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Revista Espírita 1860 » Junho » Boletim da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas Revue Spirite 1860 » Juin » Bulletin de la Société Parisienne des Études Spirites

AVISO

 

A partir de 15 de julho próximo, o escritório da REVISTA ESPÍRITA e o domicílio particular do Sr. Allan Kardec serão transferidos para a Rua Sainte-Anne, nº. 59, travessa de Sainte-Anne.

 

B O L E T I M

DA SOCIEDADE PARISIENSE DE ESTUDOS ESPÍRITAS

 

SEXTA-FEIRA, 4 DE MAIO DE 1860

(SESSÃO PARTICULAR)

 

Leitura da ata e dos trabalhos da sessão de 17 de abril.

 

Por sugestão e proposta da Comissão, e após a leitura da ata, a Sociedade recebe no número dos sócios livres: 1.º ─ o Sr. Achille R..., empregado em Paris; 2.º ─ o Sr. Serge de W..., de Moscou.

 

Comunicações diversas:

1.º ─ Carta da Sra. P..., médium, de Rouen, dizendo que vários Espíritos sofredores evocados na Sociedade foram procurá-la espontaneamente, para lhe agradecer as preces por eles. Desde quando ela recuperou sua faculdade mediúnica, tem tido trabalho somente com Espíritos sofredores. Foi-lhe dito que sua missão era principalmente a de ajudá-los a ser aliviados.

2.º ─ Leitura de um ditado espontâneo sobre a vaidade, recebido pela Sra. Lesc..., médium, membro da Sociedade, da parte de seu Espírito familiar. Publicado adiante.

3.º ─ Carta do Sr. Bénardacky, datada de Bruxelas, com uma comunicação recebida sobre a formação da Terra por incrustação de vários corpos planetários, e o estado de catalepsia em que se encontravam seus primeiros habitantes e os demais seres vivos. Tal comunicação ocorreu a propósito de um fenômeno de catalepsia voluntária verificado, ao que se diz, com habitantes da Índia e da África central. O fenômeno consiste em que certos indivíduos se faziam enterrar vivos, mediante certa soma em dinheiro, e ao cabo de vários meses eram retirados do sepulcro, voltando à vida.

O Sr. Arnauld d’A..., membro da Sociedade, velho amigo e conselheiro do finado rei da Abissínia, e que residiu muito tempo naquele país, cita dois fatos de seu conhecimento, um dos quais ocorreu na Inglaterra e o outro na Índia, e que parecem confirmar a possibilidade da catalepsia voluntária de curta duração, mas declara jamais ter tomado conhecimento de fatos da natureza citada pelo Sr. Bénardacky. Familiarizado com a língua e os costumes daqueles países, que observou como cientista, o Sr. d’A... estaria admirado de que fatos tão extraordinários não tivessem chegado ao seu conhecimento, de onde pode-se supor que tenha havido exagero.

 

Estudos:

1.º ─ Pergunta se é possível uma nova evocação do Sr. Jules-Louis C..., que morreu no hospital de Val-de-Grâce em condições excepcionais, e já evocado a 24 de fevereiro. (Ver no número de abril de 1860, o Boletim da Sociedade, de 24 de fevereiro; Estudos, 2º). A pergunta é motivada pela presença de uma pessoa de sua família, que nela tem muito interesse e, além disso, pelo desejo de julgar dos progressos que ele tenha feito. São Luís responde que o Espírito prefere ser chamado numa sessão íntima.

2.º ─ Perguntas sobre a teoria da formação da Terra por incrustação e sobre o estado cataléptico dos seres vivos em sua origem, a propósito da comunicação do Sr. Bénardacky. Numerosas observações são feitas a propósito por vários membros.

3.º ─ Estudo sobre o fenômeno relatado na última sessão, de um cão que reconhece seu dono evocado. O Espírito de Charlet intervém espontaneamente no assunto e desenvolve uma teoria da qual ressalta a possibilidade do fato. Publicada adiante.

 

SEXTA-FEIRA, 11 DE MAIO DE 1860

(SESSÃO GERAL)

 

Leitura da ata e dos trabalhos da sessão de 4 de maio.

