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O Livro dos Médiuns » Segunda parte - Das manifestações espíritas » Capítulo XXV - Das evocações » Evocações de pessoas vivas Le Livre des Médiums » Seconde partie - Des manifestations spirites » Chapitre XXV - Des evocations » Evocation des personnes vivantes

284. Evocação das pessoas vivas

37ª A encarnação do Espírito constitui obstáculo à sua evocação?

"Não, mas é necessário que o estado do corpo permita que no momento da evocação o Espírito se desprenda. Com tanto mais facilidade vem o Espírito encarnado, quanto mais elevado for em categoria o mundo onde ele está, porque menos materiais são lá os corpos."

38ª Pode evocar-se o Espírito de uma pessoa viva?

"Pode-se, visto que se pode evocar um Espírito encarnado. O Espírito de um vivo também pode, em seus momentos de liberdade, se apresentar sem ser evocado; isto depende da simpatia que tenha pelas pessoas com quem se comunica." (Veja-se, em n. 116, a História do homem da tabaqueira.)

39ª Em que estado se acha o corpo da pessoa cujo Espírito é evocado?

"Dorme, ou cochila; é quando o Espírito está livre,"

a) Poderia o corpo despertar enquanto o Espírito está ausente?

"Não; o Espírito é forçado a reentrar na sua habitação; se, no momento, ele estiver confabulando convosco, deixa-vos e às vezes diz por que motivo."

40ª Como, estando ausente do corpo, o Espírito é avisado da necessidade da sua presença?

"O Espírito jamais está completamente separado do corpo vivo em que habita; qualquer que seja a distância a que se transporte, a ele se conserva ligado por um laço fluídico que serve para chamá-lo, quando se torne preciso. Esse laço só a morte o rompe."

NOTA. Esse laço fluídico há sido muitas vezes percebido por médiuns videntes. É uma espécie de cauda fosforescente que se perde no Espaço e na direção do corpo. Alguns Espíritos hão dito que por aí é que reconhecem os que ainda se acham presos ao mundo corporal.

41ª Que sucederia se, durante o sono e na ausência do Espírito, o corpo fosse mortalmente ferido?

"O Espírito seria avisado e voltaria antes que a morte se consumasse."

a) Assim, não poderá dar-se que o corpo morra na ausência do Espírito e que este, ao voltar, não possa entrar?

"Não; seria contrário à lei que rege a união da alma e do corpo."

b) Mas, se o golpe for dado subitamente e de improviso?

"O Espírito será prevenido antes que o golpe mortal seja vibrado."

NOTA. Interrogado sobre este fato, respondeu o Espírito de um vivo: "Se o corpo pudesse morrer na ausência do Espírito, este seria um meio muito cômodo de se cometerem suicídios hipócritas."

42ª O Espírito de uma pessoa evocada durante o sono é tão livre de se comunicar como o de uma pessoa morta?

"Não; a matéria sempre o influencia mais ou menos."

NOTA. Uma pessoa, que se achava nesse estado e a quem foi feita essa pergunta, respondeu: Estou sempre ligada à grilheta que arrasto comigo.

a) Nesse estado, poderia o Espírito ser impedido de vir, por se achar em outra parte?

"Sim, pode acontecer que o Espírito esteja num lugar onde lhe apraza permanecer e então não acode à evocação, sobretudo quando feita por quem não o interesse."

43ª É absolutamente impossível evocar-se o Espírito de uma pessoa acordada?

"Ainda que difícil, não é absolutamente impossível, porquanto, se a evocação produz efeito, pode dar-se que a pessoa adormeça; mas, o Espírito não pode comunicar-se, como Espírito, senão nos momentos em que a sua presença não é necessária à atividade inteligente do corpo."

NOTA. A experiência prova que a evocação feita durante o estado de vigília pode provocar o sono, ou, pelo menos, um torpor aproximado do sono, mas semelhante efeito não se pode produzir senão por ato de uma vontade muito enérgica e se existirem laços de simpatia entre as duas pessoas; de outro modo, a evocação nenhum resultado dá. Mesmo no caso de a evocação poder provocar o sono, se o momento é inoportuno, a pessoa, não querendo dormir, oporá resistência e, se sucumbir, seu Espírito ficará perturbado e dificilmente responderá. Segue-se daí que o momento mais favorável para a evocação de uma pessoa viva é o do sono natural, porque, estando livre, seu Espírito pode vir ter com aquele que o chama, do mesmo modo que poderá ir algures.

