A PROPÓSITO DO ARTIGO DO SR DESCHANEL, NO JOURNAL DES DÉBATS O Sr. Émile Deschanel, cujo nome não nos era conhecido, quis consagrar-nos vinte e quatro colunas do Journal des Debats, nos números de 15 e 29 de novembro último. Nós lhe agradecemos o fato, senão a intenção. Com efeito, depois dos artigos da Bibliographie catholique e da Gazette de Lyon, que lançavam o anátema e a injúria escancarados, de maneira a fazer crer num retorno ao século XV, nada conhecemos de mais malévolo, de menos científico e sobretudo de mais longo que o do Sr. Deschanel. Uma tão vigorosa sortida deve ter-lhe feito pensar que o Espiritismo, por ele ferido a lança e espada, ficaria para sempre morto e bem enterrado. Como não lhe respondemos; porque não lhe fizemos nenhuma intimação e porque não iniciamos com ele nenhuma polêmica extrema, pode ter-se equivocado quanto à causa do nosso silêncio, cujos motivos devemos expor. O primeiro é que, em nossa opinião, nada havia de urgente e estávamos muito à vontade para esperar, a fim de julgar o efeito desse assalto, e por ele regular a nossa resposta. Hoje, que estamos completamente informados a respeito, diremos algumas palavras. O segundo motivo é consequência do primeiro. Para refutar o artigo em detalhes, teria sido necessário reproduzi-lo por inteiro, a fim de pôr à vista o ataque e a defesa, o que teria absorvido um número da nossa Revista. A refutação absorveria pelo menos dois números. Teríamos, assim, três números empregados em refutar o quê? Razões? Não, apenas pilhérias do Sr. Deschanel. Francamente não valia a pena, e nossos leitores preferem outra coisa. Os que desejarem conhecer a sua lógica poderão contentar-se lendo os números citados. E depois, nossa resposta teria sido, em definitivo, senão a repetição do que escrevemos, do que respondemos ao Univers, ao Sr. Oscar Comettant, à Gazette de Lyon, ao Sr. Louis Figuier e à Bibliographie Catholique, porque todos esses ataques não passam de variantes do mesmo tema. Teria sido preciso, então, repetir a mesma coisa em outros termos, para não ser monótono, e não teríamos tempo. O que poderíamos dizer seria inútil para os adeptos e não seria bastante completo para convencer os incrédulos; seria, pois, trabalho perdido. Preferimos remeter às nossas obras os que queiram realmente esclarecer-se. Eles poderão fazer um paralelo dos argumentos pró e contra. Sua própria razão fará o resto. Aliás, por que responder ao Sr. Deschanel? Para convencê-lo? Mas isto não nos interessa absolutamente. Dir-se-á que seria um adepto a mais. Mas, que importância tem, a mais ou a menos, a pessoa do Sr. Deschanel? Que peso pode ter na balança, quando as adesões chegam aos milhares, desde o alto da escala social? ─ Mas é um jornalista e se, em lugar de uma diatribe, tivesse feito um elogio, não teria sido muito melhor para a doutrina? Este é um problema mais sério. Examinemo-lo. Para começar, é certo que o Sr. Deschanel, novo converso, teria publicado vinte e quatro colunas em favor do Espiritismo, como as publicou contra? Não o cremos, por duas razões: a primeira, porque teria temido ser levado a ridículo por seus confrades; a segunda, porque o diretor do jornal provavelmente não as teria aceito, com medo de afugentar certos leitores menos apavorados com o diabo do que com os Espíritos. Conhecemos bom número de literatos e jornalistas que estão nessas condições e que nem por isso deixam de ser menos bons e sinceros espíritas. Sabe-se que a Sra. Émile de Girardin, que geralmente passa por ter tido alguma inteligência em vida, não só era muito crente, mas ainda muito boa médium e obteve inúmeras comunicações, mas as reservava para o círculo íntimo de seus amigos, que partilhavam suas convicções. Aos outros ela não falava disto. Um jornalista que ousa falar contra, mas que não ousaria falar pró, se estivesse convencido, seria para nós um simples indivíduo. Quando vemos uma mãe desolada com a perda do filho querido encontrar inefáveis consolações na doutrina, sua adesão aos nossos princípios tem para nós cem vezes o preço da conversão de um ilustre qualquer, se esse ilustre nada ousa dizer. Ademais, homens de boa vontade não faltam. São tão abundantes e tantos vêm a nós, que mal conseguimos atendê-los. Assim, não vemos por que perder tempo com os indiferentes e correr atrás dos que não nos procuram. Uma só palavra revelará se o Sr. Deschanel é sério. Eis o começo de seu segundo artigo, de 29 de novembro: “A Doutrina Espírita refuta-se por si mesma. Basta expô-la. Depois de tudo, ela não está errada por se chamar simplesmente espírita, porque nem é espiritual nem espiritualista. Ao contrário, baseia-se no mais grosseiro materialismo e só não é divertida porque é ridícula.” Dizer que o Espiritismo é baseado num materialismo grosseiro, quando ele o combate sem tréguas; quando ele nada seria sem a alma, sua imortalidade, as penas e recompensas futuras, das quais é demonstração patente, é o cúmulo da ignorância daquilo de que se trata. Se não é ignorância, é má-fé e calúnia. Vendo esta acusação e vendo-o citar os textos bíblicos, os profetas, a lei de Moisés, que proíbe interrogar os mortos, ─ prova de que podem ser interrogados, pois não se proíbe uma coisa impossível ─ poderíamos acreditá-lo de uma ortodoxia furibunda, mas lendo os faceciosos trechos seguintes de seu artigo, os leitores ficarão muito embaraçados para se pronunciarem a respeito da sua opinião: “Como os Espíritos podem cair sobre os vossos sentidos? Como podem ser vistos, ouvidos, apalpados? E como podem escrever eles próprios e nos deixar autógrafos do outro mundo? ─ “Oh! Mas é que esses Espíritos não são Espíritos como podeis crer: Espíritos puramente Espíritos. “O Espírito ─ escutem bem ─ não é um ser abstrato, indefinido, que só o pensamento concebe; é um ser real, circunscrito, que, em certos casos, é apreciável pelos sentidos da visão, da audição e do tato.” ─ “Mas, então, esses Espíritos têm corpos? ─ “Não precisamente. ─ “Mas, então?... ─ “Há no homem três coisas: “1.º ─ O corpo, ou ser material, análogo aos animais, movido pelo mesmo princípio vital; “2.º ─ A alma, ou ser imaterial, Espírito encarnado no corpo; “3.