 

Comunicações diversas:

1º. ─ Carta do Sr. Rabache, escrita de Liverpool, na qual relata uma comunicação espontânea que lhe foi dada por Adam Smith, sem que a tivesse provocado; depois a conversa que se segue, na qual as respostas eram dadas em inglês, enquanto as perguntas eram feitas em francês. Na conversa, Adam Smith critica o ponto de vista que serviu de base ao seu sistema econômico. Diz ele que se escrevesse hoje o seu livro Sentimentos morais, daria a eles, por princípio: a consciência inata, tendo por móvel especial o amor.

2º. ─ Segunda carta do Sr. Bénardacky, completando as comunicações obtidas sobre a catalepsia.

 

NOTA: Numa sessão particular, interrogado quanto ao valor de tais comunicações, São Luís lhes confirma várias partes, mas acrescenta, por intermédio do Sr. T..., médium:

“Podeis estudar essas coisas. mas aconselho-vos a não publicá-las ainda. São necessários muitos outros documentos, que vos serão dados mais tarde, e que as circunstâncias trarão. Publicando-as agora, sujeitai-vos a cometer graves erros, que tereis de reconsiderar, o que seria desagradável e prejudicaria muito o Espiritismo. Sede, pois, muito prudentes no que diz respeito a teorias científicas, pois é aí sobretudo que deveis temer os Espíritos impostores e pseudo-sábios. Lembrai-vos do que vos tem sido dito tantas vezes: os Espíritos não têm a missão de vos trazer a ciência acabada, que deve ser fruto do trabalho e do gênio do homem, nem de levantar todos os véus antes do tempo. Tratai, sobretudo, de vossa melhora. É o essencial. Deus levará mais em conta o vosso bom coração e a vossa humildade do que um saber no qual a curiosidade, muitas vezes, ocupa a maior parte. É praticando as suas leis, praticando-as, entendei bem, que merecereis ser favorecidos pelas comunicações dos Espíritos verdadeiramente superiores, que jamais enganam.”

Não é possível ignorar a profundeza e alta sabedoria desses conselhos. Essa linguagem, ao mesmo tempo simples e sublime, marcada por extrema benevolência, contrasta singularmente com o tom altivo e cortante ou a bazófia dos Espíritos que se impõem.

 

3º. ─ Leitura de uma notícia enviada pelo Sr. T..., com a descrição de um mundo muito superior, ao qual seu Espírito foi transportado durante o sono. Parece que tal mundo tem muita analogia com o estado indicado para Júpiter, mas em grau ainda mais elevado.

 

Estudos:

1.º ─ Dois ditados espontâneos, um recebido pela Sra. Parisse e assinado Luís, e outro pelo Sr. Didier, filho, assinado Gérard de Nerval.

2.º ─ Perguntas relativas à visão do Sr. T..., dirigidas a São Luís. Vagas e incoerentes, as respostas indicam a evidente interferência de um Espírito enganador.

3.º ─ Evocação de Adam Smith, a propósito da carta do Sr. Rabache. Perguntas sobre suas opiniões atuais, comparadas às emitidas em suas obras. Ele confirma o que disse ao Sr. Rabache, referente ao erro do princípio que lhe serviu de base nas apreciações morais.

 

SEXTA-FEIRA, 18 DE MAIO DE 1860

(SESSÃO PARTICULAR)

 

Leitura da ata e dos trabalhos da sessão anterior.

A conselho e por proposta da Comissão, e após relatório verbal, a Sociedade recebeu como sócios livres: 1.º ─ o Sr. B..., negociante em Paris; 2.º ─ o Sr. C..., negociante em Paris.

 

Comunicações diversas:

1º. ─ Leitura da comunicação seguinte, recebida numa sessão particular, a propósito dos trabalhos da última sessão, através da Sra. S..., médium.

─ Por que São Luís não se comunicou sexta-feira última através do Sr. Didier, e deixou falar um Espírito enganador?

─ São Luís estava presente, mas não quis falar. Aliás, não reconhecestes que não era ele? É o essencial. Não fostes enganados, desde que reconhecestes a impostura.

