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O que é o Espiritismo? » Capítulo I - Pequena conferência Espírita » Primeiro diálogo - O crítico Qu'est-ce que le Spiritisme? » Chapitre I - Petite conference Spirite » Premier entretien - Le critique

O QUE É O ESPIRITISMO

 

CAPÍTULO I

 

PEQUENA CONFERÊNCIA ESPÍRITA

 

PRIMEIRO DIÁLOGO. – O CRÍTICO

 

   O Visitante. – Eu vos direi, senhor, que minha razão se recusa a admitir a realidade dos fenômenos estranhos atribuídos aos Espíritos que, estou persuadido, só existem na imaginação. No entanto, diante da evidência, seria preciso se inclinar, e é isso que eu faria se pudesse ter provas incontestáveis. Venho, então, solicitar a gentileza de vossa permissão para assistir somente a uma ou duas experiências, para não ser indiscreto, a fim de convencer-me, se possível.

   Allan Kardec. – Desde o instante, senhor, que vossa razão se recusa a admitir aquilo que vemos como fatos incontestáveis, é que a credes superior à de todas as pessoas que não compartilham de vossas opiniões. Eu não duvido de vosso mérito e não tenho a pretensão de colocar a minha inteligência acima da vossa. Admiti, então, que eu me engano, já que é a razão que vos fala, e não falemos mais disso.

   O Visitante. – Todavia, se conseguísseis me convencer, a mim que sou um conhecido antagonista das vossas ideias, isso seria um milagre eminentemente favorável à vossa causa. 

   A. K. – Eu lamento, senhor, mas não tenho o dom dos milagres. Pensais que uma ou duas sessões seriam suficientes para vos convencer? Isso seria, com efeito, uma verdadeira proeza; foi-me necessário mais de um ano de trabalho para que eu mesmo ficasse convencido, o que prova que, se eu o consegui, não foi de maneira leviana. Além disso, senhor, eu não dou sessões, e parece que vos enganastes sobre o objetivo de nossas reuniões, uma vez que não fazemos experiências tendo em vista a satisfação da curiosidade de quem quer que seja.

   O Visitante: Não desejais, então, fazer prosélitos?

   A. K. – Por que eu quereria fazer de vós um prosélito se não o quereis vós mesmo? Não forço nenhuma convicção. Quando encontro pessoas sinceramente desejosas de se instruírem e me concedem a honra de me pedir esclarecimentos, para mim é um prazer e um dever responder-lhes no limite de meus conhecimentos; mas, quanto aos antagonistas que, como vós, têm convicções formadas, nada faço para dissuadi-los, visto que encontro muitas pessoas bem dispostas, não perdendo meu tempo com aquelas que não o são. Sei que a convicção virá, cedo ou tarde, pela força das coisas, e os mais incrédulos serão arrastados pela torrente; alguns partidários a mais ou a menos nada são na balança neste momento; por isso, jamais me vereis encolerizar a fim de trazer para nossas ideias aqueles que têm tão boas razões quanto o senhor para se afastar delas.

   O Visitante: Haveria, no entanto, mais interesse em convencer-me do que o credes. Quereis me permitir explicar-me com franqueza e me prometer não vos ofender com minhas palavras? São minhas ideias sobre a coisa e não sobre a pessoa à qual me dirijo; posso respeitar a pessoa sem partilhar da sua opinião.

   A. K. – O Espiritismo me ensinou a deixar de lado as mesquinhas suscetibilidades do amor próprio, e a não me ofender com palavras. Se vossas palavras saírem dos limites da urbanidade e das conveniências, concluirei que sois um homem mal-educado: eis tudo. Quanto a mim, prefiro deixar aos outros os erros, ao invés de os partilhar.  Vedes, só por isso, que o Espiritismo serve para alguma coisa.

   Já vos disse, senhor, que não tenho nenhuma pretensão de vos fazer partilhar da minha opinião; respeito a vossa, se ela é sincera, como desejo que a minha seja respeitada. Uma vez que tratais o Espiritismo como um sonho vazio, dizíeis a vós mesmo vindo até à minha casa: "irei ver um louco". Confessai-o, francamente, pois não me ofenderei com isso. Todos os espíritas são loucos, é algo que muitos concordam. Pois bem! senhor, visto que encarais isso como uma doença mental, eu sentiria escrúpulo em vo-la comunicar, pois espanta-me o pensamento de que procureis adquirir uma convicção que vos colocaria entre os loucos. Se estais de antemão persuadido de não poder ser convencido, vossa tentativa é inútil, porque ela não tem por objetivo senão a curiosidade. Abreviemos, então, eu vos peço, porque não tenho tempo a perder em conversações sem objetivo.

   O Visitante: É possível equivocar-se, deixar-se iludir, sem ser louco por isso.

   A. K. – Falai claro; dizei, como tantos outros, que é uma mania passageira que só dura um tempo; mas convireis que uma mania que, em alguns anos, ganhou milhões de partidários em todos os países, que conta com doutos de todas as ordens, que se propaga de preferência nas classes esclarecidas, é uma singular mania que merece algum exame.

   O Visitante. – Eu tenho minhas ideias sobre esse assunto, é verdade. Todavia, elas não são tão absolutas que eu não consinta em sacrificá-las à evidência. Eu vos disse, pois, senhor, que tendes um certo interesse em me convencer. Confesso que devo publicar um livro no qual me proponho a demonstrar ex-professo (sic) o que vejo como um erro, e como esse livro deve ter um grande alcance e atacar violentamente os Espíritos, se chegar a ser convencido, eu não o publicarei.

   A. K. – Eu lamentaria, senhor, de privar-vos do benefício de um livro que deve ter um grande alcance; de resto, não tenho nenhum interesse em vos impedir de fazê-lo; desejo-vos, ao contrário, grande popularidade, esperando que isso nos sirva de prospecto e de anúncio. Quando uma coisa é atacada, isso desperta a atenção; há muitas pessoas que querem ver os prós e os contras, e a crítica a faz conhecida daqueles mesmos que nem pensavam nisso. É assim que, muitas vezes, se faz publicidade, sem o querer, em benefício daqueles a quem se quer prejudicar. A questão dos Espíritos é, aliás, tão palpitante de interesse; desperta a curiosidade a tal ponto que basta chamar a atenção para que se queira aprofundá-la.1

   O Visitante. – Então, na sua opinião, a crítica é inútil e a opinião pública não conta para nada?

