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O Céu e o Inferno » Segunda Parte - Exemplos » Capítulo III - Espíritos em condições medianas » Sr. Cardon, médico Le Ciel et l'Enfer » Deuxième Partie - Exemples » Chapitre III - Esprits dans une condition moyenne » M. Cardon, médecin

O Sr. Cardon passara uma parte da vida na marinha mercante, na qualidade de médico de baleeiro, e extraíra daí hábitos e ideias um pouco materiais; aposentado no vilarejo de J..., exercia aí a modesta profissão de médico rural. Havia algum tempo, adquirira a certeza de que sofria de uma hipertrofia do coração, e, sabendo que essa doença é incurável, o pensamento da morte mergulhava-o numa sombria melancolia da qual nada o podia distrair. Aproximadamente dois meses antes, predisse seu fim num dia pré-determinado; quando se viu prestes a morrer, reuniu a família à sua volta para lhe dizer um último adeus. Sua mulher, sua mãe, seus três filhos e outros parentes estavam reunidos em volta de sua cama; no momento em que a mulher tentava erguê-lo, ele caiu bruscamente, tornou-se de um azul lívido, os olhos fecharam-se, e foi dado por morto; a mulher colocou-se diante dele para ocultar esse espetáculo aos filhos. Depois de alguns minutos ele reabriu os olhos; seu rosto, por assim dizer iluminado, tomou uma expressão de radiosa beatitude, e ele exclamou: Oh! meus filhos, como é belo! Como é sublime! Oh! a morte! Que ventura! Que doce coisa! Eu estava morto, e senti minha alma se elevar bem alto, bem alto; mas Deus me permitiu voltar para vos dizer: “Não temais a morte, é a libertação...” Se pudesse descrever-vos a magnificência do que vi e as impressões de que me senti penetrado! Mas não poderíeis compreender... Oh! meus filhos, conduzi-vos sempre de maneira a merecer essa inefável felicidade, reservada aos homens de bem; vivei segundo a caridade; se tiverdes algo, dai uma parte àqueles que carecem do necessário... Minha querida mulher, deixo-te numa posição que não é boa; devem-nos dinheiro, mas peço-te, não atormentes aqueles que nos devem; se eles estiverem em dificuldades, aguarda que possam quitar a dívida, e aqueles que não puderem, faz esse sacrifício por eles: Deus te recompensará. Tu, meu filho, trabalha para sustentar a tua mãe; sê sempre honesto e toma cuidado para não fazer nada que possa desonrar a nossa família. Toma esta cruz que era da minha mãe; não a abandones, e que ela te relembre sempre meus últimos conselhos... Meus filhos, ajudai-vos e apoiai-vos mutuamente; que a boa harmonia reine entre vós; não sejais vaidosos, nem orgulhosos; perdoai aos vossos inimigos, se quiserdes que Deus vos perdoe...” Depois, tendo mandado aproximarem-se os filhos, estendeu as mãos para eles, e acrescentou: “Meus filhos, eu vos bendigo.”  E seus olhos se fecharam, desta vez para sempre; mas seu semblante conservou uma expressão tão imponente que, até o momento em que foi enterrado, uma multidão considerável veio contemplá-lo com admiração.

Tendo estes interessantes detalhes nos sido transmitidos por um amigo da família, pensamos que esta evocação podia ser instrutiva para todos, ao mesmo tempo em que seria útil ao Espírito.

1.    Evocação. R. Estou perto de vós.

2. Relataram-nos vossos últimos instantes que nos encheram de admiração. Teríeis a bondade de nos descrever, melhor do que fizestes, o que vistes durante o intervalo do que se poderia chamar vossas duas mortes. – R. O que eu vi, poderíeis compreendê-lo? Não sei, pois não poderia encontrar expressões capazes de tornar compreensível o que pude ver durante os poucos instantes em que me foi possível deixar meus restos mortais.

3.  Vós vos dais conta de onde estivestes? Foi longe da terra, num outro planeta ou no espaço? – R. O Espírito não conhece o valor das distâncias tais como vós as considerais. Levado por não sei que agente maravilhoso, vi o esplendor de um céu como só nossos sonhos poderiam realizar. Essa corrida através do infinito ocorreu tão rapidamente que não posso precisar os instantes usados pelo meu Espírito.