─ Com que objetivo não quis falar?

─ Podeis perguntar a ele mesmo. Ele está aqui.

─ São Luís poderia dar-nos o motivo de sua abstenção?

─ Estás contrariado com o que aconteceu, mas deves saber que nada ocorre sem motivo. Por vezes, há coisas cujo objetivo não compreendeis; que à primeira vista vos parecem más, porque sois muito impacientes, mas cuja sabedoria mais tarde reconheceis. Fica pois tranquilo, e não te inquietes por nada. Nós sabemos distinguir os que são sinceros e velamos por eles.

─ Se foi uma lição que nos quisestes dar, eu a compreenderia quando estamos entre nós; mas em presença de estranhos, que lhe reconheceram a má impressão, parece-me que o mal leva o bem de vencida.

─ Tu te enganas vendo as coisas assim. O mal não é o que pensas e eu te asseguro que houve pessoas aos olhos das quais essa espécie de revés foi uma prova da boa-fé de vossa parte. Aliás, por vezes, do mal resulta o bem. Quando vês um pomicultor cortar belos ramos de uma árvore, deploras a perda da verdura, e isto te parece um mal. Mas, uma vez cortados esses ramos parasitas, os frutos vêm mais belos e saborosos. Eis o bem. Então percebes que o pomicultor foi sábio e mais previdente do que supunhas. Do mesmo modo, se se corta um membro de um doente, a perda do membro é um mal; mas, após a amputação, se fica bom, eis o bem, porque talvez lhe tenham salvo a vida. Reflete bem nisto e compreenderás.

─ Isso é muito justo. Mas como é que, apelando aos bons Espíritos e lhes pedindo o afastamento dos impostores, o apelo não é atendido?

─ É atendido, não o duvides. Mas tens certeza de que o apelo venha do fundo do coração de todos os assistentes, ou que não haja alguém que, por um pensamento pouco caridoso e malévolo, senão pelo desejo, atraia maus Espíritos para o vosso meio? Eis por que vos dizemos incessantemente: Sede unidos, bons e benevolentes uns para com os outros. Disse Jesus: Quando estiverdes reunidos em meu nome, estarei entre vós. Para isso, credes que baste pronunciar o seu nome? Não penseis assim e convencei-vos de que Jesus não vai senão onde é chamado por corações puros, junto daqueles que praticam os seus preceitos, porque esses estão verdadeiramente reunidos em seu nome. Não vai aos orgulhosos, nem aos ambiciosos, nem aos hipócritas, nem aos que falam mal do próximo. É destes que diz: Não entrarão no Reino dos Céus.

─ Compreendo que os bons Espíritos se retirem dos que não lhes ouvem os conselhos. Mas se, entre os assistentes, há mal-intencionados, é isto uma razão para punir os outros?

─ Admiro-me de tua insistência. Parece que me expliquei muito claramente para quem queira compreender. É preciso repetir que não deves preocupar-te com essas coisas, que são puerilidades junto ao grande edifício da doutrina que se ergue? Crês que tua casa vá cair porque se desprende uma telha? Duvidas de nosso poder, de nossa benevolência? Não! Então, deixa-nos agir e fica certo de que todo pensamento, bom ou mau, tem seu eco no seio do Eterno.

─ Nada dissestes a propósito da invocação geral que fazemos no começo de cada sessão. Podeis dizer o que pensais?

─ Deveis sempre apelar aos bons Espíritos; a forma, sabeis, é insignificante. O pensamento é tudo. Tu te admiras do que se passou. Mas examinaste bem o rosto dos que te escutam, quando fazes essa invocação? Mais de uma vez não viste o sorriso de sarcasmo em certos lábios? Que Espíritos pensas que trazem essas pessoas? Espíritos que, como elas, se riem das coisas mais sagradas. É por isso que vos digo que não recebais o primeiro que vier; evitai os curiosos e os que não vêm para se instruírem. Cada coisa virá a seu tempo e ninguém pode prejulgar os desígnios de Deus. Em verdade vos digo que os que hoje riem destas coisas, não rirão por muito tempo.