Quando a evocação é feita com consentimento da pessoa e esta procura dormir para esse efeito, pode acontecer que essa preocupação retarde o sono e perturbe o Espírito. Por isso, o sono não forçado é sempre preferível.

44ª Evocada, uma pessoa viva conserva a lembrança da evocação, depois de despertar?

"Não; vós mesmos o sois mais freqüentemente do que pensais. Só o Espírito o sabe, podendo às vezes deixar do fato uma impressão vaga, qual a de um sonho."

a) Quem pode evocar-nos, sendo nós, como somos, seres obscuros?

"Pode suceder que em outras existências tenhais sido pessoas conhecidas nesse mundo, ou em outros. Podem fazê-lo igualmente vossos parentes e amigos nesse mundo, ou em outros. Suponhamos que teu Espírito tenha animado o corpo do pai de outra pessoa. Pois bem, quando essa pessoa evocar seu pai, é teu Espírito que será evocado e quem responderá."

45ª Evocado o Espírito de uma pessoa viva, responde ele como Espírito, ou com as idéias que tem no estado de vigília?

"Isso depende da sua elevação; porém, sempre julga com mais ponderação e tem menos preconceitos, exatamente como os sonâmbulos; é um estado quase semelhante."

46ª Se fosse evocado no estado de sono magnético, o Espírito de um sonâmbulo seria mais lúcido do que o de qualquer outra pessoa?

"Responderia sem dúvida mais facilmente, por estar mais desprendido; tudo decorre do grau de independência do Espírito com relação ao corpo."

a) Poderia o Espírito de um sonâmbulo responder a uma pessoa que o evocasse à distância, ao mesmo tempo que respondesse verbalmente a outra pessoa?

"A faculdade de se comunicar simultaneamente em dois pontos diferentes só a têm os Espíritos completamente desprendidos da matéria."

47ª Poder-se-iam modificar as idéias de uma pessoa em estado de vigília, atuando-se sobre o seu Espírito durante o sono?

"Algumas vezes, será possível. Não estando o Espírito então preso à matéria por laços tão estreitos, mais acessível se acha às impressões morais e essas impressões podem influir sobre a sua maneira de ver no estado ordinário. Infelizmente, acontece com freqüência que, ao despertar, a natureza corpórea predomina e lhe faz esquecer as boas resoluções que haja tomado."

48ª É livre, o Espírito de uma pessoa viva, de dizer o que queira?

"Ele tem suas faculdades de Espírito e, por conseguinte, seu livre-arbítrio; e, como então dispõe de mais perspicácia, se mostra mais circunspecto do que no estado de vigília."

49ª Poder-se-ia, evocando-a, constranger uma pessoa a dizer o que quisesse calar?

"Eu disse que o Espírito tem o seu livre-arbítrio; pode, porém, dar-se que, como Espírito, a pessoa ligue menos importância a certas coisas do que no estado ordinário, podendo então sua consciência falar mais livremente. Demais, se ela não quiser falar, poderá sempre fugir às importunações, indo-se o seu Espírito embora, porquanto ninguém pode reter um Espírito, como se lhe retém o corpo."

50ª Poderia o Espírito de uma pessoa viva ser constrangido, por outro Espírito, a vir e falar, como se dá com os Espíritos errantes?

"Entre os Espíritos, sejam de mortos, ou de vivos, não há supremacia senão por efeito da superioridade moral e bem deves compreender que um Espírito superior jamais prestaria apoio a uma covarde indiscrição."

NOTA. Este abuso de confiança seria, efetivamente, uma ação má, mas que nenhum resultado poderia produzir, pois que não há meio de arrancar-se um segredo ao Espírito que o queira guardar, a menos que, dominado por um sentimento de justiça, confessasse o que em outras circunstâncias calaria.

Uma pessoa quis saber, por esse modo, de um de seus parentes, se o testamento que por este fora feito era a seu favor. O Espírito respondeu: "Sim, minha cara sobrinha, e terás em breve a prova. "A coisa era, de fato, real; mas, poucos dias depois, o parente destruiu seu testamento e teve a malícia de fazer disso ciente a pessoa, sem que, entretanto, haja sabido que esta o evocara. Um sentimento instintivo o levou sem dúvida a executar a resolução que seu Espírito tomara, de acordo com a pergunta que lhe fora feita. Há covardia em perguntar-se ao Espírito de um morto ou de um vivo o que se não ousaria perguntar à sua pessoa, covardia essa que nem mesmo tem, por compensação, o resultado que se pretende.