4. Atualmente, gozais da felicidade que entrevistes? – R. Não; gostaria de poder gozá-la, mas Deus não pode me recompensar assim. Revoltei-me demasiadas vezes contra os pensamentos benditos que meu coração ditava, e a morte me parecia uma injustiça. Médico incrédulo, eu extraíra da arte de curar uma aversão contra a segunda natureza que é nosso movimento inteligente, divino; a imortalidade da alma era uma ficção própria para seduzir as naturezas pouco elevadas; no entanto, o vazio me aterrorizava, pois maldisse muitas vezes esse agente misterioso que atinge sempre e sempre. A filosofia me desencaminhara, sem me fazer compreender toda a grandeza do Eterno que sabe repartir a dor e a alegria para o ensinamento da humanidade.

5. Quando de vossa morte verdadeira, reconheceste-vos imediatamente? – R. Não; reconheci-me durante a transição que meu Espírito suportou para percorrer os lugares etéreos; mas após a morte real, não; foram precisos alguns dias para meu despertar.

Deus me concedera uma graça; vou dizer-vos a razão dela:

Minha incredulidade inicial não existia mais; antes de minha morte, eu cria, pois após ter cientificamente sondado a matéria grave que me fazia perecer, eu não encontrara, esgotadas as razões terrestres, senão a razão divina; ela me inspirara, consolara, e minha coragem era mais forte do que a dor. Bendizia o que maldissera; o fim me parecia a libertação. O pensamento de Deus é grande como o mundo! Oh! Que supremo consolo na prece que dá enternecimentos inefáveis; ela é o elemento mais seguro de nossa natureza imaterial; por ela compreendi, acreditei firmemente, soberanamente, e é por isso que Deus, escutando minhas ações benditas, teve a bondade de me recompensar antes de acabar minha encarnação.

6. Poder-se-ia dizer que na primeira vez estáveis morto? – R. Sim e não; tendo o Espírito deixado o corpo, naturalmente a carne se extinguia; mas ao retomar posse de minha morada terrestre, a vida voltou ao corpo que sofrera uma transição, um adormecimento.

7. Naquele momento sentíeis os laços que vos uniam a vosso corpo? – R. Sem dúvida; o Espírito tem um laço difícil de romper, ele precisa do último estremecimento da carne para voltar à sua vida natural.

8. Como explicar que, por ocasião de vossa morte aparente e durante alguns minutos, vosso Espírito tenha podido desprender-se instantaneamente e sem perturbação, ao passo que a morte real foi seguida por perturbação de vários dias? Parece que, no primeiro caso, subsistindo mais os laços entre a alma e o corpo do que no segundo, o desprendimento devia ser mais lento, e foi o contrário que aconteceu. – R. Vós fizestes com frequência a evocação de um Espírito encarnado, recebestes dele respostas reais; eu estava na posição desses Espíritos. Deus me chamava, e seus servidores me haviam dito: “Vem...”. Obedeci, e agradeço a Deus a graça especial que ele teve a bondade de me conceder; pude ver o infinito de sua grandeza e dar-me conta dela. Obrigado a vós que me permitistes, antes da morte real, ensinar aos meus para que eles sejam boas e justas encarnações.

9. De onde vos vinham as belas e boas palavras que, por ocasião de vossa volta à vida, dirigistes a vossa família? – R. Elas eram o reflexo do que eu vira e ouvira; os bons Espíritos inspiravam minha voz e animavam meu rosto.

10. Que impressão acreditais que vossa revelação tenha tido sobre os assistentes e sobre vossos filhos em particular? – R. Impressionante, profunda; a morte não é mentirosa; os filhos, por mais ingratos que possam ser, se inclinam diante da encarnação que parte. Se se pudesse escrutar o coração dos filhos, perto de um túmulo entreaberto, não se sentiriam bater senão sentimentos verdadeiros, tocados profundamente pela mão secreta dos Espíritos que dizem a todos os pensamentos: Temei se estais na dúvida; a morte é a reparação, a justiça de Deus, e asseguro-vos, apesar dos incrédulos, que meus amigos e minha família acreditarão nas palavras que minha voz pronunciou antes de morrer. Eu era o intérprete de um outro mundo.