SÃO LUÍS

 

2.º ─ Nota dirigida pelo Sr. Jobard, de Bruxelas, sobre a evocação por ele feita do Sr. Ch. de Br..., pouco falecido.

3.º ─ Leitura de uma comunicação recebida pela Sra. Lesc..., médium, membro da Sociedade, com interessantes explicações sobre a história do Espírito e do cãozinho. Publicada adiante.

4.º ─ Outro ditado espontâneo pelo mesmo médium, sobre a tristeza e a mágoa.

5.º ─ Carta do Sr. B..., professor de Ciências, sobre a teoria, que lhe foi dada, das horas fixas, nas quais cada Espírito pode manifestar-se. Sem exceção, tal teoria é por todos considerada como resultado de uma obsessão de Espíritos sistemáticos e ignorantes. A experiência e o raciocínio demonstram à saciedade que ela não merece um exame sério.

6.º ─ Relato de um fato curioso, relacionado com um retrato pintado sob a influência de uma mediunidade natural intuitiva. O Sr. T..., pintor, tinha perdido o pai numa idade em que não podia conservar qualquer lembrança de seus traços. Como os outros membros da família, lamentava muito não ter nenhum retrato dele. Um dia, no atelier, teve uma espécie de visão, ou antes, uma imagem se lhe desenhou no cérebro; reproduziu-a na tela. A execução tomou várias sessões e, de cada vez, a mesma imagem lhe reaparecia. Veio-lhe a ideia de que fosse seu pai, mas não falou a ninguém. Quando o retrato foi acabado, o mostrou aos parentes, que o reconheceram sem hesitação.

 

Estudos:

1.º ─ Quatro ditados espontâneos, recebidos simultaneamente: o primeiro, pela Srta. Huet, do Espírito que começou a escrever suas memórias; o segundo, pela Sra. S..., sobre a Fantasia, de Alfred de Musset; o terceiro, pela Srta. Stéphanie S..., de um Espírito familiar falecido há alguns anos e que em vida se chamava Gustave Lenormand. É um Espírito ainda pouco adiantado, de caráter alegre e espirituoso, mas muito bom, muito prestativo e que, em várias famílias, onde aparece muito, é considerado como um amigo da casa. Um dia havia dito que viria caçar os maus Espíritos. O quarto, da Srta. Parisse, assinado Luís.

2.º ─ Evocação do Sr. B..., professor de Ciências, do qual se falou acima, vivo, e que tinha sido designado por outro Espírito como podendo fornecer informações sobre François Bayle, médico do século dezessete, cuja biografia querem fazer. O resultado da evocação tende a provar que Bayle, morto e o Sr. B..., vivo, são a mesma pessoa. Com efeito, este último fornece as informações desejadas e dá várias explicações do mais alto interesse. Será publicada.

 

SEXTA-FEIRA, 25 DE MAIO DE 1860

(SESSÃO GERAL)

 

Leitura da ata e dos trabalhos da última sessão.

 

Comunicações diversas:

1.º ─ Carta do Dr. Morhéry, com uma apreciação, do ponto de vista científico, sobre a medicação empregada, sob sua direção, pela Srta. Désirée Godu. Publicada a seguir.

2.º ─ Leitura de um ditado espontâneo recebido pela Sra. Lesc..., médium, sobre a miséria humana.

3.º ─ Leitura de uma série de comunicações muito notáveis, feitas em sessões particulares, por diversos membros da família russa W... Serão publicadas.

4.º ─ Leitura da evocação feita em sessão particular da Sra. Duret, médium, falecida em Sétif, Argélia, a 1.º de maio. Encerra importantes apreciações sobre os médiuns.

 

Estudos:

1.º ─ Evocação da Sra. Duret; série de suas comunicações.

2.º ─ Evocação de Charles de Saint-G..., idiota de 13 anos. Faz curiosas revelações sobre o estado desse Espírito, antes e durante sua encarnação. Publicada adiante.

3.º ─ Estudo sobre o Sr. V..., oficial da Marinha, vivo, que conservou a lembrança precisa de sua existência e morte na época do São Bartolomeu. Será publicada.


