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Revista Espírita 1861 » Dezembro » Organização do Espiritismo Revue Spirite 1861 » Décembre » Organisation du Spiritisme.

ORGANIZAÇÃO DO ESPIRITISMO

 

1. Até o presente, embora muito numerosos, os espíritas se têm disseminado por todos os países, o que não é um dos caracteres menos salientes da Doutrina. Como uma semente levada pelo vento, ela fixou raízes em todos os pontos do globo, prova evidente de que sua propagação não é efeito de uma camarilha, nem de uma influência local e pessoal. A princípio isolados, os adeptos se surpreenderam hoje com seu número, e como a similitude de ideias inspira o desejo de aproximação, procuram reunir-se e fundar sociedades. Assim, de toda parte nos pedem instruções a propósito, manifestando o desejo de união à Sociedade central de Paris. É, pois, chegado o momento de nos ocuparmos do que se pode chamar a organização do Espiritismo. Sobre a formação das sociedades espíritas, o Livro dos Médiuns (2.ª edição) contém observações importantes, às quais remetemos os interessados, pedindo-lhes que meditem com cuidado. Diariamente a experiência vem confirmar-lhes a justeza, que lembraremos de modo sucinto, acrescentando instruções mais circunstanciadas.

2. Inicialmente falemos dos adeptos ainda isolados em meio a uma população hostil ou ignorante das ideias novas. Diariamente recebemos cartas de pessoas que estão neste caso e que perguntam o que podem fazer na ausência de médiuns e de coparticipantes do Espiritismo. Eles estão na situação em que, apenas há um ano, se achavam os primeiros espíritas dos mais numerosos centros de hoje. Pouco a pouco multiplicaram-se os adeptos e há cidades onde praticamente se contaram por unidades isoladas, mas hoje o são por centenas e milhares. Em breve dar-se-á o mesmo em toda parte. É uma questão de paciência. Quanto ao que devem fazer, é muito simples. A princípio podem trabalhar por conta própria e penetrar-se da doutrina pela leitura e meditação das obras especiais. Quanto mais se aprofundarem, mais verdades consoladoras descobrirão, confirmadas pela razão. Em seu isolamento, devem julgar-se felizes por terem sido os primeiros favorecidos. Mas se se limitassem a colher na Doutrina uma satisfação pessoal, seria uma espécie de egoísmo. Em razão de sua própria posição, têm uma bela e importante missão a cumprir: a de espalhar a luz em seu redor. Os que aceitarem essa missão e não se deixarem deter pelas dificuldades, serão largamente recompensados pelo sucesso e pela satisfação de haver feito uma coisa útil. Sem dúvida encontrarão oposição. Serão motivo da troça e dos sarcasmos dos incrédulos, e mesmo da malevolência das pessoas interessadas em combater a doutrina, mas onde estaria o mérito se não houvesse obstáculos a vencer? Assim, aos que fossem detidos pelo medo pueril do que diriam, nada temos a dizer, nenhum conselho a dar. Mas aos que têm a coragem de sua opinião, e que estão acima das mesquinhas considerações mundanas, diremos que o que têm a fazer se limita a falar abertamente do Espiritismo, sem afetação, como de uma coisa muito simples e muito natural, sem pregá-la, e sobretudo sem buscar nem forçar convicções, nem fazer prosélitos a todo custo. O Espiritismo não deve ser imposto. Vem-se a ele porque dele se necessita, e porque ele dá o que não dão as outras filosofias. Convém mesmo não entrar em explicações com os incrédulos obstinados, pois seria dar-lhes muita importância e levá-los a pensar que se depende deles. Os esforços que se façam para atraí-los afastam-nos, e, por amor-próprio, eles resistem na sua oposição. Eis por que é inútil perder tempo com eles. Quando a necessidade se fizer sentir, virão por si mesmos. Enquanto se espera, é preciso deixá-los tranquilos, satisfeitos no seu ceticismo que, acreditai, muitas vezes lhes pesa mais do que eles gostariam de deixar transparecer, porque, por mais que digam em contrário, a ideia do nada após a morte tem algo de mais apavorante, de mais pungente que a própria morte.

Ao lado dos trocistas se encontrarão pessoas que irão perguntar: “Que é isto?” Esforçai-vos, então, para satisfazê-las, proporcionando-lhes explicações conforme as disposições que neles encontrardes. Quando se fala do Espiritismo em geral, é preciso considerar as palavras que se pronunciam como grãos lançados a esmo. Muitos caem nas pedras e nada produzem, mas se um único tiver caído em terra fértil, considerai-vos felizes. Cultivai-o e ficai certos de que essa planta, frutificando, terá renovos. Para alguns adeptos a dificuldade é responder a certas objeções. A leitura atenta das obras lhes fornecerá os meios, mas sobretudo poderão servir-se, com esse objetivo, da brochura que vamos publicar sob o título de: Refutação das críticas contra o Espiritismo, do ponto de vista materialista, científico e religioso.[1]

3. Falemos agora da organização do Espiritismo nos centros já numerosos. O aumento incessante dos adeptos demonstra a impossibilidade material de constituir numa cidade, sobretudo numa cidade populosa, uma sociedade única. Além do número, há a dificuldade das distâncias, que é obstáculo para muitos. Por outro lado, é sabido que as grandes reuniões são menos favoráveis às belas comunicações, e que as melhores são obtidas nos pequenos grupos. É necessário, pois, empenhar-se em multiplicar os grupos particulares. Ora, como dissemos, vinte grupos de quinze a vinte pessoas obterão mais e farão mais pela propaganda do que uma sociedade única de quatrocentos membros. Os grupos se formam naturalmente, pela afinidade de gostos, de sentimentos, de hábitos e de posição social. Todos ali se conhecem e, como são reuniões particulares, tem-se liberdade de definir a quantidade e de selecionar os que são admitidos.

4. O sistema da multiplicação dos grupos tem ainda como resultado, conforme o dissemos em várias ocasiões, de impedir os conflitos e as rivalidades por supremacia e presidência. Cada grupo naturalmente é dirigido pelo chefe da casa, ou por aquele que para isso for designado. Não há, a bem dizer, presidente oficial, pois tudo se passa em família. O dono da casa, como tal, tem toda a autoridade para manter a boa ordem. Com uma sociedade propriamente dita, há necessidade de um local especial, de um pessoal administrativo, de um orçamento, numa palavra, uma complicação de engrenagens que a má vontade de alguns dissidentes mal intencionados poderia comprometer.

5. A essas considerações, longamente desenvolvidas no Livro dos Médiuns, adicionaremos uma que é preponderante. O Espiritismo ainda não é visto com bons olhos por todo o mundo. Dentro em pouco compreender-se-á que é de todo o interesse favorecer uma crença que torna os homens melhores é uma garantia da ordem social. Mas, até que estejam convencidos de sua benéfica influência sobre o espírito das massas e de seus efeitos moralizadores, os adeptos devem esperar que, seja por ignorância do verdadeiro objetivo da doutrina, seja em vista do interesse pessoal, lhe suscitarão embaraços. Não serão apenas ridicularizados, mas, quando se quebrarem as armas do ridículo, serão caluniados. Serão acusados de loucura, de charlatanismo, de irreligião, de feitiçaria, a fim de contra eles incitar o fanatismo. De loucura! Sublime loucura esta que faz crer em Deus e no futuro da alma! Para os que em nada creem, é de fato uma loucura acreditar na comunicação entre mortos e vivos, loucura que faz a volta ao mundo e atinge os homens mais eminentes. De charlatanismo! Eles têm uma resposta peremptória: o desinteresse, pois o charlatanismo jamais é desinteressado. De irreligião! Eles que, desde que se tornaram espíritas, são mais religiosos do que antes. De feitiçaria e comércio com o diabo! Eles, que negam a existência do diabo e só reconhecem a Deus como senhor onipotente, soberanamente justo e bom. Singulares feiticeiros estes que renegariam o seu senhor e agiriam em nome de seu antagonista! Na verdade, o diabo não deveria estar contente com seus adeptos. Mas as boas razões são a menor preocupação dos que querem travar discussões. Quando alguém quer matar seu cão, diz que ele está raivoso. Felizmente a Idade Média lança os últimos e pálidos clarões sobre o nosso século. Como o Espiritismo lhe vem dar o golpe de misericórdia, não é de admirar vê-la tentar um supremo esforço. Mas, tenhamos certeza, a luta não será longa. Contudo, que a certeza da vitória não nos torne imprudentes, porque uma imprudência poderia, senão comprometer, pelo menos retardar o sucesso. Por esses motivos, a constituição de sociedades numerosas talvez encontrasse obstáculos em certas localidades, ao passo que o mesmo não ocorreria com as reuniões familiares.

6. Acrescentemos mais uma consideração. As sociedades propriamente ditas estão sujeitas a numerosas vicissitudes; mil causas, dependentes ou não de sua vontade, podem conduzi-la à dissolução. Suponhamos que uma sociedade espírita tenha reunido todos os adeptos de uma mesma cidade e que, por uma circunstância qualquer, deixe de existir. Eis os membros dispersos e desorientados. Agora, se em vez disto houver cinquenta grupos, se alguns desaparecerem sempre restarão outros, e outros se formarão. São outras tantas plantas vivazes que brotam, apesar de tudo. Não tenhais num campo somente uma grande árvore, pois um raio pode abatê-la. Tende cem, e o mesmo raio não atingiria todas, e quanto menores, menos expostas estarão.

Assim, tudo milita em favor do sistema que propomos; quando um primeiro grupo, fundado em qualquer parte, se tornar muito numeroso, que faça como as abelhas: que enxames saídos da colmeia-mãe fundem novas colmeias que por sua vez formarão outras. Serão outros tantos centros de ação irradiando em seu respectivo círculo, mais poderosos para a propaganda do que uma Sociedade única.

