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Revista Espírita 1863 » Outubro » Sermões sobre o Espiritismo Revue Spirite 1863 » Octobre » Sermons sur le Spiritisme

Pregados na Catedral de Metz, a 27, 28 e 29 de maio de 1863, pelo rev. Pe. Letierce, da Companhia de Jesus.

Refutados por um espírita de Metz e precedidos de considerações sobre a loucura espírita.[1]

 

Sentimo-nos sempre felizes ao ver adeptos sérios entrando na liça quando à lógica da argumentação aliam a calma e a moderação, das quais nunca nos devemos afastar, mesmo contra os que não usam os mesmos processos a nosso respeito. Felicitamos o autor deste opúsculo por ter sabido reunir essas duas qualidades em seu trabalho muito interessante e muito consciencioso, que será, não temos dúvida, acolhido com a consideração que merece. A carta inserida na introdução da brochura é um testemunho de simpatia que não poderíamos reconhecer melhor do que a transcrevendo textualmente, pois é uma prova da maneira pela qual ele compreende a doutrina, bem como os pensamentos seguintes, que toma por epígrafe:

 

“Cremos que há fatos que não são visíveis ao olho nem tangíveis à mão; que nem o escalpelo nem o microscópio podem atingir, por mais perfeitos que os suponhamos; que igualmente escapam ao gosto, ao olfato e ao ouvido e que entretanto são susceptíveis de constatação com uma certeza absoluta. (Ch. Jouffroy. Prefácio das Esquisses de philosophie morale, pág. 5).

 

“Não creiais em todo Espírito, mas ponde-os à prova, para ver se são de Deus.” (Evangelho).

 

“Senhor e caro mestre,

“Dignar-vos-íeis aceitar a dedicatória desta modesta defesa do Espiritismo, deste grito de indignação contra os ataques dirigidos contra nossa sublime moral?

“Seria para mim o mais evidente testemunho de que estas páginas são ditadas com o mesmo espírito de moderação que diariamente admiramos em vossos escritos, e que deveria guiar-nos em todas as nossas lutas. Aceitai-o como o ingênuo ensaio de um dos vossos recentes adeptos; como a profissão de fé de um verdadeiro crente.

“Se meus esforços forem felizes, atribuirei o seu sucesso ao vosso alto patrocínio; se minha voz inábil não encontrar eco, ao Espiritismo não faltarão outros defensores, e eu terei para mim, com a satisfação da minha consciência, a felicidade de ter sido aprovado pelo apóstolo imortal de nossa filosofia.”

 

Extraímos da brochura a passagem seguinte, de um dos sermões do Rev. Pe. Letierce, a fim de dar uma ideia da força de sua lógica.

 

“Nada há de chocante para a razão em admitir, num certo limite, a comunicação dos Espíritos dos mortos com os vivos. Tal comunicação é perfeitamente compatível com a natureza da alma humana, do que numerosos exemplos seriam encontrados no Evangelho e na Vida dos Santos. Mas eles eram santos, eram apóstolos.

“Para nós, pobres pecadores que, na rampa escorregadia da corrupção, muitas vezes só teríamos necessidade de uma mão socorrista para nos reconduzir ao bem, não é um sacrilégio, um insulto à justiça divina ir pedir aos bons Espíritos que Deus espalhou em redor de nós, conselhos e preceitos para a nossa instrução moral e filosófica? Não é uma audácia ímpia pedir ao Criador que nos envie anjos guardiães para incessantemente nos lembrarem a observação de suas leis, a caridade, o amor aos nossos semelhantes e nos ensinar o que devemos fazer, na medida de nossas forças, para chegar o mais rapidamente possível a esse grau de perfeição que eles próprios atingiram?

“Esse apelo que fazemos às almas dos justos, em nome da bondade de Deus, só é ouvido pelas almas dos maus, em nome das potências infernais. Sim, os Espíritos se comunicam conosco, mas são os Espíritos dos condenados. Suas comunicações e seus preceitos são, é verdade, tais que nos poderiam ditar os anjos mais puros. Todos os seus discursos respiram as mais sublimes virtudes, das quais as menores devem ser para nós um ideal de perfeição que dificilmente podemos atingir nesta vida, mas é apenas uma cilada para melhor nos atrair; um o mel cobrindo o veneno com que o demônio quer matar nossa alma.

“Com efeito, as almas dos mortos, segundo Allan Kardec, são de três classes: as que chegaram ao estado de puros Espíritos, as que estão no caminho da perfeição e as almas dos maus.

“As primeiras, por sua própria natureza, não podem vir ao nosso apelo. Seu estado de pureza impossibilita qualquer comunicação com as dos homens, encerradas em tão grosseiro envoltório. Aliás, que viriam fazer na Terra? Pregar exortações que não poderíamos compreender?

“As segundas têm muito que trabalhar o seu aperfeiçoamento moral para perder tempo vindo conversar conosco. Também não são elas que nos assistem em nossas reuniões.

“O que resta, então, para nós? Como eu disse, restam as almas dos condenados, e estas pelo menos não se fazem de rogadas para vir. Inteiramente dispostas a aproveitar o nosso erro e a nossa necessidade de instrução, elas vêm em multidão junto a nós, para nos arrastar com elas ao abismo onde as mergulhou a justa punição de Deus.”

ALLAN KARDEC


[1] Brochura in-18. – Preço 1 franco; pelo correio 1,10 franco – Paris: Didier & Cia., Ledoyen; - Metz: Linden, Verronnais, livrarias.

