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Revista Espírita 1859 » Agosto » Mobiliário de além-túmulo Revue Spirite 1859 » Août » Mobilier d'outre-tombe

Extraímos a passagem seguinte de uma carta que uma correspondente da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas nos enviou do departamento do Jura:

“...Como vos disse, senhor, os Espíritos gostavam da nossa velha habitação. Em outubro último (1858), a senhora Condessa de C..., amiga íntima de minha filha, veio com seu filhinho de 8 anos passar uns dias em nossa mansão. A criança dormia no mesmo quarto que sua mãe, e a porta de comunicação para o quarto de minha filha ficava aberta, a fim de prolongar as horas do dia e da conversa. O menino não dormia e dizia à mãe: ‘Que é que a senhora vai fazer com esse homem que está sentado junto à sua cama? Ele está fumando um grande cachimbo. Veja como enche o quarto de fumaça! Mande-o embora, pois está sacudindo as cortinas.’

“Essa visão durou a noite toda. A mãe não conseguiu que a criança se calasse, e ninguém conseguiu fechar os olhos. Esta circunstância não espantou nem a mim nem à minha filha, pois sabemos que há manifestações espíritas. A mãe, entretanto, acreditava que a criança estivesse sonhando acordada ou se divertindo.

“Eis outro fato que testemunhei pessoalmente e que me aconteceu no mesmo aposento, em maio de 1858. É o caso da aparição do Espírito de uma pessoa viva, que ficou muito admirado por ter vindo visitar-me. Eis as circunstâncias: Eu estava muito doente e há tempos não dormia, quando vi, às dez horas da noite, um amigo de minha família sentado junto à minha cama. Manifestei-lhe minha surpresa por sua visita àquela hora. Ele me disse: “Não faleis, pois venho velar-vos; não faleis, pois é preciso que durmais”, e estendeu a mão sobre minha cabeça. Várias vezes abri os olhos para ver se ainda lá estava, e a cada vez ele me fazia sinal para fechá-los e calar-me. Rodava a tabaqueira entre os dedos, e de vez em quando tomava uma pitada, como era seu costume. Por fim adormeci, e quando despertei a visão tinha desaparecido.

“Diversas circunstâncias comprovam que no momento dessa visita inesperada eu estava perfeitamente desperta, e que aquilo não era um sonho. Quando pela primeira vez me visitou de fato, tive o cuidado de agradecer-lhe. Ele estava com a mesma tabaqueira, e ao escutar-me tinha o mesmo sorriso de bondade que eu havia notado enquanto me velava. Como ele afirmou não ter vindo, o que aliás não me foi difícil aceitar, pois não havia nenhum motivo que o induzisse a vir a tal hora passar a noite junto a mim, compreendi que apenas seu Espírito tinha vindo visitar-me enquanto o corpo repousava tranquilo em sua casa”.

Os fatos de aparição são tão numerosos que impossível seria registrar todos aqueles que são de nosso conhecimento ou de que temos notícia através de fontes perfeitamente autênticas. Aliás, hoje que os fatos estão explicados; que nos demos conta de como exatamente se produzem e de que pertencem às leis da Natureza, sabemos que nada têm de maravilhosos. Já demos a sua teoria completa, por isso apenas a relembraremos em poucas palavras, para a boa compreensão do que vem a seguir.

Sabemos que, além do envoltório corporal exterior, tem o Espírito um outro, semimaterial, a que chamamos perispírito. A morte é apenas a destruição do primeiro corpo. No estado errante, o Espírito conserva o perispírito, que constitui uma espécie de corpo etéreo, invisível para nós em estado normal. Os Espíritos povoam o espaço. Se, em dado momento, o véu que no-los oculta fosse levantado, veríamos uma imensa população agitar-se em volta de nós e percorrer os ares. Temo-los constantemente ao nosso lado, observando-nos, e muitas vezes se misturando às nossas ocupações e aos nossos prazeres, conforme o seu caráter. A invisibilidade não é propriedade permanente dos Espíritos. Por vezes eles se mostram sob a aparência que tinham em vida, e não são poucas as pessoas que, revolvendo suas lembranças, não tenham conhecimento de algum fato desse gênero. A teoria das aparições é muito simples e se explica por uma comparação muito familiar, qual a do vapor, que sendo rarefeito, é completamente invisível. No primeiro grau de condensação, torna-se nebuloso; condensado mais e mais, passa ao estado líquido e depois ao sólido. Algo de semelhante se opera pela vontade do Espírito na substância do perispírito. Aliás, isto não é, como dissemos, mais que uma comparação, pois não queremos assimilar uma coisa à outra. Servimo-nos do exemplo do vapor para mostrar as mudanças de aspecto que pode sofrer um corpo invisível, mas daí não se infira que há no perispírito uma condensação, no sentido próprio do vocábulo. Opera-se na sua contextura uma modificação molecular, que o torna visível e mesmo tangível, e que lhe pode dar, até certo ponto, as propriedades dos corpos sólidos. Sabemos que corpos perfeitamente transparentes se tornam opacos pela simples mudança na posição das moléculas ou pela adição de outro corpo, igualmente transparente. Não sabemos bem como fazem os Espíritos para tornar visível o seu corpo etéreo. A maior parte deles não chega mesmo a se dar conta disso, mas, pelos exemplos que temos citado, compreendemos a sua possibilidade física, o que é bastante para tirar do fenômeno aquilo que, à primeira vista, poderia parecer sobrenatural. Pode, pois, o Espírito fazê-lo, quer por simples modificação íntima, quer assimilando uma porção de fluido estranho que altera momentaneamente o aspecto de seu perispírito. É, na verdade, esta última hipótese que ressalta das explicações que nos têm sido dadas, e que relatamos ao tratar do assunto (maio, junho e dezembro).