7. A formação dos grupos estando, pois, admitida em princípio, muitas questões importantes restam para examinar. A primeira de todas é a uniformidade na doutrina. Essa uniformidade não seria melhor garantida por uma Sociedade compacta, pois os dissidentes sempre teriam facilidade de se retirar, formando grupo à parte. Quer a sociedade seja una ou fracionada, a uniformidade será a consequência natural da unidade de base que os grupos adotarem. Ela será completa em todos os grupos que seguirem a linha traçada pelo Livro dos Espíritos e o Livro dos Médiuns. Um contém os princípios da filosofia da ciência; o outro, as regras da parte experimental e prática. Essas obras estão escritas com bastante clareza para não dar lugar a interpretações divergentes, condição essencial de toda nova doutrina.

Até o presente essas obras servem de regulador à imensa maioria dos espíritas, e por toda parte são acolhidas com inequívoca simpatia. Os que delas quiseram afastar-se puderam reconhecer, por seu isolamento e pelo decrescente número de seus partidários, que não tinham a seu favor a opinião geral. Tal assentimento, dado pelo maior número, tem grande valor. É um julgamento que não poderia ser suspeito de influência pessoal, desde que espontâneo e declarado por milhares de pessoas que nos são completamente desconhecidas. Uma prova desse assentimento é que nos pediram para traduzi-las para diversas línguas: espanhol, inglês, português, alemão, italiano, polonês, russo e até tártaro. Sem presunção podemos, pois, recomendar o seu estudo e a sua prática nas diversas reuniões espíritas, e isto com tanto mais razão quanto são as únicas, até o momento, em que a ciência é tratada de maneira completa. Todas as que foram publicadas sobre a matéria apenas abordaram alguns pontos isolados da questão. Aliás, não temos absolutamente a pretensão de impor as nossas ideias. Emitimo-las por ser direito nosso. Que as adotem aqueles a quem elas convêm. Os demais têm o direito de rejeitá-las. As instruções que damos são, pois, e naturalmente, para os que marcham conosco; para os que nos honram com o título de seu chefe espírita e de modo algum pretendemos regulamentar os que querem seguir outra via. Entregamos a doutrina que professamos à apreciação geral. Ora, temos encontrado muitos aderentes para nos dar confiança e nos consolar de algumas dissidências isoladas. Aliás, o futuro será o juiz em última instância. Com os homens atuais desaparecerão, pela força das coisas, as susceptibilidades do amor-próprio ferido, as causas de ciúme, de ambição e de frustração de esperanças materiais. Não mais considerando as pessoas, ver-se-á apenas a doutrina, e o julgamento será imparcial. Quais as ideias novas que, no seu aparecimento, não tiveram seus contraditores mais ou menos interessados? Quais os propagadores dessas ideias que não foram alvo dos ataques da inveja, sobretudo se o sucesso lhes coroou os esforços? Mas voltemos ao nosso assunto.

8. O segundo ponto é a constituição dos grupos. Uma das primeiras condições é a homogeneidade, sem a qual não haveria comunhão de pensamento. Uma reunião não pode ser estável, nem séria, se não houver simpatia entre os componentes. E não pode haver simpatia entre pessoas que têm ideias divergentes e que fazem uma oposição surda, quando não aberta. Longe de nós com isso dizer que seja necessário abafar a discussão, porque, ao contrário, recomendamos o exame escrupuloso de todas as comunicações e de todos os fenômenos. Fica, pois, bem entendido que cada um pode e deve emitir sua opinião, mas há pessoas que discutem para impor a sua e não para esclarecer. É contra o espírito de oposição sistemática que nos levantamos; contra as ideias preconcebidas que não cedem nem mesmo ante a evidência. Tais pessoas incontestavelmente são uma causa de perturbação que é preciso evitar. A este respeito, as reuniões espíritas estão em condições excepcionais. O que elas requerem, acima de tudo, é o recolhimento. Ora, como estar recolhido se a cada momento a gente é distraída por uma polêmica acrimoniosa? Se reina entre os assistentes um sentimento de azedume e quando se sente em torno de si, seres que sabemos hostis e em cujo rosto se lê o sarcasmo e o desdém por tudo quanto não está de acordo com a sua opinião?

9. No Livro dos Médiuns (nº 28) traçamos o caráter das principais variedades de espíritas; sendo tal distinção importante para o assunto que nos ocupa, julgamos dever lembrá-la.

Pode-se pôr em primeira linha os que acreditam pura e simplesmente nas manifestações. Para eles o Espiritismo é apenas uma ciência de observação, uma série de fatos mais ou menos curiosos; a filosofia e a moral são acessórios de que pouco se ocupam e cujo alcance não os preocupa. Chamamo-los espíritas experimentadores.

Vêm a seguir os que veem no Espiritismo algo além dos fatos. Compreendem o seu alcance filosófico; admiram a moral dele decorrente, mas não a praticam; extasiam-se ante as belas comunicações, como ante um sermão eloquente que ouvem, mas do qual não tiram proveito. A influência sobre o seu caráter é insignificante ou nula. Em nada mudam seus hábitos e não se privam de nenhum prazer: o avarento é sempre sovina, o orgulhoso sempre cheio de si, o invejoso e o ciumento sempre hostis. Para eles a caridade cristã é apenas uma bela máxima e os bens deste mundo prevalecem, em sua estima, sobre os do futuro. São os espíritas imperfeitos.

Ao lado destes há outros, mais numerosos do que se pensa, que não se limitam a admirar a moral espírita, mas que a praticam e a aceitam em todas as suas consequências. Convencidos de que a existência terrena é uma prova passageira, tratam de aproveitar estes curtos instantes para avançar na via do progresso, esforçando-se por fazer o bem e reprimir suas más inclinações. Suas relações são sempre seguras, porque a convicção os afasta de todo mau pensamento. Em tudo a caridade é sua regra de conduta. São os verdadeiros espíritas, ou melhor, os espíritas cristãos.

10. Se bem compreendido o que precede, compreender-se-á também que um grupo formado exclusivamente por elementos desta última classe estaria nas melhores condições, porque somente entre praticantes da lei de amor e de caridade é que se pode estabelecer uma séria ligação fraternal. Entre homens para quem a moral é mera teoria, a união não seria durável. Como eles não impõem nenhum freio ao orgulho, à ambição, à vaidade e ao egoísmo, não o imporão, também, às suas palavras; quererão ser os primeiros, quando deveriam diminuir-se; irritar-se-ão com as contradições e não terão escrúpulos em semear a perturbação e a discórdia. Entre verdadeiros espíritas, ao contrário, reina um sentimento de confiança e de benevolência recíproca. Nesse meio simpático é possível sentir-se à vontade, ao passo que há constrangimento e ansiedade num ambiente misto.

11. Isto está na natureza das coisas e nada inventamos a respeito. Daí se segue que na formação de grupos deva exigir-se a perfeição? Seria simplesmente absurdo, pois seria querer o impossível, e nessas condições ninguém poderia pretender dele fazer parte. Tendo por objetivo a melhora dos homens, o Espiritismo não vem procurar os perfeitos, mas os que se esforçam em tornar-se perfeitos pondo em prática os ensinos dos Espíritos. O verdadeiro espírita não é o que alcançou o objetivo, mas o que seriamente quer atingi-lo. Sejam quais forem os seus antecedentes, será bom espírita desde que reconheça suas imperfeições e seja sincero e perseverante no propósito de emendar-se. Para ele o Espiritismo é uma verdadeira regeneração, porque ele rompe com o seu passado. Indulgente para com os outros, como quereria que fossem para consigo, de sua boca não sairá nenhuma palavra malévola nem cortante contra ninguém. Aquele que, numa reunião, se afastasse das conveniências, não só provaria uma falta de cortesia e de urbanidade, mas uma falta de caridade. Aquele que se chocasse com a contradição e pretendesse impor a sua personalidade ou as suas ideias, daria prova de orgulho. Ora, nem um nem outro estariam no caminho do verdadeiro Espiritismo, isto é, do Espiritismo cristão. Aquele que pensa ter uma opinião mais justa que os outros, poderá fazê-la mais bem aceita pela doçura e pela persuasão. O azedume, de sua parte, seria uma péssima opção.

12. A simples lógica demonstra, pois, a quem quer que conheça as leis do Espiritismo, quais os melhores elementos para a composição dos grupos realmente sérios, e não hesitamos em dizer que são estes que têm a maior influência na propagação da doutrina. Pela consideração com que são dirigidos, e pelo exemplo que dão de suas consequências morais, provam a sua gravidade e impõem silêncio à troça que, quando se contrapõe ao bem, é mais do que ridícula, porque é odiosa. Mas que quereis que pense um crítico incrédulo que assiste a experiências cujos assistentes são os primeiros a considerá-la um brinquedo? Dela sai ainda mais incrédulo do que entrou.

13. Acabamos de indicar a melhor composição dos grupos; mas a perfeição não é mais possível nos conjuntos do que nos indivíduos; nós indicamos o objetivo e dizemos que quanto mais nos aproximarmos dele, mais satisfatórios serão os resultados. Por vezes pode-se ser dominado pelas circunstâncias, mas é para subtrair-se aos obstáculos que se devem direcionar todos os cuidados. Infelizmente, quando um grupo é criado, não se é suficientemente rigoroso na escolha, porque, antes de tudo, se quer formar um núcleo; para nele ser admitido, quase sempre basta um simples desejo ou uma adesão qualquer às ideias mais gerais do Espiritismo. Mais tarde, percebe-se que se foi demasiado fácil.