51ª Pode evocar-se um Espírito cujo corpo ainda se ache no seio materno?

"Não; bem sabes que nesse momento o Espírito está em completa perturbação."

NOTA. A encarnação não se torna definitiva senão no momento em que a criança respira; porém, desde a concepção do corpo, o Espírito designado para animá-lo é presa de uma perturbação que aumenta à medida que o nascimento se aproxima e lhe tira a consciência de si mesmo e, por conseguinte, a faculdade de responder. (Veja-se: O Livro dos Espíritos: "Da volta do Espírito à vida corporal. - União da alma e do corpo", nº 344.)

52ª Poderia um Espírito mistificador tomar o lugar de uma pessoa viva que se evocasse?

"É fora de dúvida que sim e isso acontece freqüentemente, sobretudo quando não é pura a intenção do evocador. Em suma, a evocação das pessoas vivas só tem interesse como estudo psicológico. Convém que dela vos abstenhais sempre que não possa ter um resultado instrutivo."

NOTA. Se a evocação dos Espíritos errantes nem sempre dá resultado, conforme expressão usada por eles, muito mais freqüente é que assim aconteça com a dos que estão encarnados. Então, sobretudo, é que os Espíritos mistificadores se apresentam, em lugar dos evocados.

53ª Tem inconvenientes a evocação de uma pessoa viva?

"Nem sempre é sem perigo, dependendo isso das condições em que se ache a pessoa, porquanto, se estiver doente, poderá aumentar-lhe os sofrimentos."

54ª Em que caso será mais inconveniente a evocação de uma pessoa viva?

"Não devem evocar-se as crianças de tenra idade, nem as pessoas gravemente doentes, nem, ainda, os velhos enfermos. Numa palavra, ela pode ter inconvenientes todas as vezes que o corpo esteja muito enfraquecido."

NOTA. A brusca suspensão das qualidades intelectuais, durante o estado de vigília, também poderia oferecer perigo, se a pessoa nesse momento precisasse de toda a sua presença de Espírito.

55ª Durante a evocação de uma pessoa viva, seu corpo, embora ausente, experimenta fadiga por efeito do trabalho a que se entrega seu Espírito?

Uma pessoa, que se encontrava nesse estado e que pretendia que seu corpo se fatigava, respondeu assim a essa pergunta:

"Meu Espírito é como um balão cativo preso a um poste; meu corpo é o poste, que as oscilações do balão sacodem."

56ª. Pois que a evocação das pessoas vivas pode ter inconvenientes, quando feitas sem precaução, deixa de existir perigo quando se evoca um Espírito que não se sabe se está encarnado e que poderia não se encontrar em condições favoráveis?

"Não, as circunstâncias não são as mesmas, Ele só virá, se estiver em condições de fazê-lo. Aliás, eu já não vos disse que perguntásseis, antes de fazer uma evocação, se ela é possível?"

57ª Quando, nos momentos mais inoportunos, experimentamos irresistível vontade de dormir, provirá isso de estarmos sendo evocados nalguma parte?

"Pode, sem dúvida, acontecer que assim seja; porém, as mais das vezes, não há nisso senão um efeito físico, quer porque o corpo tenha necessidade de repouso, quer porque o Espírito precise da sua liberdade."

NOTA. Uma senhora de nosso conhecimento, médium, teve um dia a idéia de evocar o Espírito de seu neto, que dormia no mesmo quarto. A identidade foi comprovada pela linguagem, pelas expressões habituais da criança e pela narração exatíssima de muitas coisas que lhe tinham sucedido no colégio; mas, ainda uma circunstância a veio confirmar. De repente, a mão da médium pára em meio de uma frase, sem que seja possível obter-se mais coisa alguma. Nesse momento, a criança, meio despertada, fez diversos movimentos na sua cama. Alguns instantes depois, tendo novamente adormecido, a mão da médium começou a mover-se outra vez, continuando a conversa interrompida. A evocação das pessoas vivas, feita em boas condições, prova, da maneira menos contestável, a ação do Espírito distinta da do corpo e, por conseguinte, a existência de um princípio inteligente independente da matéria. (Veja-se, na Revue Spirite de 1860, páginas 11 e 81, muitos exemplos notáveis de evocação de pessoas vivas.)