Até aqui nenhuma dificuldade no que concerne à personalidade do Espírito. Sabemos, porém, que se apresentam com roupagens cujo aspecto mudam à vontade; por vezes mesmo têm certos acessórios de toalete, joias, etc. Nas duas aparições citadas no começo, uma tinha um cachimbo e produzia fumaça; a outra, uma tabaqueira e tomava pitadas. Note-se, entretanto, o fato de que este Espírito era de uma pessoa viva e que sua tabaqueira era em tudo semelhante à de que se servia habitualmente, e que tinha ficado em casa. Que significam, então, essa tabaqueira, esse cachimbo, essas roupas e essas joias? Os objetos materiais que existem na Terra teriam uma representação etérea no mundo invisível? A matéria condensada que forma tais objetos teria uma parte quintessenciada, que escapa aos nossos sentidos? Eis um imenso problema, cuja solução pode dar a chave de uma porção de coisas até aqui não explicadas. Foi essa tabaqueira que nos pôs no caminho, não apenas do fato, mas do fenômeno mais extraordinário do Espiritismo: o fenômeno da pneumatografia ou escrita direta, de que falaremos a seguir.

Se alguns críticos nos censuram pelo fato de estarmos avançando muito na teoria, responderemos que ao encontrar uma oportunidade para avançar, não vemos por que devíamos ficar para trás. Se eles ainda estão olhando as mesas girantes, sem saber por que giram, isto não é motivo para que nos detenhamos no caminho. O Espiritismo é, sem dúvida, uma ciência de observação, mas é, talvez mais ainda, uma ciência de raciocínio, e o raciocínio é o único meio de fazê-lo progredir e triunfar de certas resistências. Este fato só é contestado porque não é compreendido. A explicação lhe tira todo o caráter maravilhoso, fazendo-o entrar nas leis gerais da Natureza. Eis por que vemos diariamente criaturas que nada viram e creem, apenas porque compreendem, enquanto outras viram e não creem, porque não compreendem. Fazendo entrar o Espiritismo na trilha do raciocínio, tornamo-lo aceitável para aqueles que querem conhecer o porquê e o como de todas as coisas, e o número deles é grande neste século, porque a crença cega já não está mais nos nossos costumes. Ora, se tivéssemos apenas indicado a rota, teríamos a consciência de haver contribuído para o progresso desta Ciência nova, objeto de nossos estudos constantes.

Voltemos à nossa tabaqueira.

Todas as teorias que apresentamos, relativas ao Espiritismo, nos foram fornecidas pelos Espíritos, que muitas vezes contraditaram as nossas próprias ideias, como aconteceu no caso presente, provando que as respostas não eram reflexo do nosso pensamento. Mas a maneira de se obter uma solução não é coisa sem importância. Sabemos por experiência própria que não basta pedir bruscamente uma coisa para a obtermos. Nem sempre as respostas são bastante explícitas; é necessário desenvolver o assunto com certas precauções; chegar ao objetivo progressivamente e por um encadeamento de deduções que requerem um trabalho prévio. Em princípio, a maneira de formular as questões, a ordem, o método e a clareza são coisas que não podem ser negligenciadas e que agradam aos Espíritos sérios, porque veem nisso um objetivo sério.

Eis a conversa que tivemos com o Espírito de São Luís, a propósito da tabaqueira, visando a solução do problema da produção de certos objetos no mundo invisível. (Sociedade, 24 de junho de 1859).

1. ─ No relato da senhora R..., trata-se de uma criança que viu perto do leito da mãe um homem fumando um grande cachimbo. Compreende-se que esse Espírito tenha podido tomar a aparência de um fumante; parece, entretanto, que fumava realmente, pois o menino via o quarto cheio de fumaça. O que era essa fumaça?

─ Uma aparência produzida para o menino.

2. ─ A senhora R... também cita o caso de uma aparição, vista por ela, do Espírito de uma pessoa viva. Esse Espírito tinha uma tabaqueira e tomava rapé. Poderia ele experimentar a sensação que a gente tem ao tomar uma pitada?

─ Não.

3. ─ Essa tabaqueira tinha a forma daquela que ele usa habitualmente, e que estava em sua casa. O que era essa tabaqueira entre as mãos do Espírito?

─ Sempre aparência. Era para que as circunstâncias fossem notadas, como o foram, e para que a aparição não fosse tomada por uma alucinação produzida pelo estado de saúde da vidente. O Espírito queria que essa senhora acreditasse na realidade de sua presença e tomou todas as aparências da realidade.

4. ─ Dizeis que é uma aparência, mas uma aparência nada tem de real; é como uma ilusão de óptica. Eu gostaria de saber se essa tabaqueira não era senão uma imagem irreal,  como, por exemplo, a de um objeto que se reflete num espelho.

(Um dos membros da Sociedade, o Sr. Sanson, faz observar que na imagem reproduzida pelo espelho há qualquer coisa de real. Se a imagem não fica no espelho, é que nada a fixa, mas se for projetada sobre uma chapa do daguerreótipo, deixa uma impressão, prova evidente de que é produzida por uma substância qualquer e que não é apenas uma ilusão de óptica).

─ A observação do Sr. Sanson é perfeitamente justa. Teríeis a bondade de nos dizer se existe alguma analogia com a tabaqueira, isto é, se existe algo de material nessa tabaqueira?