 


Prêchés à la cathédrale de Metz, les 27, 28 et 29 mai 1863, par le R. P. Letierce, de la compagnie de Jésus, réfutés par un spirite de Metz.

Précédés de considérations sur la folie spirite15.

Nous sommes toujours heureux de voir des adeptes sérieux entrer dans la lice quand, à la logique de l'argumentation, ils joignent le calme et la modération dont on ne doit jamais s'écarter, même envers ceux qui n'usent pas des mêmes procédés à notre égard. Nous félicitons l'auteur de cet opuscule d'avoir su réunir ces deux qualités dans son très intéressant et très consciencieux travail, qui sera, nous n'en doutons pas, accueilli avec la faveur qu'il mérite. La lettre placée en tête de sa brochure est un témoignage de sympathie que nous ne saurions mieux reconnaître qu'en la citant textuellement, parce qu'elle est une preuve de la manière dont il comprend la doctrine, de même que les pensées suivantes, qu'il prend pour épigraphe:

« Nous croyons qu'il y a des faits qui ne sont point visibles à l'œil, point tangibles à la main; que le microscope ni le scalpel ne peuvent atteindre, si parfaits qu'on les suppose; qui échappent également au goût, à l'odorat et à l'ouïe, et qui cependant sont susceptibles d'être constatés avec une certitude absolue. (Ch. Jouffroy, préface des Esquisses de philosophie morale, p. 5.)

« Ne croyez pas à tout Esprit, mais mettez-les à l'épreuve pour voir s'ils viennent de Dieu. » (Évangile.)

« Monsieur et cher maître,

« Daignerez-vous accepter la dédicace de cette modeste plaidoirie en faveur du Spiritisme, de ce cri d'indignation contre les attaques qu'il a entendu diriger contre notre sublime morale? Ce serait pour moi le témoignage le plus certain que ces pages sont dictées par cet esprit de modération que nous admirons tous les jours dans vos écrits, et qui devrait nous guider dans toutes nos luttes. Acceptez-le comme l'essai inexpérimenté d'un de vos récents adeptes, comme la profession de foi d'un vrai croyant. Si mes efforts sont heureux, j'en attribuerai le succès à votre haut patronage; si ma voix inhabile ne trouve pas d'échos, le Spiritisme ne manquera pas d'autres défenseurs, et j'aurai pour moi, avec la satisfaction de ma conscience, le bonheur d'avoir été approuvé par l'apôtre immortel de notre philosophie. »

Nous extrayons de cette brochure le passage suivant d'un des sermons du R. P. Letierce, afin de donner une idée de la puissance de sa logique.

« Il n'y a rien de choquant pour la raison, à admettre, dans une certaine limite, la communication des Esprits des morts avec les vivants; cette communication est toute compatible avec la nature de l'âme humaine, et on en trouverait d'assez nombreux exemples dans l'Evangile et dans la Vie des saints; mais c'étaient des saints, c'étaient des apôtres. Pour nous, pauvres pécheurs, qui, sur la pente glissante de la corruption, n'aurions souvent besoin que d'une main secourable pour nous ramener vers le bien, n'est-ce pas un sacrilège, une insulte à la justice divine, que d'aller demander aux bons Esprits que Dieu a répandus autour de nous, des conseils et des préceptes pour notre instruction morale et philosophique? N'est-ce pas une audace impie de prier le Créateur de nous envoyer des anges gardiens pour nous rappeler sans cesse l'observation de ses lois, la charité, l'amour pour nos semblables, et nous apprendre ce qu'il faut faire, dans la mesure de nos forces, pour arriver le plus rapidement possible à ce degré de perfection qu'ils ont atteint eux-mêmes?

« Cet appel que nous faisons aux âmes des justes, au nom de la bonté de Dieu, n'est entendu que des âmes des méchants, au nom des puissances infernales. Oui, les Esprits se communiquent à nous, mais ce sont les Esprits des réprouvés; leurs communications et leurs préceptes sont, il est vrai, tels que pourraient nous les dicter les anges les plus purs; tous leurs discours respirent les vertus les plus sublimes, dont les moindres doivent être pour nous un idéal de perfection auquel nous pouvons à peine atteindre dans cette vie; mais ce n'est qu'un piège pour mieux nous attirer, un miel recouvrant le poison par lequel le démon veut tuer notre âme.

« En effet, les âmes des morts, avec Allan Kardec, sont de trois classes: celles qui sont parvenues à l'état de purs Esprits, celles qui sont sur le chemin de la perfection, et les âmes des méchants. Les premières, par leur nature même, ne peuvent se rendre à notre appel; leur état de pureté leur rend impossible toute communication avec celle de l'homme, enfermée dans une si grossière enveloppe. Que viendraient-elles faire d'ailleurs sur la terre? pour nous prêcher des exhortations que nous ne saurions comprendre? Les deuxièmes ont trop à travailler à leur perfectionnement moral pour pouvoir perdre du temps à converser avec nous; ce ne sont pas elles encore qui nous assistent dans nos réunions. Que reste-t-il donc pour nous? Je l'ai dit, les âmes des réprouvés, et celles-ci au moins ne se font pas prier pour venir; toutes disposées à profiter de notre erreur et de notre besoin d'instruction, elles se rendent en foule auprès de nous pour nous entraîner avec elles dans l'abîme où les a plongées la juste punition de Dieu. »


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15 Brochure in-18. - Prix: 1 fr.; par la poste, 1 fr. 10 c. - A Paris, Didier et Compagnie, Ledoyen; - à Metz: Linden, Verronnais, libraires.

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