11. Dissestes que não gozáveis da felicidade que entrevistes; sois desgraçado? – R. Não, visto que eu cria antes de morrer, e isso em minha alma e consciência. A dor aperta aqui embaixo, mas ela eleva para o futuro espírita. Notai que Deus levou em conta minhas preces e minha crença absoluta nele; estou no caminho da perfeição, e chegarei ao objetivo que ele me permitiu entrever. Orai, meus amigos, por esse mundo invisível que preside aos vossos destinos; essa troca fraterna é caridade; é uma alavanca poderosa que põe em comunhão os Espíritos de todos os mundos.

12. Gostaríeis de dirigir algumas palavras a vossa mulher e a vossos filhos?

R. Peço a todos os meus para crerem em Deus poderoso, justo, imutável; na prece que consola e alivia; na caridade que é o ato mais puro da encarnação humana; que eles se lembrem de que se pode dar pouco: o óbolo do pobre é o mais meritório diante de Deus, que sabe que um pobre dá muito ao dar pouco; é preciso que o rico dê grandemente e muitas vezes para merecer tanto quanto ele.

O futuro é a caridade, a benevolência em todas as ações; é crer que todos os Espíritos são irmãos, nunca se prevalecendo de todas as pueris vaidades.

Família bem-amada, terás rudes provas; mas enfrenta-as corajosamente, pensando que Deus as vê.

Dizei frequentemente esta prece:

Deus de amor e de bondade, que dá tudo e sempre, concede-nos essa força que não recua diante de nenhuma pena; torna-nos bons, doces e caridosos, pequenos pela fortuna, grandes pelo coração. Que nosso Espírito seja espírita na terra para melhor vos compreender e vos amar.

Que o vosso nome, ó meu Deus, emblema de liberdade, seja o objetivo consolador de todos os oprimidos, de todos aqueles que precisam amar, perdoar e crer.

CARDON.

_____


  

M. Cardon avait passé une partie de sa vie dans la marine marchande, en qualité de médecin de baleinier, et y avait puisé des habitudes et des idées un peu matérielles ; retiré dans le village de J..., il y exerçait la modeste profession de médecin de campagne. Depuis quelque temps, il avait la certitude qu'il était atteint d'une hypertrophie du coeur, et, sachant que cette maladie est incurable, la pensée de la mort le plongeait dans une sombre mélancolie dont rien ne pouvait le distraire. Deux mois d'avance environ, il prédit sa fin à jour fixe ; quand il se vit près de mourir, il réunit sa famille autour de lui pour lui dire une dernier adieu. Sa femme, sa mère, ses trois enfants et d'autres parents étaient rassemblés autour de son lit ; au moment où sa femme essayait de le soulever, il s'affaissa, devint d'un bleu livide, ses yeux se fermèrent, et on le crut mort ; sa femme se plaça devant lui pour cacher ce spectacle à ses enfants. Après quelques minutes, il rouvrit les yeux ; sa figure, pour ainsi dire illuminée, prit une expression de radieuse béatitude, et il s'écria ; «Oh ! mes enfants, que c'est beau ! que c'est sublime ! Oh ! la mort ! quel bienfait ! quelle douce chose ! J'étais mort, et j'ai senti mon âme s'élever bien haut, bien haut ; mais Dieu m'a permis de revenir pour vous dire : «Ne redoutez pas la mort, c'est la délivrance...» Que ne puis-je vous dépeindre la magnificence de ce que j'ai vu et les impressions dont je me suis senti pénétré ! Mais vous ne pourriez le comprendre... Oh ! mes enfants, conduisez-vous toujours de manière à mériter cette ineffable félicité, réservée aux hommes de bien ; vivez selon la charité ; si vous avez quelque chose, donnez-en une partie à ceux qui manquent du nécessaire... Ma chère femme, je te laisse dans une position qui n'est pas heureuse ; on nous doit de l'argent, mais je t'en conjure, ne tourmente pas ceux qui nous doivent ; s'ils sont dans la gêne, attends qu'ils puissent s'acquitter, et ceux qui ne le pourront pas, fais-en le sacrifice : Dieu t'en récompensera. Toi, mon fils, travaille pour soutenir ta mère ; sois toujours honnête homme et garde-toi de rien faire qui puisse déshonorer notre famille. Prends cette croix qui vient de ma mère ; ne la quitte pas, et qu'elle te rappelle toujours mes derniers conseils... Mes enfants, aidez-vous et soutenez-vous mutuellement ; que la bonne harmonie règne entre vous ; ne soyez ni vains, ni orgueilleux ; pardonnez à vos ennemis, si vous voulez que Dieu vous pardonne...» Puis, ayant fait approcher ses enfants, il étendit ses mains vers eux, et ajouta : «Mes enfants, je vous bénis.» Et ses yeux se fermèrent cette fois pour toujours ; mais sa figure conserva une expression si imposante que, jusqu'au moment où il fut enseveli, une foule nombreuse vint le contempler avec admiration.