º ─ O laço que une a alma e o corpo, princípio intermediário entre a matéria e o Espírito.” ─ “Intermediário? Que diabo quereis dizer? Ou se é matéria ou não se é. ─ “Isto depende. ─ “Como! isto depende! ─ “Eis a coisa: “O laço ou perispírito, que une o corpo e o Espírito é uma espécie de envoltório semimaterial...” ─ “Semi!... semi! ─ “A morte é a destruição do envoltório mais grosseiro; o Espírito conserva o segundo, que constitui para ele um corpo etéreo, invisível para nós no estado normal, mas que acidentalmente pode torná-lo visível e mesmo tangível, como acontece no fenômeno das aparições.” ─ “Etéreo tanto quanto queirais, um corpo é um corpo. Isto quer dizer dois. E a matéria é a matéria. Sutilizai-a tanto quanto o queirais, lá dentro não há semi algum. A própria eletricidade não passa de matéria, e não semimatéria. E quanto ao vosso... Como chamais isto? ─ “O perispírito? ─ “Sim, vosso perispírito... eu acho que ele nada explica e que ele mesmo necessita muito de explicação. ─ “O perispírito serve de primeiro envoltório ao Espírito e une a alma ao corpo. Tais são, num fruto, o germe, o perisperma e a casca ... O perispírito é tirado do meio-ambiente, do fluido universal; ele participa, ao mesmo tempo, da eletricidade, do fluido magnético e, até certo ponto, da matéria inerte... Compreendeis? ─ “Não muito. ─ “Poder-se-ia dizer que é a quintessência da matéria.” ─ “Por mais que quintessencieis, daí não tirareis espírito, nem semiespírito. Vosso perispírito é pura matéria. ─ “É o princípio da vida orgânica, mas não da vida intelectual.” ─ “Enfim, é o que quiserdes. Vosso perispírito é tantas coisas, que não sei bem o que ele é; bem poderá ser nada.” O vocábulo perispírito vos ofusca, ao que parece. Se tivésseis vivido ao tempo em que foi inventado o vocábulo perisperma, provavelmente também o tivésseis achado ridículo. Por que não criticar os que diariamente são inventados para exprimir ideias novas? Não é o vocábulo que critico, direis vós, é a coisa. Seja, porque jamais vistes o perispírito, mas negais a alma, que também nunca vistes? Negais Deus pelo mesmo motivo? Então! Se não se pode ver a alma ou o Espírito, o que é a mesma coisa, pode-se ver o seu envoltório fluídico ou perispírito, quando livre, como se vê seu envoltório carnal quando ela está encarnada. O Sr. Deschanel esforça-se por provar que o perispírito deve ser matéria. Mas é o que dizemos com todas as letras. Porventura seria isto o que o faz dizer que o Espiritismo é uma doutrina materialista? Mas a própria citação que ele faz o condena, pois o dizemos nos próprios termos, menos as espirituosas facécias, que este não passa de um envoltório independente do Espírito. Onde nos ouviu dizer que é o perispírito que pensa? Vá que ele não queira o perispírito. Mas que nos diga como explica a ação dos Espíritos sobre a matéria sem intermediário. Não falaremos das aparições contemporâneas, nas quais por certo não acredita. Mas, desde que é tão aferrado à Bíblia, da qual faz uma defesa tão acalorada, é porque acredita na Bíblia e no que ela diz. Então que nos explique as aparições de anjos, dos quais há menção a cada passo. Segundo a doutrina teológica, os anjos são puros Espíritos; mas quando se tornam visíveis, ele dirá que é o Espírito que se mostra? Isto seria, então, por esta vez, materializar o próprio Espírito, pois só a matéria pode afetar os nossos sentidos. Nós dizemos que o Espírito reveste um envoltório, que pode torná-lo visível e mesmo tangível, à vontade. Só o envoltório é material, embora muito etéreo, o que nada tira às qualidades próprias do Espírito. Assim explicamos um fato até então sem explicação, e certamente somos menos materialistas que os que pretendem que é o próprio Espírito que se transforma em matéria para ser visto e para agir. Os que não acreditavam na aparição dos anjos da Bíblia podem agora acreditar, se acreditam na existência dos anjos, sem que isso repugne à razão. Por isso mesmo, podem compreender a possibilidade das manifestações atuais, visíveis, tangíveis e outras, desde que a alma ou Espírito possui um envoltório fluídico, supondo-se que acreditam na existência da alma. Ademais, o Sr. Deschanel esqueceu uma coisa: de expor a sua teoria da alma ou do Espírito. Como homem judicioso, deveria ter dito: Estais errado por esta ou aquela razão; as coisas não são tais quais dizeis; eis o que são. Só então teríamos algo sobre que discutir. Mas é de notar que isto é o que ainda não fez nenhum dos contraditores do Espiritismo. Negam, zombam ou injuriam. Não lhes conhecemos outra lógica, o que é muito pouco inquietante. Assim, absolutamente não nos inquietamos, porque se eles nada propõem, parece que nada de melhor têm a propor. Só os francamente materialistas têm um sistema determinado: o nada após a morte. Desejamo-lhes muita diversão, se isto os satisfaz. Infelizmente os que admitem a alma estão na impossibilidade de resolver as mais vitais questões, apenas conforme sua teoria e por isso não têm outro recurso senão a fé cega, razão pouco concludente para os que gostam de razões, e o seu número é grande neste tempo de luzes. Ora, como os espiritualistas nada explicam de modo satisfatório para os pensadores, estes concluem que não há nada, e que os materialistas talvez tenham razão. É isto que conduz tanta gente à incredulidade, ao passo que essas mesmas dificuldades encontram uma solução simples e natural pela teoria espírita. O materialismo diz: Nada há fora da matéria. O espiritualismo diz: Há alguma coisa, mas não o prova. O Espiritismo diz: Há alguma coisa, e o prova, e auxiliado por sua alavanca, explica o que até agora era inexplicável. É o que faz que o Espiritismo reconduza tantos incrédulos ao espiritualismo. Só uma coisa pedimos ao Sr. Deschanel: que dê claramente a sua teoria e que responda, não menos claramente, às diversas perguntas por nós dirigidas ao Sr. Figuier. Em suma, as objeções do Sr. Deschanel são pueris. Se tivesse sido ele um homem sério; se tivesse feito crítica com conhecimento de causa; se não se tivesse exposto ao pesado erro de taxar o Espiritismo de doutrina materialista, teria procurado aprofundar-se; teria vindo nos encontrar, como tantos outros, para pedir esclarecimentos que com prazer lhe daríamos. Mas ele preferiu falar conforme suas próprias ideias, que sem dúvida olha como o supremo regulador, como a unidade métrica da razão humana. Ora, como sua opinião pessoal nos é indiferente, não nos preocupamos em o fazer mudá-la. Não demos um único passo para tanto, não o convidamos a nenhuma reunião, a nenhuma demonstração. Se ele quisesse saber, teria vindo. Como não veio, é porque não o queria e não nos interessamos mais do que ele. Outro ponto a examinar é este: Uma crítica tão virulenta e tão longa, fundamentada ou não, num jornal tão importante quanto o Débats, pode prejudicar a propagação das ideias novas? Vejamos. De início é necessário observar que não se trata uma doutrina filosófica como uma mercadoria. Se um jornal afirmasse, apoiado em provas, que tal comerciante vende mercadorias avariadas ou falsificadas, ninguém seria tentado a experimentar se aquilo era verdade. Mas toda teoria metafísica é uma opinião que, fosse ela do próprio Deus, encontraria contraditores. Não vimos