 

284. Evocation des personnes vivantes

37. L'incarnation de l'Esprit est-elle un obstacle absolu à son évocation ?

«Non, mais il faut que l'état du corps permette à l'Esprit de se dégager à ce moment. L'Esprit incarné vient d'autant plus facilement que le monde où il se trouve est d'un ordre plus élevé, parce que les corps y sont moins matériels.»

38. Peut-on évoquer l'Esprit d'une personne vivante ?

«Oui, puisqu'on peut évoquer un Esprit incarné. L'Esprit d'un vivant peut aussi, dans ses moments de liberté, se présenter sans être évoqué ; cela dépend de sa sympathie pour les personnes auxquelles il se communique.» (Voir n° 116, l'Histoire de l'homme à la tabatière.)

39. Dans quel état est le corps de la personne dont l'Esprit est évoqué ?

«Il dort ou sommeille ; c'est alors que l'Esprit est libre.»

- Le corps pourrait-il se réveiller pendant que l'Esprit est absent ?

«Non ; l'Esprit est forcé de rentrer chez lui ; si, à ce moment, il s'entretient avec vous, il vous quitte, et souvent il vous en dit le motif.»

40. Comment l'Esprit absent du corps est-il averti de la nécessité de sa présence ?

«L'Esprit d'un corps vivant n'en est jamais complètement séparé ; à quelque distance qu'il se transporte, il y tient par un lien fluidique qui sert à l'y rappeler quand cela est nécessaire ; ce lien n'est rompu qu'à la mort.»

Remarque. Ce lien fluidique a souvent été aperçu par des médiums voyants. C'est une sorte de traînée phosphorescente qui se perd dans l'espace et dans la direction du corps. Certains Esprits ont dit que c'est à cela qu'ils reconnaissent ceux qui tiennent encore au monde corporel.

41. Qu'arriverait-il si, pendant le sommeil et en l'absence de l'Esprit, le corps était frappé mortellement ?

«L'Esprit serait averti, et rentrerait avant que la mort fût consommée.»

- Ainsi il ne pourrait pas arriver que le corps mourût en l'absence de l'Esprit, et que celui-ci, à son tour, ne pût rentrer ?

«Non ; ce serait contraire à la loi qui régit l'union de l'âme et du corps.»

- Mais si le coup était frappé subitement et à l'improviste ?

«L'Esprit serait prévenu avant que le coup mortel fût donné.»

Remarque. L'Esprit d'un vivant interrogé sur ce fait répondit : «Si le corps pouvait mourir en l'absence de l'Esprit, ce serait un moyen trop commode de commettre des suicides hypocrites.»

42. L'Esprit d'une personne évoquée pendant le sommeil est-il aussi libre de se communiquer que celui d'une personne morte ?

«Non ; la matière l'influence toujours plus ou moins.»

Remarque. Une personne en cet état, à qui l'on adressait cette question, répondit : Je suis toujours enchaînée au boulet que je traîne après moi.

- Dans cet état, l'Esprit pourrait-il être empêché de venir, parce qu'il est ailleurs ?

«Oui, il peut arriver que l'Esprit soit dans un lieu où il se plaît à rester, et alors, il ne vient pas à l'évocation, surtout quand elle est faite par quelqu'un qui ne l'intéresse pas.»

43. Est-il absolument impossible d'évoquer l'Esprit d'une personne éveillée ?

«Quoique difficile, cela n'est pas absolument impossible, car si l'évocation porte, il se peut que la personne s'endorme ; mais l'Esprit ne peut se communiquer, comme Esprit, que dans les moments où sa présence n'est pas nécessaire à l'activité intelligente du corps.»

Remarque. L'expérience prouve que l'évocation faite pendant l'état de veille peut provoquer le sommeil, ou tout au moins une absorption voisine du sommeil, mais cet effet ne peut avoir lieu que par une volonté très énergique et s'il existe des liens de sympathie entre les deux personnes ; autrement l'évocation ne porte pas. Dans le cas même où l'évocation pourrait provoquer le sommeil, si le moment est inopportun, la personne ne voulant pas dormir opposera de la résistance, et, si elle succombe, son Esprit en sera troublé et répondra difficilement. Il en résulte que le moment le plus favorable pour l'évocation d'une personne vivante est celui de son sommeil naturel, parce que son Esprit étant libre peut venir vers celui qui l'appelle, tout aussi bien qu'il pourrait aller ailleurs.

