1001. Não haverá nenhum mérito em assegurar, para depois de nossa morte, um emprego útil aos bens que possuímos?
“Nenhum mérito não é bem o termo; isso sempre vale mais do que nada; porém, a desgraça é que aquele que só dispõe de seus bens depois da morte é quase sempre mais egoísta do que generoso; ele quer ter a honra do bem sem o esforço de praticá-lo. Aquele que se priva, quando vivo, tem duplo proveito: o mérito do sacrifício e o prazer de ver felizes aqueles a quem beneficia. Mas aí está o egoísmo a lhe dizer: O que dás, é um tanto que retiras de teus gozos; e como o egoísmo grita mais forte do que o desinteresse e a caridade, ele guarda, sob pretexto de suas necessidades e das exigências de sua posição. Ah! Lamentai aquele que não conhece o prazer de dar; ele está verdadeiramente privado de um dos mais puros e dos mais suaves gozos. Deus, ao submetê-lo à prova da fortuna, tão escorregadia e tão perigosa para seu futuro, quis dar-lhe por compensação a felicidade propiciada pela generosidade, da qual ele pode gozar desde já, neste mundo.” (814)