XI
Uma coisa estranha, acrescenta-se, é que só se fala dos Espíritos de personagens conhecidas, e pergunta-se por que são eles os únicos a se manifestar. Está aí um erro proveniente, como tantos outros, de uma observação superficial. Entre os Espíritos que vêm espontaneamente, o número de desconhecidos para nós é maior do que o de ilustres, que se designam por um nome qualquer e quase sempre por um nome alegórico ou característico. Quanto aos que são evocados, desde que não seja um parente ou um amigo, é bastante natural dirigir-se aos que se conhece em vez dos que não são conhecidos; o nome dos personagens ilustres chama mais a atenção, por isso são mais notados.
Acham também singular que os Espíritos de homens eminentes venham familiarmente ao nosso chamado e algumas vezes se ocupem de coisas minuciosas em comparação com aquelas que realizaram durante sua vida. Nada há nisso de surpreendente para aqueles que sabem que o poder ou a consideração de que tais homens gozaram aqui na Terra não lhes dá nenhuma supremacia no mundo espírita; quanto a isso, os Espíritos confirmam estas palavras do Evangelho: Os grandes serão rebaixados e os pequenos serão elevados, o que deve ser entendido como a categoria que cada um de nós ocupará entre eles; é assim que aquele que foi o primeiro na Terra pode encontrar-se aí entre os últimos; aquele diante do qual curvávamos a cabeça durante sua vida pode, pois, vir entre nós como o mais humilde artesão, porque ao deixar a vida ele deixou toda a sua grandeza, e o mais poderoso monarca talvez esteja, no mundo espírita, abaixo do último de seus soldados.