Como se sabe, a imprensa não nos cumula de atenções, o que não impede o Espiritismo de avançar rapidamente, prova clara de que é bastante forte para marchar sozinho. Se a imprensa é muda ou hostil, não haverá razão para crer que todos os seus representantes sejam contra o Espiritismo. Muitos, ao contrário, são-lhe simpáticos, mas detidos por considerações pessoais, porque ninguém quer tomar a iniciativa. Neste tempo a opinião pública se pronuncia cada vez mais. A ideia se generaliza e, quando tiver invadido as massas, a imprensa progressista será forçada a segui-la, sob pena de ficar com os que não avançam nunca. Fá-lo-á sobretudo quando compreender que o Espiritismo é o mais poderoso elemento de propagação para todas as ideias grandiosas, generosas e humanitárias que ela não cessa de pregar. Sem dúvida suas palavras não ficam perdidas, mas quantos golpes não devem ser dados na rocha dos preconceitos antes de encetá-la! O Espiritismo lhes oferece um terreno fecundo e elimina as últimas barreiras que lhe detinham a marcha. Eis o que compreenderão os que se derem ao trabalho de estudá-lo a fundo, de medir-lhe o alcance e de ver as consequências que já se manifestam em resultados positivos. Mas para isto são necessários observadores sérios e não superficiais; esses homens que não escrevem por escrever, mas que fazem de seus princípios uma religião. Não duvidemos de que estes serão encontrados e, mais cedo do que se pensa, ver-se-á à cabeça da propagação das ideias espíritas alguns desses nomes que, por si sós, são autoridades e cuja memória o futuro guardará, como tendo concorrido para a verdadeira emancipação da Humanidade. O artigo seguinte, publicado pelo jornal Akhbar, da Argélia, a 15 de outubro de 1861 é, neste sentido, um primeiro passo, que terá imitadores. Sob o modesto pseudônimo de Ariel, nossos leitores talvez reconheçam o talento de um dos nossos eminentes jornalistas. “A imprensa europeia está muito ocupada com esta obra. Depois de a ter lido, compreende-se, seja qual for a opinião que se tenha da colaboração das inteligências extraterrenas que o autor diz ter obtido. Com efeito, suprimindo-se algumas páginas de introdução que expõem as vias e os meios de tal colaboração ─ a parte contestável, para os profanos ─ resta um livro de alta filosofia, de uma moral eminentemente pura e, sobretudo, de um efeito muito consolador para a alma humana, abalada aqui entre os sofrimentos do presente e o medo do futuro. Assim, muitos leitores devem ter exclamado, ao chegar à última página: Não sei se tudo isto é verdadeiro, mas gostaria muito que fosse! “Quem não ouviu falar, há alguns anos, das estranhas comunicações de que certos seres privilegiados eram intérpretes entre o mundo material e o mundo invisível? Cada um tomou partido na questão e, como de hábito, a maioria dos que se colocaram sob a bandeira dos crentes, ou que se recolheram ao campo dos incrédulos, não se deram ao trabalho de verificar os fatos, cuja realidade uns admitiam e outros negavam. “Mas estes não são assuntos que se discutam num jornal como o nosso. Assim, sem contestar nem atestar a autenticidade das assinaturas póstumas de Platão, Sócrates, Santo Agostinho, Júlio César, Carlos Magno, São Luís, Napoleão, etc., que se acham no fim de vários parágrafos do livro do Sr. Allan Kardec, constatamos que se esses grandes homens voltassem ao mundo para nos dar explicações sobre os problemas mais interessantes da Humanidade, não se exprimiriam com mais lucidez, com um senso moral mais profundo, mais delicado, com maior elevação de vistas e linguagem do que o fazem na singular obra da qual procuramos dar uma ideia. São coisas que não se leem sem emoção e não são daquelas que se esquecem imediatamente depois de tê-las lido. Neste sentido o Livro dos Espíritos não passará, como tantos outros, em meio à indiferença do século. Terá ardentes detratores, zombadores impiedosos, mas não nos admiraríamos, também e em compensação, se tiver partidários muito sinceros e muito entusiastas. “Não podendo, em consciência ─ por falta de uma verificação prévia ─ colocar-nos entre uns e outros, ficamos no humilde ofício de repórter e dizemos: Lede esta obra, pois ela sai completamente das veredas batidas da banalidade contemporânea. Se não fordes seduzido, subjugado, talvez vos irriteis, mas, sem sombra de dúvida, não ficareis frio nem indiferente. “Recomendamos, sobretudo, a passagem relativa à morte. Eis um tema sobre o qual ninguém gosta de fixar a atenção, mesmo aquele que se julga espírito forte e intrépido. Pois bem! Depois de ter lido e meditado, a gente se sente muito admirada por não mais achar essa crise suprema tão apavorante. Sobre esse assunto, chega-se ao ponto mais desejável, no qual nem se teme nem se deseja a morte. Outros problemas de não menor importância têm soluções igualmente imprevistas e consoladoras. Logo, o tempo que se consagrar à leitura desse livro será bem empregado na satisfação da curiosidade intelectual e não será perdido para o melhoramento moral.” ARIEL
