1000. Nós podemos, desde esta vida, resgatar nossas faltas?
“Sim, reparando-as; mas não creiais resgatá-las por algumas privações pueris, ou deixando o que possuís para que seja doado após vossa morte, quando de nada mais precisais. Deus não leva em conta um arrependimento estéril, sempre fácil, que custa apenas o esforço de bater no peito. A perda de um dedo mínimo, ao prestar um serviço, apaga mais faltas do que o cilício suportado durante anos sem outro objetivo senão a si mesmo. (726)
“O mal não é reparado senão pelo bem, e a reparação nenhum mérito tem senão atingir o homem nem em seu orgulho, nem em seus interesses materiais.
“De que lhe serve, para sua justificação, restituir os bens mal adquiridos, depois da morte, quando se lhe tornaram inúteis e deles já se aproveitou?
“De que lhe serve a privação de alguns gozos fúteis e de algumas superfluidades, se o mal que fez a outrem permanece o mesmo?
“De que lhe serve, enfim, humilhar-se diante de Deus, se conserva seu orgulho diante dos homens?” (720 - 721)