as melhores coisas, as mais incontestáveis verdades de hoje serem postas em ridículo, no seu aparecimento, pelos homens mais capazes? Isso as impediu de ser verdadeiras e se propagarem? Todo mundo o sabe. Eis por que a opinião de um jornalista sobre questões desse gênero é apenas e sempre uma opinião pessoal. E a gente imagina que se tantos sábios se equivocaram sobre coisas positivas, o Sr. Deschanel pode bem enganar-se sobre uma coisa abstrata. Por menos que ele tenha uma ideia, mesmo vaga, do Espiritismo, sua acusação de materialismo é a sua própria condenação. Disso resulta que as pessoas preferem ver e julgar por si próprias, e é tudo quanto pedimos. A tal respeito, sem o querer, o Sr. Deschanel prestou um verdadeiro serviço à nossa causa; e nós lhe agradecemos, porque ele nos poupa despesas de publicidade, pois não somos bastante ricos para pagar um folhetim de 24 colunas. Por mais espalhado que esteja, o Espiritismo ainda não penetrou em toda parte. Há muita gente que dele ainda não ouviu falar. Um artigo de tal importância atrai a atenção. Penetra mesmo no campo inimigo, onde causa deserções, porque se diz naturalmente que não se ataca assim uma coisa sem valor. Com efeito, a gente não se desgasta dirigindo baterias formidáveis contra uma praça que se pode tomar a fuzil. Julga-se a resistência pelo aparato das forças de ataque, e é isto que desperta a atenção sobre coisas que talvez pudessem passar despercebidas. Isto é apenas raciocínio. Vejamos se os fatos vêm contradizê-lo. Julga-se do crédito de um jornal pelas simpatias que encontra na opinião pública, pelo número de seus leitores. O mesmo deve se dar com o Espiritismo, representado por algumas obras especiais; só falaremos das nossas, porque lhes conhecemos o número exato. Então! O Livro dos Espíritos, que passa por ser a mais completa exposição da doutrina, foi publicado em 1857; a 2.º edição em abril de 1860; a 3.º em agosto de 1860, isto é, quatro meses mais tarde, e em fevereiro de 1861, a 4.º estava à venda. Assim, três edições em menos de um ano provam que nem todo mundo é da opinião do Sr. Deschanel. Nossa nova obra, o Livro dos Médiuns, apareceu a 15 de janeiro de 1861, e já é preciso pensar na preparação de uma nova edição. Foi pedido da Rússia, da Alemanha, da Itália, da Inglaterra, da Espanha, dos Estados Unidos, do México, do Brasil, etc. Os artigos do Journal des Débats apareceram em novembro último. Se eles tivessem exercido a menor influência sobre a opinião pública, teria sido sobre a Revista Espírita, que publicamos, que tal influência ter-se-ia feito sentir. Ora, a 1.º de janeiro de 1861, data da renovação das assinaturas anuais, havia um terço a mais de assinantes em relação à mesma época do ano anterior, e diariamente ela recebe novos assinantes que, coisa digna de registro, pedem todas as coleções dos anos anteriores, tanto que foi necessário reimprimi-las. Isto prova que ela não lhes parece assim tão ridícula. De todos os lados, em Paris, no interior, no estrangeiro, formam-se reuniões espíritas. Conhecemos mais de cem delas nos Departamentos e estamos longe de conhecê-las todas, sem contar todas as pessoas que disto se ocupam isoladamente ou no seio da família. Que dirão a isto os Srs. Deschanel, Figuier e outros da mesma espécie? Que o número de loucos aumenta. Sim, aumenta de tal modo que em pouco tempo os loucos serão mais numerosos que a gente sensata. Mas o que tais senhores, tão cheios de solicitude pelo bom-senso humano devem deplorar, é ver que tudo quanto fizeram para parar o movimento produz resultado completamente contrário. Querem eles saber a causa? É muito simples. Eles pretendem falar em nome da razão, e nada oferecem de melhor: uns dão como perspectiva o nada; outros, as chamas eternas, duas alternativas que agradam a muito pouca gente. Entre as duas escolhe-se aquilo que é mais tranquilizador. Depois disto, é de admirar que os homens se lancem nos braços do Espiritismo! Aqueles senhores acreditavam tê-lo matado, e nós tivemos que lhes provar que o homenzinho vive ainda, e viverá por muito tempo. Tendo demonstrado a experiência que os artigos do Sr. Deschanel, longe de prejudicar a causa do Espiritismo, a serviram, excitando nos que dele ainda não haviam ouvido falar, o desejo de conhecê-lo, julgamos supérfluo discutir uma por uma de suas asserções. Todas as armas têm sido empregadas contra esta doutrina: atacaram-na em nome da religião, a que ela serve ao invés de prejudicar; em nome da Ciência, em nome do materialismo. Prodigalizaram-lhe, seguidamente, a injúria, a ameaça, a calúnia e ela resistiu a tudo, mesmo ao ridículo. Sob a nuvem de dardos que lhe atiram, ela faz pacificamente a volta ao mundo e se implanta por toda parte, às barbas de seus inimigos mais encarniçados. Não há nisto matéria para reflexão séria e não é a prova de que ela encontra eco no coração do homem, ao mesmo tempo que está sob a salvaguarda de uma força contra a qual vêm quebrar-se os esforços humanos? É notável que no momento em que apareceram os artigos do Journal des Débats, comunicações espontâneas ocorreram em vários lugares, em Paris como nos Departamentos. Todas exprimem o mesmo pensamento. A seguinte foi dada na Sociedade, a 30 de novembro último: “Não vos inquieteis com o que o mundo pode escrever contra o Espiritismo. Não é a vós que atacam os incrédulos, é ao próprio Deus. Mas Deus é mais poderoso do que eles. É uma era nova, entendei bem, que se abre ante vós, e os que buscam opor-se aos desígnios da Providência em breve serão derrubados. Como foi dito perfeitamente, longe de prejudicar o Espiritismo, o ceticismo fere as próprias mãos e ele mesmo se matará. Desde que o mundo quer tornar a morte onipotente pelo nada, deixai-o falar; oponde apenas a indiferença ao seu amargo pedantismo. Para vós a morte não será mais essa deusa atroz que os poetas sonharam. A morte se vos apresentará como a aurora dos dedos de rosa de Homero.” ANDRÉ CHÉNIER Sobre o mesmo assunto, São Luís havia dito antes: “Semelhantes artigos não fazem mal senão aos que os escrevem; não fazem mal nenhum ao Espiritismo, que ajudam a espalhar, até mesmo entre os seus inimigos.” Um outro Espírito respondeu a um médico de Nimes, que lhe perguntou o que pensava dos artigos: “Deveis ficar satisfeitos com isto. Se vossos inimigos se ocupam tanto convosco, é porque vos reconhecem algum valor e vos temem. Deixai, então, que digam e façam o que quiserem. Quanto mais eles falarem, mais vos tornarão conhecidos. Não está longe o tempo em que serão forçados a calar-se. Sua cólera prova a sua fraqueza. Só a verdadeira força sabe dominar-se, pois tem a calma da confiança. A fraqueza procura atordoar-se fazendo muito barulho.” Quereis