Ces intéressants détails nous ayant été transmis par un ami de la famille, nous avons pensé que cette évocation pouvait être instructive pour tous, en même temps qu'elle serait utile à l'Esprit.

1. Evocation. - R. Je suis près de vous.

2. On nous a rapporté vos derniers instants qui nous ont ravis d'admiration. Voudriez-vous être assez bon pour nous décrire, mieux que vous ne l'avez fait, ce que vous avez vu dans l'intervalle de ce qu'on pourrait appeler vos deux morts. - R. Ce que j'ai vu, pourriez-vous le comprendre ? Je ne le sais, car je ne pourrais trouver d'expressions capables de rendre compréhensible ce que j'ai pu voir pendant les quelques instants où il m'a été possible de laisser ma dépouille mortelle.

3. Vous rendez-vous compte où vous avez été ? Est-ce loin de la terre, dans une autre planète ou dans l'espace ? - R. L'Esprit ne connaît pas la valeur des distances telles que vous les envisagez. Emporté par je ne sais quel agent merveilleux, j'ai vu la splendeur d'un ciel comme nos rêves seuls pourraient le réaliser. Cette course à travers l'infini s'est faite si rapidement que je ne puis préciser les instants employés par mon Esprit.

4. Actuellement jouissez-vous du bonheur que vous avez entrevu ? - R. Non ; je voudrais bien pouvoir en jouir, mais Dieu ne peut me récompenser ainsi. Je me suis trop souvent révolté contre les pensées bénies que dictait mon coeur, et la mort me semblait une injustice. Médecin incrédule, j'avais puisé dans l'art de guérir une aversion contre la seconde nature qui est notre mouvement intelligent, divin ; l'immortalité de l'âme était une fiction propre à séduire les natures peu élevées ; néanmoins le vide m'épouvantait, car j'ai maudit bien des fois cet agent mystérieux qui frappe toujours et toujours. La philosophie m'avait égaré sans me faire comprendre toute la grandeur de l'Eternel qui sait répartir la douleur et la joie pour l'enseignement de l'humanité.

5. Lors de votre mort véritable, vous êtes-vous reconnu aussitôt ? - R. Non ; je me suis reconnu pendant la transition que mon Esprit a subie pour parcourir les lieux éthérés ; mais après la mort réelle, non ; il a fallu quelques jours pour mon réveil.

Dieu m'avait accordé une grâce ; je vais vous en dire la raison :

Mon incrédulité première n'existait plus ; avant ma mort, j'avais cru, car après avoir scientifiquement sondé la matière grave qui me faisait dépérir, je n'avais, à bout de raisons terrestres, trouvé que la raison divine ; elle m'avait inspiré, consolé, et mon courage était plus fort que la douleur. Je bénissais ce que j'avais maudit ; la fin me paraissait la délivrance. La pensée de Dieu est grande comme le monde ! Oh ! quelle suprême consolation dans la prière qui donne des attendrissements ineffables ; elle est l'élément le plus sûr de notre nature immatérielle ; par elle j'ai compris, j'ai cru fermement, souverainement, et c'est pour cela que Dieu, écoutant mes actions bénies, a bien voulu me récompenser avant de finir mon incarnation.

6. Pourrait-on dire que la première fois vous étiez mort ? - R. Oui et non ; l'Esprit ayant laissé le corps, naturellement la chair s'éteignait ; mais en reprenant possession de ma demeure terrestre, la vie est revenue au corps qui avait subi une transition, un sommeil.