   A. K. – Não vejo a crítica como a expressão da opinião pública, mas como uma opinião individual que pode se enganar. Lede a história e vereis quantas obras primas foram criticadas quando surgiram, sem que isso as impedisse de continuar sendo obras primas; quando uma coisa é ruim, não há elogio que a torne boa. Se o Espiritismo é um erro, cairá por si mesmo; se é uma verdade, nem mesmo todas as diatribes farão dele uma mentira. Vosso livro será uma apreciação pessoal do vosso ponto de vista; a verdadeira opinião pública julgará se vistes com justeza. Por isso, se quererá ver; e, se mais tarde, for reconhecido que vos enganastes, vosso livro se mostrará ridículo como aqueles que foram publicados recentemente contra a teoria da circulação do sangue, da vacina, etc.

   Mas esqueço que deveis tratar a questão ex-professo, o que quer dizer que a estudastes sob todas as suas faces; que vistes tudo o que se pode ver, lido tudo o que foi escrito sobre a matéria, analisado e comparado as diversas opiniões; que vos encontrais nas melhores condições para observar por vós mesmo; que haveis a ela consagrado vossas vigílias durante anos; em uma palavra, que nada negligenciastes para chegar à constatação da verdade. Devo crer que assim o é, se sois um homem sério, pois somente aquele que fez tudo isso tem o direito de dizer que fala com conhecimento de causa.

   Que pensaríeis vós de um homem que se erigisse em censor de uma obra literária sem conhecer literatura? De um quadro sem ter estudado pintura? É delógica elementar que o crítico deva conhecer, não superficialmente, mas a fundo, aquilo de que fala, sem o que sua opinião não tem valor. Para combater um cálculo é preciso opor-lhe outro cálculo, mas para isso é preciso saber calcular. O crítico não deve limitar-se a dizer que tal coisa é boa ou má; é preciso que justifique a sua opinião por uma demonstração clara e categórica, baseada nos princípios mesmos da arte ou da ciência. Como pode fazê-lo se ignora esses princípios? Poderíeis apreciar as qualidades ou os defeitos de uma máquina se não conheceis a mecânica? Não. Pois bem, vosso julgamento sobre o Espiritismo, que não conheceis, não teria mais valor do que aquele que fizésseis sobre a tal máquina. Seríeis a cada instante apanhado em flagrante delito de ignorância, porque aqueles que o estudaram verão, de imediato, que estais fora da questão; de onde concluir-se-á que não sois um homem sério, ou que não agis de boa-fé; em um e outro caso, vos exporeis a receber desmentidos pouco lisonjeiros para vosso amor-próprio.

   O Visitante: É precisamente para evitar este escolho que venho pedir-vos que me permita assistir algumas experiências.

   A. K. – E pensais que isto vos baste para falar do Espiritismo ex professo? Mas como poderíeis compreender essas experiências, e com mais forte razão julgá-las, se não estudastes os princípios que lhes servem de base? Como poderíeis apreciar o resultado, satisfatório ou não, de ensaios metalúrgicos, por exemplo, se não conheceis a fundo a metalurgia? Permiti-me dizer-vos, senhor, que vosso projeto é absolutamente como se, não sabendo nem matemática, nem astronomia, fosseis dizer a um desses senhores do Observatório: "Senhor, eu quero fazer um livro sobre astronomia e, além disso, provar que vosso sistema é falso; mas como eu não sei dela nem a primeira palavra, deixai-me olhar uma ou duas vezes através de vossos telescópios. Isso me bastará para conhecê-la tanto quanto vós”.

   É apenas por extensão que a palavra criticar é sinônimo de censurar; na sua acepção própria, e segundo sua etimologia, ela significa julgar, apreciar. A crítica pode, portanto, ser de aprovação ou desaprovação. Fazer a crítica de um livro não é necessariamente condená-lo; quem empreende esta tarefa deve fazê-lo sem ideias preconcebidas; mas se antes de abrir o livro ele já o condenou em pensamento, seu exame não pode ser imparcial.

   Este é o caso da maioria daqueles que têm falado do Espiritismo. Apenas com base nessa palavra, formaram uma opinião e agiram como um juiz que profere uma decisão sem se dar ao trabalho de examinar as peças processuais. Daí resultou que o seu julgamento era falso e que, em vez de persuadir, fizeram rir. Quanto àqueles que estudaram seriamente a questão, a maioria mudou de opinião, e mais de um adversário tornou-se seu partidário, quando viu que se tratava de algo totalmente diferente do que havia acreditado.

   O Visitante. – Falais do exame dos livros em geral. Credes que seja materialmente possível a um jornalista ler e estudar todos aqueles que lhe passam pelas mãos, sobretudo quando se trata de teorias novas que seria necessário aprofundar e verificar? O mesmo seria exigir que um impressor lesse todos os livros que saem de suas prensas.

   A. K. – A um raciocínio tão judicioso eu não tenho nada a responder, senão que, quando não se dispõe do tempo para fazer conscienciosamente uma coisa, não se deve com ela se envolver, e que é melhor fazer bem feita apenas uma coisa do que fazer mal dez.

   O Visitante. – Não creiais, senhor, que minha opinião tenha sido formada levianamente. Eu vi mesas girarem e baterem; pessoas que, supostamente, escreviam sob a influência dos Espíritos; mas eu estou convencido de que havia charlatanismo. 

   A. K. – Quanto pagastes para ver isso?

   O Visitante. – Absolutamente nada, vos asseguro.

   A. K. – Então, eis aí charlatães de um tipo singular, que reabilitarão a palavra. Até o presente não se tinha visto ainda charlatães desinteressados. Se algum gracejador de mau gosto quisesse se divertir uma vez ao azar, segue-se daí que as outras pessoas fossem seus cúmplices? Aliás, com que objetivo elas se tornariam cúmplices de uma mistificação? Para divertir a sociedade, direis. Admito que se faça uma vez uma brincadeira; mas quando uma brincadeira dura meses e anos, é o mistificador, creio eu, que é mistificado. Será provável que, só pelo prazer de fazer crer em uma coisa que se sabe ser falsa, alguém se desgaste por horas a fio sobre uma mesa? O prazer não valeria a pena.

   Antes de concluir pela fraude é preciso se perguntar que interesse se pode ter em enganar. Ora, concordareis que há posições que excluem toda suspeita de fraude; pessoas cujo caráter já é uma garantia de probidade. 