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La presse ne nous gâte pas, comme on le sait, ce qui n'empêche pas le Spiritisme d'avancer rapidement, preuve évidente qu'il est assez fort pour marcher tout seul. Si la presse est muette ou hostile, on aurait tort de croire qu'il a contre lui tous ses représentants; beaucoup, au contraire, lui sont très sympathiques, mais sont retenus par des considérations personnelles, car le tout est d'attacher le grelot. Pendant ce temps, l'opinion se prononce de plus en plus; l'idée se généralise, et quand elle aura envahi les masses, la presse progressive sera bien forcée de la suivre, sous peine de rester avec ceux qui n'avancent jamais. Elle le fera surtout quand elle comprendra que le Spiritisme est le plus puissant élément de propagation pour toutes les idées grandes, généreuses et humanitaires qu'elle ne cesse de prêcher; ses paroles sans doute ne sont point perdues; mais que de coups de pic ne faut-il pas donner dans le roc des préjugés avant de l'entamer! Le Spiritisme leur ouvre un terrain fécond et aplanit les dernières barrières qui en arrêtaient la marche. Voilà ce que comprendront ceux qui se donneront la peine de l'étudier à fond, d'en mesurer la portée et d'en voir les conséquences qui déjà se manifestent par des résultats positifs; mais pour cela il faut des observateurs sérieux et non superficiels; de ces hommes qui n'écrivent pas pour écrire, mais qui se font une religion de leurs principes. Il s'en trouvera, gardons-nous d'en douter; et plus tôt qu'on ne pense, on verra à la tête de la propagation des idées Spirites quelques-uns de ces noms qui, par eux seuls, sont des autorités, et dont l'avenir gardera la mémoire, comme ayant concouru à la véritable émancipation l'humanité. L'article suivant publié par l'Akhbar, journal d'Alger, du 15 octobre 1861, est, dans cette voie, un premier pas qui aura des imitateurs; sous le modeste pseudonyme d'Ariel, nos lecteurs reconnaîtront peut-être la plume exercée d'un de nos éminents publicistes. « La presse d'Europe s'est beaucoup occupée de cet ouvrage; et après l'avoir lu, on le conçoit, quelle que soit d'ailleurs l'opinion que l'on se fasse sur la collaboration des intelligences ultra-mondaines que l'auteur dit avoir obtenue. En effet, que l'on supprime les quelques pages d'introduction qui exposent les voies et moyens de cette collaboration, - la partie contestable pour les profanes, - il reste un livre d'une haute philosophie, d'une morale éminemment pure et surtout d'un effet très consolant sur l'âme humaine, tiraillée ici-bas entre les souffrances du présent et les craintes de l'avenir. Aussi, plus d'un lecteur a dû se dire, en arrivant à la dernière page: Je ne sais pas si tout cela est, mais je voudrais bien que tout cela fût! « Qui n'a entendu parler, depuis quelques années, des étranges communications dont certains êtres privilégiés étaient les intermédiaires entre notre monde matériel et le monde invisible? Chacun a pris parti dans la question; et, comme d'habitude, la plupart de ceux qui se sont rangés sous la bannière des croyants, ou qui se sont retranchés dans le camp des incrédules, n'ont pas pris la peine de vérifier les faits dont les uns admettaient et dont les autres niaient la réalité. « Mais ce ne sont pas là des matières qui se discutent dans un journal de la nature du nôtre. Sans donc contester ni attester l'authenticité des signatures posthumes de Platon, Socrate, saint Augustin, Jules César, Charlemagne, saint Louis, Napoléon, etc., qui se trouvent au bas de plusieurs des paragraphes du livre de M. Allan Kardec, constatons que si ces grands hommes revenaient au monde pour nous donner des explications sur les problèmes les plus intéressants de l'humanité, ils ne s'exprimeraient pas avec plus de lucidité, avec un sens moral plus profond, plus exquis, avec plus d'élévation dans les vues et dans le langage qu'ils ne le font dans l'excentrique ouvrage dont nous essayons de donner une idée. Ce sont des choses qui ne se lisent point sans émotion, et ce ne sont pas de celles qu'on oublie presque aussitôt après les avoir lues. En ce sens, le Livre des Esprits ne passera pas, comme tant d'autres, au milieu de l'indifférence du siècle: il aura d'ardents détracteurs, des moqueurs impitoyables, mais nous ne serions pas étonné qu'il eût aussi, en compensation, des partisans très sincères et très enthousiastes. « Ne pouvant, en conscience, - faute d'une vérification préalable, - nous ranger parmi les uns ni parmi les autres, nous nous arrêtons à l'humble office de rapporteur et nous disons: Lisez cet ouvrage, car il sort complètement des sentiers battus de la banalité contemporaine; si vous n'êtes pas séduit, subjugué, vous vous irriterez peut-être, mais, à coup sûr, vous ne resterez ni froid ni indifférent. Nous recommandons surtout le passage relatif à la mort. Voilà un sujet sur lequel personne n'aime à arrêter l'attention, même celui qui pose pour esprit fort et intrépide. Eh bien! après l'avoir lu et médité, on se sent tout étonné de ne plus trouver cette crise suprême si effrayante; on en arrive, sur ce sujet, au point le plus désirable, celui où on ne craint ni ne souhaite la mort. D'autres problèmes de non moins grande importance ont des solutions également consolantes et inattendues. Bref, le temps que l'on consacrera à la lecture de ce livre sera bien employé pour la curiosité intellectuelle, et il ne sera pas perdu pour l'amélioration morale. » ARIEL. ___________
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