7. A ce moment, sentiez-vous les liens qui vous rattachaient à votre corps ? - R. Sans doute; l'Esprit a un lien difficile à briser, il lui faut le dernier tressaillement de la chair pour rentrer dans sa vie naturelle.

8. Comment se fait-il que, lors de votre mort apparente et pendant quelques minutes, votre Esprit ait pu se dégager instantanément et sans trouble, tandis que la mort réelle a été suivie d'un trouble de plusieurs jours ? Il semble que, dans le premier cas, les liens entre l'âme et le corps subsistant plus que dans le second, le dégagement devait être plus lent, et c'est le contraire qui a eu lieu. - R. Vous avez souvent fait l'évocation d'un Esprit incarné, vous en avez reçu des réponses réelles ; j'étais dans la position de ces Esprits. Dieu m'appelait, et ses serviteurs m'avaient dit : «Viens...» J'ai obéi, et je remercie Dieu de la grâce spéciale qu'il a bien voulu me faire ; j'ai pu voir l'infini de sa grandeur et m'en rendre compte. Merci à vous qui m'avez, avant la mort réelle, permis d'enseigner aux miens pour qu'ils soient de bonnes et justes incarnations.

9. D'où vous venaient les belles et bonnes paroles que, lors de votre retour à la vie, vous avez adressées à votre famille ? - R. Elles étaient le reflet de ce que j'avais vu et entendu ; les bons Esprits inspiraient ma voix et animaient mon visage.

10. Quelle impression croyez-vous que votre révélation ait faite sur les assistants et sur vos enfants en particulier ? - R. Frappante, profonde ; la mort n'est pas menteuse ; les enfants, quelque ingrats qu'ils puissent être, s'inclinent devant l'incarnation qui s'en va. Si l'on pouvait scruter le coeur de ses enfants, près d'une tombe entrouverte, on ne sentirait battre que des sentiments vrais, touchés profondément par la main secrète des Esprits qui disent à toutes les pensées : Tremblez si vous êtes dans le doute ; la mort c'est la réparation, la justice de Dieu, et je vous l'assure, malgré les incrédules, mes amis et ma famille croiront aux paroles que ma voix a prononcées avant de mourir. J'étais l'interprète d'un autre monde.

11. Vous avez dit que vous ne jouissiez pas du bonheur que vous avez entrevu ; est-ce que vous êtes malheureux ? - R. Non, puisque je croyais avant de mourir, et cela en mon âme et conscience. La douleur étreint ici-bas, mais elle relève pour l'avenir spirite. Remarquez que Dieu a su me tenir compte de mes prières et de ma croyance absolue en lui ; je suis sur la route de la perfection, et arriverai au but qu'il m'a été permis d'entrevoir. Priez, mes amis, pour ce monde invisible qui préside à vos destinées ; cet échange fraternel, c'est de la charité ; c'est un levier puissant qui met en communion les Esprits de tous les mondes.

12. Voudriez-vous adresser quelques paroles à votre femme et à vos enfants ?

R. Je prie tous les miens de croire en Dieu puissant, juste, immuable ; en la prière qui console et soulage en la charité qui est l'acte le plus pur de l'incarnation humaine ; qu'ils se souviennent qu'on peut donner peu : l'obole du pauvre est la plus méritoire devant Dieu, qui sait qu'un pauvre donne beaucoup en donnant peu ; il faut que le riche donne grandement et souvent pour mériter autant que lui.

L'avenir, c'est la charité, la bienveillance dans toutes les actions ; c'est de croire que tous les Esprits sont frères, en ne se prévalant jamais de toutes les puériles vanités.

Famille bien-aimée, tu auras de rudes épreuves ; mais sache les prendre courageusement, en pensant que Dieu les voit.

Dites souvent cette prière :

Dieu d'amour et de bonté, qui donne tout et toujours, accorde-nous cette force qui ne recule devant aucune peine ; rends-nous bons, doux et charitables, petits par la fortune, grands par le coeur. Que notre Esprit soit spirite sur la terre pour mieux vous comprendre et vous aimer.

Que votre nom, ô mon Dieu, emblème de liberté, soit le but consolateur de tous les opprimés, de tous ceux qui ont besoin d'aimer, de pardonner et de croire.

CARDON.


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