   Outra coisa seria, se se tratasse de uma especulação, porque a sedução do lucro é má conselheira; mas mesmo admitindo que, neste último caso, uma manobra fraudulenta seja positivamente constatada, isso não provaria nada contra a realidade do princípio, uma vez que se pode abusar de tudo. Pelo fato de haver pessoas que vendem vinho adulterado, não se segue que não exista vinho puro. O Espiritismo não é mais responsável pelos que abusam desse nome e o exploram, do que a ciência médica pelos charlatães que dispensam medicamentos, nem a religião pelos sacerdotes que abusam do seu ministério.

   O Espiritismo, por sua novidade e por sua própria natureza, se presta a abusos; porém, ele deu os meios de reconhecê-los, definindo claramente o seu verdadeiro caráter e recusando toda solidariedade com aqueles que o explorassem ou o desviassem de seu objetivo exclusivamente moral para fazer dele uma profissão, um instrumento de adivinhação ou de pesquisas fúteis.

   Uma vez que o Espiritismo traça ele mesmo os limites nos quais se encerra, torna preciso o que ele diz e o que não diz, o que ele pode e o que não pode, o que está ou não está em suas atribuições, o que ele aceita e o que ele repudia, o erro está naqueles que, não se dando ao trabalho de estudá-lo, julgam-no sobre aparências; e, porque encontram saltimbancos se enfeitando com nome de espíritas para atrair os passantes, dirão gravemente: “Eis o que é o Espiritismo”. Sobre quem, em definitivo, recai o ridículo? Não é sobre o saltimbanco, que exerce a sua profissão, nem sobre o Espiritismo, cuja doutrina escrita desmente tais afirmações, mas sobre os críticos convencidos a falar sobre o que não sabem, ou a alterar conscientemente a verdade. Aqueles que atribuem ao Espiritismo o que é contra sua essência mesma, o fazem por ignorância ou intencionalmente; no primeiro caso, é leviandade, no segundo, má-fé. Neste último caso, eles se assemelham a certos historiadores que alteram os fatos históricos no interesse de um partido ou de uma opinião. Um partido sempre cai em descrédito pelo emprego de semelhantes meios, e não alcança seu objetivo.

   Notai bem, senhor, que eu não pretendo que a crítica deva necessariamente aprovar nossas ideias, mesmo depois de as ter estudado; não censuramos, de modo algum, os que não pensam como nós. O que é evidente para nós, pode não o ser para todo mundo; cada um julga as coisas de seu ponto de vista, e do fato mais positivo nem todos tiram as mesmas consequências. Se um pintor, por exemplo, coloca em seu quadro um cavalo branco, qualquer um poderá muito bem dizer que esse cavalo faz um mau efeito e que um preto melhor conviria: mas seu erro será dizer que o cavalo é branco se ele é preto; é o que faz a maior parte dos nossos adversários.

   Em resumo, senhor, cada um é perfeitamente livre para aprovar ou criticar os princípios do Espiritismo, para deduzir deles tais consequências boas ou más que lhe aprouver, mas a consciência impõe a todo crítico sério o dever de não dizer o contrário do que é. Ora, por isso, a primeira condição é não falar daquilo que não se sabe.

   O Visitante. – Retornemos, eu vos peço, às mesas moventes e falantes. Não poderiam ter sido elas preparadas?

   A. K. – É sempre a questão da boa-fé à qual eu respondi. Uma vez provado o embuste, deixo-o ao vosso critério; se apontardes fatos comprovados de fraude, de charlatanismo, de exploração ou de abuso de confiança, eu vo-los entregarei para serem fustigados, declarando de antemão que não os defenderei, porque o Espiritismo sério é o primeiro a repudiá-los, e apontar os abusos é ajudar a preveni-los e prestar-lhe serviço.  Mas, generalizar essas acusações, lançar sobre um grande número de pessoas honradas a reprovação que alguns indivíduos isolados merecem, é um abuso de outro gênero, porque é calúnia.

   Admitindo, como dissestes, que as mesas tivessem sido preparadas, precisaria um mecanismo muito engenhoso para executar uma tal variedade de movimentos e de ruídos. Como é possível que ainda não saibamos o nome do hábil fabricante que as confecciona? Ele deveria, no entanto, ter uma enorme fama, posto que esses aparelhos estão difundidos nas cinco partes do mundo. É preciso admitir também que seu procedimento é bem sutil, pois pode adaptar-se à primeira mesa que aparecer sem deixar nenhum traço exterior. Por que, desde Tertuliano, que também falou das mesas girantes e falantes, ninguém conseguiu ver ou descrever tal mecanismo?

   O Visitante. – Eis o que vos engana. Um célebre cirurgião reconheceu que certas pessoas podem, pela contração de um músculo da perna, produzir um ruído semelhante ao que atribuís à mesa; daí concluiu que os vossos médiuns se divertem às custas da credulidade.

   A. K. – Então, se é um estalo do músculo, não é a mesa que está preparada. Uma vez que cada um explica à sua maneira este pretenso embuste, é a prova mais evidente de que nenhum deles conhece a verdadeira causa.

   Eu respeito a ciência desse douto cirurgião, mas algumas dificuldades se apresentam na aplicação, às mesas falantes, do fato que ele assinala. A primeira é que é singular que essa faculdade, até o presente excepcional e considerada como um caso patológico, tenha subitamente se tornado tão comum; a segunda, que é preciso ter um desejo muito robusto de mistificar para fazer estalar o músculo durante duas ou três horas seguidas, quando tudo o que se obtém é a fadiga e a dor; a terceira é que realmente não vejo como é que esse músculo se corresponde com as portas e as paredes onde os golpes se fazem ouvir; a quarta, enfim, que é preciso a esse músculo estalante uma propriedade bem maravilhosa, para fazer mover uma pesada mesa, levantá-la, abri-la, fechá-la, mantê-la em suspensão sem ponto de apoio e, finalmente, quebrá-la na queda. Não suspeitávamos que esse músculo tinha tantas virtudes. (Revista Espírita, junho de 1859, página 141: O Músculo Estalante.)

