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Revista Espírita 1860 » Abril » Ditados espontâneos » O sobrenatural

(PELO SR. RABACHE, DE BORDEAUX)

 

Meus filhos, vosso pai fez bem em vos chamar a atenção para os fenômenos produzidos nas sessões que vos ocupam há alguns dias. A julgá-los segundo as instruções de certos Espíritos sectários, ignorantes ou dominadores, tais efeitos são sobrenaturais. Não creiais nisso, meus filhos. Nada do que acontece é sobrenatural. Se fosse, o bom-senso vos diz que só aconteceria fora da Natureza, e então não o veríeis. Para que vossos olhos ou vossos outros sentidos percebam uma coisa, é de todo necessário que essa coisa seja natural. Com um pouco de reflexão, não há um Espírito sério que consinta em crer em coisas sobrenaturais. Com isto não quero dizer que não haja coisas que como tal pareçam à vossa inteligência, mas a única razão para isto é que não as compreendeis. Quando algum fato vos pareça fugir do que julgais natural, guardai-vos contra essa preguiça de espírito que vos induziria a crer que é sobrenatural. Buscai compreendê-lo. Para isto vos foi dada a inteligência. Para que vos serviria ela se tivésseis de vos contentar em aprender e acreditar no que ensinaram vossos predecessores? É preciso que cada um ponha a inteligência a serviço do progresso, que é obra coletiva de todos. Já que sois dotados de pensamento, pensai; já que tendes discernimento, ─ e não o tendes sem motivo ─ examinai e julgai. Não aceiteis julgamentos acabados, senão depois de havê-los passados pelo crivo da razão. Duvidai longamente, se não tiverdes certeza, mas não negueis jamais aquilo que não compreendeis. Examinai seriamente. Só o preguiçoso, o ininteligente, o indiferente, aceitam como verdadeiro ou falso tudo quanto ouvem afirmar ou negar. Enfim, meus filhos, fazei todo o esforço possível para vos tornardes sérios e úteis, a fim de bem cumprirdes a missão que vos está confiada. Nunca é demasiado cedo para vos ocupardes com o bem e com o que é bom.

Começai, pois, cedo, a vos ocupardes com coisas sérias. O tempo das futilidades é sempre muito longo e inútil para o vosso progresso, o qual nem por um instante deveis perder de vista. As coisas da Terra nada são; servem apenas à vossa passagem para um outro estado, que será tanto mais perfeito quanto melhor o houverdes preparado.

 

 Vossa avó.

 

Allan Kardec[1]



[1] (Paris – Tipografia de H Carion, Rua Bonaparte, 64)


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