Vendredi 4 mai 1860. (Séance particulière.)

Lecture du procès-verbal et des travaux de la séance du 17 avril.

Sur l'avis et la proposition du Comité, et après rapport verbal, la

Société reçoit au nombre des associés libres: 1° M. Achille R…, employé à Paris; 2° M. Serge de W…, de Moscou.

Communications diverses. 1° Lettre de madame P…, médium, de Rouen, qui dit que plusieurs Esprits souffrants, évoqués à la Société, sont allés la trouver spontanément pour la remercier d'avoir prié pour eux. Depuis qu'elle a recouvré sa faculté médianimique, elle n'a eu, dit- elle, affaire qu'à des Esprits malheureux. Il lui a été dit que sa mission était principalement d'aider à leur soulagement.

2° Lecture d'une dictée spontanée sur la vanité, obtenue par madame Lesc…, médium, membre de la Société, de la part de son Esprit familier. (Publiée ci-après.)

3° Lettre de M. Bénardacky, datée de Bruxelles, contenant une communication qu'il a obtenue sur la théorie de la formation de la terre par incrustation de plusieurs corps planétaires, et l'état de cataleptisation dans lequel se sont trouvés ses premiers habitants et les autres êtres vivants. Cette communication a eu lieu à propos d'un phénomène de catalepsie volontaire qui se produit, dit-on, chez quelques habitants de l'Inde et de l'intérieur de l'Afrique. Ce phénomène consiste en ce que certains individus se feraient enterrer tout vivants, moyennant une somme d'argent, et au bout de plusieurs mois, étant retirés du cercueil, reviennent à la vie.

M. Arnauld d'A…, membre de la Société, ancien ami et conseiller du feu roi d'Abyssinie, et qui a longtemps habité ces contrées, cite deux faits à sa connaissance, dont l'un a eu lieu en Angleterre et l'autre dans l'Inde, et qui semblent confirmer la possibilité de la catalepsie volontaire de courte durée; mais il déclare n'avoir jamais connu de faits de la nature de celui dont parle M. Bénardacky. M. d'A… étant familiarisé avec la langue et les mœurs de ces pays, qu'il a observés en savant, il serait étonnant que des faits aussi extraordinaires ne fussent pas venus à sa connaissance, d'où l'on peut supposer qu'il y a eu exagération.

Etudes. 1° On demande si l'on peut faire une nouvelle évocation de M. Jules-Louis C…, mort à l'hôpital du Val-de-Grâce dans des conditions exceptionnelles, et déjà évoqué le 24 février. (Voir le numéro d'avril, page 97.) Cette demande est motivée par la présence d'une personne de sa famille qui lui porte un grand intérêt, et, en outre, par le désir de juger des progrès qu'il peut avoir faits depuis. - Saint Louis répond que l'Esprit préfère être appelé dans une séance intime.

2° Questions sur la théorie de la formation de la terre par incrustation, et l'état cataleptique des êtres vivants à son origine, à propos de la communication de M. Bénardacky. De nombreuses observations sont faites à ce sujet par divers membres.

3° Etude sur le phénomène, rapporté dans la dernière séance, d'un chien qui reconnaît son maître évoqué. L'Esprit de Charlet intervient spontanément dans cette question, et développe une théorie de laquelle ressort la possibilité du fait. (Publié ci-après.)

Vendredi 11 mai 1860. (Séance générale.)

Lecture du procès-verbal et des travaux de la séance du 4 mai.

Communications diverses. 1° Lettre de M. Rabache, écrite de Liverpool, et dans laquelle il relate une communication spontanée qui lui a été faite par Adam Smith, sans qu'il l'ait provoquée; puis l'entretien qui s'en est suivi, dans lequel les réponses étaient données en anglais, tandis que les questions étaient faites en français. Dans cet entretien Adam Smith critique le point qui lui a servi de base dans son système économique; il dit que, s'il écrivait aujourd'hui son livre des Sentiments moraux, il donnerait à ceux-ci pour principe: la conscience innée, ayant pour mobile spécial l'amour.

2° Seconde lettre de M. Bénardacky complétant les communications qu'il a obtenues sur la cataleptisation.