─ Certamente. É com o auxílio desse princípio material que o perispírito toma a aparência de vestimenta semelhante às que o Espírito usava quando vivo.

 

OBSERVAÇÃO: Evidentemente o vocábulo aparência deve aqui ser tomado no sentido de imagem, de imitação. A tabaqueira real lá não estava. A que o Espírito tinha era apenas uma reprodução. Comparada à original, era apenas uma aparência, conquanto formada por um princípio material.

A experiência nos ensina que não devemos tomar ao pé da letra certas expressões usadas pelos Espíritos. Interpretando-as segundo as nossas ideias, expomo-nos a grandes equívocos, por isso devemos aprofundar o sentido de suas palavras, sempre que existe uma ambiguidade mínima. Eis uma recomendação feita constantemente pelos Espíritos. Sem a explicação que provocamos, o vocábulo aparência, repetido continuamente em casos análogos, poderia dar lugar a uma falsa interpretação.

 

5. ─ Haveria um desdobramento da matéria inerte? Haveria no mundo invisível uma matéria essencial, revestindo a forma dos objetos que vemos? Numa palavra, esses objetos teriam o seu duplo etéreo no mundo invisível, como os homens aí são representados em Espírito?

 

OBSERVAÇÃO: Eis uma teoria como qualquer outra, e que era pensamento nosso. O Espírito, no entanto, não a levou em consideração, o que absolutamente não nos humilhou, porque sua explicação nos pareceu muito lógica o apoiada em princípio mais geral, do qual encontramos muitas aplicações.

 

─ Isto não se passa dessa maneira. O Espírito tem sobre os elementos materiais disseminados em todo o espaço, na nossa atmosfera, um poder que estais longe de suspeitar. Ele pode, à vontade, concentrar esses elementos e lhes dar uma forma aparente, adequada a seus projetos.

6. ─ Faço novamente a pergunta de maneira categórica, a fim de evitar qualquer equívoco. As roupas com que se cobrem os Espíritos são alguma coisa?

─ Parece que a minha resposta anterior resolve a questão. Não sabeis que o próprio perispírito é alguma coisa?

7. ─ Resulta desta explicação que os Espíritos fazem a matéria eterizada sofrer transformações à sua vontade e que, assim, no caso da tabaqueira, o Espírito não a encontrou perfeitamente acabada; ele mesmo a fez no momento em que dela necessitava, e depois a desfez. O mesmo deve acontecer com todos os outros objetos, tais como vestimentas, joias, etc.

─ Mas é evidente.

8. ─ Essa tabaqueira foi tão perfeitamente visível para a senhora R... a ponto de iludi-la. Poderia o Espírito tê-la tornado tangível?

─ Poderia.

9. ─ Nesse caso, a senhora R... poderia tê-la tomado nas mãos, julgando pegar uma autêntica tabaqueira?

─ Sim.

10. ─ Se a tivesse aberto teria provavelmente encontrado rapé. Se o tivesse tomado, ele a teria feito espirrar?

─ Sim.

11. ─ Pode então o Espírito dar não somente a forma, mas até propriedades especiais?

─ Se o quiser; é em virtude deste princípio que respondi afirmativamente às questões precedentes. Tereis provas da poderosa ação que o Espírito exerce sobre a matéria e que, como já vos disse, estais longe de suspeitar.

12. ─ Suponhamos então que ele tivesse querido fazer uma substância venenosa e que uma pessoa a tivesse tomado. Esta teria sido envenenada?

─ Poderia, mas não teria feito, porque não teria tido permissão para fazê-lo.

13. ─ Teria podido fazer uma substância salutar e própria para curar, em caso de moléstias? Já houve esse caso?

─ Sim; muitas vezes.

 

OBSERVAÇÃO: Um fato desse gênero será encontrado com uma explicação teórica muito interessante no artigo que damos a seguir sob o título Um Espírito serviçal.

 

14. ─ Assim também poderia ele fazer uma substância alimentar; suponhamos que tivesse feito um fruto ou um petisco qualquer. Poderia alguém comê-lo e sentir-se alimentado?

─ Sim, sim. Mas não procureis tanto para encontrar aquilo que é fácil de compreender. Basta um raio de sol para tornar perceptíveis aos vossos órgãos grosseiros essas partículas materiais que enchem o espaço em cujo meio viveis. Não sabeis que o ar contém vapor d’água? Condensai-o e o levareis ao estado normal. Privai-o do calor e eis que suas moléculas impalpáveis e invisíveis se tornarão corpo sólido e muito sólido. Outras matérias existem que levarão os químicos a vos apresentar maravilhas ainda mais assombrosas. Só o Espírito possui instrumentos mais perfeitos que os vossos: a sua própria vontade e a permissão de Deus.

 

OBSERVAÇÃO: A questão da saciedade é aqui muito importante. Como uma substância que tem apenas existência e propriedades temporárias e, de certo modo, convencionais, pode produzir a saciedade? Por seu contato com o estômago, essa substância produz a sensação de saciedade, mas não a saciedade resultante da plenitude. Se tal substância pode agir sobre a economia orgânica e modificar um estado mórbido, também pode agir sobre o estômago e produzir a sensação da saciedade. Contudo, pedimos aos senhores farmacêuticos e donos de restaurantes que não tenham ciúmes, nem pensem que os Espíritos lhes venham fazer concorrência. Esses casos são raros e excepcionais e jamais dependem da vontade. Do contrário, a alimentação e a cura seriam muito baratas.