14. Num grupo sempre há o elemento estável e o flutuante. O primeiro é composto de pessoas assíduas, que formam a base; o segundo, das que são admitidas temporária e acidentalmente. É à composição do elemento estável que é essencial prestar escrupulosa atenção, e neste caso não se deve hesitar em sacrificar a quantidade à qualidade, porque é ele que impulsiona e serve de regulador. O elemento flutuante é menos importante, porque se tem liberdade de modificá-lo à vontade. Não se deve perder de vista que as reuniões espíritas, como aliás todas as reuniões em geral, têm as fontes de sua vitalidade na base sobre as quais se assentam. Neste particular, tudo depende do ponto de partida. Aquele que tem a intenção de organizar um grupo em boas condições deve, antes de tudo, assegurar-se do concurso de alguns adeptos sinceros, que levem a doutrina a sério e cujo caráter conciliatório e benevolente seja conhecido. Formado esse núcleo, ainda que de três ou quatro pessoas, se estabelecerá regras precisas, quer para as admissões, quer para a realização de sessões e para a ordem dos trabalhos, regras às quais os recém-vindos terão que se conformar. Essas regras podem sofrer modificações conforme as circunstâncias, mas há algumas que são essenciais.

15. Sendo a unidade de princípios um dos pontos essenciais, ela não pode existir naqueles que, não tendo estudado, não podem ter opinião formada. A primeira condição a impor se não se quiser distrair a cada instante por objeções ou por questões inúteis é, portanto, o estudo prévio. A segunda é uma profissão de fé categórica e uma adesão formal à doutrina do Livro dos Espíritos, além de outras condições especiais julgadas convenientes. Isto quanto aos membros titulares e dirigentes; para os ouvintes, que geralmente vêm para adquirir um pouco mais de conhecimentos e de convicção, pode-se ser menos rigoroso; contudo, como existem os que poderiam causar perturbação com observações fora de propósito, é importante assegurar-se de suas disposições. É necessário sobretudo, e sem exceção, afastar os curiosos e quem quer que seja atraído por motivo frívolo.

16. A ordem e a regularidade dos trabalhos são igualmente essenciais. Consideramos eminentemente útil abrir cada sessão pela leitura de algumas passagens do Livro dos Médiuns e do Livro dos Espíritos. Por esse meio ter-se-ão sempre presentes à memória os princípios da ciência e os meios de evitar os escolhos encontrados a cada passo na prática. Assim, a atenção se fixará sobre muitos pontos que por vezes escapam numa leitura particular e poderão dar lugar a comentários e discussões instrutivas, das quais os próprios Espíritos poderão participar.

Não é menos necessário recolher em pastas todas as comunicações recebidas, por ordem de data, com indicação do médium que serviu de intermediário. Esta última referência é útil para o estudo do gênero da faculdade de cada um. Muitas vezes, porém, acontece que tais comunicações são esquecidas, tornando-se letra morta. Isto desencoraja os Espíritos que as haviam dado visando a instrução dos assistentes. É essencial, pois, fazer uma coletânea das mais instrutivas e lê-las de tempos em tempos. Muitas vezes essas comunicações são de interesse geral e não são dadas pelos Espíritos apenas para a instrução de uns poucos e para serem abandonadas nos arquivos. Assim, é útil que sejam levadas ao conhecimento de todos, pela publicidade. Examinaremos esta questão em artigo no próximo número, indicando o modo mais simples, o mais econômico e ao mesmo tempo o mais próprio para alcançar o objetivo.

17. Como se vê, nossas instruções se dirigem exclusivamente aos grupos formados por elementos sérios e homogêneos; aos que querem seguir a rota do Espiritismo moral, visando o progresso de cada um, objetivo essencial e único da doutrina; enfim, aos que nos querem mesmo aceitar por guia e levar em conta os conselhos de nossa experiência. É incontestável que um grupo formado nas condições indicadas funcionará com regularidade, sem entraves e de maneira proveitosa. O que um grupo pode fazer, outros também o podem. Suponhamos, então, numa cidade, um número qualquer de grupos constituídos nas mesmas bases; haverá necessariamente entre eles unidade de princípios, pois seguem a mesma bandeira; união simpática, pois têm por máxima amor e caridade; são, numa palavra, os membros de uma mesma família, entre os quais não poderia ter concorrência, nem rivalidade de amor-próprio, se estão todos animados dos mesmos sentimentos para o bem.

18. Entretanto, seria útil que houvesse entre eles um ponto de ligação, um centro de ação. Conforme as circunstâncias e as localidades, os diversos grupos, pondo de lado questões pessoais, poderiam designar para isto aquele que, por sua posição e sua importância relativa, fosse o mais apto para dar ao Espiritismo um impulso salutar. Conforme a necessidade, e se fosse preciso evitar susceptibilidades, um grupo central, formado de delegados de todos os grupos, tomaria o nome de grupo diretor. Na impossibilidade de nos correspondermos com todos, com este teríamos relações mais diretas. Também poderíamos, em certos casos, designar uma pessoa encarregada mais especialmente para nos representar.

Sem prejuízo das relações que se estabelecerão pela força das coisas, entre os grupos de uma mesma cidade que trilham caminhos idênticos, uma assembleia geral anual poderia reunir os espíritas dos diversos grupos numa festa familiar, que seria, ao mesmo tempo, a festa do Espiritismo. Seriam pronunciados discursos e lidas as comunicações mais notáveis, ou as mais apropriadas às circunstâncias.

O que é possível entre os grupos de uma mesma cidade, também o é entre os grupos diretores de diversas cidades, desde que entre eles haja comunhão de vistas e de sentimentos, isto é, desde que possam manter relações recíprocas. Indicaremos os meios para isto, quando falarmos do modo de publicidade.

19. Como se vê, tudo isto é de execução muito simples e sem engrenagens complicadas, mas tudo depende do ponto de partida, isto é, da composição dos grupos primitivos. Se eles forem constituídos por bons elementos, serão outras tantas boas raízes que darão bons renovos. Se, ao contrário, forem formados por elementos heterogêneos e antipáticos; por espíritas duvidosos, mais ocupados com a forma do que com o fundo, que consideram a moral como parte acessória e secundária, há que esperar polêmicas irritantes e sem saída; pretensões pessoais; choques de susceptibilidades e, em consequência, conflitos precursores da desorganização. Entre verdadeiros espíritas, tais quais os definimos, que veem o objetivo essencial do Espiritismo na moral, que é a mesma para todos, haverá sempre abnegação da personalidade, condescendência e benevolência e, por conseguinte, segurança e estabilidade nas relações. Eis por que temos insistido tanto sobre as qualidades fundamentais.

20. Talvez digam que estas severas restrições constituem um obstáculo à propagação; é um erro. Não acrediteis que abrindo a porta ao primeiro que aparecer fareis mais prosélitos. A experiência aí está para mostrar o contrário. Seríeis assaltados por uma multidão de curiosos e indiferentes, que ali viriam como para um espetáculo. Ora, os curiosos e os indiferentes são embaraços e não auxiliares. Quanto aos incrédulos por sistema ou por orgulho, por mais que lhes mostreis, não tratarão disso senão com zombaria, porque não o compreenderão e não querem dar-se ao trabalho de compreender. Já o dissemos, e não seria demais repetir, que a verdadeira propagação, a que é útil e frutífera, é feita pelo ascendente moral das reuniões sérias. Se houvessem acontecido apenas reuniões desse tipo, os espíritas seriam ainda mais numerosos, porque, é bom que se diga, muitos foram desviados da doutrina porque só assistiram a reuniões fúteis, sem ordem e sem seriedade. Sede, pois, sérios, na plena acepção da palavra, e as pessoas sérias virão a vós. São esses os melhores propagadores, porque falam com convicção e tanto pregam pelo exemplo quanto pela palavra.

21. Do caráter essencialmente sério das reuniões não se deve inferir que se tenha de proscrever sistematicamente as manifestações físicas. Como dissemos no Livro dos Médiuns (nº. 326), elas são de incontestável utilidade, do ponto de vista do estudo dos fenômenos e para a convicção de certas pessoas. No entanto, para obter-se proveito sob esse duplo ponto de vista, há que excluir-se todo pensamento frívolo. Uma reunião que possuísse um bom médium de efeitos físicos e que se ocupasse desse gênero de manifestações com ordem, método e seriedade, cuja condição moral oferecesse toda a garantia contra o charlatanismo e a fraude, não só poderia obter coisas notáveis, do ponto de vista fenomênico, mas produziria o bem em abundância. Assim, aconselhamos a não desprezar esse gênero de experiência, desde que se disponha de médiuns adequados e para tanto se organizem sessões especiais, independentes daquelas dedicadas a comunicações morais e filosóficas. Os médiuns poderosos dessa categoria são raros, mas há fenômenos que, embora mais vulgares, não são menos interessantes e concludentes porque provam, de maneira evidente, a independência do médium. Deste número, são as comunicações pela tiptologia alfabética que às vezes dão os mais imprevistos resultados. A teoria desses fenômenos é necessária para que se compreenda a maneira pela qual se operam, pois é raro que levem uma convicção profunda aos que não os compreendem. Ela tem, além disso, a vantagem de dar a conhecer as condições normais em que esses fenômenos podem produzir-se, e, consequentemente, de evitar as tentativas inúteis e de permitir que se descubra a fraude, caso ocorra em qualquer parte.

