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O que é o Espiritismo? » Capítulo I - Pequena conferência Espírita » Segundo diálogo - O céptico » Os incrédulos não podem ver para se convencerem

OS INCRÉDULOS NÃO PODEM VER PARA SE CONVENCEREM

 

   O Visitante. – São os fatos positivos que os incrédulos gostariam de ver, que eles pedem, mas na maioria das vezes não se pode lhes fornecer. Se todo mundo pudesse testemunhar esses fatos, a dúvida não seria mais permitida. Como se dá, então, que tanta gente nada tenha podido ver, mesmo tento boa vontade? O que se lhes opõe, dizem eles, é sua falta de fé; a isso eles respondem, com razão, que não podem ter uma fé antecipada e que, se se quer que eles creiam, é preciso dar-lhes os meios de crer. 

   A. K. – A razão disso é bem simples: eles querem os fatos sob seu comando, mas os Espíritos não obedecem ordens; é preciso aguardar que queiram produzi-los. Não basta pois dizer: Mostre-me tal fato e eu acreditarei; é preciso ter a vontade de perseverar, deixar os fatos se produzirem espontaneamente, sem pretender forçá-los ou dirigi-los; aquele que desejais, talvez seja precisamente o que não obtereis; mas se apresentarão outros, e aquele que quereis virá no momento em que menos esperais. 

   Aos olhos do observador atento e assíduo, os fatos surgem em quantidade e se corroboram uns aos outros; mas aquele que crê que basta girar uma manivela para fazer a máquina funcionar, se engana redondamente. O que faz o naturalista que deseja estudar os hábitos de um animal? Ordenará que ele faça tal ou tal coisa, para poder observá-lo pelo tempo que quiser, como quiser? Não, porque bem sabe que não será obedecido; ele espreita as manifestações espontâneas de seu instinto; ele as aguarda e as toma na passagem. O simples bom-senso mostra que, com mais forte razão, o mesmo deve dar-se com os Espíritos, que são inteligências bem mais independentes do que a dos animais.

   É erro acreditar que a fé seja necessária; a boa-fé, porém, é outra coisa; ora, há céticos que negam até a evidência, e mesmo prodígios não poderiam os convencer. Quantos há entre eles que, depois de terem visto, ainda persistem em explicar os fatos à sua maneira, dizendo que o que viram nada prova! Tais pessoas não servem senão para levar perturbação às reuniões, sem proveito para elas mesmas; é por isso que delas são afastadas para não se perder tempo com elas. Há mesmo aquelas que ficariam muito contrariadas se fossem forçadas a crer, porque seu amor-próprio sofreria por admitir que se enganaram. O que responder a essas pessoas que em toda parte apenas veem ilusão e charlatanismo? Nada; é preciso deixá-las tranquilas e que digam, enquanto quiserem, que nada viram e mesmo que nada pudemos ou nada quisemos fazê-las ver.

   Ao lado desses céticos endurecidos, há aqueles que querem ver à sua maneira; que, tendo formado uma opinião, querem tudo relacionar a ela: não compreendem que fenômenos não possam obedecer à sua vontade; não sabem, ou não querem colocar-se nas condições necessárias. Aquele que quer observar de boa-fé deve, não digo crer sob palavra, mas despojar-se de toda ideia preconcebida; não querer assimilar coisas incompatíveis; deve aguardar, seguir, observar com uma paciência infatigável; esta condição mesma está a favor dos adeptos, pois prova que sua convicção não foi adquirida levianamente. Tendes essa paciência? Não, dizeis, eu não tenho tempo. Portanto, não vos ocupeis com isso e não faleis a respeito; ninguém vos obriga a isso.


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