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O que é o Espiritismo? » Capítulo I - Pequena conferência Espírita » Segundo diálogo - O céptico » Impotência dos detratores

IMPOTÊNCIA DOS DETRATORES

 

   O Visitante. – Concordo que entre os detratores do Espiritismo há pessoas inconsequentes como esta de que acabais de falar; mas, ao lado dessas, não há homens de um valor real e cuja opinião tem um certo peso?

   A. K. – Não o contesto de modo algum. A isso respondo que o Espiritismo conta também em suas fileiras um bom número de homens de valor não menos real; digo-vos mais, é que a imensa maioria dos espíritas se compõe de homens inteligentes e de estudo; só a má-fé pode dizer que seus adeptos são recrutados entre as rezadeiras e os ignorantes.

   Aliás, um fato peremptório responde a essa objeção: é que, mesmo com seu saber ou sua posição oficial, nenhum conseguiu deter a marcha do Espiritismo; e, entretanto, não há um sequer, entre os que desejam detê-lo, desde o mais minúsculo folhetinista, que não se tenha vangloriado de dar-lhe o golpe mortal; todos, sem exceção, ajudaram, sem o querer, a vulgarizá-lo. Uma ideia que resiste a tantos esforços, que avança sem vacilar diante da saraivada de dardos que lhe lançam, não prova sua força e a profundidade de suas raízes? Esse fenômeno não merece a atenção dos pensadores sérios? Hoje em dia, mais de um diz a si mesmo que deve haver aí alguma coisa, talvez um desses grandes movimentos irresistíveis que, de tempos em tempos, revolvem as sociedades para transformá-las.

   Assim tem sido sempre com todas as ideias novas chamadas a revolucionar o mundo; elas encontram forçosamente obstáculos, porque têm que lutar contra os interesses, os preconceitos, os abusos que elas vêm derrubar; mas como estão nos desígnios de Deus para cumprir a lei do progresso da Humanidade, quando a hora é chegada nada poderia detê-las; é a prova de que elas são a expressão da verdade.

   A impotência dos adversários do Espiritismo prova, inicialmente, como dissemos, a ausência de boas razões; pois aquelas que lhe opõem não convencem; mas ela se liga a uma outra causa que frustra todas as suas combinações. Espantam-se de ver o seu crescimento; nenhum encontra a causa disso, porque procuram onde ela não está. Uns a veem no grande poder do diabo, que se mostraria assim mais forte que eles, e mesmo que Deus; outros, no aumento da loucura humana. O erro de todos é crer que a fonte do Espiritismo é única e repousa sobre a opinião de um homem; daí a ideia de que arruinando a opinião desse homem, arruinarão o Espiritismo; eles procuram essa fonte na Terra, enquanto ela está no espaço; ela não está sobre um ponto, mas por toda parte, porque os Espíritos se manifestam em toda a parte, em todos os países, no palácio como na choupana. A verdadeira causa está, pois, na própria natureza do Espiritismo que não recebe sua impulsão de um só, mas permite a cada um receber diretamente comunicações dos Espíritos e com isso assegurar-se da realidade dos fatos. Como persuadir a milhões de indivíduos de que tudo isso não passa de astúcia, de charlatanismo, de escamoteação, truques de destreza, quando são eles mesmos que obtêm esses resultados sem o concurso de ninguém? Devemos fazê-los crer que são seus próprios cúmplices, que fazem charlatanismo ou escamoteação para si mesmos?

   Essa universalidade das manifestações dos Espíritos que vêm, a todos os pontos do globo, dar um desmentido aos detratores e confirmar os princípios da doutrina, é uma força que não podem compreender aqueles que não conhecem o mundo invisível, assim como aqueles que não conhecem a lei da eletricidade não podem compreender a rapidez da transmissão de um despacho telegráfico; é contra essa força que vêm se quebrar todas as denegações, pois é como se se dissesse às pessoas que recebem os raios de sol, que o Sol não existe.

   Abstração feita das qualidades da doutrina que agradam mais do aquelas que se lhe opõem, está aí a causa dos fracassos daqueles que tentam deter-lhe a marcha; para que triunfassem, seria preciso encontrar o meio de impedir os Espíritos de se manifestarem. Eis porquê os espíritas pouco se preocupam com suas manobras; eles têm a seu favor a experiência e a autoridade dos fatos.


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