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Revista Espírita 1861 » Setembro » Palestras familiares de além-túmulo » Reflexões de Erasto

O que deveis extrair deste ensino é que todas as vossas existências se ligam, e que nenhuma é independente das outras. As preocupações, os aborrecimentos, como as grandes dores que ferem os homens, são sempre as consequências de uma vida anterior, criminosa ou mal empregada. Contudo, devo dizer-vos que fins semelhantes ao de Antonio B... são raros, e se esse homem, cuja última existência foi isenta de censura, terminou desta maneira, é que ele próprio havia solicitado semelhante morte, a fim de abreviar o tempo de sua erraticidade e mais rapidamente atingir as esferas elevadas. Com efeito, após um período de perturbação e sofrimento moral para expiar ainda o seu crime espantoso, será perdoado e elevar-se-á a um mundo melhor, onde encontrará sua vítima, que o espera e que há muito o perdoou. Sabei, pois, tirar vosso proveito deste exemplo cruel, para suportar com paciência, ó meus caros espíritas, os sofrimentos corporais, os sofrimentos morais, e todas as pequenas misérias da vida.

P. ─ Que proveito pode tirar a Humanidade de semelhantes punições?

R. ─ Os castigos não são feitos para desenvolver a Humanidade, mas para castigar o indivíduo culpado. Com efeito, a Humanidade não tem nenhum interesse em ver sofrer um dos seus. Aqui a punição foi apropriada à falta. Por que os loucos? Por que os cretinos? Por que os paralíticos? Por que esses que morrem no fogo? Por que os que vivem anos nas torturas de uma longa agonia, sem poder viver nem morrer? Ah! Crede-me! Respeitai a vontade soberana e não busqueis sondar a razão dos desígnios providenciais. Sabei que Deus é justo e faz bem o que faz.

ERASTO

 

OBSERVAÇÃO: Não há neste fato um grande e terrível ensinamento? Assim a justiça de Deus atinge sempre o culpado, e por ser às vezes tardia, nem por isso deixa de seguir o seu curso. Não é eminentemente moral saber que se grandes culpados terminam a existência pacificamente, e muitas vezes na abundância dos bens terrenos, mais cedo ou mais tarde soará a hora da expiação? Penas de tal natureza se compreendem, não só porque de certo modo estão sob os nossos olhos, mas porque são lógicas. A gente crê nisto porque a razão o admite. Ora, perguntamos se esse quadro que o Espiritismo desenrola a cada instante aos nossos olhos, não é mais próprio para impressionar, para reter à beira do abismo, do que o medo das chamas eternas em que não acreditamos. Releiamos apenas as evocações publicadas nesta Revista e veremos que não há um só vício que não tenha o seu castigo, nem uma só virtude que não tenha sua recompensa, proporcionados ao mérito ou ao grau de culpabilidade, porque Deus leva em conta todas as circunstâncias que possam atenuar o mal ou aumentar o prêmio do bem.


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