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O Livro dos Espíritos » Parte Quarta - Das esperanças e consolações » Capítulo II - Das penas e gozos futuros » Natureza das penas e gozos futuros » 977

977. Não podendo os Espíritos ocultar reciprocamente seus pensamentos, e sendo conhecidos todos os atos da vida, segue-se que o culpado está em presença perpétua de sua vítima?

“Não poderia ser de outro modo, diz o bom senso.”

— A divulgação de todos os nossos atos repreensíveis, e a presença perpétua dos que deles foram vítimas são um castigo para o culpado?

“Maior do que se pensa, mas somente até que o culpado tenha expiado suas faltas, seja como Espírito, seja como homem em novas existências corporais.”

Quando estamos nós mesmos no mundo dos Espíritos, todo o nosso passado estando a descoberto, serão igualmente conhecidos o bem e o mal que houvermos feito. É em vão que aquele que fez o mal busca escapar à visão de suas vítimas: a presença inevitável delas será para ele um castigo e um remorso incessantes até que tenha expiado seus erros, ao passo que o homem de bem, ao contrário, por toda parte só encontrará olhares amigos e benevolentes.

Para o mau, não há maior tormento na Terra do que a presença de suas vítimas; por isso ele as evita incessantemente. Que será quando, dissipada a ilusão das paixões, ele compreender o mal que fez, vir seus atos mais secretos desvelados, sua hipocrisia desmascarada, e não puder subtrair-se à visão delas? Enquanto a alma do homem perverso é atormentada pela vergonha, pelo pesar e pelo remorso, a do justo goza de perfeita serenidade.

 

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