 

15. ─ Do mesmo modo poderia o Espírito fabricar moedas?

─ Pela mesma razão.

16. ─ Desde que tornados tangíveis pela vontade do Espírito, poderiam esses objetos ter um caráter de permanência e de estabilidade?

─ Poderiam, mas isto não se faz. Está fora das leis.

17. ─ Todos os Espíritos têm esse mesmo grau de poder?

─ Não, não.

18. ─ Quais os que têm mais particularmente esse poder?

─ Aqueles a quem Deus o concede, quando isto é útil.

19. ─ A elevação de um Espírito influi nesse caso?

─ É certo que quanto mais elevado o Espírito, mais facilmente obtém esse poder. Isto, porém, depende das circunstâncias. Espíritos inferiores também podem obtê-lo.

20. ─ A produção dos objetos semimateriais resulta sempre de um ato da vontade do Espírito, ou por vezes ele exerce esse poder malgrado seu?

─ Isso frequentemente acontece malgrado seu.

21. ─ Seria então esse poder um dos atributos, uma das faculdades inerentes à própria natureza do Espírito? Seria, de algum modo, uma das propriedades, como a de ver e ouvir?

─ Certamente. Mas por vezes ele mesmo o ignora. Então outro o exerce por ele, malgrado seu, quando as circunstâncias o exigem. O alfaiate do zuavo era justamente o Espírito de que acabo de falar e ao qual ele fazia alusão na sua linguagem chistosa[1].

 

OBSERVAÇÃO: Encontramos um exemplo dessa faculdade em certos animais, como por exemplo no peixe-elétrico, que irradia eletricidade sem saber o que faz, nem como, e que nem ao menos conhece o mecanismo que a produz. Nós mesmos por vezes não produzimos certos efeitos por atos espontâneos dos quais não nos damos conta? Assim, pois, parece-nos muito natural que o Espírito opere nessa circunstância por uma espécie de instinto. Ele opera por sua vontade, sem saber como, assim como nós andamos sem calcular as forças que colocamos em jogo.

 

22. ─ Compreendemos que nos dois casos citados pela Senhora R.., um dos Espíritos quisesse ter um cachimbo e o outro uma tabaqueira para impressionar a visão de uma pessoa viva. Pergunto, porém, se caso não tivesse chegado a fazê-la ver, poderia o Espírito pensar que tinha esses objetos, criando para si mesmo uma ilusão?

─ Não, se ele tiver uma certa superioridade, porque terá perfeita consciência de sua condição. Já o mesmo não se dá com os Espíritos inferiores.

 

OBSERVAÇÃO: Esse era, por exemplo, o caso da rainha de Oude, cuja evocação consta do nosso número de março de 1858, que ainda se julgava coberta de diamantes.

 

23. ─ Dois Espíritos podem reconhecer-se mutuamente pela aparência material que tinham em vida?

─ Não é por esse meio que eles se reconhecem, pois não tomarão essa aparência um para o outro. Se, porém, em certas circunstâncias, se acham em presença um do outro, revestidos dessa aparência, por que não se haveriam de reconhecer?

24. ─ Como podem os Espíritos reconhecer-se no meio da multidão de outros Espíritos, e sobretudo como podem fazê-lo quando um deles vai procurar em lugar distante e muitas vezes em outros mundos, aqueles que chamamos?

─ Isto é uma pergunta cuja resposta levaria muito longe. É necessário esperar. Não estais suficientemente adiantados. No momento contentai-vos com a certeza de que assim é, pois disso tendes provas suficientes.

25. ─ Se o Espírito pode tirar do elemento universal os materiais para fazer todas essas coisas e dar a elas uma realidade temporária, com suas propriedades, também pode tirar dali o necessário para escrever. Consequentemente, isto nos dá a chave do fenômeno da escrita direta.

─ Finalmente o compreendeis.

26. ─ Se a matéria de que se serve o Espírito não é permanente, como não desaparecem os traços da escrita direta?

─ Não julgueis pelas palavras. Desde o início eu nunca disse jamais. Nos casos estudados, tratava-se de objetos materiais volumosos; aqui se trata de sinais que convém conservar e são conservados.

A teoria acima pode resumir-se assim: O Espírito age sobre a matéria; tira da matéria primitiva universal os elementos necessários para, à vontade, formar objetos com a aparência dos diversos corpos existentes na Terra. Também pode operar sobre a matéria elementar, por sua vontade, uma transformação íntima que lhe dá determinadas propriedades. Essa faculdade é inerente à natureza do Espírito, que muitas vezes a exerce, quando necessário, como um ato instintivo, que não chega a perceber. Os objetos formados pelos Espíritos têm uma existência temporária, subordinada à sua vontade ou à necessidade. Ele pode fazê-los e desfazê-los à vontade. Em certos casos, aos olhos das pessoas vivas, esses objetos podem ter todas as aparências da realidade, isto é, tornar-se momentaneamente visíveis e até tangíveis. Há formação, mas não criação, visto que o Espírito nada pode tirar do nada.

 



[1] Ver a pergunta 44 do artigo “O zuavo de Magenta” do número de julho. (N. do R.).


 

REVUE SPIRITE

JOURNAL

D'ÉTUDES PSYCHOLOGIQUES

Août 1859

__________________________

Mobilier d'outre-tombe.