Lorsque l'évocation est faite du consentement de la personne, et que celle-ci cherche à s'endormir à cet effet, il peut arriver que cette préoccupation retarde le sommeil et trouble l'Esprit ; c'est pourquoi le sommeil non forcé est encore préférable.

44. Une personne vivante évoquée en a-t-elle conscience à son réveil ?

«Non, vous l'êtes vous-mêmes plus souvent que vous ne pensez. Son Esprit seul le sait et peut quelquefois lui en laisser une vague impression comme d'un songe.»

- Qui est-ce qui peut nous évoquer si nous sommes des êtres obscurs ?

«Dans d'autres existences, vous pouvez avoir été des personnes connues dans ce monde ou dans d'autres ; et puis vos parents et vos amis également dans ce monde ou dans d'autres. Supposons que ton Esprit ait animé le corps du père d'une autre personne ; eh bien ! quand cette personne évoquera son père, c'est ton Esprit qui sera évoqué et qui répondra.»

45. L'Esprit évoqué d'une personne vivante répond-il comme Esprit ou avec les idées de l'état de veille ?

«Cela dépend de son élévation, mais il juge plus sainement et a moins de préjugés, absolument comme les somnambules ; c'est un état à peu près semblable.»

46. Si l'Esprit d'un somnambule en état de sommeil magnétique était évoqué, serait-il plus lucide que celui de toute autre personne ?

«Il répondrait sans doute plus facilement, parce qu'il est plus dégagé ; tout dépend du degré d'indépendance de l'Esprit et du corps.»

- L'Esprit d'un somnambule pourrait-il répondre à une personne qui l'évoquerait à distance en même temps qu'il répondrait verbalement à une autre personne ?

«La faculté de se communiquer simultanément sur deux points différents n'appartient qu'aux Esprits complètement dégagés de la matière.»

47. Pourrait-on modifier les idées d'une personne à l'état de veille en agissant sur son Esprit pendant le sommeil ?

«Oui, quelquefois ; l'Esprit ne tient plus à la matière par des liens aussi intimes, c'est pourquoi il est plus accessible aux impressions morales, et ces impressions peuvent influer sur sa manière de voir dans l'état ordinaire. Malheureusement il arrive souvent qu'au réveil la nature corporelle l'emporte et lui fait oublier les bonnes résolutions qu'il a pu prendre.»

48. L'Esprit d'une personne vivante est-il libre de dire ou de ne pas dire ce qu'il veut ?

«Il a ses facultés d'Esprit, et par conséquent son libre arbitre, et comme il a plus de perspicacité, il est même plus circonspect que dans l'état de veille.»

49. Pourrait-on contraindre une personne, en l'évoquant, à dire ce qu'elle voudrait taire ?

«J'ai dit que l'Esprit a son libre arbitre ; mais il se peut que, comme Esprit, elle attache moins d'importance à certaines choses que dans l'état ordinaire ; sa conscience peut parler plus librement. D'ailleurs, si elle ne veut pas parler, elle peut toujours échapper aux importunités en s'en allant, car on ne peut retenir son Esprit comme on retiendrait son corps.»

50. L'Esprit d'une personne vivante ne pourrait-il être contraint, par un autre Esprit, de venir et de parler, ainsi que cela a lieu pour les Esprits errants ?

«Parmi les Esprits, qu'ils soient morts ou vivants, il n'y a de suprématie que par la supériorité morale, et vous devez bien croire qu'un Esprit supérieur ne prêterait jamais son appui à une lâche indiscrétion.»

Remarque. Cet abus de confiance serait en effet une mauvaise action, mais qui ne saurait avoir de résultat, puisqu'on ne peut arracher un secret que l'Esprit voudrait taire, à moins que, dominé par un sentiment de justice, il n'avouât ce qu'il tairait en d'autres circonstances.

Une personne voulut savoir, par ce moyen, d'un de ses parents si le testament de ce dernier était en sa faveur. L'Esprit répondit : «Oui, ma chère nièce, et vous en aurez bientôt la preuve.» La chose était réelle en effet ; mais peu de jours après le parent détruisit son testament et eut la malice de le faire savoir à la personne, sans cependant qu'il sût avoir été évoqué. Un sentiment instinctif le porta sans doute à exécuter la résolution que son Esprit avait prise d'après la question qui lui avait été faite. Il y a de la lâcheté à demander à l'Esprit d'un mort ou d'un vivant ce qu'on n'oserait demander à sa personne, et cette lâcheté n'a pas même pour compensation le résultat qu'on s'en promet.