Nota. Dans une séance particulière, saint Louis, interrogé sur la valeur de ces communications, en confirme plusieurs parties, mais il ajoute, par l'entremise de M. T…, médium:

« Vous pouvez étudier ces choses, mais je vous engage à ne pas les publier encore; il faut de bien autres documents qui vous seront donnés plus tard, et que les circonstances amèneront. En les publiant à présent vous vous exposeriez à commettre de graves erreurs sur lesquelles vous seriez obligés de revenir, ce qui serait fâcheux, et ferait beaucoup de tort au Spiritisme. Soyez donc très prudents sur ce qui touche aux théories scientifiques, car c'est là surtout que vous avez à craindre les Esprits imposteurs et faux savants. Rappelez-vous ce qui vous a si souvent été dit: les Esprits n'ont pas pour mission de vous apporter la science toute faite, qui doit être le fruit du travail et du génie de l'homme, ni de lever tous les voiles avant que le temps soit venu. Tâchez, surtout, de vous améliorer: c'est là l'essentiel; Dieu vous tiendra plus de compte de votre bon cœur et de votre humilité que d'un savoir où la curiosité a souvent la plus grande part. C'est en pratiquant ses lois, en les pratiquant, entendez- vous bien, que vous mériterez d'être favorisés par les communications des Esprits véritablement supérieurs qui ne trompent jamais. »

On ne saurait méconnaître la profondeur et la haute sagesse de ces conseils. Ce langage, à la fois simple et sublime, empreint d'une extrême bienveillance, contraste singulièrement avec le ton hautain et tranchant ou la forfanterie des Esprits qui s'imposent.

3° Lecture d'une notice envoyée par M. de T…, contenant la description d'un monde très supérieur, dans lequel son Esprit a été transporté pendant son sommeil. Ce monde paraît avoir beaucoup d'analogie avec l'état indiqué pour Jupiter, mais à un degré encore plus élevé.

Etudes. 1° Deux dictées spontanées sont obtenues, l'une par madame Parisse, signée Louis; l'autre par M. Didier, fils, signée Gérard de Nerval.

2° Questions relatives à la vision de M. T…, adressées à saint Louis. Le vague et l'incohérence des réponses accusent évidemment l'immixtion d'un Esprit trompeur.

3° Évocation d'Adam Smith, à propos de la lettre de M. Rabache. Questions sur ses opinions actuelles, comparées à celles qu'il a émises dans ses ouvrages. Il confirme ce qu'il a dit à M. Rabache, touchant l'erreur du principe qui lui a servi de base dans ses appréciations morales.

Vendredi, 18 mai 1860. (Séance particulière.)

Lecture du procès-verbal et des travaux de la dernière séance.

Sur l'avis et la proposition du Comité, et après rapport verbal, la Société reçoit au nombre des associés libres: 1° M. B…, négociant à Paris; 2° M. C…, négociant à Paris.

Communications diverses. 1° Lecture de la communication suivante, obtenue dans une séance particulière, à propos des travaux de la dernière séance, par madame S…, médium.

D. Pourquoi saint Louis ne s'est-il pas communiqué, vendredi dernier, par M. Didier, et a-t-il laissé parler un Esprit trompeur? - R. Saint Louis était présent, mais il n'a pas voulu parler. D'ailleurs, n'avez-vous pas reconnu que ce n'était pas lui? C'est l'essentiel. Vous n'êtes pas trompés, du moment que vous reconnaissez l'imposture.

D. Dans quel but n'a-t-il pas voulu parler? - R. Tu peux le lui demander à lui-même; il est ici.

D. Saint Louis voudrait-il nous faire connaître le motif de son abstention? - R. Tu as été contrarié de ce qui s'est passé, mais tu dois cependant savoir que rien n'arrive sans motif. Il est souvent des choses dont vous ne comprenez pas le but; qui vous paraissent mauvaises au premier abord, parce que vous êtes trop impatients, mais dont, plus tard, vous reconnaissez la sagesse. Sois donc tranquille, et ne t'inquiète de rien; nous savons distinguer ceux qui sont sincères, et nous veillons sur eux.