Equivocaram-se supondo que fôssemos sistematicamente contrário às manifestações físicas. Preconizamos e preconizaremos sempre as comunicações inteligentes, sobretudo as que têm alcance moral e filosófico, porque só elas tendem para o objetivo essencial e definitivo do Espiritismo. Quanto às outras, jamais lhes contestamos a utilidade, mas nos levantamos contra o deplorável abuso que delas fazem, ou que podem fazer; contra a exploração feita pelo charlatanismo; contra as más condições em que são realizadas as mais das vezes, e que se prestam ao ridículo. Dissemos e repetimos que as manifestações físicas são o começo da ciência e que não se avança ficando no á-bê-cê; que se o Espiritismo não tivesse saído das mesas girantes, não teria crescido como cresceu, e que talvez hoje nem mais se falasse dele. Eis por que nos esforçamos por fazê-lo entrar na via filosófica, certo de que então, dirigindo-se mais à inteligência do que aos olhos, tocaria o coração e deixaria de ser um modismo. É com esta única condição que poderia fazer a volta ao mundo e implantar-se como doutrina. Ora, o resultado ultrapassou, e de muito, a nossa expectativa. Às manifestações físicas só damos uma importância relativa e não absoluta. Aí está o nosso erro, aos olhos de certas pessoas que delas fazem uma ocupação exclusiva e nada mais veem. Se delas não nos ocupamos pessoalmente é porque nada de novo nos ensinariam e porque temos coisas mais essenciais a fazer. Longe de censurar os que delas se ocupam, ao contrário, encorajamo-los, desde que o façam em condições realmente proveitosas. Sempre que conhecermos reuniões desse gênero, dignas de confiança, seremos os primeiros a recomendá-las à atenção dos novos adeptos. Tal é, sobre esta questão, a nossa profissão de fé categórica.

22. Dissemos no começo que diversas reuniões espíritas pediram para unir-se à Sociedade de Paris. Usaram até a palavra afiliar; a esse respeito faz-se necessária uma explicação.

A Sociedade de Paris foi a primeira a constituir-se regular e legalmente. Por sua posição e pela natureza de seus trabalhos, teve uma grande participação no desenvolvimento do Espiritismo e, em nossa opinião, justifica o título de Sociedade Iniciadora, que lhe deram certos Espíritos. Sua influência moral se fez sentir longe e, embora ela seja numericamente restrita, tem consciência de ter feito mais pela propaganda do que se tivesse aberto suas portas ao público. Formou-se com o único objetivo de estudar e aprofundar a Ciência Espírita. Para isto não necessita de um auditório numeroso nem de muitos membros, pois sabe que a verdadeira propaganda é feita pela influência dos princípios. Como não é movida por qualquer interesse material, um excesso numérico lhe seria mais prejudicial que útil. Assim, com satisfação, ela verá multiplicarem-se ao seu redor as reuniões particulares formadas em boas condições, e com as quais poderia estabelecer relações de confraternidade. Ela não seria coerente com seus princípios, nem estaria à altura de sua missão, se pudesse conceber a sombra da inveja; os que a julgam capaz disto não a conhecem.

Estas observações bastam para mostrar que a Sociedade de Paris não poderia ter a pretensão de absorver as outras sociedades que se pudessem formar em Paris ou alhures, com os mesmos procedimentos habituais. A palavra afiliação seria, pois, imprópria, porque suporia uma espécie de supremacia material, a que absolutamente não aspira, e que até teria inconvenientes. Como Sociedade iniciadora e central, pode estabelecer com os outros grupos ou Sociedades relações puramente científicas, mas a isto se limita o seu papel. Ela não exerce qualquer controle sobre essas sociedades, que em nada dependem dela e ficam inteiramente livres para constituir-se como bem o entenderem, sem ter que prestar contas a ninguém, e sem que a Sociedade de Paris tenha que imiscuir-se seja no que for em seus negócios. Assim, as sociedades estrangeiras podem formar-se nas mesmas bases; declarar que adotam os mesmos princípios, sem depender dela senão pela concentração dos estudos e pelos conselhos que lhe podem pedir e que ela terá prazer em dar.

Por outro lado, a Sociedade de Paris não se gaba de estar, mais que as outras, ao abrigo das vicissitudes. Se, por assim dizer, as tivesse em suas mãos e se, por uma causa qualquer, cessasse de existir, a falta de um ponto de apoio resultaria em perturbação. Os grupos ou Sociedades devem buscar um ponto de apoio mais sólido que numa instituição humana, necessariamente frágil. Eles devem adquirir sua vitalidade nos princípios da doutrina, que são os mesmos para todas e que a todas sobrevivem, estejam ou não esses princípios representados por uma sociedade constituída.

23. Estando claramente definido o papel da Sociedade de Paris para evitar qualquer equívoco ou falsa interpretação, as relações que estabelecerá com as sociedades estrangeiras são extremamente simplificadas, limitando-se a relações morais, científicas e de mútua benevolência, sem qualquer sujeição. Elas permutarão o resultado de suas observações, quer através de publicações, quer de correspondência. Para que a Sociedade de Paris possa estabelecer essas relações, é preciso necessariamente que ela tenha informações exatas das sociedades estrangeiras que entendem marchar pelo mesmo caminho e adotar a mesma bandeira. Ela então as incluirá na lista de seus correspondentes. Se houver vários grupos numa cidade, serão representados pelo grupo central de que falamos no parágrafo 18.

24. Indicaremos agora alguns trabalhos com os quais as diversas Sociedades poderão colaborar de uma maneira útil; mais tarde indicaremos outros.

Sabe-se que os Espíritos, não possuindo todos a soberana ciência, podem encarar certos princípios de um ponto de vista pessoal e, consequentemente, nem sempre estarem de acordo. O melhor critério da verdade está naturalmente na concordância dos princípios ensinados sobre diversos pontos, por Espíritos diferentes e por meio de médiuns estranhos uns aos outros. Assim foi composto o Livro dos Espíritos. Mas ainda restam muitas questões importantes que podem ser resolvidas dessa maneira, e cuja solução terá tanto maior autoridade quanto obtida por uma grande maioria. Assim, a Sociedade de Paris poderá ocasionalmente dirigir perguntas dessa natureza a todos os grupos correspondentes que, através de seus médiuns, pedirão a solução a seus guias espirituais.

Outro trabalho consiste nas pesquisas bibliográficas. Existe um grande número de obras antigas e modernas, nas quais se encontram testemunhos mais ou menos diretos em favor das ideias espíritas. Uma coletânea desses testemunhos seria tarefa muito preciosa, mas é quase impossível ser feita por uma só pessoa. Torna-se fácil, ao contrário, se cada um se dispuser a colher alguns elementos em suas leituras e estudos e transmiti-los à Sociedade de Paris, que os coordenará.

25. No estado atual das coisas, esta é a única organização possível do Espiritismo. Mais tarde as circunstâncias poderão modificá-la, mas nada se deve fazer de inoportuno. Já é muito que em tão pouco tempo os adeptos se tenham multiplicado a ponto de conduzir a este resultado. Há nesta simples disposição um panorama que pode estender-se ao infinito, pela própria simplicidade das engrenagens. Não busquemos, pois, complicá-las, com receio de encontrar obstáculos. Os que fizerem a gentileza de testemunhar-nos alguma confiança, podem estar certos de que não os deixaremos para trás e que tudo virá a seu tempo. É somente a esses, como dissemos, que nos dirigimos nestas instruções, sem a pretensão de nos impormos aos que não marcham conosco.

Para denegrir, disseram que queríamos fazer escola no Espiritismo. E por que não teríamos esse direito? O Sr. de Mirville não tentou fundar uma escola demoníaca? Por que seríamos obrigados a seguir a reboque deste ou daquele? Não temos o direito de ter uma opinião, formulá-la, publicá-la e proclamá-la? Se ela encontra tão numerosos aderentes, é que aparentemente não a julgam destituída de todo senso comum. Mas aí está nosso erro aos olhos de certas pessoas que não nos perdoam por havermos chegado mais rápido que elas, e sobretudo por termos triunfado. Que isto seja então uma escola, já que assim o querem. Para nós será uma glória escrever em sua fachada: Escola do Espiritismo moral, filosófico e cristão. Para ela convidamos todos os que têm por divisa amor e caridade. Aqueles que se ligam a esta bandeira adquirem todas as nossas simpatias, e o nosso concurso jamais faltará.

 ALLAN KARDEC



[1] Em seu livro Viagem Espírita em 1862, em Impressões gerais, Kardec fez a seguinte observação: Havíamos anunciado a edição de um pequeno volume intitulado "Refutações". Não o publicamos até hoje porque nos pareceu que ninguém se revelava especialmente interessado nele, e tínhamos razão.


1. Jusqu'à présent les Spirites, quoique très nombreux, ont été disséminés dans tous les pays, et ce n'est pas là un des caractères les moins saillants de la doctrine; comme une semence emportée par les vents, elle a pris racine sur tous les points du globe, preuve évidente que sa propagation n'est l'effet ni d'une coterie ni d'une influence locale et personnelle. Les adeptes, d'abord isolés, sont tout surpris aujourd'hui de se trouver en nombre; et comme la similitude des idées inspire le désir du rapprochement, ils cherchent à se réunir et à fonder des Sociétés; aussi, de toutes parts, nous demande-t-on des instructions à cet égard, en nous manifestant le désir de s'unir à la Société centrale de Paris. Le moment est donc venu de s'occuper de ce qu'on peut appeler l'organisation du Spiritisme. Le Livre des Médiums (2° édition) contient sur la formation des Sociétés spirites des observations importantes auxquelles nous renvoyons, et que nous prions de méditer avec soin. L'expérience vient chaque jour en confirmer la justesse; nous les rappellerons succinctement, en y ajoutant des instructions plus circonstanciées.