   O célebre cirurgião de que falais estudou o fenômeno da tiptologia naqueles que a produzem? Não; ele constatou um efeito fisiológico anormal em alguns indivíduos que jamais se ocuparam das mesas batedoras, tendo uma certa analogia com aquele que se produz nas mesas, e, sem um exame mais amplo, concluiu, com toda a autoridade da sua ciência, que todos aqueles que fazem falar as mesas devem ter a propriedade de fazer estalar seu músculo curto perônio, e não são senão enganadores, sejam eles príncipes ou operários, cobrando ou não. Ele, ao menos, estudou o fenômeno da tipologia em todas as suas fases? Verificou se, com a ajuda desse estalido muscular, poder-se-ia produzir todos os efeitos tiptológicos? Também não, porque, caso contrário, ficaria convencido da insuficiência do seu procedimento; o que não o impediu de proclamar a sua descoberta em pleno Instituto. Este não é, para um douto, um julgamento muito sério. O que resta dele hoje? Eu vos confesso que, se tivesse que me submeter a uma cirurgia, hesitaria muito em me confiar a esse médico, porque temeria que ele julgasse meu mal com a mesma perspicácia.

   Sendo esse julgamento uma das autoridades sobre as quais quereis vos apoiar para atacar violentamente o Espiritismo, isso me tranquiliza completamente quanto à força dos outros argumentos que quereis validar, se não os tomardes de fontes mais autênticas.

   O Visitante. – Vedes, todavia, que a moda das mesas girantes já passou; durante um tempo foi um furor, hoje, dela não se ocupam mais. Por que isso, se é uma coisa séria?

   A. K. – Porque das mesas girantes surgiu algo ainda mais sério; surgiu toda uma ciência, toda uma doutrina filosófica bem mais interessante para os homens que refletem. Quando estes nada mais tinham a aprender vendo girar uma mesa, dela não mais se ocuparam. Para as pessoas fúteis, que nada aprofundam, tratava-se de um passatempo, um brinquedo que abandonaram quando tiveram dele o suficiente; tais pessoas nada contam em matéria de ciência. O período da curiosidade teve o seu tempo: foi sucedido pelo da observação. O Espiritismo entrou então no domínio das pessoas sérias que não se divertem com ele, mas com ele se instruem. Ademais, as pessoas que o encaram como algo grave, não se prestam a nenhuma experiência de curiosidade, menos ainda para aquelas que nele chegam com pensamentos hostis; como não almejam divertimento, não procuram divertir os outros; e eu sou desse número.

   O Visitante. – No entanto, apenas a experiência pode convencer, ainda que no início se tenha como objetivo a curiosidade. Se não operais senão na presença de pessoas convencidas, permiti-me dizer-vos que pregais a convertidos.

   A. K. – Diferente de estar convencido, é estar disposto a ser convencido; é a esses últimos que me dirijo, e não àqueles que creem humilhar sua razão ao virem ouvir o que chamam de devaneios. Com esses eu não me preocupo de maneira alguma. Quanto àqueles que dizem ter o desejo sincero de se esclarecer, a melhor maneira de prová-lo é mostrar perseverança; reconhecemo-los por outros sinais que não o desejo de ver uma ou duas experiências: esses querem trabalhar seriamente.

   A convicção não se forma senão com o tempo, por uma série de observações feitas com um cuidado todo particular. Os fenômenos espíritas diferem essencialmente daqueles apresentados por nossas ciências exatas: eles não se produzem à vontade; é preciso captá-los no momento em que ocorrem; é observando muito e por muito tempo que se descobre uma grande quantidade de provas que escapam à primeira vista, sobretudo quando não se está familiarizado com as condições nas quais elas podem se apresentar, principalmente quando são vistas com prevenção. Para o observador assíduo e reflexivo, as provas abundam: para ele, uma palavra, um fato aparentemente insignificante, pode ser um raio de luz, uma confirmação; para o observador superficial e de passagem, para o simples curioso, elas são nulas; é por isso que não me presto a experiências sem resultado provável.

   O Visitante. – Mas enfim, é preciso um começo para tudo. O principiante, que é uma tábula rasa, que nada viu, mas quer se esclarecer, como pode fazê-lo se para isso não lhe dais os meios?

   A. K. – Eu faço uma grande diferença entre o incrédulo por ignorância e o incrédulo por sistema; quando vejo em alguém disposições favoráveis, não me custa esclarecê-lo; mas há pessoas em quem o desejo de se instruir não passa de falsa aparência: com essas se perde tempo, pois se não encontram de imediato o que parecem procurar, e o que talvez se aborreçam de encontrar, o pouco que veem é insuficiente para destruir suas prevenções; julgam mal e fazem dele um assunto de escárnio que é inútil fornecer-lhes.

   Àquele que tem o desejo de se instruir, direi: “Não se pode fazer um curso de Espiritismo experimental como se faz um curso de física e de química, pois nunca se é senhor de produzir os fenômenos à vontade, e as inteligências que são seus agentes muitas vezes frustram todas as nossas previsões. Os que poderíeis ver acidentalmente, não apresentando nenhuma continuidade, nenhuma ligação necessária, seriam pouco inteligíveis para vós. Instruí-vos primeiro pela teoria; lede e meditai nas obras que tratam desta ciência; nelas aprendereis os princípios, encontrareis a descrição de todos os fenômenos, compreendereis a sua possibilidade pela explicação que deles é dada e pelo relato de vários fatos espontâneos dos quais podeis ter sido testemunhas à vossa revelia, que vos voltarão à memória; instruir-vos-eis sobre todas as dificuldades que podem se apresentar, e assim formareis uma primeira convicção moral. Então, quando as circunstâncias se apresentarem para ver ou praticar por vós mesmos, compreendereis, qualquer que seja a ordem em que os fatos se apresentem, porque nada vos será estranho”.

   Eis, senhor, o que aconselho a toda pessoa que diz querer instruir-se, e pela sua resposta é fácil ver se há nela algo além da curiosidade.

 

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1 Desde este diálogo, escrito em 1859, a experiência demonstrou amplamente a validade desta proposição.


Le Visiteur. - Je vous dirai, Monsieur, que ma raison se refuse à admettre la réalité des phénomènes étranges attribués aux Esprits qui, j'en suis persuadé, n'existent que dans l'imagination. Pourtant, devant l'évidence, il faudrait bien s'incliner, et c'est ce que je ferais si je pouvais avoir des preuves incontestables. Je viens donc solliciter de votre obligeance la permission d'assister seulement à une ou deux expériences, pour n'être pas indiscret, afin de me convaincre, si c'est possible.

Allan Kardec. - Dès l'instant, Monsieur, que votre raison se refuse à admettre ce que nous regardons comme des faits acquis, c'est que vous la croyez supérieure à celle de tous les gens qui ne partagent pas vos opinions. Je ne doute pas de votre mérite et n'ai pas la prétention de mettre mon intelligence au-dessus de la vôtre ; admettez donc que je me trompe, puisque c'est la raison qui vous parle, et que tout soit dit.