D. Si c'est une leçon que vous avez voulu nous donner, je la concevrais quand nous sommes entre nous; mais en présence d'étrangers, qui ont pu en recevoir une mauvaise impression, il me semble que le mal l'emporte sur le bien. - R. Tu as tort de voir les choses ainsi; le mal n'est pas ce que tu crois, et je t'assure qu'il y a eu des personnes aux yeux desquelles cette espèce d'échec a été une preuve de bonne foi de votre part. D'ailleurs, du mal sort souvent le bien. Quand tu vois un jardinier couper de belles branches à un arbre, tu déplores la perte de la verdure, et cela te paraît un mal; mais ces branches parasites une fois retranchées, les fruits sont plus beaux et plus savoureux: voilà le bien, et tu trouves alors que le jardinier a été sage et plus prévoyant que tu ne l'avais cru. De même encore, si l'on ampute un membre à quelqu'un de malade, la perte du membre est un mal, mais, après l'amputation, s'il se porte mieux, voilà le bien, car on lui aura peut-être sauvé la vie.

Réfléchis bien à cela, et tu le comprendras.

D. Cela est très juste; mais comment se fait-il que, faisant appel aux bons Esprits en les priant d'écarter les imposteurs, cet appel ne soit pas entendu? - R. Il est entendu, garde-toi d'en douter. Mais, es-tu bien sûr que cet appel soit fait du fond du cœur par tous les assistants, ou qu'il n'y ait personne qui, au moins par une pensée peu charitable et malveillante, si ce n'est par le désir, attire parmi vous de mauvais Esprits? Voilà pourquoi nous vous disons sans cesse: Soyez unis; soyez bons et bienveillants les uns pour les autres. Jésus a dit: Quand vous serez réunis en mon nom, je serai au milieu de vous. Croyez-vous, pour cela, qu'il suffise de prononcer son nom? Ne le pensez pas, et soyez bien convaincus que Jésus ne va que là où il est appelé par des cœurs purs: vers ceux qui pratiquent ses préceptes, car ceux-là sont véritablement réunis en son nom; il ne va ni vers les orgueilleux, ni vers les ambitieux, ni vers les hypocrites, ni vers ceux qui disent du mal de leur prochain; c'est d'eux qu'il a dit: Ils n'entreront pas dans le royaume des cieux.

D. Je conçois que les bons Esprits se retirent de ceux qui n'écoutent pas leurs conseils; mais si, parmi les assistants, il en est de mal intentionnés, est-ce une raison pour punir les autres? - R. Je m'étonne de ton insistance; il me semble que je me suis expliqué assez clairement pour quiconque veut comprendre. Faut-il donc te répéter de ne pas te préoccuper de ces choses, qui sont des puérilités auprès du grand édifice de la doctrine qui s'élève? Crois-tu que ta maison va tomber parce qu'une tuile s'en détache? Doutes-tu de notre puissance, de notre bienveillance? Non. Eh bien! laisse-nous donc agir, et sois certain que toute pensée, bonne ou mauvaise, a son écho dans le sein de l'Eternel.

D. Vous n'avez rien dit au sujet de l'invocation générale que nous faisons au commencement de chaque séance; veuillez nous dire ce que vous en pensez. - R. Vous devez toujours faire appel aux bons Esprits; la forme, vous le savez, est insignifiante: la pensée est tout. Tu t'étonnes de ce qui s'est passé; mais as-tu bien examiné les figures de ceux qui t'écoutent quand tu fais cette invocation? N'as-tu pas vu, plus d'une fois, le sourire du sarcasme errer sur certaines lèvres? Quels Esprits crois-tu que ces personnes-là vous amènent? Des Esprits qui, comme elles, se rient des choses les plus sacrées. C'est pourquoi je vous dis aussi de ne point admettre le premier venu parmi vous, et d'éviter les curieux et ceux qui ne viennent pas pour s'instruire. Chaque chose viendra en son temps, et nul ne peut préjuger les desseins de Dieu; je vous dis, en vérité, que ceux qui rient aujourd'hui de ces choses ne riront pas longtemps.