2. Parlons d'abord des adeptes qui se trouvent encore isolés au milieu d'une population ou hostile, ou ignorante des idées nouvelles. Nous recevons journellement des lettres de personnes qui sont dans ce cas et qui nous demandent ce qu'elles peuvent faire en l'absence de médiums et de copartisans du Spiritisme. Ils sont dans la situation où se trouvaient, il y a un an à peine, les premiers Spirites des centres les plus nombreux aujourd'hui; peu à peu les adeptes se sont multipliés, et il est telle ville où ils se comptaient naguère par unités clairsemées, et où ils sont maintenait des centaines et des milliers; il en sera bientôt de même partout: c'est une question de patience. Quant à ce qu'ils ont à faire, c'est fort simple. Ils peuvent d'abord travailler pour leur propre compte, se pénétrer de la doctrine par la lecture et la méditation des ouvrages spéciaux; plus ils l'approfondiront, plus ils y découvriront de vérités consolantes confirmées par leur raison. Dans leur isolement, ils doivent s'estimer heureux d'avoir été les premiers favorisés. Mais s'ils se bornaient à puiser dans la doctrine une satisfaction personnelle, ce serait une sorte d'égoïsme; ils ont, en raison de leur position même, une belle et importante mission à remplir: celle de répandre la lumière autour d'eux. Ceux qui accepteront cette mission sans être arrêtés par les difficultés, en seront largement récompensés par le succès et par la satisfaction d'avoir fait une chose utile. Sans doute ils rencontreront de l'opposition; ils seront en butte à la raillerie et aux sarcasmes des incrédules, à la malveillance même des gens intéressés à combattre la doctrine; mais où serait le mérite s'il n'y avait aucun obstacle à vaincre? A ceux donc qui seraient arrêtés par la crainte puérile du qu'en dira-t-on, nous n'avons rien à dire, aucun conseil à donner; mais à ceux qui ont le courage de leur opinion, qui sont au-dessus des mesquines considérations mondaines, nous dirons que ce qu'ils ont à faire se borne à parler ouvertement du Spiritisme, sans affectation, comme d'une chose toute simple et toute naturelle, sans la prêcher, et surtout sans chercher ni à forcer les convictions, ni à faire des prosélytes quand même. Le Spiritisme ne doit pas s'imposer; on vient à lui parce qu'on en a besoin, et parce qu'il donne ce que les autres philosophies ne donnent pas. Il convient même de n'entrer dans aucune explication avec les incrédules obstinés: ce serait leur donner trop d'importance et leur faire croire qu'on tient à eux. Les efforts que l'on fait pour les attirer à soi les éloignent, et, par amour-propre, ils se roidissent dans leur opposition; c'est pourquoi il est inutile de perdre son temps avec eux; lorsque le besoin s'en fera sentir, ils y viendront d'eux-mêmes; en attendant, il faut les laisser tranquilles se complaire dans leur scepticisme, qui, croyez-le bien, leur pèse souvent plus qu'ils ne veulent le faire paraître; car, ils ont beau dire, l'idée du néant après la mort a quelque chose de plus effrayant, de plus navrant que la mort même.

Mais, à côté des railleurs il se trouvera des gens qui demanderont: « Qu'est-ce que c'est que cela? » Empressez-vous alors de les satisfaire en proportionnant vos explications à la nature des dispositions que vous trouverez en eux. Lorsqu'on parle du Spiritisme en général, il faut considérer les paroles que l'on prononce comme des graines jetées à la volée: dans le nombre, beaucoup tombent sur des pierres et ne produisent rien; mais n'y en eût-il qu'une seule qui tombât sur de la terre fertile, estimez-vous heureux; cultivez-la, et soyez certains que cette plante, fructifiant, aura des rejetons. La difficulté, pour quelques adeptes, est de répondre à certaines objections; la lecture attentive des ouvrages leur en fournira les moyens; mais ils pourront surtout s'aider, à cet effet, de la brochure que nous allons publier sous le titre de: Réfutation des critiques contre le Spiritisme au point de vue matérialiste, scientifique et religieux.

3. Parlons maintenant de l'organisation du Spiritisme dans les centres déjà nombreux. L'accroissement incessant des adeptes démontre l'impossibilité matérielle de constituer dans une ville, et surtout dans une ville populeuse, une Société unique. Outre le nombre, il y a la difficulté des distances, qui est un obstacle pour beaucoup. D'un autre côté, il est reconnu que les grandes réunions sont moins favorables aux belles communications, et que les meilleures s'obtiennent dans les petits comités. C'est donc à multiplier les groupes particuliers qu'il faut s'attacher. Or, comme nous l'avons dit, vingt groupes de quinze à vingt personnes obtiendront plus et feront plus pour la propagande qu'une Société unique de quatre cents membres. Les groupes se forment naturellement par affinité de goûts, de sentiments, d'habitudes et de position sociale; tout le monde s'y connaît, et, comme ce sont des réunions privées, on est libre du nombre et du choix de ceux que l'on y admet.

4. Le système de la multiplication des groupes a encore pour résultat, ainsi que nous l'avons dit en plusieurs occasions, d'empêcher les conflits et les rivalités de suprématie et de présidence. Chaque groupe est naturellement dirigé par le chef de la maison, ou celui qui est désigné à cet effet; il n'y a pas, à proprement parler, de président officiel, car tout se passe en famille. Le chef de la maison, étant maître chez lui, a toute autorité pour le maintien du bon ordre. Avec une Société proprement dite, il faut un local spécial, un personnel administratif, un budget, en un mot, une complication de rouages que le mauvais vouloir de quelques dissidents malintentionnés pourrait compromettre.

5. A ces considérations, longuement développées dans le Livre des Médiums, nous en ajouterons une qui est prépondérante. Le Spiritisme n'est pas encore vu d'un bon œil par tout le monde. Avant peu on comprendra qu'on a tout intérêt à favoriser une croyance qui rend les hommes meilleurs, et qui est une garantie d'ordre social; mais jusqu'à ce qu'on soit bien convaincu de son heureuse influence sur l'esprit des masses et de ses effets moralisateurs, les adeptes doivent s'attendre à ce que, soit par ignorance du véritable but de la doctrine, soit dans des vues d'intérêt personnel, on leur suscitera des embarras; non seulement on les bafouera, mais, quand on verra s'émousser l'arme du ridicule, on les calomniera. On les accusera de folie, de charlatanisme, d'irréligion, de sorcellerie, afin d'ameuter le fanatisme contre eux. De folie! Sublime folie que celle qui fait croire à Dieu et à l'avenir de l'âme; pour ceux qui ne croient à rien, c'est, en effet, de la folie de croire à la communication des morts et des vivants; folie qui fait le tour du monde et atteint les hommes les plus éminents. De charlatanisme! Ils ont une réponse péremptoire: le désintéressement, car le charlatanisme n'est jamais désintéressé. D'irréligion! eux qui, depuis qu'ils sont Spirites, sont plus religieux qu'ils ne l'étaient auparavant. De sorcellerie et de commerce avec le diable! eux qui nient l'existence du diable, et ne reconnaissent que Dieu comme seul maître tout-puissant, souverainement juste et bon; singuliers sorciers que ceux qui renieraient leur maître et agiraient au nom de son antagoniste! En vérité, le diable ne devrait guère être content de ses adeptes. Mais les bonnes raisons sont le moindre souci de ceux qui veulent chercher noise; quand on veut tuer son chien, on dit qu'il est enragé. Heureusement le moyen âge jette ses dernières et pâles lueurs sur notre siècle; comme le Spiritisme vient lui donner le coup de grâce, il n'est pas étonnant de le voir tenter un suprême effort; mais qu'on se rassure, la lutte ne sera pas longue. Cependant, que la certitude de la victoire ne rende pas imprudent, car une imprudence pourrait, sinon compromettre, du moins retarder le succès. Par ces motifs, la constitution de Sociétés nombreuses rencontrerait peut-être des obstacles dans certaines localités, tandis qu'il n'en saurait être de même des réunions de famille.

6. Ajoutons encore une considération. Les Sociétés proprement dites sont sujettes à de nombreuses vicissitudes; mille causes dépendantes ou non de leur volonté peuvent en amener la dissolution. Supposons donc qu'une Société spirite ait rallié à elle tous les adeptes d'une même ville, et que, par une circonstance quelconque, elle cesse d'exister; voilà les membres dispersés et désorientés. Maintenant, qu'au lieu de cela il y ait cinquante groupes, s'il en disparaît quelques-uns, il en restera toujours, et d'autres se formeront; ce sont autant de plantes vivaces qui renaissent quand même. N'ayez dans un champ qu'un seul gros arbre, la foudre peut l'abattre; ayez-en cent, le même coup ne saurait les atteindre tous, et plus ils seront petits, moins ils seront exposés.

Tout milite donc en faveur du système que nous proposons; lorsqu'un premier groupe fondé quelque part devient trop nombreux, qu'il fasse comme les abeilles: que des essaims sortis de la ruche mère aillent fonder de nouvelles ruches qui, à leur tour, en formeront d'autres. Ce seront autant de centres d'action rayonnant dans leur cercle respectif, et plus puissants pour la propagande qu'une Société unique.

7. La formation des groupes étant donc admise en principe, plusieurs questions importantes restent à examiner. La première de toutes, c'est l'uniformité dans la doctrine. Cette uniformité ne serait pas mieux garantie par une Société compacte, puisque les dissidents auraient toujours la facilité de se retirer et de faire bande à part. Que la Société soit une ou fractionnée, l'uniformité sera la conséquence naturelle de l'unité de base que les groupes adopteront. Elle sera complète chez tous ceux qui suivront la ligne tracée par le Livre des Esprits et le Livre des Médiums: l'un contenant les principes de la philosophie de la science; l'autre, les règles de la partie expérimentale et pratique. Ces ouvrages sont écrits avec assez de clarté pour ne pas donner lieu à des interprétations divergentes, condition essentielle de toute nouvelle doctrine.