Le Visiteur. - Pourtant, si vous parveniez à me convaincre, moi qui suis connu pour un antagoniste de vos idées, ce serait un miracle éminemment favorable à votre cause.

A. K. - Je le regrette, Monsieur, mais je n'ai pas le don des miracles. Vous pensez qu'une ou deux séances suffiront pour vous convaincre ? Ce serait, en effet, un véritable tour de force ; il m'a fallu plus d'un an de travail pour être convaincu moi-même ; ce qui vous prouve que, si je le suis, ce n'a pas été à la légère. D'ailleurs, Monsieur, je ne donne point de séances, et il paraît que vous vous êtes mépris sur le but de nos réunions, attendu que nous ne faisons point d'expériences en vue de satisfaire la curiosité de qui que ce soit.

Le Visiteur. - Vous ne tenez donc pas à faire des prosélytes ?

A. K. - Pourquoi donc tiendrais-je à faire de vous un prosélyte si vous n'y tenez pas vous-même ? Je ne force aucune conviction. Quand je rencontre des personnes sincèrement désireuses de s'instruire et qui me font l'honneur de me demander des éclaircissements, je me fais un plaisir et un devoir de leur répondre dans la limite de mes connaissances ; mais quant aux antagonistes qui, comme vous, ont des convictions arrêtées, je ne fais pas une démarche pour les en détourner, attendu que je trouve assez de personnes bien disposées, sans perdre mon temps avec celles qui ne le sont pas. La conviction viendra tôt ou tard par la force des choses, et les plus incrédules seront entraînés par le torrent ; quelques partisans de plus ou de moins ne font rien pour le moment dans la balance ; c'est pourquoi vous ne me verrez jamais m'échauffer la bile pour amener à nos idées ceux qui ont d'aussi bonnes raisons que vous pour s'en éloigner.

Le Visiteur. - Il y aurait cependant à me convaincre plus d'intérêt que vous ne le croyez. Voulez-vous me permettre de m'expliquer avec franchise et me promettre de ne pas vous offenser de mes paroles ? Ce sont mes idées sur la chose et non sur la personne à laquelle je m'adresse ; je puis respecter la personne sans partager son opinion.

A. K. - Le spiritisme m'a appris à faire bon marché des mesquines susceptibilités d'amour-propre, et à ne pas m'offenser pour des mots. Si vos paroles sortent des bornes de l'urbanité et des convenances, j'en conclurai que vous êtes un homme mal élevé : voilà tout. Quant à moi j'aime mieux laisser aux autres les torts que de les partager. Vous voyez, par cela seul, que le spiritisme sert à quelque chose.

Je vous l'ai dit, Monsieur, je ne tiens nullement à vous faire partager mon opinion ; je respecte la vôtre, si elle est sincère, comme je désire qu'on respecte la mienne. Puisque vous traitez le spiritisme de rêve creux, vous vous êtes dit en venant chez moi : Je vais voir un fou. Avouez-le franchement, je ne m'en formaliserai pas. Tous les spirites sont des fous, c'est chose convenue. Eh bien ! Monsieur, puisque vous regardez cela comme une maladie mentale, je me ferai un scrupule de vous la communiquer, et je m'étonne qu'avec une telle pensée, vous demandiez à acquérir une conviction qui vous rangerait parmi les fous. Si vous êtes persuadé d'avance de ne pouvoir être convaincu, votre démarche est inutile, car elle n'a pour but que la curiosité. Abrégeons donc, je vous prie, car je n'ai pas de temps à perdre en conversations sans objet.

Le Visiteur. - On peut se tromper, se faire illusion sans être fou pour cela.

A. K. - Tranchez le mot ; dites, comme tant d'autres, que c'est une tocade qui n'aura qu'un temps ; mais vous conviendrez qu'une tocade qui, en quelques années, a gagné des millions de partisans dans tous les pays, qui compte des savants de tous ordres, qui se propage de préférence dans les classes éclairées, est une singulière manie qui mérite quelque examen.

Le Visiteur. - J'ai mes idées sur ce sujet, il est vrai ; mais elles ne sont pas tellement absolues que je ne consente à les sacrifier à l'évidence. Je vous disais donc, Monsieur, que vous avez un certain intérêt à me convaincre. Je vous avouerai que je dois publier un livre où je me propose de démontrer ex professo (sic) ce que je regarde comme une erreur ; et comme ce livre doit avoir une grande portée et battre en brèche les Esprits, si j'arrivais à être convaincu, je ne le publierais pas.

A. K. - Je serais désolé, Monsieur, de vous priver du bénéfice d'un livre qui doit avoir une grande portée ; je n'ai, du reste, aucun intérêt à vous empêcher de le faire ; je lui souhaite, au contraire, une très grande vogue, attendu que cela nous tiendra lieu de prospectus et d'annonces. Quand une chose est attaquée, cela éveille l'attention ; il y a beaucoup de gens qui veulent voir le pour et le contre, et la critique la fait connaître de ceux mêmes qui n'y songeaient pas ; c'est ainsi qu'on fait souvent de la réclame sans le vouloir au profit de ceux auxquels on veut nuire. La question des Esprits est, d'ailleurs, si palpitante d'intérêt ; elle pique la curiosité à un tel point, qu'il suffit de la signaler à l'attention pour donner l'envie de l'approfondir[1].

Le Visiteur. - Alors, selon vous, la critique ne sert à rien, l'opinion publique ne compte pour rien ?

A. K. - Je ne regarde pas la critique comme l'expression de l'opinion publique, mais comme une opinion individuelle qui peut se tromper. Lisez l'histoire, et voyez combien de chefs-d'oeuvre ont été critiqués à leur apparition, ce qui ne les a pas empêchés de rester des chefs-d'oeuvre ; quand une chose est mauvaise, tous les éloges possibles ne la rendront pas bonne. Si le spiritisme est une erreur, il tombera de lui même : si c'est une vérité, toutes les diatribes n'en feront pas un mensonge. Votre livre sera une appréciation personnelle à votre point de vue ; la véritable opinion publique jugera si vous avez vu juste. Pour cela on voudra voir ; et, si plus tard, il est reconnu que vous vous êtes trompé, votre livre sera ridicule comme ceux que l'on a publiés naguère contre la théorie de la circulation du sang, de la vaccine, etc..