Nous extrayons le passage suivant d'une lettre qui nous est adressée du département du Jura par un des correspondants de la Société parisienne des Etudes spirites:

« ... Je vous ai dit, Monsieur, que notre vieille habitation était aimée des Esprits. Au mois d'octobre dernier (1858), Mme la comtesse de C., amie intime de ma fille, vint passer quelques jours dans notre manoir avec son jeune fils, âgé de huit ans. On couchait l'enfant dans le même appartement que sa mère; la porte donnant de sa chambre dans celle de ma fille fut laissée ouverte pour pouvoir prolonger les heures de la journée et causer. L'enfant ne dormait pas, et disait à sa mère: « Que faites-vous donc de cet homme assis au pied de votre lit? Il fume dans une grande pipe; voyez comme il remplit votre chambre de fumée; renvoyez-le donc; il secoue vos rideaux. » Cette vision dura toute la nuit; la mère ne put faire taire l'enfant et personne ne put fermer l'œil. Cette circonstance n'étonna ni ma fille ni moi, qui savons ce qu'il en est des manifestations spirites; quant à la mère, elle crut que son fils rêvait éveillé, ou s'amusait.

« Voici un autre fait qui m'est personnel et qui m'est arrivé dans ce même appartement, au mois de mai 1858; c'est l'apparition de l'Esprit d'un vivant qui fut fort étonné ensuite d'être venu me visiter; voici dans quelle circonstance: J'étais fort malade et ne dormais pas depuis longtemps, lorsque je vis, à dix heures du soir, un ami de ma famille assis près de mon lit. Je lui témoignai ma surprise de sa visite à cette heure. Il me dit: Ne parlez pas, je viens vous veiller; ne parlez pas, il faut que vous dormiez; et il étendit sa main sur ma tête. Plusieurs fois je rouvris les yeux pour voir s'il y était encore, et chaque fois il me faisait signe de les fermer et de me taire. Il roulait sa tabatière dans ses doigts et prenait de temps en temps une prise comme il a l'habitude de le faire. Je m'endormis enfin, et à mon réveil la vision avait disparu. Différentes circonstances me donnaient la preuve qu'au moment de cette visite inattendue j'étais parfaitement éveillée et que ce n'était point un rêve. A sa première visite, je m'empressai de le remercier; il tenait la même tabatière, et en m'écoutant avait le même sourire de bonté que j'avais remarqué en lui pendant qu'il me veillait. Comme il m'affirma n'être pas venu, ce que du reste je n'eus pas de peine à croire, car il n'y avait aucun motif qui pût l'engager à venir à pareille heure et à passer la nuit auprès de moi, je compris que son Esprit seul m'avait rendu visite tandis que son corps reposait tranquillement chez lui. »

Les faits d'apparition sont tellement nombreux qu'il nous serait impossible d'enregistrer tous ceux qui sont à notre connaissance et que nous tenons de sources parfaitement authentiques. Du reste, aujourd'hui que ces faits sont expliqués, qu'on se rend exactement compte de la manière dont ils se produisent, on sait qu'ils rentrent dans les lois de la nature et, dès lors, n'ont plus rien de merveilleux. Nous en avons déjà donné la théorie complète, nous ne ferons que la rappeler en peu de mots pour l'intelligence de ce qui va suivre.

On sait qu'outre l'enveloppe corporelle extérieure, l'Esprit en a une seconde semi-matérielle que nous nommons périsprit. La mort n'est que la destruction de la première. L'Esprit, dans son état errant, conserve le périsprit qui constitue une sorte de corps éthéré, invisible pour nous dans l'état normal. Les Esprits peuplent l'espace, et si, à un moment donné, le voile qui nous les dérobe venait à se lever, nous verrions une innombrable population s'agiter autour de nous et parcourir les airs; nous en avons sans cesse à nos côtés qui nous observent, et souvent se mêlent à nos occupations ou à nos plaisirs, selon leur caractère. L'invisibilité n'est pas une propriété absolue des Esprits; souvent ils se montrent à nous sous l'apparence qu'ils avaient de leur vivant, et il est peu de personnes qui, en rappelant leurs souvenirs, n'aient eu connaissance de quelque fait de ce genre. La théorie de ces apparitions est fort simple et s'explique par une comparaison qui nous est très familière, celle de la vapeur qui, lorsqu'elle est très raréfiée, est complètement invisible; un premier degré de condensation la rend nuageuse; de plus en plus condensée, elle passe à l'état liquide, puis à l'état solide. Il s'opère quelque chose d'analogue par la volonté de l'Esprit dans la substance du périsprit; ce n'est, du reste, comme nous l'avons dit, qu'une comparaison et non une assimilation que nous avons prétendu établir; nous nous sommes servi de l'exemple de la vapeur pour montrer les changements d'aspect que peut subir un corps invisible, mais nous n'en avons pas inféré qu'il y eût dans le périsprit une condensation dans le sens propre du mot. Il s'opère, dans sa contexture, une modification moléculaire qui le rend visible et même tangible, et peut lui donner, jusqu'à un certain point, les propriétés des corps solides. Nous savons que des corps parfaitement transparents deviennent opaques par un simple changement dans la position des molécules, ou par l'addition d'un autre corps également transparent. Nous ne savons pas exactement comment s'y prend l'Esprit pour rendre visible son corps éthéré; la plupart même d'entre eux ne s'en rendent pas compte, mais, par les exemples que nous avons cités, nous en concevons la possibilité physique, et cela suffit pour ôter à ce phénomène ce qu'il a de surnaturel au premier abord. L'Esprit peut donc l'opérer soit par une simple modification intime, soit en s'assimilant une portion de fluide étranger qui change momentanément l'aspect de son périsprit; c'est même cette dernière hypothèse qui ressort des explications qui nous ont été données, et que nous avons rapportées en traitant ce sujet. (Mai, juin et décembre.)

