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Revista Espírita 1863 » Julho » Dissertações espíritas » O arrependimento

(SOCIEDADE ESPÍRITA DE PARIS. MÉDIUM: SRA. COSTEL)

 

O arrependimento sobe a Deus e lhe é mais agradável que o fumo dos sacrifícios e mais precioso que o incenso espalhado nos recintos sagrados. Semelhante às tempestades que varam o ar, purificando-o, o arrependimento é um sofrimento fecundo, uma força reativa e atuante. Jesus santificou sua virtude, e as lágrimas de Madalena se espalharam como orvalho sobre os corações endurecidos que ignoravam a graça do perdão. A soberana virtude proclamou o poder do arrependimento, e os séculos repercutiram, enfraquecendo-o, a palavra do Cristo.

É chegada a hora em que o Espiritismo deve rejuvenescer e vivificar a própria essência do Cristianismo. Assim, por toda parte e para sempre, apagai a cruel sentença que despoja a alma culpada de toda esperança. O arrependimento é uma virtude militante, uma virtude viril, que só os Espíritos adiantados ou os corações ternos podem sentir. O pesar momentâneo e causticante de uma falta não arrasta consigo a expiação que dá o conhecimento da justiça de Deus, justiça rigorosa em suas conclusões, que aplica a lei de Talião à vida moral e física do homem e o castiga pela lógica dos fatos, todos decorrentes do bom ou mau uso do livre-arbítrio.

Amai os que sofrem e assisti o arrependimento, que é a expressão e o sinal que Deus imprimiu na sua criatura inte­ligente, para elevá-la e aproximá-la de si.

 

João, discípulo.


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