Jusqu'à présent ces ouvrages servent de régulateur à l'immense majorité des Spirites, et partout ils sont accueillis avec une sympathie non équivoque; ceux qui ont voulu s'en écarter ont pu reconnaître, à leur isolement et au nombre décroissant de leurs partisans, qu'ils n'avaient pas pour eux l'opinion générale. Cet assentiment donné par le plus grand nombre est d'un grand poids; c'est un jugement qu'on ne saurait suspecter d'influence personnelle, puisqu'il est spontané et qu'il est prononcé par des milliers de personnes qui nous sont complètement inconnues. Une preuve de cet assentiment, c'est qu'on nous a demandé de les traduire en diverses langues: en espagnol, en anglais, en portugais, en allemand, en italien, en polonais, en russe et même en langue tartare. Nous pouvons donc, sans présomption, en recommander l'étude et la pratique aux diverses réunions spirites, et cela avec d'autant plus de raison, qu'ils sont les seuls, jusqu'à présent, où la science soit traitée d'une manière complète; tous ceux qui ont été publiés sur la matière n'ont touché que quelques points isolés de la question. Au reste, nous n'avons nullement la prétention d'imposer nos idées; nous les émettons, comme c'est notre droit; ceux à qui elles conviennent les adoptent; les autres les rejettent, comme c'est aussi leur droit; les instructions que nous donnons sont donc naturellement pour ceux qui marchent avec nous, pour ceux qui nous honorent du titre de leur chef spirite, et nous ne prétendons en aucune façon réglementer ceux qui veulent suivre une autre voie. Nous livrons la doctrine que nous professons à l'appréciation générale; or, nous avons rencontré assez d'adhérents pour nous donner confiance, et nous consoler de quelques dissidences isolées. L'avenir, d'ailleurs, sera le juge en dernier ressort; avec les hommes actuels disparaîtront, par la force des choses, les susceptibilités d'amour-propre froissé, les causes de jalousie, d'ambition, d'espérances matérielles déçues; ne voyant plus les personnes, on ne verra que la doctrine, et le jugement sera plus impartial. Quelles sont les idées nouvelles qui, à leur apparition, n'ont eu leurs contradicteurs plus ou moins intéressés? Quels sont les propagateurs de ces idées qui n'ont été en butte aux traits de l'envie, surtout si le succès couronne leurs efforts? Mais revenons à notre sujet.

8. Le second point est la constitution des groupes. Une des premières conditions, c'est l'homogénéité, sans laquelle il ne saurait y avoir communion de pensées. Une réunion ne peut être ni stable ni sérieuse, s'il n'y a pas sympathie entre ceux qui la composent; et il ne peut y avoir sympathie entre gens qui ont des idées divergentes et qui se font une opposition sourde si elle n'est ouverte. Loin de nous de dire par là qu'il faille étouffer la discussion, puisque, au contraire, nous recommandons l'examen scrupuleux de toutes les communications et de tous les phénomènes; il est donc bien entendu que chacun peut et doit émettre son opinion; mais il y a des gens qui discutent pour imposer la leur et non pour s'éclairer. C'est contre l'esprit d'opposition systématique que nous nous élevons; contre les idées préconçues qui ne cèdent, même pas devant l'évidence. De telles gens sont incontestablement une cause de trouble qu'il faut éviter. Les réunions spirites sont, à cet égard, dans des conditions exceptionnelles; ce qu'elles requièrent par-dessus tout, c'est le recueillement; or, comment être recueilli si l'on est à chaque instant distrait par une polémique acrimonieuse; s'il règne entre les assistants un sentiment d'aigreur, et quand on sent autour de soi des êtres que l'on sait hostiles, sur la figure desquels on lit le sarcasme et le dédain pour tout ce qui n'abonde pas dans leur sens?

9. Nous avons tracé dans le Livre des Médiums (n° 28) le caractère des principales variétés de Spirites; cette distinction étant importante pour le sujet qui nous occupe, nous croyons devoir la rappeler.

On peut mettre en première ligne ceux qui croient purement et simplement aux manifestations. Le Spiritisme n'est pour eux qu'une science d'observation, une série de faits plus ou moins curieux; la philosophie et la morale sont des accessoires dont ils se préoccupent peu, ou dont ils ne soupçonnent pas la portée. Nous les appelons Spirites expérimentateurs.

Viennent ensuite ceux qui voient dans le Spiritisme autre chose que des faits; ils en comprennent la portée philosophique; ils admirent la morale qui en découle, mais ils ne la pratiquent pas; ils s'extasient devant de belles communications, comme devant un éloquent sermon qu'on écoute sans en profiter. Son influence sur leur caractère est insignifiante ou nulle; ils ne changent rien à leurs habitudes et ne se priveraient pas d'une seule jouissance: l'avare est toujours ladre, l'orgueilleux, toujours plein de lui-même, l'envieux et le jaloux toujours hostiles; pour eux la charité chrétienne n'est qu'une belle maxime, et les biens de ce monde l'emportent dans leur estime sur ceux de l'avenir; ce sont les spirites imparfaits.

A côté de ceux-là il en est d'autres, plus nombreux qu'on ne croit, qui ne se bornent pas à admirer la morale spirite, mais qui la pratiquent et en acceptent pour eux-mêmes toutes les conséquences. Convaincus que l'existence terrestre est une épreuve passagère, ils tâchent de mettre à profit ces courts instants pour marcher dans la voie du progrès, en s'efforçant de faire le bien et de réprimer leurs penchants mauvais; leurs relations sont toujours sûres, car leur conviction les éloigne de toute pensée du mal. La charité est en toutes choses la règle de leur conduite; ce sont les vrais spirites, ou mieux les Spirites chrétiens.

10. Si l'on a bien compris ce qui précède, on comprendra aussi qu'un groupe exclusivement formé des éléments de cette dernière classe serait dans les meilleures conditions, car c'est entre gens pratiquant la loi d'amour et de charité qu'un lien fraternel sérieux peut seul s'établir. Entre hommes pour qui la morale n'est qu'une théorie, l'union ne saurait être durable; comme ils n'imposent aucun frein à leur orgueil, à leur ambition, à leur vanité, à leur égoïsme, ils n'en imposeront pas davantage à leurs paroles; ils voudront primer quand ils devraient s'abaisser; ils s'irriteront des contradictions et ne se feront aucun scrupule de semer le trouble et la discorde. Entre vrais Spirites, au contraire, il règne un sentiment de confiance et de bienveillance réciproque; on se sent à son aise dans ce milieu sympathique, tandis qu'il y a contrainte et anxiété dans un milieu mélangé.

11. Ceci est dans la nature des choses, et nous n'inventons rien sous ce rapport. S'ensuit-il que, dans la formation des groupes, il faille exiger la perfection? Ce serait tout simplement absurde, parce que ce serait vouloir l'impossible, et qu'à ce compte nul ne pourrait prétendre en faire partie. Le Spiritisme, ayant pour but l'amélioration des hommes, ne vient point chercher ceux qui sont parfaits, mais ceux qui s'efforcent de le devenir en mettant en pratique l'enseignement des Esprits. Le vrai Spirite n'est pas celui qui est arrivé au but, mais celui qui veut sérieusement l'atteindre. Quels que soient donc ses antécédents, il est bon Spirite dès lors qu'il reconnaît ses imperfections et qu'il est sincère et persévérant dans son désir de s'amender. Le Spiritisme est pour lui une véritable régénération, car il rompt avec son passé; indulgent pour les autres, comme il voudrait qu'on le fût pour lui, il ne sortira de sa bouche aucune parole malveillante ni blessante pour personne. Celui qui, dans une réunion, s'écarterait des convenances prouverait non seulement un défaut de savoir-vivre et d'urbanité, mais un manque de charité; celui qui se froisserait de la contradiction et prétendrait imposer sa personne ou ses idées, ferait preuve d'orgueil; or, ni l'un ni l'autre ne seraient dans la voie du vrai Spiritisme, c'est-à-dire du Spiritisme chrétien. Celui qui croit avoir une opinion plus juste que les autres la fera bien mieux accepter par la douceur et la persuasion; l'aigreur serait de sa part un très mauvais calcul.

12. La simple logique démontre donc à quiconque connaît les lois du Spiritisme quels sont les meilleurs éléments pour la composition des groupes vraiment sérieux, et nous n'hésitons pas à dire que ce sont ceux qui ont la plus grande influence sur la propagation de la doctrine; par la considération qu'ils commandent, par l'exemple qu'ils donnent de ses conséquences morales, ils en prouvent la gravité et imposent silence à la raillerie, qui, lorsqu'elle s'attaque au bien, est plus que ridicule, car elle est odieuse; mais que voulez-vous que pense un critique incrédule quand il assiste à des expériences dont les assistants sont les premiers à se faire un jeu? Il en sort un peu plus incrédule qu'en y entrant.

13. Nous venons d'indiquer la meilleure composition des groupes; mais la perfection n'est pas plus possible dans les ensembles que dans les individus; nous indiquons le but, et nous disons que plus on en approchera, plus les résultats seront satisfaisants. On est quelquefois dominé par les circonstances, mais c'est à éluder les obstacles qu'il faut apporter tous ses soins. Malheureusement, quand un groupe se crée, on est assez peu rigoureux sur le choix, parce qu'on veut avant tout former un noyau; il suffit, la plupart du temps, pour y être admis, d'un simple désir, ou d'une adhésion quelconque aux idées les plus générales du Spiritisme; plus tard, on s'aperçoit qu'on a été trop facile.