Jusque-là il n'y a aucune difficulté pour ce qui concerne la personnalité de l'Esprit, mais nous savons qu'ils se présentent avec des vêtements dont ils changent l'aspect à volonté; souvent même ils ont certains accessoires de toilette, tels que bijoux, etc. Dans les deux apparitions que nous avons citées en commençant, l'un avait une pipe et produisait de la fumée; l'autre avait une tabatière et prisait; et notez bien ce fait que cet Esprit était celui d'une personne vivante, que sa tabatière était en tout semblable à celle dont il se servait habituellement et qui était restée chez lui. Qu'est-ce que c'est que cette tabatière, cette pipe, ces vêtements, ces bijoux? Les objets matériels qui existent sur la terre auraient-ils leur représentation éthérée dans le monde invisible? La matière condensée qui forme ces objets aurait-elle une partie quintessenciée échappant à nos sens? C'est là un immense problème dont la solution peut donner la clef d'une foule de choses jusqu'alors inexpliquées, et c'est la tabatière en question qui nous a mis sur la voie, non seulement de ce fait, mais du phénomène le plus extraordinaire du Spiritisme: celui de la pneumatographie ou écriture directe, dont nous parlerons tout à l'heure.

Si quelques critiques nous reprochaient encore à ce sujet d'aller trop avant dans la théorie, nous leur dirions que, lorsque nous trouvons une occasion d'avancer, nous ne voyons pas pourquoi nous serions tenu de rester en arrière. S'ils en sont encore à voir tourner des tables sans savoir pourquoi elles tournent, ce n'est pas une raison pour nous de nous arrêter en chemin. Le Spiritisme est sans doute une science d'observation, mais c'est plus encore peut-être une science de raisonnement; le raisonnement est le seul moyen de le faire avancer et de triompher de certaines résistances. Tel fait est contesté uniquement parce qu'il n'est pas compris; l'explication lui ôte tout caractère merveilleux et le fait rentrer dans les lois générales de la nature. Voilà pourquoi nous voyons tous les jours des gens qui n'ont rien vu et qui croient, uniquement parce qu'ils comprennent; tandis que d'autres ont vu et ne croient pas, parce qu'ils ne comprennent pas. En faisant entrer le Spiritisme dans la voie du raisonnement, nous l'avons rendu acceptable pour ceux qui veulent se rendre compte du pourquoi et du comment de chaque chose, et le nombre en est grand dans ce siècle- ci, parce que la croyance aveugle n'est plus dans nos mœurs; or, n'eussions-nous fait qu'indiquer la route, nous aurions la conscience d'avoir contribué au progrès de cette science nouvelle, objet de nos études constantes. Revenons à notre tabatière.

Toutes les théories que nous avons données touchant le Spiritisme nous ont été fournies par les Esprits, et bien souvent elles ont contredit nos propres idées, comme cela est arrivé dans le cas présent, preuve que les réponses n'étaient pas le reflet de notre pensée. Mais le moyen d'avoir une solution n'est pas chose indifférente; nous savons, par expérience, qu'il ne suffit pas de demander brusquement une chose pour l'obtenir; les réponses ne sont pas toujours suffisamment explicites; il faut en demander le développement avec certaines précautions, arriver au but graduellement et par un enchaînement de déductions qui nécessitent un travail préalable. En principe, la manière de formuler les questions, l'ordre, la méthode et la clarté sont des choses qu'on ne doit pas négliger, et qui plaisent aux Esprits sérieux parce qu'ils y voient un but sérieux.

Voici l'entretien que nous avons eu avec l'Esprit de saint Louis, à propos de la tabatière, et en vue d'arriver à la solution du problème de la production de certains objets dans le monde invisible. (Société, 24 juin 1859.)

1. Dans le récit de Mme R..., il est question d'un enfant qui a vu près du lit de sa mère un homme fumant dans une grosse pipe. On conçoit que cet Esprit ait pu prendre l'apparence d'un fumeur, mais il paraît qu'il fumait réellement puisque l'enfant vit la chambre pleine de fumée. Qu'était-ce que cette fumée? - R. Une apparence produite pour l'enfant.

2. Madame R... cite également un cas d'apparition, qui lui est personnel, de l'Esprit d'une personne vivante. Cet Esprit avait une tabatière et prisait. Eprouvait-il la sensation que l'on éprouve en prisant? - R. Non.

3. Cette tabatière avait la forme de celle dont il se sert habituellement et qui était chez lui. Qu'était-ce que cette tabatière entre les mains de cet Esprit? - R. Toujours apparence; c'était pour que la circonstance fût remarquée comme elle l'a été, et que l'apparition ne fût pas prise pour une hallucination produite par l'état de santé du voyant. L'Esprit voulait que cette dame crût à la réalité de sa présence, il a pris toutes les apparences de la réalité.

4. Vous dites que c'est une apparence; mais une apparence n'a rien de réel, c'est comme une illusion d'optique. Je voudrais savoir si cette tabatière n'était qu'une image sans réalité, comme celle, par exemple, d'un objet qui se reflète dans une glace?

(M. Sanson, un des membres de la Société, fait observer que, dans l'image reproduite par la glace, il y a quelque chose de réel; si elle n'y reste pas, c'est que rien ne la fixe; mais si elle se pose sur la plaque du daguerréotype, elle y laisse une empreinte, preuve évidente qu'elle est produite par une substance quelconque, et que ce n'est pas seulement une illusion d'optique.)