agora uma amostra do emprego que certos sábios fazem da Ciência em proveito da Sociedade? Citemos um exemplo. Um dos nossos colegas da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, o Sr. Indermuhle, de Berna, escreve-nos o seguinte: “O Sr. Schiff, professor de Anatomia (não sei se é o mesmo que tão engenhosamente descobriu o músculo que range, do qual o Sr. Jobert de Lamballe se tornou o editor responsável), há algumas semanas deu aqui um curso público sobre digestão. Certamente o curso não deixava de ser interessante. Mas, depois de haver falado muito sobre a cozinha e a Química, a propósito dos alimentos, provou que nenhuma matéria se aniquila; que pode dividir-se e transformar-se, mas que é encontrada na composição do ar, da água e dos tecidos orgânicos, e chegou à seguinte conclusão: “Assim, pois, diz ele, a alma, tal como o vulgo a entende, é exatamente nesse sentido que aquilo que chamamos alma, após a morte do corpo, se dissolve como o corpo material; ela se decompõe para se juntar às matérias contidas, seja no ar, seja nos outros corpos. É somente neste sentido que o vocábulo imortalidade se justifica. Do contrário, não.” “É assim que em 1861 os sábios encarregados de instruir e esclarecer os homens lhes oferecem pedra ao invés de pão. É preciso dizer, em louvor da Humanidade, que os ouvintes estavam, na maioria, muito pouco edificados e satisfeitos com esta conclusão tirada tão bruscamente, e que muitos se escandalizaram. Eu, de minha parte, tive piedade desse homem. Se ele tivesse atacado o governo, tê-lo-iam interrompido e mesmo punido. Como se pode tolerar o ensino público do materialismo, esse dissolvente da Sociedade?” A essas judiciosas reflexões do nosso colega, ajuntaremos que uma Sociedade materialista, tal qual certos homens se esforçam em transformar a Sociedade atual, não tendo qualquer freio moral, é a mais perigosa para qualquer espécie de governo. Talvez o materialismo jamais tenha sido professado com tanto cinismo, e aqueles que são retidos por um pouco de pudor se compensam arrastando na lama o que pode destruí-lo. Mas, por mais que façam, estas são as convulsões de sua agonia. Diga o que disser o Sr. Deschanel, é o Espiritismo que lhe dará o golpe de misericórdia. Limitamo-nos a enviar a seguinte carta ao Sr. Deschanel: “Senhor, “Publicastes dois artigos no Journal des Débats de 15 e 29 de novembro último, nos quais apreciais o Espiritismo, do vosso ponto de vista. O ridículo que lançais sobre essa doutrina, sobre mim de contragolpe, e sobre todos os que a professam, me autorizava a dirigir uma refutação, que eu pediria fosse inserta. Não o fiz porque, pela maior extensão que lhe desse, sempre teria sido insuficiente para as pessoas estranhas a essa ciência e teria sido inútil aos que a conhecem. A convicção só é adquirida por estudos sérios, feitos sem prevenção, sem ideias preconcebidas e por numerosas observações, feitas com a paciência e a perseverança de quem realmente quer saber e compreender. Eu teria tido necessidade de fazer aos vossos leitores um verdadeiro curso que ultrapassaria os limites de um artigo. Mas como vos creio um homem de honra para atacar sem admitir defesa, limitar-me-ei a lhes dizer nesta simples carta que vos rogo publiqueis no mesmo jornal, que eles encontrarão tanto no Livro dos Espíritos como no Livro dos Médiuns, que acabo de publicar pelos Srs. Didier & Cia., uma resposta suficiente, em minha opinião. Deixo a critério deles o cuidado de fazer um paralelo entre os vossos argumentos e os meus. Os que quiserem previamente formar uma ideia sucinta e com pouca despesa, poderão ler a pequena brochura intitulada O que é o Espiritismo? que custa apenas 60 centavos, bem como a Carta de um católico sobre o Espiritismo, do Sr. Dr. Grand, antigo vice-cônsul da França. Encontrarão ainda algumas reflexões sobre o vosso artigo no número de março da Revista Espírita, que publico. Contudo, há um ponto que eu não poderia deixar passar em silêncio: é a passagem do vosso artigo onde dizeis que o Espiritismo é fundado sobre o mais grosseiro materialismo. Ponho de lado as expressões ofensivas e pouco parlamentares, às quais, por hábito, não presto atenção, e me limito a dizer que essa passagem contém erro, não direi grosseiro, pois o termo seria incivil, mas capital, e que me importa destacar, para esclarecimento dos vossos leitores. Com efeito, o Espiritismo tem por base essencial, e sem a qual não teria qualquer razão de ser, a existência de Deus, a da alma, sua imortalidade, as penas e as recompensas futuras. Ora, esses pontos são a mais absoluta negação do materialismo, que não admite nenhum deles. A Doutrina Espírita não se limita a afirmá-los; não os admite a priori, mas é a sua demonstração patente. Eis por que já reconduziu um tão grande número de incrédulos que haviam abjurado qualquer sentimento religioso. Ela pode não ser espiritual, mas não há dúvida que é essencialmente espiritualista, isto é, contrária ao materialismo, pois não se compreenderia uma doutrina da alma imortal fundada na inexistência da alma. O que conduz tanta gente à absoluta incredulidade é a maneira por que são apresentadas a alma e o seu futuro. Vejo diariamente gente que me diz: “Se desde a infância me tivessem ensinado essas coisas como o fazeis, eu jamais teria sido incrédulo, porque agora compreendo o que antes não compreendia.” Assim, todos os dias tenho a prova de que basta expor esta doutrina para lhe conquistar numerosos partidários. Aceitai, etc.”
|
|
A propos de l'article du journal des Débats, par M. Deschanel. M. Émile Deschanel, dont le nom ne nous était point encore parvenu, a bien voulu nous consacrer vingt-quatre colonnes du feuilleton des Débats dans les numéros des 15 et 29 novembre dernier; nous le remercions du fait, sinon de l'intention. En effet, après l'article de la Bibliographie catholique et celui de la Gazette de Lyon, qui vomissaient l'anathème et l'injure à pleine bouche, de manière à faire croire au retour du quinzième siècle, nous ne connaissons rien de plus malveillant, de moins scientifique, de plus long surtout, que celui de M. Deschanel. Une si vigoureuse sortie a dû lui faire croire que le Spiritisme, frappé par lui d'estoc et de taille, était à tout jamais bien et dûment mort et enterré; comme nous ne lui avons pas répondu, que nous ne lui avons fait aucune sommation, que nous n'avons entamé avec lui aucune polémique à outrance, il a pu se méprendre sur les causes de notre silence: nous devons en exposer les motifs. Le premier, c'est qu'à notre avis il n'y avait rien d'urgent, et que nous étions bien aise d'attendre, afin de juger l'effet de cet assaut, pour régler notre réponse; aujourd'hui que nous sommes