14. Dans un groupe, il y a toujours l'élément stable et l'élément flottant. Le premier se compose des personnes assidues qui en forment la base; le second, de celles qui n'y sont admises que temporairement et accidentellement. C'est à la composition de l'élément stable qu'il est essentiel d'apporter une attention scrupuleuse, et, dans ce cas, il ne faut pas hésiter à sacrifier la quantité à la qualité, car c'est lui qui donne l'impulsion et sert de régulateur; l'élément flottant est moins important, parce qu'on est toujours libre de le modifier à son gré. Il ne faut pas perdre de vue que les réunions spirites, comme du reste toutes les réunions en général, puisent les sources de leur vitalité dans la base sur laquelle elles sont assises; tout dépend, sous ce rapport, du point de départ. Celui qui a l'intention d'organiser un groupe dans de bonnes conditions doit avant tout s'assurer du concours de quelques adeptes sincères, prenant la doctrine au sérieux, et dont le caractère conciliant et bienveillant lui soit connu. Ce noyau étant formé, ne fût-il que de trois ou quatre personnes, on établira des règles précises, soit pour les admissions, soit pour la tenue des séances et l'ordre des travaux, règles auxquelles les nouveaux arrivants seront tenus de se conformer. Ces règles peuvent subir des modifications selon les circonstances; mais il en est quelques-unes d'essentielles.

15. L'unité de principe étant un des points importants, cette unité ne peut exister chez ceux qui, n'ayant pas étudié, ne peuvent s'être formé une opinion. La première condition à imposer, si l'on ne veut être à chaque instant distrait par des objections ou par des questions oiseuses, c'est donc l'étude préalable. La seconde est une profession de foi catégorique, et une adhésion formelle à la doctrine du Livre des Esprits, et telles autres conditions spéciales qu'on jugera à propos. Ceci est pour les membres titulaires et dirigeants; pour les auditeurs, qui viennent généralement pour acquérir un surcroît de connaissances et de conviction, on peut être moins rigoureux; toutefois, comme il en est qui pourraient causer du trouble par des observations déplacées, il est important de s'assurer de leurs dispositions; il faut surtout, et sans exception, écarter les curieux et quiconque ne serait attiré que par un motif frivole.

16. L'ordre et la régularité des travaux sont des choses également essentielles. Nous regardons comme éminemment utile d'ouvrir chaque séance par la lecture de quelques passages du Livre des Médiums et du Livre des Esprits; par ce moyen, on aura toujours présents à la mémoire les principes de la science et les moyens d'éviter les écueils que l'on rencontre à chaque pas dans la pratique. L'attention se fixera ainsi sur une foule de points qui échappent souvent dans une lecture particulière, et pourront donner lieu à des commentaires et à des discussions instructives auxquelles les Esprits eux-mêmes pourront prendre part.

Il n'est pas moins nécessaire de recueillir et de mettre au net toutes les communications obtenues, par ordre de dates, avec indication du médium qui a servi d'intermédiaire. Cette dernière mention est utile pour l'étude du genre de faculté de chacun. Mais il arrive souvent qu'on perd de vue ces communications, qui deviennent ainsi des lettres mortes; cela décourage les Esprits qui les avaient données en vue de l'instruction des assistants. Il est donc essentiel de faire un recueil spécial des plus instructives, et d'en faire de temps en temps une nouvelle lecture. Ces communications sont souvent d'un intérêt général, et ne sont pas données par les Esprits pour l'instruction de quelques-uns seulement, et pour être enfouies dans des archives. Il est donc utile qu'elles soient portées à la connaissance de tous par la publicité. Nous examinerons cette question dons un article de notre prochain numéro, en indiquant le mode le plus simple, le plus économique et en même temps le plus propre à atteindre le but.

17. Comme on le voit, nos instructions s'adressent exclusivement aux groupes formés d'éléments sérieux et homogènes; à ceux qui veulent suivre la route du Spiritisme moral en vue du progrès de chacun, but essentiel et unique de la doctrine; à ceux enfin qui veulent bien nous accepter pour guide et tenir compte des conseils de notre expérience. Il est incontestable qu'un groupe formé dans les conditions que nous avons indiquées fonctionnera avec régularité, sans entraves, et d'une manière fructueuse. Ce qu'un groupe peut faire, d'autres peuvent le faire de même. Supposons donc, dans une ville, un nombre quelconque de groupes constitués sur les mêmes bases, il y aura nécessairement entre eux unité de principes, puisqu'ils suivent le même drapeau; union sympathique, puisqu'ils ont pour maxime amour et charité; ce sont, en un mot, les membres d'une même famille, entre lesquels il ne saurait y avoir ni concurrence, ni rivalité d'amour-propre, s'ils sont tous animés des mêmes sentiments pour le bien.

18. Il serait utile cependant qu'il y eût entre eux un point de ralliement, un centre d'action. Selon les circonstances et les localités, les divers groupes, mettant de côté toute question personnelle, pourraient désigner à cet effet celui qui, par sa position et son importance relative, serait le plus apte à donner au Spiritisme une impulsion salutaire. Au besoin, et s'il est nécessaire de ménager des susceptibilités, un groupe central, formé des délégués de tous les groupes, prendrait le nom de groupe directeur. Dans l'impossibilité pour nous de correspondre avec tous, c'est celui-ci avec lequel nous aurions des rapports plus directs. Nous pourrons également, dans certains cas, désigner une personne chargée plus spécialement de nous représenter.

Sans préjudice des relations qui s'établiront par la force des choses entre les groupes d'une même ville marchant dans une voie identique, une assemblée générale annuelle pourrait réunir les Spirites des divers groupes dans une fête de famille, qui serait en même temps la fête du Spiritisme. Des discours y seraient prononcés, et il y serait donné lecture des communications les plus remarquables ou appropriées à la circonstance.

Ce qui est possible entre les groupes d'une même ville l'est également entre les groupes directeurs de différentes villes, dès lors qu'il y a entre eux communauté de vues et de sentiments; c'est-à-dire qu'ils peuvent établir des rapports réciproques. Nous en indiquerons les moyens en parlant du mode de publicité.

19. Tout cela, comme on le voit, est d'une exécution très simple, et sans rouages compliqués; mais tout dépend du point de départ, c'est-à- dire de la composition des groupes primitifs. S'ils sont formés de bons éléments, ce seront autant de bonnes racines qui donneront de bons rejetons. Si, au contraire, ils sont formés d'éléments hétérogènes et antipathiques, de Spirites douteux, s'occupant plus de la forme que du fond, considérant la morale comme la partie accessoire et secondaire, il faut s'attendre à des polémiques irritantes et sans issue, à des prétentions personnelles, à des froissements de susceptibilités, et, par suite, à des conflits précurseurs de la désorganisation. Entre vrais Spirites tels que nous les avons définis, voyant le but essentiel du Spiritisme dans la morale qui est la même pour tous, il y aura toujours abnégation de la personnalité, condescendance et bienveillance, et, par suite, sûreté et stabilité dans les rapports. Voilà pourquoi nous avons tant insisté sur les qualités fondamentales.

20. On dira peut-être que ces restrictions sévères sont un obstacle à la propagation; c'est une erreur. Ne croyez pas qu'en ouvrant vos portes au premier venu vous fassiez plus de prosélytes; l'expérience est là pour prouver le contraire; vous seriez assaillis par la foule des curieux et des indifférents, qui y viendraient comme à un spectacle; or, les curieux et les indifférents sont des embarras et non des auxiliaires. Quant aux incrédules par système ou par orgueil, quoi que vous leur montriez, ils n'en traiteront pas moins ce qu'ils verront de jonglerie, parce qu'ils ne le comprendront pas, et ne veulent pas se donner la peine de comprendre. Nous l'avons dit, et nous ne saurions trop le répéter, la véritable propagation, celle qui est utile et fructueuse, se fait par l'ascendant moral des réunions sérieuses; s'il n'y en avait jamais eu que de semblables, les Spirites seraient encore plus nombreux qu'ils ne le sont, car, il faut bien le dire, beaucoup ont été détournés de la doctrine parce qu'ils n'ont assisté qu'à des réunions futiles, sans ordre et sans gravité. Soyez donc sérieux dans toute l'acception du mot, et les gens sérieux viendront à vous: ce sont les meilleurs propagateurs, parce qu'ils parlent de conviction et qu'ils prêchent d'exemple autant que de paroles.

21. Du caractère essentiellement sérieux des réunions, il ne faut pas inférer qu'on doive systématiquement proscrire les manifestations physiques. Ainsi que nous l'avons dit dans le Livre des Médiums (n° 326), elles son d'une utilité incontestable au point de vue de l'étude des phénomènes et pour la conviction de certaines personnes; mais pour en profiter à ce double point de vue, il faut en exclure toute pensée frivole. Une réunion qui posséderait un bon médium à effets physiques, et qui s'occuperait de ce genre de manifestations avec ordre, méthode et gravité, dont la condition morale offrirait toute garantie contre le charlatanisme et la supercherie, non seulement pourrait obtenir des choses remarquables au point de vue phénoménal, mais produirait beaucoup de bien. Nous engageons donc fortement à ne point négliger ce genre d'expérimentation, si l'on a à sa disposition des médiums appropriés à la chose, et à organiser à cet effet des séances spéciales, indépendantes de celles où l'on s'occupe des communications morales et philosophiques. Les médiums puissants de cette catégorie sont rares; mais il est des phénomènes qui, quoique plus vulgaires, n'en sont pas moins très intéressants et très concluants, parce qu'ils prouvent d'une manière évidente l'indépendance du médium; de ce nombre sont les communications par la typtologie alphabétique, qui donnent souvent les résultats les plus inattendus. La théorie de ces phénomènes est nécessaire pour pouvoir se rendre compte de la manière dont ils s'opèrent, car il est rare qu'ils amènent une conviction profonde chez ceux qui ne les comprennent pas; elle a, de plus, l'avantage de faire connaître les conditions normales dans lesquelles ils peuvent se produire, et, par conséquent, d'éviter des tentatives inutiles, et de faire découvrir la fraude si elle se glissait quelque part.