L'observation de M. Sanson est parfaitement juste. Voudriez-vous avoir la bonté de nous dire s'il y a quelque analogie avec la tabatière, c'est-à-dire si, dans cette tabatière, il y a quelque chose de matériel? - R. Certainement; c'est à l'aide de ce principe matériel que le périsprit prend l'apparence de vêtements semblables à ceux que l'Esprit portait de son vivant.

Remarque. Il est évident qu'il faut entendre ici le mot apparence dans le sens d'image, imitation. La tabatière réelle n'était pas là; celle que tenait l'Esprit n'en était que la reproduction: c'était donc une apparence comparée à l'original, quoique formée d'un principe matériel.

L'expérience nous apprend qu'il ne faut pas prendre à la lettre certaines expressions employées par les Esprits; en les interprétant selon nos idées, nous nous exposons à de grandes méprises, c'est pourquoi il faut approfondir le sens de leurs paroles toutes les fois qu'il présente la moindre ambiguïté; c'est une recommandation que nous font constamment les Esprits. Sans l'explication que nous avons provoquée, le mot apparence, constamment reproduit dans les cas analogues, pouvait donner lieu à une fausse interprétation.

5. Est-ce que la matière inerte se dédoublerait? Y aurait-il dans le monde invisible une matière essentielle qui revêtirait la forme des objets que nous voyons? En un mot, ces objets auraient-ils leur doublure éthérée dans le monde invisible, comme les hommes y sont représentés en Esprit?

Remarque. C'est là une théorie comme une autre, et c'était notre pensée; mais l'Esprit n'en a pas tenu compte, ce dont nous ne sommes nullement humilié, parce que son explication nous a paru très logique et qu'elle repose sur un principe plus général dont nous trouvons maintes applications.

- R. Ce n'est point ainsi que cela se passe. L'Esprit a sur les éléments matériels répandus partout dans l'espace, dans notre atmosphère, une puissance que vous êtes loin de soupçonner. Il peut à son gré concentrer ces éléments et leur donner la forme apparente propre à ses projets.

6. Je pose de nouveau la question d'une manière catégorique, afin d'éviter toute équivoque: Les vêtements dont se couvrent les Esprits sont-ils quelque chose? - R. Il me semble que ma réponse précédente résout la question. Ne savez-vous pas que le périsprit lui-même est quelque chose?

7. Il résulte de cette explication que les Esprits font subir à la matière éthérée des transformations à leur gré, et qu'ainsi, par exemple, pour la tabatière, l'Esprit ne l'a point trouvée toute faite, mais qu'il l'a faite lui- même pour le moment où il en avait besoin, et qu'il a pu la défaire; il doit en être de même de tous les autres objets, tels que vêtements, bijoux, etc. - R. Mais évidemment.

8. Cette tabatière a été visible pour Mme R... au point de lui faire illusion. L'Esprit aurait-il pu la rendre tangible pour elle? - R. Il l'aurait pu.

9. Le cas échéant, Mme R... aurait-elle pu la prendre dans ses mains, croyant avoir une tabatière véritable? - R. Oui.

10. Si elle l'eût ouverte, elle y eût probablement trouvé du tabac; si elle eût pris de ce tabac, l'aurait-il fait éternuer? - R. Oui.

11. L'Esprit peut donc donner, non seulement la forme, mais des propriétés spéciales? - R. S'il le veut; ce n'est qu'en vertu de ce principe que j'ai répondu affirmativement aux questions précédentes. Vous aurez des preuves de la puissante action qu'exerce l'Esprit sur la matière, et que vous êtes loin de soupçonner, comme je vous l'ai déjà dit.

12. Supposons alors qu'il eût voulu faire une substance vénéneuse et qu'une personne en eût pris, aurait-elle été empoisonnée? - R. Il l'aurait pu, mais il ne l'aurait pas fait; cela ne lui aurait pas été permis.

13. Aurait-il eu le pouvoir de faire une substance salutaire et propre à guérir en cas de maladie, et le cas s'est-il présenté? - R. Oui, fort souvent.

Remarque. On trouvera un fait de ce genre, suivi d'une intéressante explication théorique, dans l'article que nous publions ci-après sous le titre de Un Esprit servant.

14. Il pourrait tout aussi bien faire une substance alimentaire; supposons qu'il ait fait un fruit, un mets quelconque, quelqu'un pourrait-il en manger et se sentir rassasié? - R. Oui, oui. Mais ne cherchez donc pas tant pour trouver ce qui est si facile à comprendre. Il suffit d'un rayon de soleil pour rendre perceptibles à vos organes grossiers ces particules matérielles qui encombrent l'espace au milieu duquel vous vivez; ne savez-vous pas que l'air contient des vapeurs d'eau? Condensez-les, vous les ramènerez à l'état normal; privez-les de chaleur, et voilà que ces molécules impalpables et invisibles sont devenues un corps solide et très solide, et bien d'autres matières dont les chimistes vous tireront des merveilles plus étonnantes encore; seulement l'Esprit possède des instruments plus parfaits que les vôtres: sa volonté et la permission de Dieu.

Remarque. La question de satiété est ici fort importante. Comment une substance qui n'a qu'une existence et des propriétés temporaires et en quelque sorte de convention peut-elle produire la satiété? Cette substance, par son contact avec l'estomac, produit la sensation de la satiété, mais non la satiété résultant de la plénitude. Si une telle substance peut agir sur l'économie et modifier un état morbide, elle peut tout aussi bien agir sur l'estomac et y produire le sentiment de la satiété. Nous prions toutefois M.M. les pharmaciens et restaurateurs de ne pas en concevoir de jalousie, ni croire que les Esprits viennent leur faire concurrence: ces cas sont rares, exceptionnels, et ne dépendent jamais de la volonté; autrement on se nourrirait et l'on se guérirait à trop bon marché.