complètement édifiés à cet égard, nous en dirons quelques mots. Le second motif est la conséquence du précédent. Pour réfuter cet article en détail, il eût fallu le reproduire en entier, afin de mettre en regard l'attaque et la défense, ce qui eût déjà absorbé un numéro de notre Revue; la réfutation en eût au moins absorbé deux; cela faisait donc trois numéros employés à réfuter quoi? des raisons? non, mais les plaisanteries de M. Deschanel: franchement cela n'en valait pas la peine, et nos lecteurs aiment mieux autre chose. Ceux qui désireraient connaître sa logique pourront se contenter en lisant les numéros cités. Et puis, notre réponse n'eût été en définitive que la répétition de ce que nous avons écrit, de ce que nous avons répondu à l'Univers, à M. Oscar Comettant, à la Gazette de Lyon, à M. Louis Figuier, à la Bibliographie catholique4, car toutes ces attaques ne sont que des variantes d'un même thème. Il eût donc fallu redire la même chose en d'autres termes pour n'être pas monotone, et nous n'en avons pas le temps. Ce que nous pourrions dire serait inutile pour les adeptes et ne serait pas assez complet pour convaincre les incrédules; ce serait donc peine perdue; nous préférons renvoyer à nos ouvrages ceux qui voudront sérieusement s'éclairer; ils pourront mettre en parallèle les arguments pour et contre: leur propre jugement fera le reste. Pourquoi d'ailleurs répondrions-nous à M. Deschanel? serait-ce pour le convaincre? Mais nous n'y tenons pas du tout. Ce serait, dit-on, un adepte de plus. Mais que nous fait la personne de M. Deschanel de plus ou de moins? De quel poids peut-il peser dans la balance, quand les adhésions arrivent par milliers depuis les sommités de l'échelle sociale? - Mais c'est un publiciste, et si, au lieu de faire une diatribe, il avait fait un éloge, est-ce que cela n'aurait pas fait beaucoup de bien à la doctrine? Ceci est une question plus grave, examinons-la. D'abord est-il bien certain que M. Deschanel nouveau converti eût publié 24 colonnes en faveur du Spiritisme, comme il les a publiées contre? Nous ne le pensons pas, par deux raisons: la première, qu'il eût craint de se faire tourner en ridicule par ses confrères; la seconde, que le directeur du journal ne l'eût probablement pas accepté, de peur d'effaroucher certains lecteurs moins effrayés du diable que des Esprits. Nous connaissons bon nombre de littérateurs et de publicistes qui sont dans ce cas, et n'en sont pas moins de bons et sincères Spirites. On sait que madame Émile de Girardin, qui passe assez généralement pour avoir eu quelque intelligence pendant sa vie, était non seulement très croyante, mais de plus très bon médium, et qu'elle a obtenu d'innombrables communications; mais elle les réservait pour le cercle intime de ses amis qui partageaient ses convictions; aux autres, elle n'en parlait pas. Donc, pour nous, un publiciste qui ose bien parler contre, mais qui n'oserait pas parler pour, s'il était convaincu, n'est pour nous qu'un simple individu, et lorsque nous voyons une mère désolée de la perte d'un enfant chéri trouver d'ineffables consolations dans la doctrine, son adhésion à nos principes a pour nous cent fois plus de prix que la conversion d'une illustration quelconque, si cette illustration n'ose rien dire. D'ailleurs les hommes de bonne volonté ne manquent pas; ils abondent tellement, et il en vient tant à nous, que nous pouvons à peine suffire à leur répondre; nous ne voyons donc pas pourquoi nous perdrions notre temps avec les indifférents, et à courir après ceux qui ne nous recherchent pas. Un seul mot fera connaître si M. Deschanel est un homme sérieux; voici le début de son second article du 29 novembre: « La doctrine spirite se réfute d'elle-même, il suffit de l'exposer. Après tout, elle n'a pas tort de s'appeler Spirite tout court, car elle n'est ni spirituelle ni spiritualiste. Elle est au contraire fondée sur le matérialisme le plus grossier, et elle n'est amusante que parce qu'elle est ridicule. » Dire que le Spiritisme est fondé sur un matérialisme grossier, alors qu'il le combat à outrance, qu'il ne serait rien sans l'âme, son immortalité, les peines et les récompenses futures dont il est la démonstration patente, c'est le comble de l'ignorance de la chose qu'on traite; si ce n'est pas ignorance, c'est mauvaise foi et calomnie. En voyant cette accusation, et à l'entendre citer les textes bibliques, les prophètes, la loi de Moïse qui défend d'interroger les morts, - preuve qu'on peut les interroger, car on ne défend pas une chose impossible, - on le croirait d'une orthodoxie furibonde; mais en lisant le facétieux passage suivant de son article, les lecteurs seront fort embarrassés de se prononcer sur ses opinions: « Comment des Esprits peuvent-ils tomber sous les sens? Comment peuvent-ils être vus, être entendus, être palpés? Et comment peuvent-ils écrire eux-mêmes et nous laisser des autographes de l'autre monde? - « Oh! mais c'est que ces Esprits-là ne sont pas des Esprits comme vous pourriez croire; des Esprits purement Esprits. « L'Esprit, - entendez bien cela, - n'est point un être abstrait, indéfini, que la pensée seule peut concevoir; c'est un être réel, circonscrit, qui, dans un certain cas, est appréciable pour les sens de la vue, de l'ouïe et du toucher. » « Mais ces Esprits ont donc des corps? « Pas précisément. « Mais enfin?… - « Il y a dans l'homme trois choses: « 1° Le corps, ou être matériel, analogue aux animaux, mû par le même principe vital; « 2° L'âme, ou être immatériel, Esprit incarné dans le corps; « 3° Le lien qui unit l'âme et le corps, principe intermédiaire entre la matière et l'Esprit. » - « Intermédiaire? Que diable voulez-vous dire? On est matière ou on ne l'est pas. - « Cela dépend. - « Comment! cela dépend! - « Voici la chose: « Le lien, ou périsprit, qui unit le corps et l'Esprit est une sorte d'enveloppe semi-matérielle… » - « Semi! semi! - « La mort est la destruction de l'enveloppe la plus grossière; l'Esprit conserve la seconde, qui constitue pour lui un corps éthéré, invisible pour nous dans l'état normal, mais qu'il peut rendre accidentellement visible et même tangible, comme cela a lieu dans le phénomène des apparitions. » - « Éthéré tant que vous voudrez: un corps est un corps. Cela en fait deux. Et la matière est la matière. Subtilisez-la tant qu'il vous plaira, il n'y a point de semi là dedans. L'électricité elle-même n'est que matière, et non semi-matière. Et quant à votre… Comment appelez-vous cela? - « Le périsprit? - « Oui, votre périsprit… je trouve qu'il n'explique rien, et qu'il a grand besoin lui-même d'explication. - « Le périsprit sert de première enveloppe à l'Esprit, et unit l'âme et le corps. Tels