SAINT LOUIS.

2° Note adressée par M. Jobard, de Bruxelles, sur l'évocation qu'il a faite de M. Ch. de Br…, mort depuis peu.

3° Lecture d'une communication obtenue par madame Lesc…, médium, membre de la Société, et donnant d'intéressantes explications sur l'histoire de l'Esprit et du petit chien. (Publiée ci-après.)

4° Autre dictée spontanée du même médium sur: la tristesse et le chagrin.

5° Lettre de M. B…, professeur de sciences, sur la théorie qui lui a été donnée des heures fixes auxquelles chaque Esprit peut se manifester. Cette théorie est regardée, par tout le monde sans exception, comme le résultat d'une obsession de la part d'Esprits systématiques et ignorants. L'expérience et le raisonnement démontrent surabondamment qu'elle ne mérite pas un examen sérieux.

6° Relation d'un fait curieux relatif à un portrait peint sous l'influence d'une médiumnité naturelle intuitive. M. T…, artiste peintre, avait perdu son père à un âge où il n'avait pu conserver aucun souvenir de ses traits. Il regrettait vivement, ainsi que les autres membres de sa famille, de n'avoir aucun portrait de lui. Un jour qu'il était dans son atelier, une sorte de vision lui apparaît, ou plutôt une image se trace dans son cerveau, et il se met à la reproduire sur la toile. L'exécution se fit en plusieurs séances, et chaque fois la même image se présentait à lui. La pensée lui vint que ce pouvait être son père, mais il n'en parla à personne, et quand le portrait fut achevé, il le montra à ses parents, qui tous le reconnurent sans hésiter.

Etudes. 1° Quatre dictées spontanées sont obtenues simultanément: la première par mademoiselle Huet, de l'Esprit qui a commencé à écrire ses mémoires; la deuxième par madame S…, sur la Fantaisie, d'Alfred de Musset; la troisième par mademoiselle Stéphanie S…, d'un Esprit familier, mort il y a quelques années, et qui, de son vivant, S'appelait Gustave Lenormand. C'est un Esprit encore peu avancé, d'un caractère Jovial et spirituel, mais très bon, très serviable, et qui est regardé dans plusieurs familles, où il va très souvent, comme l'ami de la maison. Il avait dit un jour qu'il viendrait faire la chasse aux mauvais Esprits. - La quatrième de mademoiselle Parisse, signée Louis.

2° Évocation de M. B…, professeur de sciences, dont il a été parlé plus haut, vivant, et qui avait été désigné par un autre Esprit comme pouvant fournir des renseignements sur François Bayle, médecin du dix- septième siècle, dont on veut établir la biographie. Le résultat de cette évocation tend à prouver que Bayle, mort, et M. B…, vivant, ne font qu'un. Ce dernier fournit, en effet, les renseignements désirés, et donne plusieurs explications du plus haut intérêt. (Sera publiée.)

Vendredi 25 mai 1860. (Séance générale.)

Lecture du procès-verbal et des travaux de la dernière séance. Communications diverses. 1° Lettre de M. le docteur Morhéry, contenant une appréciation, au point de vue scientifique, de la médication employée, sous sa direction, par mademoiselle Désirée Godu. (Publiée ci-après.)

2° Lecture d'une dictée spontanée obtenue par madame Lesc…, médium, sur la misère humaine.

3° Lecture d'une série de communications très remarquables faites en séances particulières par divers membres de la famille russe W… (Seront publiées.)

4° Lecture de l'évocation faite en séance particulière de madame Duret, médium, morte à Sétif (Algérie) le 1° mai. Elle renferme d'importantes appréciations sur les médiums.

Etudes. 1° Évocation de madame Duret: suite de ses communications.

2° Évocation de Charles de Saint-G…, idiot, âgé de treize ans; elle donne de curieuses révélations sur l'état de cet Esprit avant et pendant son incarnation. (Publiée ci-après.)

3° Etude sur M. V…, officier de marine, vivant, qui a conservé le souvenir précis de son existence et de sa mort à l'époque de la Saint- Barthélemy. (Sera publiée.)

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