On a cru à tort que nous étions systématiquement opposé aux manifestations physiques; nous préconisons et nous préconiserons toujours les communications intelligentes, celles surtout qui ont une portée morale et philosophique, parce que seules elles tendent au but essentiel et définitif du Spiritisme; quant aux autres, nous n'en avons jamais contesté l'utilité, mais nous nous sommes élevé contre l'abus déplorable qu'on en a fait et qu'on peut en faire, contre l'exploitation qu'en a faite le charlatanisme, contre les mauvaises conditions dans lesquelles on opère le plus souvent, et qui prêtent au ridicule; nous avons dit et nous répétons que les manifestations physiques sont le début de la science, et qu'on n'avance pas en restant à l'a b c; que si le Spiritisme n'était pas sorti des tables tournantes, il n'aurait pas grandi comme il l'a fait, et qu'on n'en parlerait peut-être plus aujourd'hui; voilà pourquoi nous nous sommes efforcé de le faire entrer dans la voie philosophique, certain qu'alors, s'adressant plus à l'intelligence qu'aux yeux, il toucherait le cœur, et ne serait pas une affaire de mode; c'est à cette seule condition qu'il pouvait faire le tour du monde et s'implanter comme doctrine; or, le résultat a de beaucoup dépassé notre attente. Nous n'attachons aux manifestations physiques qu'une importance relative et non absolue; c'est là notre tort aux yeux de certaines personnes qui en font leur occupation exclusive, et ne voient rien au-delà. Si nous ne nous en occupons pas personnellement, c'est qu'elles ne nous apprendraient rien de nouveau, et que nous avons des choses plus essentielles à faire; loin de blâmer ceux qui s'en occupent, nous les y encourageons, au contraire, s'ils le font dans des conditions réellement profitables; toutes les fois donc que nous connaîtrons des réunions de ce genre méritant toute confiance, nous serons les premiers à les recommander à l'attention des nouveaux adeptes. Telle est, sur cette question, notre profession de foi catégorique.

22. Nous avons dit en commençant que plusieurs réunions spirites ont demandé à s'unir à la Société de Paris; on s'est même servi du mot affilier; une explication à ce sujet est nécessaire.

La Société de Paris est la première qui ait été régulièrement et légalement constituée; par sa position et la nature de ses travaux, elle a eu une grande part dans le développement du Spiritisme, et justifie, à notre avis, le titre de Société initiatrice que certains Esprits lui ont donné. Son influence morale s'est fait sentir au loin, et, bien qu'elle se soit restreinte, numériquement parlant, elle a la conscience d'avoir plus fait pour la propagande que si elle eût ouvert ses portes au public. Elle s'est formée dans l'unique but d'étudier et d'approfondir la science spirite; elle n'a besoin pour cela ni d'un auditoire nombreux, ni de beaucoup de membres, sachant très bien que la véritable propagande se fait par l'influence des principes. Comme elle n'est mue par aucune vue d'intérêt matériel, un excédant numérique lui serait plus nuisible qu'utile; aussi verra-t-elle avec plaisir se multiplier autour d'elle les réunions particulières formées dans de bonnes conditions, et avec lesquelles elle pourrait établir des rapports de confraternité. Elle ne serait ni conséquente avec ses principes, ni à la hauteur de sa mission, si elle pouvait en concevoir l'ombre de jalousie; ceux qui l'en croiraient capable ne la connaissent pas.

Ces observations suffisent pour montrer que la Société de Paris ne saurait avoir la prétention d'absorber les autres Sociétés qui pourraient se former à Paris ou ailleurs sur les mêmes errements; le mot affiliation serait donc impropre, car il supposerait de sa part une sorte de suprématie matérielle à laquelle elle n'aspire nullement, et qui aurait même des inconvénients. Comme Société initiatrice et centrale, elle peut établir avec les autres groupes ou Sociétés des rapports purement scientifiques, mais là se borne son rôle; elle n'exerce aucun contrôle sur ces Sociétés, qui ne relèvent d'elle en aucune façon, et restent entièrement libres de se constituer comme elles l'entendent, sans avoir à en rendre compte à personne, et sans que la Société de Paris ait à s'immiscer en quoi que ce soit dans leurs affaires. Les Sociétés étrangères peuvent donc se former sur les mêmes bases, déclarer qu'elles adoptent les mêmes principes, sans en relever autrement que par la concentration des études, les conseils qu'elles peuvent lui demander, et que celle-ci se fera toujours un plaisir de leur donner.

La Société de Paris, d'ailleurs, ne se flatte pas d'être plus que les autres à l'abri des vicissitudes. Si elle les tenait pour ainsi dire dans ses mains, et que, par une cause quelconque, elle cessât d'exister, le point d'appui manquant, il en résulterait une perturbation. Les groupes ou Sociétés doivent chercher un point d'appui plus solide que dans une institution humaine nécessairement fragile; elles doivent puiser leur vitalité dans les principes de la doctrine, qui sont les mêmes pour toutes et qui survivent à toutes, que ces principes soient ou non représentés par une Société constituée.

23. Le rôle de la Société de Paris étant clairement défini pour éviter toute équivoque et toute fausse interprétation, les rapports qu'elle établira avec les Sociétés étrangères sont extrêmement simplifiés; ils se bornent à des relations morales, scientifiques et de mutuelle bienveillance, sans aucune sujétion; elles se transmettront réciproquement le résultat de leurs observations soit par la voie des publications, soit par la correspondance. Pour que la Société de Paris puisse établir ces relations, il faut nécessairement qu'elle soit fixée sur celles des Sociétés étrangères qui entendent marcher dans la même voie et adopter le même drapeau; elle les inscrira sur la liste de ses correspondants. S'il y a plusieurs groupes dans une ville, ils seront représentés par le groupe central dont nous avons parlé au paragraphe 18.

24. Nous indiquerons dès à présent quelques travaux auxquels les diverses Sociétés pourront concourir d'une manière fructueuse; par la suite nous en indiquerons d'autres.

On sait que les Esprits, n'ayant pas tous la souveraine science, peuvent envisager certains principes à leur point de vue personnel, et, par conséquent, n'être pas toujours d'accord. Le meilleur critérium de la vérité est naturellement dans la concordance des principes enseignés sur divers points par des Esprits différents et par l'entremise de médiums étrangers les uns aux autres. C'est ainsi qu'a été composé le Livre des Esprits; mais il reste encore beaucoup de questions importantes qu'on peut résoudre de cette manière, et dont la solution aura d'autant plus d'autorité qu'elle aura obtenu une plus grande majorité. La Société de Paris pourra donc, à l'occasion, adresser des questions de cette nature à tous les groupes correspondants, qui en demanderont la solution par leurs médiums à leurs guides spirituels.

Un autre travail consiste dans des recherches bibliographiques. Il existe un très grand nombre d'ouvrages anciens et modernes où se trouvent des témoignages plus ou moins directs en faveur des idées spirites. Un recueil de ces témoignages serait très précieux, mais il est presque impossible qu'il soit fait par une seule personne. Il devient facile, au contraire, si chacun veut bien en puiser quelques éléments dans ses lectures ou dans ses études et les transmettre à la Société de Paris, qui les coordonnera.

25. Telle est, dans l'état actuel des choses, la seule organisation possible du Spiritisme; plus tard, les circonstances pourront la modifier, mais il ne faut rien faire d'inopportun; c'est déjà beaucoup qu'en si peu de temps les adeptes soient assez multipliés pour amener ce résultat. Il y a dans cette simple disposition un cadre qui peut s'étendre à l'infini, par la simplicité même des rouages; ne cherchons donc pas à les compliquer, de peur de rencontrer des obstacles. Ceux qui veulent bien nous accorder quelque confiance peuvent être assurés que nous ne les laisserons pas en arrière, et que chaque chose viendra en son temps. C'est à eux seuls, comme nous l'avons dit, que nous nous adressons dans ces instructions, n'ayant pas la prétention de nous imposer à ceux qui ne marchent pas avec nous.

On a dit, par dénigrement, que nous voulions faire école dans le Spiritisme; et pourquoi n'aurions-nous pas ce droit? M. de Mirvil n'a-t- il pas tenté de former l'école démoniaque? Pourquoi serions-nous obligé de suivre à la remorque tel ou tel? N'avons-nous pas le droit d'avoir une opinion, de la formuler, de la publier, de la proclamer? Si elle rencontre de si nombreux adhérents, c'est qu'apparemment on ne la trouve pas dénuée de tout sens commun; mais c'est là notre tort aux yeux de certaines gens qui ne nous pardonnent pas d'avoir été plus vite qu'eux et surtout d'avoir réussi. Que ce soit donc une école, puisqu'ils le veulent ainsi; nous nous faisons gloire d'inscrire sur le frontispice: École du Spiritisme moral, philosophique et chrétien; et nous y convions tous ceux qui prennent pour devise: amour et charité. A ceux qui se rallient à ce drapeau, toutes nos sympathies sont acquises, et notre concours ne fera jamais défaut.

ALLAN KARDEC.

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