sont, dans un fruit, le germe, le périsperme et la coquille… Le périsprit est puisé dans le milieu ambiant, dans le fluide universel; il tient à la fois de l'électricité, du fluide magnétique, et, jusqu'à un certain point, de la matière inerte… » Comprenez-vous? - « Pas trop. - « On pourrait dire que c'est la quintessence de la matière. » - « Vous avez beau quintessencier, vous n'en tirerez pas de l'esprit, ni du semi-esprit, et c'est pure matière que votre périsprit. - « C'est le principe de la vie organique, mais ce n'est pas celui de la vie intellectuelle. » - « Enfin, c'est ce que vous voudrez; mais votre périsprit est tant de choses, que je ne sais pas trop ce qu'il est, et qu'il pourrait bien n'être rien. » Le mot périsprit vous offusque, à ce qu'il paraît? Si vous eussiez vécu au temps où fut inventé le mot périsperme, vous l'eussiez probablement trouvé ridicule aussi; que ne critiquez-vous ceux que l'on invente chaque jour pour exprimer les idées nouvelles? Ce n'est pas le mot que je critique, direz-vous, c'est la chose. Soit, vous ne l'avez jamais vu; mais niez-vous l'âme que vous n'avez jamais vue? niez-vous Dieu que vous n'avez pas vu davantage? Eh bien! si l'on ne peut voir l'âme ou l'Esprit, ce qui est la même chose, on peut voir son enveloppe fluidique ou périsprit quand elle est libre, comme on voit son enveloppe charnelle quand elle est incarnée. M. Deschanel s'efforce de prouver que le périsprit doit être de la matière; mais c'est ce que nous disons en toutes lettres. Serait-ce, par hasard, ce qui lui fait dire que le Spiritisme est une doctrine matérialiste? Mais la citation même qu'il fait le condamne, puisque nous disons en propres termes, moins ses spirituelles facéties, que ce n'est qu'une enveloppe indépendante de l'Esprit. Où a-t-il vu que nous ayons dit que c'est le périsprit qui pense? Il ne veut pas de périsprit, soit; mais qu'il nous dise comment il peut expliquer l'action de l'Esprit sur la matière sans intermédiaire? Nous ne parlerons pas des apparitions contemporaines auxquelles sans doute il ne croit pas; mais puisqu'il est si ferré sur la Bible dont il prend si chaudement la défense, c'est qu'il croit à la Bible et à ce qu'elle dit; qu'il veuille donc nous expliquer les apparitions d'anges dont elle fait à chaque instant mention? Les anges, selon la doctrine théologique, sont de purs Esprits; mais quand ils se rendent visibles, dira-t-il que c'est l'Esprit qui se fait voir? Alors ce serait, pour le coup, matérialiser l'Esprit lui-même, car il n'y a que la matière qui puisse tomber sous les sens. Nous, nous disons que l'Esprit revêt une enveloppe qu'il peut rendre visible et même tangible à volonté; l'enveloppe seule est matérielle, quoique très éthérée, ce qui n'ôte rien aux qualités propres de l'Esprit. Nous expliquons ainsi un fait jusqu'alors inexpliqué, et nous sommes certes moins matérialistes que ceux qui prétendent que c'est l'Esprit lui-même qui se transforme en matière pour se faire voir et agir. Ceux qui ne croyaient pas à l'apparition des anges de la Bible, peuvent donc y croire maintenant, s'ils croient à l'existence des anges, sans que cela répugne à leur raison; ils peuvent, par cela même, comprendre la possibilité des manifestations actuelles, visibles, tangibles ou autres, du moment que l'âme ou Esprit possède une enveloppe fluidique, si tant est qu'ils croient à l'existence de l'âme. Au reste, M. Deschanel a oublié une chose, c'est de donner sa théorie de l'âme, ou de l'Esprit; en homme judicieux, il aurait dû dire: Vous avez tort par telle ou telle raison; les choses ne sont pas telles que vous le dites: voilà ce qui est. Alors seulement nous aurions eu quelque chose sur quoi discuter. Mais il est à remarquer que c'est ce que n'a encore fait aucun des contradicteurs du Spiritisme: ils nient, se moquent ou disent des injures: nous ne leur connaissons pas d'autre logique, ce qui est fort peu inquiétant; aussi ne nous en inquiétons-nous pas du tout; car, s'ils ne proposent rien, c'est qu'apparemment ils n'ont rien de meilleur à proposer. Les francs matérialistes seuls ont un système arrêté: le néant après la mort; nous leur souhaitons bien du plaisir si cela les satisfait. Ceux qui admettent l'âme sont malheureusement dans l'impuissance de résoudre les questions les plus vitales d'après leur seule théorie, c'est pourquoi ils n'ont d'autre recours que la foi aveugle, raison peu concluante pour ceux qui aiment les raisons, et le nombre en est grand par ce temps de lumières; or, les spiritualistes n'expliquant rien d'une manière satisfaisante pour les penseurs, ceux-ci concluent qu'il n'y a rien, et que les matérialistes ont peut-être raison: c'est ce qui conduit tant de gens à l'incrédulité, tandis que ces mêmes difficultés trouvent une solution toute simple et toute naturelle par la théorie spirite. Le matérialisme dit: Il n'y a rien en dehors de la matière; le spiritualisme dit: Il y a quelque chose, mais il ne le prouve pas; le Spiritisme dit: Il y a quelque chose et il le prouve, et à l'aide de son levier il explique ce qui jusqu'alors était inexplicable; c'est ce qui fait que le Spiritisme ramène tant d'incrédules au spiritualisme. Nous ne demandons à M. Deschanel qu'une chose, c'est de donner carrément sa théorie, et de répondre non moins carrément aux diverses questions que nous avons adressées à M. Figuier. En somme, les objections de M. Deschanel sont puériles; s'il eût été un homme sérieux, s'il eût tenu à faire de la critique en connaissance de cause, et à ne pas s'exposer à commettre une aussi lourde bévue que de taxer le Spiritisme de doctrine matérialiste, il aurait cherché à approfondir; il serait venu nous trouver, comme tant d'autres, nous demander des éclaircissements que nous nous serions fait un plaisir de lui donner; mais il a préféré parler d'après ses propres idées qu'il regarde sans doute comme le régulateur suprême, comme l'unité métrique de la raison humaine; or, comme son opinion personnelle nous est indifférente, nous ne tenons nullement à lui en faire changer, c'est pourquoi nous n'avons fait aucun pas pour cela, nous ne l'avons convié à aucune réunion, à aucune démonstration; s'il avait tenu à savoir, il serait venu; il n'est pas venu, c'est donc qu'il n'y tenait pas, et nous n'y tenions pas plus que lui. Un autre point à examiner est celui-ci: Une critique aussi virulente et aussi longue, fondée ou non, dans un journal aussi important que les Débats, ne peut-elle nuire à la propagation des idées nouvelles? Voyons. Il faut d'abord remarquer qu'il n'en est pas d'une doctrine philosophique comme d'une marchandise. Si un journal affirmait, avec preuves à l'appui, que tel marchand vend des denrées