Mais j'oublie que vous devez traiter la question ex professo, ce qui veut dire que vous l'avez étudiée sous toutes ses faces ; que vous avez vu tout ce qu'on peut voir, lu tout ce qui a été écrit sur la matière, analysé et comparé les diverses opinions ; que vous vous êtes trouvé dans les meilleures conditions pour observer par vous-même ; que vous y avez consacré vos veilles pendant des années ; en un mot, que vous n'avez rien négligé pour arriver à la constatation de la vérité. Je dois croire qu'il en est ainsi si vous êtes un homme sérieux, car celui qui a fait tout cela a seul le droit de dire qu'il parle en connaissance de cause.

Que penseriez-vous d'un homme qui s'érigerait en censeur d'une oeuvre littéraire sans connaître la littérature, d'un tableau sans avoir étudié la peinture ? Il est de logique élémentaire que le critique doit connaître, non pas superficiellement, mais à fond, ce dont il parle, sans cela son opinion est sans valeur. Pour combattre un calcul, il faut opposer un autre calcul, mais pour cela il faut savoir calculer. Le critique ne doit pas se borner à dire que telle chose est bonne ou mauvaise, il faut qu'il justifie son opinion par une démonstration claire et catégorique, basée sur les principes mêmes de l'art ou de la science. Comment peut-il le faire s'il ignore ces principes ? Pourriez-vous apprécier les qualités ou les défauts d'une machine si vous ne connaissez pas la mécanique ? Non ; eh bien ! votre jugement sur le spiritisme, que vous ne connaissez pas, n'aurait pas plus de valeur que celui que vous porteriez sur cette machine. Vous seriez à chaque instant pris en flagrant délit d'ignorance, car ceux qui l'auront étudié verront tout de suite que vous êtes hors de la question ; d'où l'on conclura, ou que vous n'êtes pas un homme sérieux, ou que vous n'êtes pas de bonne foi ; dans l'un et l'autre cas, vous vous exposeriez à recevoir des démentis peu flatteurs pour votre amour-propre.

Le Visiteur. - C'est précisément pour éviter cet écueil que je suis venu vous prier de me permettre d'assister à quelques expériences.

A. K. - Et vous pensez que cela vous suffira pour parler du spiritisme ex professo ? Mais comment pourriez-vous comprendre ces expériences, à plus forte raison les juger, si vous n'avez pas étudié les principes qui leur servent de base ? Comment pourriez-vous apprécier le résultat, satisfaisant ou non, d'essais métallurgiques, par exemple, si vous ne connaissez pas à fond la métallurgie ? Permettez-moi de vous dire, Monsieur, que votre projet est absolument comme si, ne sachant ni les mathématiques, ni l'astronomie, vous alliez dire à l'un des ces Messieurs de l'Observatoire : Monsieur, je veux faire un livre sur l'astronomie, et de plus prouver que votre système est faux ; mais comme je n'en sais pas le premier mot, laissez-moi regarder une ou deux fois à travers vos lunettes ; cela me suffira pour en savoir autant que vous.

Ce n'est que par extension que le mot critiquer est synonyme de censurer ; dans son acception propre, et d'après son étymologie, il signifie juger, apprécier. La critique peut donc être approbative ou désapprobatrice. Faire la critique d'un livre n'est pas nécessairement le condamner ; celui qui entreprend cette tâche doit le faire sans idées préconçues ; mais si avant d'ouvrir le livre il l'a déjà condamné dans sa pensée, son examen ne peut être impartial.

Tel est le cas de la plupart de ceux qui ont parlé du spiritisme. Sur le mot seul ils se sont formé une opinion et ont fait comme un juge qui rendrait un arrêt sans se donner la peine d'examiner les pièces. Il en est résulté que leur jugement a porté à faux, et qu'au lieu de persuader ils ont fait rire. Quant à ceux qui ont sérieusement étudié la question, la plupart ont changé d'avis et plus d'un adversaire en est devenu partisan, quand il a vu qu'il s'agissait de toute autre chose que ce qu'il avait cru.

Le Visiteur. - Vous parlez de l'examen des livres en général ; croyez-vous qu'il soit matériellement possible à un journaliste de lire et d'étudier tous ceux qui lui passent par les mains, surtout quand il s'agit de théories nouvelles qu'il lui faudrait approfondir et vérifier ? Autant vaudrait exiger d'un imprimeur qu'il lût tous les ouvrages qui sortent de ses presses.

A. K. - A un raisonnement si judicieux je n'ai rien à répondre, sinon que quand on n'a pas le temps de faire consciencieusement une chose, on ne s'en mêle pas, et qu'il vaut mieux n'en faire qu'une seule bien que d'en faire dix mal.

Le Visiteur. - Ne croyez pas, Monsieur, que mon opinion se soit formée à la légère. J'ai vu des tables tourner et frapper ; des personnes qui étaient censées écrire sous l'influence des Esprits ; mais je suis convaincu qu'il y avait du charlatanisme.

A. K. - Combien avez-vous payé pour voir cela ?

Le Visiteur. - Rien du tout, assurément.

A. K. - Alors, voilà des charlatans d'une singulière espèce, et qui vont réhabiliter le mot. Jusqu'à présent on n'avait pas encore vu des charlatans désintéressés. Si quelque mauvais plaisant a voulu s'amuser une fois par hasard, s'ensuit-il que les autres personnes fussent des compères ? D'ailleurs, dans quel but se seraient-elles rendues complices d'une mystification ? Pour amuser la société, direz-vous. Je veux bien qu'une fois on se prête à une plaisanterie ; mais quand une plaisanterie dure des mois et des années, c'est, je crois, le mystificateur qui est mystifié. Est-il probable que, pour le seul plaisir de faire croire à une chose que l'on sait être fausse on se morfonde des heures entières sur une table ? Le plaisir n'en vaudrait pas la peine.

Avant de conclure à la fraude, il faut d'abord se demander quel intérêt on peut avoir à tromper ; or, vous conviendrez qu'il est des positions qui excluent tout soupçon de supercherie ; des personnes dont le caractère seul est une garantie de probité.

