40. O Espiritismo realiza, como foi demonstrado (cap. I, nº 30), todas as condições do Consolador que Jesus prometeu. Não é uma doutrina individual, nem de concepção humana; ninguém pode dizer-se seu criador. É produto do ensino coletivo dos Espíritos, ensino ao qual preside o Espírito de Verdade. Nada suprime do Evangelho: antes o completa e elucida; com o auxílio das novas leis que revela, conjugadas às da ciência, ele dá a compreender o que era ininteligível, admite a possibilidade do que a incredulidade via como inadmissível. Teve seus precursores e seus profetas, que pressentiram a sua vinda. Por seu poder moralizador, ele prepara o reino do bem na Terra.
A doutrina de Moisés, incompleta, ficou circunscrita ao povo judeu; a de Jesus, mais completa, se espalhou por toda a Terra, mediante o Cristianismo, mas não converteu a todos; o Espiritismo, ainda mais completo, com raízes em todas as crenças, converterá a Humanidade.[1]
[1] Todas as doutrinas filosóficas e religiosas trazem o nome do seu fundador. Diz-se: o Moisaísmo, o Cristianismo, o Maometismo, o Budismo, o Cartesianismo, o Furrierismo, o São-Simonismo, etc. A palavra Espiritismo, ao contrário, não lembra nenhuma personalidade; encerra uma idéia geral, que ao mesmo tempo indica o caráter e o tronco multíplice da doutrina.