15. L'Esprit pourrait-il, de la même manière, faire de l'argent monnayé? - R. Par la même raison.

16. Ces objets, rendus tangibles par la volonté de l'Esprit, pourraient- ils avoir un caractère de permanence et de stabilité? - R. Cela se pourrait, mais cela ne se fait pas; c'est en dehors des lois.

17. Tous les Esprits ont-ils ce pouvoir au même degré? - R. Non, non!

18. Quels sont ceux qui ont plus particulièrement ce pouvoir? - R. Ceux auxquels Dieu l'accorde quand cela est utile.

19. L'élévation de l'Esprit y est-elle pour quelque chose? - R. Il est certain que plus l'Esprit est élevé, plus facilement il l'obtient; mais encore cela dépend des circonstances: des Esprits inférieurs peuvent avoir ce pouvoir.

20. La production des objets semi-matériels est-elle toujours le fait d'un acte de la volonté de l'Esprit, ou bien exerce-t-il quelquefois ce pouvoir à son insu? - R. Il l'exerce SOUVENT à son insu.

21. Ce pouvoir serait alors un des attributs, une des facultés inhérentes à la nature même de l'Esprit; ce serait en quelque sorte une de ses propriétés, comme de voir et d'entendre? - R. Certainement; mais souvent il l'ignore lui-même. C'est alors qu'un autre l'exerce pour lui, à son insu, quand les circonstances le demandent. Le tailleur du zouave était justement l'Esprit dont je viens de parler, et auquel il faisait allusion dans son langage badin.

Remarque. Nous trouvons une comparaison de cette faculté dans celle de certains animaux, la torpille, par exemple, qui dégage de l'électricité sans savoir ni ce qu'elle fait, ni comment elle s'y prend, et qui connaît encore moins le mécanisme qu'elle fait fonctionner. Ne produisons-nous pas souvent nous-mêmes certains effets par des actes spontanés dont nous ne nous rendons pas compte? Il nous paraît donc tout naturel que l'Esprit agisse en cette circonstance par une sorte d'instinct; il produit par sa volonté, sans savoir comment, comme nous marchons sans calculer les forces que nous mettons en jeu.

22. Nous concevons que, dans les deux cas cités par Madame R..., l'un des deux Esprits ait voulu avoir une pipe et l'autre une tabatière pour frapper les yeux d'une personne vivante; mais je demande si, n'ayant point à se faire voir, l'Esprit pourrait croire tenir ces objets, et se faire illusion à lui-même? - R. Non, s'il a une certaine supériorité, car il a la parfaite conscience de ce qu'il est; mais il en est autrement pour les Esprits inférieurs.

Remarque. Telle était par exemple la reine d'Oude, dont l'évocation a été rapportée dans le numéro de mars 1858, et qui se croyait encore couverte de diamants.

23. Deux Esprits peuvent-ils se reconnaître entre eux par l'apparence matérielle qu'ils avaient de leur vivant? - R. Ce n'est pas par là qu'ils se reconnaissent, puisqu'ils ne prendront pas cette apparence l'un pour l'autre; mais si, dans certaines circonstances, ils se trouvent en présence, revêtus de cette apparence, pourquoi ne se reconnaîtraient-ils pas?

24. Comment les Esprits peuvent-ils se reconnaître dans la foule des autres Esprits, et comment surtout peuvent-ils le faire quand l'un d'eux va chercher au loin, et souvent dans d'autres mondes, ceux qu'on appelle? - R. Ceci est une question dont la solution entraînerait trop loin; il faut attendre; vous n'êtes pas assez avancés; contentez-vous, pour le moment, de la certitude que cela est, vous en avez assez de preuves.

25. Si l'Esprit peut puiser dans l'élément universel les matériaux pour faire toutes ces choses, donner à ces choses une réalité temporaire avec leurs propriétés, il peut tout aussi bien y puiser ce qui est nécessaire pour écrire, et par conséquent ceci nous paraît donner la clef du phénomène de l'écriture directe? - R. Enfin, vous y voilà donc!

26. Si la matière dont se sert l'Esprit n'a pas de persistance, comment se fait-il que les traces de l'écriture directe ne disparaissent pas? - R. N'épiloguez pas sur les mots; je n'ai d'abord pas dit: jamais; il était question d'un objet matériel volumineux; ici, ce sont des signes tracés qu'il est utile de conserver, et on les conserve.

La théorie ci-dessus peut se résumer ainsi: L'Esprit agit sur la matière; il puise dans la matière primitive universelle les éléments nécessaires pour former à son gré des objets ayant l'apparence des divers corps qui existent sur la terre. Il peut également opérer sur la matière élémentaire, par sa volonté, une transformation intime qui lui donne des propriétés déterminées. Cette faculté est inhérente à la nature de l'Esprit, qui l'exerce souvent comme un acte instinctif quand cela est nécessaire, et sans s'en rendre compte. Les objets formés par l'Esprit ont une existence temporaire, subordonnée à sa volonté ou à la nécessité; il peut les faire et les défaire à son gré. Ces objets peuvent, dans certains cas, avoir aux yeux des personnes vivantes, toutes les apparences de la réalité, c'est-à- dire devenir momentanément visibles et même tangibles. Il y a formation, mais non création, attendu que l'Esprit ne peut rien tirer du néant.


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