Autre chose serait s'il s'agissait d'une spéculation, parce que l'appât du gain est un mauvais conseiller ; mais en admettant même que, dans ce dernier cas, un fait de manoeuvre frauduleuse soit positivement constaté, cela ne prouverait rien contre la réalité du principe, attendu qu'on peut abuser de tout. De ce qu'il y a des gens qui vendent des vins frelatés, il ne s'ensuit pas qu'il n'y ait pas de vin pur. Le spiritisme n'est pas plus responsable de ceux qui abusent de ce nom et l'exploitent, que la science médicale ne l'est des charlatans qui débitent leurs drogues, ni la religion des prêtres qui abusent de leur ministère.

Le spiritisme, par sa nouveauté et par sa nature même, devait prêter à des abus ; mais il a donné les moyens de les reconnaître, en définissant clairement son véritable caractère et en déclinant toute solidarité avec ceux qui l'exploiteraient ou le détourneraient de son but exclusivement moral pour en faire un métier, un instrument de divination ou de recherches futiles.

Dès lors que le spiritisme trace lui-même les limites dans lesquelles il se renferme, précise ce qu'il dit et ce qu'il ne dit pas, ce qu'il peut et ne peut pas, ce qui est ou n'est pas dans ses attributions, ce qu'il accepte et ce qu'il répudie, le tort est à ceux qui, ne se donnant pas la peine de l'étudier, le jugent sur des apparences ; qui, parce qu'ils rencontrent des saltimbanques s'affublant du nom de Spirites pour attirer les passants, diront gravement : Voilà ce qu'est le spiritisme. Sur qui, en définitive, retombe le ridicule ? Ce n'est pas sur le saltimbanque qui fait son métier, ni sur le spiritisme dont la doctrine écrite dément de pareilles assertions, mais bien sur les critiques convaincus de parler de ce qu'ils ne savent pas, ou d'altérer sciemment la vérité. Ceux qui attribuent au spiritisme ce qui est contre son essence même, le font, ou par ignorance ou avec intention ; dans le premier cas, c'est de la légèreté ; dans le second, c'est de la mauvaise foi. Dans ce dernier cas, ils ressemblent à certains historiens qui altèrent les faits historiques dans l'intérêt d'un parti ou d'une opinion. Un parti se discrédite toujours par l'emploi de pareils moyens, et manque son but.

Remarquez bien, Monsieur, que je ne prétends pas que la critique doive nécessairement approuver nos idées, même après les avoir étudiées ; nous ne blâmons nullement ceux qui ne pensent pas comme nous. Ce qui est évident pour nous, peut ne pas l'être pour tout le monde ; chacun juge les choses à son point de vue, et du fait le plus positif tout le monde ne tire pas les mêmes conséquences. Si un peintre, par exemple, met dans son tableau un cheval blanc, quelqu'un pourra très bien dire que ce cheval fait un mauvais effet, et qu'un noir eût mieux convenu ; mais son tort sera de dire que le cheval est blanc s'il est noir ; c'est ce que font la plupart de nos adversaires.

En résumé, Monsieur, chacun est parfaitement libre d'approuver ou de critiquer les principes du spiritisme, d'en déduire telles conséquences bonnes ou mauvaises qu'il lui plaira, mais la conscience fait un devoir à tout critique sérieux de ne pas dire le contraire de ce qui est ; or, pour cela, la première condition est de ne parler que de ce qu'on sait.

Le Visiteur. - Revenons, je vous prie, aux tables mouvantes et parlantes. Ne se pourrait-il pas qu'elles fussent préparées ?

A. K. - C'est toujours la question de bonne foi à laquelle j'ai répondu. Lorsque la supercherie sera prouvée, je vous l'abandonne ; si vous signalez des faits avérés de fraude, de charlatanisme, d'exploitation, ou d'abus de confiance, je les livre à vos fustigations, vous déclarant d'avance que je n'en prendrai pas la défense, parce que le spiritisme sérieux est le premier à les répudier, et que signaler les abus, c'est aider à les prévenir et lui rendre service. Mais généraliser ces accusations, déverser sur une masse de gens honorables la réprobation que méritent quelques individus isolés, c'est un abus d'un autre genre, car c'est de la calomnie.

En admettant, comme vous le dites, que les tables fussent préparées, il faudrait un mécanisme bien ingénieux pour faire exécuter des mouvements et des bruits si variés. Comment se fait-il qu'on ne connaisse pas encore le nom de l'habile fabricant qui les confectionne ? Il devrait cependant avoir une bien grande célébrité, puisque ces appareils sont répandus dans les cinq parties du monde. Il faut convenir aussi que son procédé est bien subtil, puisqu'il peut s'adapter à la première table venue sans aucune trace extérieure. Comment se fait-il que depuis Tertulien qui, lui aussi, a parlé des tables tournantes et parlantes, jusqu'à présent personne n'a pu le voir ni le décrire ?

Le Visiteur. - Voilà ce qui vous trompe. Un célèbre chirurgien a reconnu que certaines personnes peuvent, par la contraction d'un muscle de la jambe, produire un bruit pareil à celui que vous attribuez à la table ; d'où il conclut que vos médiums s'amusent aux dépens de la crédulité.

A. K. - Alors si c'est un craquement de muscle, ce n'est pas la table qui est préparée. Puisque chacun explique cette prétendue supercherie à sa manière, c'est la preuve la plus évidente que ni les uns ni les autres ne connaissent la véritable cause.

Je respecte la science de ce savant chirurgien, seulement il se présente quelques difficultés dans l'application aux tables parlantes du fait qu'il signale. La première, c'est qu'il est singulier que cette faculté, jusqu'à présent exceptionnelle, et regardée comme un cas pathologique, soit tout à coup devenue si commune ; la seconde, qu'il faut avoir une bien robuste envie de mystifier pour faire craquer son muscle pendant deux ou trois heures de suite, quand cela ne rapporte rien que de la fatigue et de la douleur ; la troisième, que je ne vois pas trop comment ce muscle correspond aux portes et aux murailles dans lesquelles les coups se font entendre ; la quatrième enfin, qu'il faut à ce muscle craqueur une propriété bien merveilleuse pour faire mouvoir une lourde table, la soulever, l'ouvrir, la fermer, la maintenir en suspension sans point d'appui, et finalement la faire briser en tombant. On ne se doutait guère que ce muscle eût tant de vertus. (Revue Spirite, juin 1859, page 141 : Le muscle craqueur.)

