourrai aussi apprendre à ma famille à vous bénir, à vous vénérer, car vous lui aurez rendu un fils, un frère honnête homme; il est impossible d'en être autrement lorsqu'on sert Dieu sincèrement. Je conclus donc, madame, en vous priant d'être, sur cette terre, mon bon Esprit, de vouloir bien me diriger dans la bonne voie; ce que vous ferez sera compté comme une bonne œuvre; quant à moi, je vous promets d'être docile à vos enseignements.

« Je termine, etc. »

Remarque. – Ainsi, ce M. Benoît, simple ouvrier, était lui-même un exemple récent de l'effet moralisateur du Spiritisme, et déjà, à son tour, il ramène dans la bonne voie une âme égarée; il rend à sa famille, à la société, un honnête homme au lieu d'un criminel, bonne œuvre à laquelle a concouru une dame charitable, étrangère à tous les deux, mais animée du seul désir de faire le bien; et tout cela s'est fait dans l'ombre, sans faste, sans ostentation, et avec le seul témoignage de la conscience.

Spirites, voilà de ces miracles dont vous devez être fiers, que vous pouvez tous opérer, et pour lesquels vous n'avez besoin d'aucune faculté exceptionnelle, car il suffit du désir de faire le bien. Si le Spiritisme a une telle puissance sur les âmes flétries, que n'en doit-on pas attendre pour la régénération de l'humanité, quand il sera devenu la croyance commune, et que chacun l'emploiera dans sa sphère d'action! Vous tous qui jetez la pierre au Spiritisme et dites qu'il remplit les maisons d'aliénés, donnez donc à la place quelque chose qui produise plus qu'il ne produit. Au fruit on reconnaît la qualité de l'arbre; jugez donc le Spiritisme à ses fruits, et tâchez d'en donner de meilleurs; alors on vous suivra. Encore quelques années, et vous verrez bien d'autres prodiges; non pas des signes dans le ciel pour frapper les yeux, comme en demandaient les Pharisiens, mais des prodiges dans le cœur des hommes, et dont le plus grand sera de fermer la bouche des détracteurs, et d'ouvrir les yeux des aveugles, car il faut que les prédictions du Christ s'accomplissent, et elles s'accompliront toutes.

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