avariées ou frelatées, personne ne serait tenté d'aller essayer si cela est vrai; mais toute théorie métaphysique est une opinion qui, fût-elle de Dieu même, trouverait des contradicteurs. N'a-t-on pas vu les meilleures choses, les vérités les plus incontestables aujourd'hui, tournées en ridicule à leur apparition par les hommes les plus capables? Cela les a-t-il empêchées d'être des vérités et de se propager? Tout le monde sait cela; c'est pourquoi l'opinion d'un journaliste sur des questions de ce genre n'est toujours qu'une opinion personnelle, et l'on se dit que si tant de savants se sont trompés sur des choses positives, M. Deschanel peut bien se tromper sur une chose abstraite; et pour peu qu'on ait une idée, même vague, du Spiritisme, son accusation de matérialisme est sa propre condamnation. Il en résulte qu'on veut voir et juger par soi-même: c'est tout ce que nous demandons. Sous ce rapport M. Deschanel a donc rendu, sans le vouloir, un véritable service à notre cause, et nous l'en remercions, parce qu'il nous épargne des frais de publicité, n'étant pas assez riches pour payer un feuilleton de 24 colonnes. Quelque répandu qu'il soit, le Spiritisme n'a pas encore pénétré partout; il y a bien des gens qui n'en ont jamais entendu parler; un article de cette importance attire l'attention, le fait pénétrer même dans le camp ennemi où il cause des désertions, car on se dit naturellement qu'on ne frappe pas ainsi une chose sans valeur; en effet, on ne s'amuse pas à dresser des batteries formidables contre une place qu'on peut prendre à coups de fusil. On juge la résistance par le déploiement des forces d'attaque, et c'est ce qui éveille l'attention sur des choses qui eussent peut-être passé inaperçues. Ceci n'est que du raisonnement; voyons si les faits viennent le contredire. On juge du crédit d'un journal, des sympathies qu'il trouve dans l'opinion publique par le nombre de ses lecteurs. Il doit en être de même du Spiritisme représenté par quelques ouvrages spéciaux; nous ne parlerons que des nôtres, parce que nous en savons le chiffre exact; eh bien! le Livre des Esprits, qui passe pour contenir l'exposé le plus complet de la doctrine, a été publié en 1857; la 2° édition en avril 1860, la 3° en août 1860, c'est-à-dire quatre mois plus tard, et en février 1861 la 4° était en vente; ainsi trois éditions en moins d'un an prouvent que tout le monde n'est pas de l'avis de M. Deschanel. Notre nouvel ouvrage, le Livre des Médiums, a paru le 15 janvier 1861 et déjà il faut songer à préparer une nouvelle édition; il est demandé en Russie, en Allemagne, en Italie, en Angleterre, en Espagne, aux États-Unis, au Mexique, au Brésil, etc. Les articles du Journal des Débats ont paru en novembre dernier; s'ils avaient exercé la moindre influence sur l'opinion, c'est assurément sur la Revue Spirite, que nous publions, qu'elle se serait fait sentir; or le 1° janvier 1861, époque des renouvellements annuels, il y avait un tiers d'abonnés inscrits de plus qu'à la même époque de l'année précédente, et chaque jour elle en reçoit de nouveaux qui, chose digne de remarque, demandent tous les collections des années antérieures, si bien qu'il a fallu les faire réimprimer; donc cela prouve qu'elle ne leur semble pas par trop ridicule. De tous les côtés, à Paris, en province, à l'étranger, se forment des réunions Spirites; nous en connaissons plus de cent dans les départements, et nous sommes loin de les connaître toutes, sans compter toutes les personnes qui s'en occupent isolément ou dans l'intérieur des familles. Que diront à cela MM. Deschanel, Figuier et consorts? que le nombre des fous augmente. Oui, il augmente tellement qu'avant peu les fous seront plus nombreux que les gens sensés; mais ce que ces Messieurs, si pleins de sollicitude pour le bon sens humain, doivent déplorer, c'est de voir que tout ce qu'ils ont fait pour arrêter le mouvement produit un résultat tout contraire. Veulent-ils en connaître la cause? Elle est bien simple. Ils prétendent parler au nom de la raison et n'offrent rien de mieux; les uns donnent pour perspective le néant, les autres les flammes éternelles, deux alternatives qui plaisent à bien peu de personnes; entre les deux on choisit ce qui est le plus rassurant. Étonnez-vous donc, après cela, de voir les hommes se jeter dans les bras du Spiritisme! Ces Messieurs ont cru le tuer, nous avons tenu à leur prouver que Petit Bonhomme vit encore, et vivra longtemps. L'expérience nous ayant donc démontré que les articles de M. Deschanel, loin de nuire à la cause du Spiritisme, l'ont servie, en excitant chez ceux qui n'en avaient pas entendu parler le désir de le connaître, nous jugeons superflu de discuter une à une ses assertions. Toutes les armes ont été employées contre cette doctrine: on l'a attaquée au nom de la religion, qu'elle sert au lieu de lui nuire, au nom de la science, au nom du matérialisme; on lui a prodigué tour à tour l'injure, la menace, la calomnie, et elle a résisté à tout, même au ridicule; sous la nuée des traits qu'on lui lance, elle fait paisiblement le tour du monde et s'implante partout, à la barbe de ses ennemis les plus acharnés; n'y a-t-il pas là matière à sérieuse réflexion, et n'est-ce pas la preuve qu'elle trouve de l'écho dans le cœur de l'homme, en même temps qu'elle est sous la sauvegarde d'une puissance contre laquelle viennent se briser les efforts humains? Il est remarquable qu'à l'époque où parurent les articles du Journal des Débats, des communications spontanées eurent lieu de différents côtés à Paris et dans les départements; toutes expriment la même pensée. La suivante a été faite dans la Société le 30 novembre dernier: « Ne vous inquiétez pas de ce que le monde peut écrire contre le Spiritisme; ce n'est pas à vous que s'attaquent les incrédules, c'est à Dieu même, mais Dieu est plus puissant qu'eux. C'est une ère nouvelle, entendez-vous bien, qui s'ouvre devant vous, et ceux qui cherchent à s'opposer aux desseins de la Providence seront bientôt renversés. Comme on vous l'a parfaitement dit, loin de nuire au Spiritisme, le scepticisme se frappe de sa propre main, et c'est lui-même qui se tuera. Puisque le monde veut rendre la mort toute-puissante par le néant, laissez-le dire, n'opposez que de l'indifférence à son amer pédantisme. Pour vous la mort ne sera plus cette déesse atroce qu'ont rêvée les poètes: la mort se présentera à vous comme l'aurore aux doigts de rose d'Homère. » André CHENIER. Saint Louis avait dit précédemment sur le même sujet: « De semblables articles ne font de mal qu'à ceux qui les écrivent, ils n'en font aucun au Spiritisme qu'ils contribuent à répandre même parmi ses ennemis. » Un autre Esprit