Le célèbre chirurgien dont vous parlez a-t-il étudié le phénomène de la typtologie sur ceux qui le produisent ? Non ; il a constaté un effet physiologique anormal chez quelques individus qui ne se sont jamais occupés de tables frappantes, ayant une certaine analogie avec celui qui se produit dans les tables, et, sans plus ample examen, il conclut, de toute l'autorité de sa science, que tous ceux qui font parler les tables doivent avoir la propriété de faire craquer leur muscle court péronier, et ne sont que des faiseurs de dupes, qu'ils soient princes ou artisans, qu'ils se fassent payer ou non. A-t-il au moins étudié le phénomène de la typtologie dans toutes ses phases ? A-t-il vérifié si, à l'aide de ce craquement musculaire, on pouvait produire tous les effets typtologiques ? Pas davantage, sans cela il se serait convaincu de l'insuffisance de son procédé ; ce qui ne l'a pas empêché de proclamer sa découverte en plein Institut. Ne voilà-t-il pas, pour un savant, un jugement bien sérieux ! Qu'en reste-t-il aujourd'hui ? Je vous avoue que, si j'avais à subir une opération chirurgicale, j'hésiterais fort à me confier à ce praticien car je craindrais qu'il ne jugeât pas mon mal avec plus de perspicacité.

Puisque ce jugement est une des autorités sur lesquelles vous semblez devoir vous appuyer pour battre en brèche le spiritisme, cela me rassure complètement sur la force des autres arguments que vous ferez valoir si vous ne les puisez pas à des sources plus authentiques.

Le Visiteur. - Vous voyez pourtant que la mode des tables tournantes est passée ; pendant un temps c'était une fureur ; aujourd'hui on ne s'en occupe plus. Pourquoi cela, si c'est une chose sérieuse ?

A. K. - Parce que des tables tournantes est sortie une chose plus sérieuse encore ; il en est sorti toute une science, toute une doctrine philosophique bien autrement intéressante pour les hommes qui réfléchissent. Quand ceux-ci n'ont plus rien eu à apprendre en voyant tourner une table, ils ne s'en sont plus occupés. Pour les gens futiles qui n'approfondissent rien, c'était un passe-temps, un jouet qu'ils ont laissé quand ils en ont eu assez ; ces personnes ne comptent pour rien en science. La période de curiosité a eu son temps : celle de l'observation lui a succédé. Le spiritisme est alors entré dans le domaine des gens sérieux qui ne s'en amusent pas, mais qui s'instruisent. Aussi les personnes qui en font une chose grave ne se prêtent à aucune expérience de curiosité, et encore moins pour ceux qui y viendraient avec des pensées hostiles ; comme elles ne s'amusent pas elles-mêmes, elles ne cherchent pas à amuser les autres ; et je suis de ce nombre.

Le Visiteur. - Il n'y a pourtant que l'expérience qui puisse convaincre, dût-on, en commençant, n'avoir qu'un but de curiosité. Si vous n'opérez qu'en présence de gens convaincus, permettez-moi de vous dire que vous prêchez des convertis.

A. K. - Autre chose est d'être convaincu, ou d'être disposé à se convaincre ; c'est à ces derniers que je m'adresse, et non à ceux qui croient humilier leur raison en venant écouter ce qu'ils appellent des rêveries. De ceux-là je ne me préoccupe pas le moins du monde. Quant à ceux qui disent avoir le désir sincère de s'éclairer, la meilleure manière de le prouver, c'est de montrer de la persévérance ; on les reconnaît à d'autres signes qu'au désir de voir une ou deux expériences : ceux-là veulent travailler sérieusement.

La conviction ne se forme qu'à la longue, par une suite d'observations faites avec un soin tout particulier. Les phénomènes spirites diffèrent essentiellement de ceux que présentent nos sciences exactes : ils ne se produisent pas à volonté ; il faut les saisir au passage ; c'est en voyant beaucoup et longtemps qu'on découvre une foule de preuves qui échappent à la première vue, surtout quand on n'est pas familiarisé avec les conditions dans lesquelles elles peuvent se rencontrer, et encore plus quand on y apporte un esprit de prévention. Pour l'observateur assidu et réfléchi, les preuves abondent : pour lui, un mot, un fait insignifiant en apparence peut être un trait de lumière, une confirmation ; pour l'observateur superficiel et de passage, pour le simple curieux, elles sont nulles ; voilà pourquoi je ne me prête pas à des expériences sans résultat probable.

Le Visiteur. - Mais enfin il faut un commencement à tout. Le novice, qui est une table rase, qui n'a rien vu, mais qui veut s'éclairer, comment peut-il le faire, si vous ne lui en donnez pas les moyens ?

A. K. - Je fais une grande différence entre l'incrédule par ignorance et l'incrédule par système ; quand je vois en quelqu'un des dispositions favorables, rien ne me coûte pour l'éclairer ; mais il y a des gens chez qui le désir de s'instruire n'est qu'un faux-semblant : avec ceux-là on perd son temps, car s'ils ne trouvent pas tout d'abord ce qu'ils ont l'air de chercher, et ce qu'ils seraient peut-être fâchés de trouver, le peu qu'ils voient est insuffisant pour détruire leurs préventions ; ils le jugent mal et en font un sujet de dérision qu'il est inutile de leur fournir.

A celui qui a le désir de s'instruire, je dirai : «On ne peut pas faire un cours de spiritisme expérimental comme on fait un cours de physique et de chimie, attendu qu'on n'est jamais maître de produire les phénomènes à son gré, et que les intelligences qui en sont les agents déjouent souvent toutes nos prévisions. Ceux que vous pourriez voir accidentellement ne présentant aucune suite, aucune liaison nécessaire, seraient peu intelligibles pour vous. Instruisez-vous d'abord par la théorie ; lisez et méditez les ouvrages qui traitent de cette science, là vous en apprendrez les principes, vous trouverez la description de tous les phénomènes, vous en comprendrez la possibilité par l'explication qui en est donnée, et par le récit d'une foule de faits spontanés dont vous avez pu être témoin à votre insu et qui vous reviendront à la mémoire ; vous vous édifierez sur toutes les difficultés qui peuvent se présenter, et vous vous formerez ainsi une première conviction morale. Alors, quand les circonstances se présenteront de voir ou d'opérer par vous-même, vous comprendrez, quel que soit l'ordre dans lequel les faits se présenteront, parce que rien ne vous sera étranger.»

Voilà, Monsieur, ce que je conseille à toute personne qui dit vouloir s'instruire, et à sa réponse il est aisé de voir s'il y a chez elle autre chose que de la curiosité.



[1] Depuis cet entretien, écrit en 1859, l’expérience est venue largement démontrer la justesse de cette proposition.


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