51. Peut-on évoquer un Esprit dont le corps est encore dans le sein de la mère ?

«Non ; vous savez bien qu'à ce moment l'Esprit est dans un trouble complet.»

Remarque. L'incarnation n'a définitivement lieu qu'au moment où l'enfant respire ; mais dès la conception, l'Esprit désigné pour l'animer est saisi d'un trouble qui augmente aux approches de la naissance, et lui ôte la conscience de lui-même, et par conséquent la faculté de répondre. (Voir Livre des Esprits : Retour à la vie corporelle ; Union de l'âme et du corps, n° 344.)

52. Un Esprit trompeur pourrait-il prendre la place de celui d'une personne vivante que l'on évoquerait ?

«Cela n'est pas douteux, et cela arrive très souvent, surtout quand l'intention de l'évocateur n'est pas pure. Du reste, l'évocation des personnes vivantes n'a d'intérêt que comme étude psychologique ; il convient de s'en abstenir toutes les fois qu'elle ne peut avoir un résultat instructif.»

Remarque. Si l'évocation des Esprits errants ne porte pas toujours, pour nous servir de leur expression, cela est bien plus fréquent pour ceux qui sont incarnés ; c'est alors surtout que des Esprits trompeurs prennent leur place.

53. L'évocation d'une personne vivante a-t-elle des inconvénients ?

«Elle n'est pas toujours sans danger ; cela dépend de la position de la personne, car si elle est malade, on peut augmenter ses souffrances.»

54. Dans quel cas l'évocation d'une personne vivante peut-elle avoir le plus d'inconvénients ?

«On doit s'abstenir d'évoquer les enfants en très bas âge, et les personnes gravement malades, les vieillards infirmes ; en un mot elle peut avoir des inconvénients toutes les fois que le corps est très affaibli.»

Remarque. La brusque suspension des qualités intellectuelles pendant l'état de veille pourrait aussi offrir du danger si la personne se trouvait en ce moment avoir besoin de toute sa présence d'Esprit.

55. Pendant l'évocation d'une personne vivante, son corps éprouve-t-il de la fatigue par suite du travail auquel se livre l'Esprit quoique absent ?

Une personne en cet état, et qui prétendait que son corps se fatiguait, répondit à cette question :

«Mon Esprit est comme un ballon captif attaché à un poteau ; mon corps est le poteau qui est ébranlé par les secousses du ballon.»

56. Puisque l'évocation des personnes vivantes peut avoir des inconvénients lorsqu'on la fait sans précaution, le danger n'existe-t-il pas quand on évoque un Esprit que l'on ne sait pas être incarné, et qui pourrait ne pas se trouver dans des conditions favorables ?

«Non, les circonstances ne sont pas les mêmes ; il ne viendra que s'il est en position de le faire ; et d'ailleurs ne vous ai-je pas dit de demander, avant de faire une évocation, si elle est possible ?»

57. Lorsque nous éprouvons, dans les moments les plus inopportuns, une irrésistible envie de dormir, cela proviendrait-il de ce que nous sommes évoqués quelque part ?

«Cela peut sans doute avoir lieu, mais le plus souvent c'est un effet purement physique, soit que le corps ait besoin de repos, soit que l'Esprit ait besoin de sa liberté.»

Remarque. Une dame de notre connaissance, médium, eut un jour l'idée d'évoquer l'Esprit de son petit-fils qui dormait dans la même chambre. L'identité fut constatée par le langage, les expressions familières de l'enfant, et par le récit très exact de plusieurs choses qui lui étaient arrivées à sa pension ; mais une circonstance vint la confirmer. Tout à coup la main du médium s'arrête au milieu d'une phrase, sans qu'il soit possible de rien obtenir de plus ; à ce moment, l'enfant à demi-réveillé fit plusieurs mouvements dans son lit ; quelques instants après s'étant rendormi, la main marcha de nouveau, continuant l'entretien interrompu. L'évocation des personnes vivantes, faite dans de bonnes conditions, prouve de la manière la moins contestable l'action distincte de l'Esprit et du corps, et par conséquent l'existence d'un principe intelligent indépendant de la matière. (Voir dans la Revue spirite de 1860, pages 11 et 81, plusieurs exemples remarquables d'évocation de personnes vivantes.)


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