répondit à un médecin Spirite de Nîmes, qui lui demandait ce qu'il pensait de ces articles: « Vous devez en être très satisfaits; si vos ennemis s'occupent tant de vous, c'est qu'ils vous reconnaissent quelque valeur, et qu'ils vous craignent. Laissez-les donc dire et faire ce qu'ils voudront; plus ils parleront, plus ils vous feront connaître, et le temps n'est pas loin où ils seront bien forcés de se taire. Leur colère prouve leur faiblesse; la véritable force seule sait se posséder: elle a le calme de la confiance; la faiblesse cherche à s'étourdir en faisant beaucoup de bruit. » Veut-on maintenant un échantillon de l'usage que certains savants font de la science au profit de la Société? citons un exemple. Un de nos collègues de la Société parisienne des Études Spirites, M. Indermuhle, de Berne, nous écrit ce qui suit: « M. Schiff, professeur d'anatomie (je ne sais si c'est le même qui a si ingénieusement découvert le muscle craqueur, dont M. Jobert de Lambale s'est fait l'éditeur responsable)5, a fait ici, il y a quelques semaines, un cours public sur la digestion. Le cours n'était certes pas sans intérêt; mais après avoir longtemps parlé de cuisine et de chimie à propos des aliments, et prouvé qu'aucune matière ne s'anéantit; qu'elle peut se diviser et se transformer, mais qu'on la retrouve dans la composition de l'air, de l'eau et des tissus organiques, il vient à la solution suivante: « Ainsi donc, dit-il, l'âme, telle que le vulgaire l'entend, est juste dans ce sens que ce qu'on appelle l'âme, après la mort du corps, se dissout, comme le corps matériel; elle se décompose pour rejoindre les matières contenues, soit dans l'air, soit dans les autres corps, c'est seulement dans ce sens que le mot immortalité est justifié, autrement, non. » « C'est ainsi qu'en 1861, les savants, chargés d'instruire et d'éclairer les hommes, leur offrent des pierres au lieu de pain. Il faut dire, à la louange de l'humanité, que les auditeurs étaient, pour la plupart, très peu édifiés et satisfaits de cette conclusion amenée si brusquement; que beaucoup en ont été scandalisés; moi, j'ai eu pitié de cet homme. S'il eût attaqué le Gouvernement, on l'eût interdit, on l'eût puni même; comment peut-on tolérer l'enseignement public du matérialisme, ce dissolvant de la société? » À ces judicieuses réflexions de notre collègue nous ajouterons qu'une société matérialiste, telle que certains hommes s'efforcent de rendre la société actuelle, n'ayant aucun frein moral, est la plus dangereuse pour toute espèce de gouvernement; jamais peut-être le matérialisme n'a été professé avec autant de cynisme; ceux qu'un peu de pudeur retient s'en dédommagent en traînant dans la boue ce qui peut le détruire; mais ils auront beau faire, ce sont les convulsions de son agonie; et, quoi qu'en dise M. Deschanel, c'est le Spiritisme qui lui donnera le coup de grâce. Nous nous sommes borné à adresser à M. Deschanel la lettre suivante: Monsieur, Vous avez publié deux articles dans le Journal des Débats des 15 et 29 novembre dernier, dans lesquels vous appréciez le Spiritisme à votre point de vue. Le ridicule que vous jetez sur cette doctrine, sur moi par contrecoup, et sur tous ceux qui la professent, m'autorisait à vous adresser une réfutation que j'aurais pu vous prier d'insérer; je ne l'ai pas fait, parce que, quelque étendue que j'y eusse donnée, elle eût toujours été insuffisante pour les personnes étrangères à cette science, et elle eût été inutile pour celles qui la connaissent. La conviction ne peut s'acquérir que par une étude sérieuse, faite sans prévention, sans idées préconçues et par des observations nombreuses, faites avec la patience et la persévérance de quiconque veut réellement savoir et comprendre. Il m'aurait donc fallu faire à vos lecteurs un véritable cours qui eût dépassé les bornes d'un article; mais, comme je vous crois trop homme d'honneur pour vouloir attaquer sans admettre la défense, je me bornerai à leur dire, par cette simple lettre, que je vous prie de vouloir bien publier dans le même journal, qu'ils trouveront, soit dans le Livre des Esprits, soit dans le Livre des Médiums, que je viens de publier chez MM. Didier et Cie, une réponse suffisante, à mon avis; je laisse à leur jugement le soin de mettre en parallèle vos arguments et les miens. Ceux qui voudraient, au préalable, en avoir une idée succincte et à peu de frais, pourront lire la petite brochure intitulée: Qu'est-ce que le Spiritisme? et qui ne coûte que 60 centimes, ainsi que la Lettre d'un catholique sur le Spiritisme par M. le docteur Grand, ancien vice-consul de France. Ils trouveront encore quelques réflexions sur votre article dans le n° du mois de mars de la Revue Spirite que je publie. Toutefois, il est un point que je ne saurais passer sous silence; c'est le passage de votre article où vous dites que le Spiritisme est fondé sur le plus grossier matérialisme. Je mets de côté les expressions offensantes et peu parlementaires auxquelles j'ai l'habitude de ne prêter aucune attention, et je me borne à dire que ce passage contient une erreur, je ne dirai pas grossière, le mot serait incivil, mais capitale, et qu'il m'importe de relever pour l'édification de vos lecteurs. En effet, le Spiritisme a pour base essentielle, et sans laquelle il n'aurait aucune raison d'être, l'existence de Dieu, celle de l'âme, son immortalité, les peines et les récompenses futures; or, ces points sont la négation la plus absolue du matérialisme, qui n'en admet aucun. La doctrine Spirite ne se borne pas à les affirmer, elle ne les admet pas à priori, elle en est la démonstration patente; c'est pourquoi elle a déjà ramené un si grand nombre d'incrédules qui avaient abjuré tout sentiment religieux. Elle peut n'être pas spirituelle, mais à coup sûr, elle est essentiellement spiritualiste, c'est-à-dire contraire au matérialisme, car on ne concevrait pas une doctrine de l'âme immortelle, fondée sur la non-existence de l'âme. Ce qui conduit tant de gens à l'incrédulité absolue, c'est la manière dont l'âme et son avenir sont présentés; je vois tous les jours des gens me dire: « Si dès mon enfance on m'avait enseigné ces choses comme vous le faites, je n'aurais jamais été incrédule, parce qu'à présent je comprends, et qu'avant je ne comprenais pas; » aussi ai-je tous les jours la preuve qu'il suffit d'exposer cette doctrine pour lui conquérir de nombreux partisans. Agréez, etc. ___________________ 4 A l'Univers: mai et juillet 1859; à M. Oscar Comettant: décembre 1859; à la Gazette de Lyon: octobre 1860; à M. Louis Figuier: septembre et décembre 1860; à la Bibliographie catholique: janvier 1861. 5 Voy. la Revue Spirite, juin 1859. ___________________________
|